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fico incrédulo

O Departamento de Justiça Norte-Americano lançou uma investigação contra a agência de rating Standard & Poor´s que visa apurar as responsabilidades desta numa eventual fraude na crise dos sub-primes em 2007 por “considerar que a agência de rating ignorou as fragilidades dos investimentos em produtos financeiros hipotecários durante o período que antecedeu a crise económica de 2008.”

Devo considerar que acho este pedido de investigações no mínimo caricato. Devido a certos pontos:

1. O Governo Norte-Americano usa e abusa das suas agências de rating para defender os seus interesses económicos nacionais. Tanto podemos ver a agência em causa a dar rating de Triple-A a produtos financeiros que não merecem esse rating devido ao risco de incumprimento que subjaz e a manter o rating da dívida alemã no referido rating sem que a economia alemã cresça a um nível que possa tornar essa dívida pagável, como podemos ver as agências de rating a afundar os países da zona euro a partir do rating da sua dívida para que o euro desvalorize em relação ao dólar e para que os sectores produtivos europeus se tornem menos competitivos nos mercados em relação aos seus homólogos americanos e para que a especulação possa fazer aumentar os juros da emissão de títulos de dívida e os investidores mundiais possam sugar esses mesmos estados até ao tutano como é o caso da dívida pública portuguesa.

2. Porque é que o Departamento de Justiça Norte-Americano, em relação a estes produtos financeiros e à especulação que foi feita em seu torno, não lança uma investigação detalhada às autorizações dadas pela Reserva Federal no último mandato de Alan Greenspan e à falta de supervisão económica da mesma agência? Afinal de contas parece que já foi provado que foi a FED que deu autorização à transacção em mercado de certos produtos (com um risco de incumprimento que jamais teriam o rating de Triple-A) cujos responsáveis sabiam perfeitamente (no caso de activos tóxicos do mercado imobiliário) que seriam negócios que iriam dar para o torto.

No entanto, os responsáveis da FED sempre poderão alegar isto: (vide declarações de Greenspan a meio do vídeo para o documentário de Charles Ferguson “Inside Job”)

3. Greenspan, hoje conselheiro económico do Primeiro-Ministro Britânico irá alegar que “não, não tinha conhecimento profundo sobre os CDS” (credit default swap) que os bancos e as seguradoras Norte-Americanas (entre as quais aquela cuja falência despoletou a crise de 2007, a Lehman Brothers) e “não, não sabia que os activos tóxicos emitidos por essas entidades iriam ser negócios ruinosos”. A fraude não reside apenas nos comportamentos especulativos tomados pela agência de rating em questão. Tenho como dado adquirido que a culpa desta fraude é partilhada com a Reserva Federal Norte-Americana.

4. Concluo portanto que a justiça norte-americana sofreu interferências do poder executivo para de uma vez por todas oferecer como bode expiatório para o que passou em 2007 as agências de rating. Não deixa de ser, no mínimo, caricato.

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concorrência e enfraquecimento

Não é de espantar que a Moody´s tenha colocado em vigilância negativa os ratings das principais potencias europeias (inclusive da Alemanha) que ainda são cotadas com Triple A e que por consequência também tenha colocado na mesma moeda o rating do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF)

Tal e qual a opinião da vice-presidente da Comissão Europeia Viviane Reding creio que é mais uma manobra norte-americana que visa enfraquecer a Europa. Por vários motivos:

1. Não pelo facto da Alemanha estar em queda ao nível de controlo das suas contas públicas, mas pelo facto de ser o principal motor europeu e pelo facto de ser um de 3 países (em conjunto com a França e com o Reino Unido) capazes de iniciar uma onda expansionista na economia europeia.

2. Na precisa altura em que os EUA estão com dificuldades em concorrer nos mercados com os países do complexo do Sudeste Asiático, principalmente com os Chineses. Os Norte-Americanos já se aperceberam que a sua hegemonia no mundo está em risco e necessitam de enfraquecer os países europeus para que estes futuramente lhes prestem a subserviência do costume.

3. No preciso momento em que a Espanha está sob o risco de bancarrota e necessita que o FEEF actue na compra da sua dívida pública, pelo menos, abaixo dos 7% que de juros que neste momento lhes são cobrados nos mercados, como medida para que os mercados acalmem quanto à questão dívida espanhola. Se a cotação do FEEF for revista em baixa, o Estado Espanhol não terá outra solução que não recorrer à ajuda do Fundo Monetário Internacional.

A explicação da Moody´s é intolerável. A baixa de rating que acima enunciei é justificada pela forte possibilidade da Grécia sair da zona euro ainda este ano. É praticamente certo que os Gregos estão abandonados à sua sorte. Nem o FMI foi capaz de estabilizar a economia Helénica. A Portuguesa parece ir pelo mesmo caminho. E todos os economistas sabem que o risco de contágio a França, Itália e Alemanha da junção dos celeumas Grego, Português e Espanhol é abrangente e poderá ser devastador. E isso interessa neste momento aos Estados Unidos. Abertura e domínio de novos mercados na Europa aos americanos soará a mel.

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não existem telemóveis. nem assessores

Este governo cai no descrédito dia-após-dia. São umas atrás das outras.

Primeiro o desvio era e não era colossal.

Segundo, há uns meses atrás o primeiro-ministro afirmou que os cortes nos subsídios de férias e de natal eram uma medida temporária. Agora já são para manter até 2015 segundo a sua óptica, óptica diferente do Ministro das Finanças.

Pedro Passos Coelho afirmou há uns meses atrás que Portugal regressaria aos mercados de emissão de dívida em 2013. Agora já é em 2014. Para Miguel Relvas continua a ser em 2013. É Relvas quem comanda os destinos do país ou o Primeiro-Ministro voltou a revelar a sua veia de mentiroso compulsivo?

Se não houvessem os meios de comunicação que existem hoje, até poderiamos desculpar estes lapsos. Ou então isto é sinónimo que já ninguém se entende no governo. Ou então é sinal que estes temas cheiram a esturro. Querem continuar a acreditar nestes vendedores de pesadelos?

Francisco Louça, indivíduo que prezo bastante enquanto economista (e odeio como político) teve hoje uma das afirmações mais acertadas que lhe ouvi: “se portugal receber um segundo pacote de ajuda durante esta legislatura, o governo terá que cair” – nada mais acertado poderia ter saído do líder do Bloco de Esquerda. Até na possibilidade de um 2º resgate a doutrina diverge. A Fitch, no seu relatório sobre Portugal afirma essa possibilidade caso a recessão prevista para o ano 2012 seja superior à esperada. Tanto o BCE como o FMI como Vitor Gaspar negam a possibilidade de se consumar um 2º pacote de ajuda, mas Vitor Constâncio (aquele que no banco de Portugal nunca acertava uma previsão de crescimento económico) afirmou que essa hipótese nunca poderá ser descartada. Outros economistas vêem como inevitável uma 2ª ajuda a Portugal pelo simples facto das medidas de austeridade não estarem a ser acompanhadas de um sólido plano de crescimento económico. Ou seja, estamos a cortar em tudo para no fim se atingir um estado económico pior daquele em que estavamos quando Sócrates pediu ajuda externa.

O grande problema da não existência de um plano de crescimento económico para o país não advém da falta de soluções governamentais. O nosso Álvarinho Canadiano está tão confuso daquela cabecinha (nem os livros de economia portuguesa o podem salvar) que no meio de tanta papelada no seu super-ministério apenas consegue sacar como virtude a possibilidade de tornar o país apelativo a investimento externo, seguindo mais uma vez a opinião exterior dos megacorporativistas do Fundo Monetário Internacional. Tanto é que esta nova revisão do Código do Trabalho não foi mais do que tornar “sexy” o nosso país para a entrada de investimento estrangeiro ao jeito de “entrás cá, investes algum e a gente trata de meter o preguiçoso operário portuga a produzir para ti a níveis aceitáveis a troco de uma malga de arroz como os Chineses. Não te preocupes se tiveres de despedir porque no mesmo dia não só não te fica tão cara a indeminização do trabalhador em causa como terás mais 15 à disposição com um salário ainda mais baixo do que aquele que despediste”.

Onde é que entra a hipocrisia neste post?

Relembramos a estratégia do Álvaro quando este dizia que o crescimento português também se deveria assentar no empreendorismo jovem. Com que meios pergunto eu?

Nas Universidades, são mais os excluídos que os incluídos.

Nas Universidades não há dinheiro para desenvolvimento tecnológico.

Os cérebros que saem das Universidades são convidados pelo governo a emigrar.

Os bancos fecham as suas linhas de crédito para investimentos a partir do zero. Teremos que ir bater às portas da Cofidis para montar a nossa empresa?

As linhas de apoio do Estado à iniciativa empresarial e às existêntes PME´s está longe de ser o desejável.

Os números relativos ao aforro, poupança e investimento dos portugueses são os piores desde 1993 (se bem que o Estado só os irá apresentar em Junho).

O consumo diminui a olhos vistos, principalmente entre os produtos de fabrico nacional. Medidas proteccionistas? Já lá vai o tempo disso. Um país que não é capaz de escoar a sua produção poderá manter o emprego existente e poderá efectivamente pensar no crescimento empresarial a médio prazo?

Continuo a afirmar que este Ministro da Economia deverá ser demitido rapidamente. Já se viu que não tem conhecimento de causa nem capacidade para desenvolver soluções que visem o crescimento económico.

Apesar disso, o Álvaro pensa que o investimento externo em Portugal poderá resolver todos esses problemas. Quem é que poderá pensar nisso quando olhamos a bons e apelativos modelos vindos da europa de leste como a Polónia ou como a República Checa? Quem é que poderá pensar em investir em Portugal quando Portugal é um país com índices de produtividade inferiores aos países da europa do leste e com salários substancialmente superiores?

Nesse ponto entra Abebe Selasssie e o FMI. Baixem os salários. Flexibilizem ainda mais as vossas leis laborais. Mais? Já vendemos a nossa força de trabalho por um preço inferior aquele que um trabalhador necessita para se alimentar a si e à sua família. O que é que querem dizer com isso? Trabalhar por 300 euros? Trabalhar 12 horas a troco do salário actual?

Ainda que existissem telemóveis e telefones nos ministérios. Estamos definitivamente a entrar num caso perdido.

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complotzinho ou realidade?

A Fitch anunciou hoje que o governo português terá um derrape nas contas públicas no ano 2012 caso a recessão se confirme em pior escala do que aquilo que foi previsto. No entanto, a agência evidenciou os esforços que o governo português está a fazer no cumprimento do Memorando de Entendimento com a troika.

O Governo Português, na pele do seu Ministro das Finanças continua a descartar o não cumprimento da meta de 4,5% de défice das contas públicas previsto para o final deste ano civil.

Podemos dizer aquilo que nos apetecer. Quando uma agência de rating conota em baixa o quer quer seja na nossa economia ou nas nossas finanças públicas, por defeito, esse abaixamento torna-se real passados uns meses.

Gasparzinho bem pode afirmar publicamente que a Fitch observa as economias dos diversos países mundiais através dos seus cadeirões em Nova Iorque. Gasparzinho bem pode afirmar que estas afirmações não passam de afirmações que visam o assassínio económico do nosso. Complotzinhos para descredibilizar o regaboff que a Troika está a executar no nosso país. O verdadeiro assassínio económico já está a ser executado pelo nosso governo ao deixar que se façam experiências macroeconómicas cujos resultados ainda são desconhecidos. Muitos economistas já tem avisado que não vale a pena cortar na despesa pública por cortar. Muitos economistas já tem afirmado que a austeridade sem políticas de crescimento económico não nos irão levar a lado nenhum. Depois de cortes em todo o sector público, depois do aumento dos impostos, depois da flexibilização laboral, depois das privatizações, depois da criação de legislação que abona a favor do despedimento barato, ainda não conseguimos assistir a uma medida por parte do governo que fosse digna de fomento do crescimento económico. Ainda não vimos uma mega ajuda à exportação empresarial como defende o Ministro da Economia. Ainda não vimos um incentivo ao abate do desemprego jovem. Ainda não vimos um mega pacote de ajuda às PME assim como não vemos a banca a incentivar ao crédito empresarial. Ainda não vimos um governo disposto a fomentar a agricultura e o empreendedorismo dos jovens agricultores. Ainda não vimos uma política que vise restabelecer o consumo.

Espero bem que desta vez a Fitch tenha razão e que tudo o que afirmou para o mundo seja realidade. Pode ser que Portugal ainda possa ser um país a salvo destes senhores da Troika e sobretudo destes senhores do PSD.

Nota final: quanto à avaliação da zona euro, temos assistido a muitas movimentações por parte das agências de rating. A Fitch foi a agência que na semana passada colocou a economia Francesa novamente sobre vigilância negativa. 17 países Europeus estão sobre vigilância, alguns deles sob vigilância negativa, entre os quais Portugal. As agências continuam a por e dispor das economias europeias a seu bel-prazer. Já era tempo dos países europeus avançarem para a criação de uma agência de rating europeia. Já se fala da possibilidade da criação de uma através de um tratado há 2 anos. No entanto, ainda nada vimos ao nível de encetação de esforços por parte dos 27. A competitividade europeia está na lama e continua a ser claramente prejudicada por via destes alarmes vindos de Nova Iorque.

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macrocorporações

Na Standard & Poor´s, o corte do rating dos EUA  já fez estragos. A McGraw-Hill, empresa que detém o controle da agência de rating Norte-Americana, anunciou a mudança de presidência na mesma. Devem Sharma deverá ser substítuído dentro de 2 semanas por Douglas Peterson, actual CEO do Citibank N.A, maior banco de uma das maiores macrocorporações do mundo, o Citygroup.

Sabendo da existência clara de promiscuídade e rotatitividade nos membros do governo norte-americano e das grandes macrocorporações mundiais, esta rotação na presidência da Standard & Poor´s não se trata de nem mais nem menos do que uma manobra do governo Americano, de tentar contornar não só a descida de rating da qual foi alvo, como evitar a possibilidade de uma nova descida de rating. A dificuldade acrescida que o país sente no que toca à sua dívida e até à sua liquidez para investir, exige portanto, que se ponham homens de confiança nestes postos.

À boa maneira macrocorporativista Norte-Americana.

Com a descida de rating dos EUA, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Quando as agências cortam os ratings dos países europeus, os Estados Unidos olham para os cortes como problemas que devem ser resolvidos pela Europa. Quando cortam o rating dos EUA, há que investigar quem ataca a Nação. A doutrina moderna dos Norte-Americanos é recheada de complexos de inferioridade. “São os países que nos querem atacar o país (países emergentes) e os terroristas que ameaçam o nosso país”. Ao lado dos EUA, todos os países são maus, alguns deles vivem apenas com o interesse de derrubar os Estados Unidos

A grande dor de cabeça surge quando a dificuldade vem de dentro do país e o próprio governo tem que levantar alguns cadáveres do passado para conseguir defender os interesses dos seus.

As investigações no caso da Standard & Poor´s assumiram um patamar bastante interessante. Pela primeira vez, o aparelho estatal norte-americano está interessado em saber quem inflacionou a nota das obrigações hipotecárias designadas como subprimes, principal causa da falência em 2008 da Lehman Brothers e de outras instituições de cariz financeiro.

O que é engraçado em toda esta história é o facto de alguns elementos importantes na gestão destas macrocorporações e até algumas entidades com responsabilidade na vigilância do sistema económico e financeiro dos EUA,  ainda há poucos meses terem afirmado publicamente que não viam qualquer ilegalidade neste negócio de subprimes e até considerarem que as agências de rating estavam a promover um investimento que seria proveitoso para todos, quando todos sabiamos de antemão que os subprimes eram um investimento de altíssimo risco. Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal Norte-Americana foi um dos que considerava o investimento fidedigno e não via um risco tão elevado na assumpção do investimento. Greenspan foi também um dos maiores culpados na crise.  Falamos de alguém cujo currículo traz agregado um salto de várias macrocorporações directamente para os organismos com responsabilidade de supervisão da economia norte-americana: Greenspan assumiu cargos na Aluminium Company of América, JP Morgan, Morgan Guaranty Trust Company e na Mobil.

As agências de rating, como seria de esperar, desempenhavam o papel de proliferadoras da vontade de investir. Na altura, não estavam interessadas no corte do rating de um país em franca ascenção com os novos truques de investimento no mercado e a especulação tinha a conivência dos principais orgãos supervisores da economia norte-americana, orgãos esses constituídos por antigos elementos das grandes corporações, que por sua vez, eram as maiores interessadas no sistema especulativo. 

Actualmente, o corte no rating virou o feitiço contra o feiticeiro. As agências de rating deixaram de apoiar o investimento na dívida norte-americana e no próprio país. Os subprimes passaram ao passado que a economia mundial ainda está há 3 anos a tentar esquecer. As agências de rating passaram de aliadas a inimigos, mas pelo meio já ajudaram a enterrar a europa. Agora, são modificadas, são adulteradas a favor do macrocorporativismo norte-americano e são investigadas.

São assim as macrocorporações norte-americanas… 

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Colapso económico

São as únicas palavras que me ocorrem. Nunca antes nestes 71 anos alguma entidade tinha posto em xeque o poderio hegemónico da economia Norte-Americana.

Decisão altamente justificada perante um país que não conseguiu acertar-se a tempo quanto ao tecto da dívida e que pode entrar em incumprimento. Decisão ainda mais justificada perante um país que por um lado está a tentar arruinar a zona euro e por outro tem metade da sua dívida nas mãos de terceiros, neste caso da China. Decisão ainda mais justificada quando todo o mundo sabe os truques que o Governo Norte-Americano e a Reserva Federal fazem para injectar mais dinheiro no sistema e assim criar mais dívida, dívida que jamais será paga.

Resta mesmo saber como reagem os mercados e a Zona Euro a esta decisão.

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Em que ficamos?

Os Órgãos de Soberania dos Estados Unidos da América não se entendem quanto ao tecto da dívida.

Os Estados Unidos da América estão em risco de claro default. Barack Obama já veio a público alertar sobre as consequências de não se chegar a um acordo que seja favorável ao aumento do tecto da dívida.

A sua dívida continua cotada pelas agências de rating com o fantástico Triple AAA (cotação que ainda garante ao governo Norte-Americano que todo o mundo olhe a compra da sua dívida como um investimento apetecível e de riscos reduzidos) faz com que à análise mais clara da situação do país e do excesso de emissão de moeda fictícia pela Reserva Federal por troca de títulos de tesouro que criam ainda mais dívida (dívida essa que jamais será liquidada e fará o sistema monetário entrar num ciclo vicioso irreversível de criação de mais dívida) gerem a conclusão que existem três caminhos possíveis a seguir, redundando os dois numa situação catastrófica:

1. O sistema monetário internacional continua a servir os propósitos do “establishment” e continuará a actuar nas linhas em que tem actuado até à ruina total do sistema capitalista, gerando a insolvência de todo o tecido económico e financeiro mundial.

2. As agências de rating fazem o favor de baixar o rating da dívida Norte-Americanos já como fizeram à Grécia, Portugal, Irlanda e prolongam esta crise capitalista a um ponto de miséria nunca antes visto pelo homem e com consequências que nem o pior dos péssimistas quer imaginar.

Se a segunda opção for a escolhida, estamos perante um cenário em que países cuja legislação apenas permite investir em dívida cotada como Triple A e que neste momento detém enormes somas de dinheiro para investir resultantes por exemplo de fundos monetários vindos dos resultados positivos da exploração petrolífera como é o caso da Austrália e do Brasil não irão investir nos Estados Unidos, que como tal, estarão impossibilitados pela lei de constituir mais dívida para além do actual limite e haverão menos investidores interessados em comprar a dívida Norte-Americana. Logo será mais que certo que os Norte-Americanos voltem a retirar capital investido no estrangeiro, num efeito bastante parecido com o da Grande Depressão, estalando portanto a pior crise capitalista à escala mundial até hoje vivida.

3. O homem altera as regras do jogo económico ou lança uma ordem alternativa à actual. Porque não a ideia da economia de recursos? Será obviamente complicado pensar como é que a este nível se vão alterar as regras do jogo económico, dado o grau de vício dos agentes económicos e os mecanismos que a economia usa para enfrentar todos os cenários, sejam eles de evolução ou de regressão.

Nesta questão, o mais ridículo é o facto de empresas como a Apple terem mais dinheiro em caixa que o próprio Estado Norte-Americano.

Quando pensamos no Estado Norte-Americano, pensamos numa grandeza macro-económica infinita, inesgotável. Uma multinacional como a Apple tem mais dinheiro em caixa do que o governo Norte-Americano. Graças ao inenarrável truque de aumento da oferta monetária feita entre o governo e a Reserva Federal, que faz com que haja mais dinheiro em circulação do que aquele que realmente tem existência física e que por conseguinte faz que com se exerça ad-eternum o fenómeno de geração de mais dívida, dívida essa que jamais será paga.

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A Standard & Poor´s pois claro

Ameaça descer ainda mais o rating dos pobres Gregos.

Risco de default dizem eles.

No entanto, os Estados Unidos da América também estão em risco de default, mesmo que o Congresso aprove a revisão constitucional que permita ao Governo Norte-Americano aumentar o plafond de contracção de dívida. A Standard & Poor´s ameaça mas logo recolhe a ameaça após declarações do presidente Obama.

E o rating americano continua num magnífico Triple A. Um triple A que continua a permitir que algumas potências emergentes com leis que apenas permitem que os fundos de investimento resultantes da exploração petrolífera possam comprar títulos de dívida de países bem cotados pelas Agências de Rating. Casos do Brasil, da Austrália, de Timor-Leste.

Dois pesos, duas medidas. Para uns, convém afundar. Outros permitem-se a manter.

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Como é que vamos pagar isto?

Ou melhor dizendo, porque é que não rejeitamos pagar.

Bastou alguém dizer na SIC Notícias que Portugal necessitaria de um novo resgate do FMIBCECE para a bolha rebentar. Ainda nem 2 meses passaram sobre a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Estado Português e a troika para ser cumprido nos próximos 3 anos para alguém (inconscientemente) fazer girar ainda mais a especulação em torno do nosso país.

Os Portugueses falam de mais. Nem com um novo governo, empenhado em cortar a despesa do Estado (que começou a pés juntos por cortar nos rendimento em quem menos têm para atingir receitas extraordinárias) poupou Portugal à humilhação da Moody´s. Humilhação que pode não vir só, visto que a Standard and Poor´s a Fitch preparam novas descidas ao rating do Estado Português, bancos e empresas públicas nos próximos dias. Talvez para lixo.

Volto a repetir: os Portugueses falam de mais. Principalmente esses Soares, esses Marcelos, esses Barretes de nome António, esses Miguéis Sousa Tavares, esses Josés Gomes Ferreiras e esses Pachecos Pereiras. Não contribuem em nada para o interesse nacional, não sabem o que é o interesse nacional e sobretudo não sabem o que é passar pela experiência de governar os destinos do país. O caso de Mário Soares é diferente visto que também ele deve ser culpabilizado pelo actual estado do país. Porque não te calas Mário?

Esquecem-se redondamente que as suas declarações são escutadas atentamente pelos Srs. das agências de rating e que as mesmas são breves e concisas a anotar publicamente as suas conclusões perante meio mundo para “não comprar aquilo que é nosso”.

Hoje, nos mercados secundários a os títulos de dívida pública Portuguesa ascenderam a fasquia dos 19%. Pergunta-se, onde é que vamos arranjar dinheiro para pagar isto?

Ou melhor: merecemos pagar isto?

Ou devemos rejeitar pagar isto?

Ironia das ironias também é o facto da nova chefe do FMI, a antiga ministra das Finanças Francesas Christine Lagarde (uma espécie de Strauss-Kahn sem histórias de violação na pele de uma mulher) elogiar o trabalho do Governo Português na redução dos problemas do país como demonstra ser “de interesse nacional”.

Não consigo perceber este tipo de coisas. A líder dessa instituição democrática que pede dinheiro emprestado a alguns países a juros de 1% para os emprestar a outros a juros de 4, 5 e 6% vem a público estabilizar as almas em relação aos esforços do novo governo Português. E do Irlandês.

Ainda nem 2 meses passaram desde a assinatura do Memorando de Entendimento e os super-experts das agências de rating, quais discipulos de Houdini começam a fazer a sua magia e a carregar em cima do pobre povo português. Quem os trava?  Ninguém os trava… 

O povo português pode optar por uma de duas vias: ou cala-se e é estrangulado com mais impostos ou sai para a rua e diz que não paga a dívida contraída pela má-gestão dos seus governantes e gerada pela especulação das agências de rating.

A coragem de um povo mede-se claramente pela sua vontade de se afirmar perante as dificuldades e dizer “não” como já dizia a Trova do Vento que Passa. Vivemos ou não vivemos em democracia?

Se optarem pela 1ª via, o resultado vai ser simples: a fome, a pobreza, a violência, as actividades ilegais ou marginais e a criminalidade vão aumentar perante um estado que está mais que decidido a cortar cada vez mais nos mecanismos de protecção social aos cidadãos e a trilhar um caminho opcional para um leque mais ou menos extensos de privatização em alguns serviços públicos.

Não queremos nada disso pois não?

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Lixo?!

A Moody´s fez das suas e cortou-nos o ranking para lixo. Para os super-experts da agência de rating, estamos oficialmente na bancarrota.

Já falam num novo pacote de ajuda a Portugal, à semelhança da Grécia. Nem as novas medidas do governo foram capazes de estimular as agências de rating em relação à situação do nosso país.

Estão a empurrar-nos para a bancarrota, à semelhança daquilo que fizeram à Grécia. Considerar investir em Portugal um risco de que pode “resultar a queda no caixote do lixo” isso fará com que os mercados percam confiança no nosso país e deixem de investir em Portugal. Isso irá gerar mais dificuldades de financiamento por parte do Estado Português, dos bancos Portugueses e maiores dificuldades à entrada de investimento estrangeiro nos nossos sectores produtivos. Logo, são este tipo de decisões que ajudam à equação de um novo resgate financeiro.

Creio que já é hora das instituições europeias colocarem um fim à ingerência insultuosa destas agências de rating. 

Sobre esta questão vale a pena ler as declarações e sugestões do professor José Reis da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

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Caricato

Quando surgem notícias sobre decisões das agências de rating, Fitch, Standard & Poor´s e Mood, já não consigo reagir com espanto.

Quando se tratam de minúsculos países devedores como Portugal, os Srs. consultores das agências de rating não têm qualquer pejo em cotar como lixo o Estado, os bancos e as empresas públicas. Por mais minúsculos que sejam os países e frágeis as suas economias, estas agências não têm piedade em tornar mais complicada a vida destes nos mercados no que toca por exemplo à transacção de títulos de dívida pública e ao efectivo crescente da taxa de juro que os títulos portugueses tem sofrido nos últimos meses.

Perante os Estados Unidos da América, o supra-sumo do liberalismo económico e o país que mais deve no mundo, a falha na concertação política no que toca ao aumento da possibilidade de contrair dívida e a possibilidade do país entrar em default (incumprimento) caso não reduza o défice das suas contas públicas apenas agora suscita interesse por parte das referidas agências de rating, que só agora ousam ameaçar a administração Obama de um corte de rating que continua a ser da Triple A para o país do Tio Sam.

No mesmo relatório publicado ontem a Moody´s também pensa em cortar o rating a 3 bancos americanos, entre os quais o famoso Citygroup.

O mundo económico ainda não se apercebeu do carácter malicioso que estes ratings representam para a especulação económica.

Vejamos uma situação concreta:

Há uns meses atrás, colocava-se a hipótese de certos países investirem na nossa dívida pública. São países que detém bons fundos para investir, casos do Brasil, do Qatar e de Timor-Leste.

Lembro-me perfeitamente das palavras de Dilma Rousseff na sua visita a Portugal. Quando questionada por um jornalista português sobre a eventualidade do seu país poder investir na dívida pública do nosso país, Dilma foi peremptória: “a legislação apenas nos deixa investir em triple A”

Pois bem, esses fundos pertencentes a esses países apenas confiam no que é triple A para as maliciosas agências de rating. Portugal é junk, a Grécia é junk. Não passam de países minúsculos, insolventes é certo mas cuja dívida é ridícula tendo em conta a dívida actual dos Estados Unidos da América perante o mundo. Mas são junk e os EUA (mesmo em risco de default como estão Portugal e Grécia) continuam a ser Triple A.

O que é junk não presta. O que é triple A é bom. Não interessa contestar uma agência de rating: Triple A é bom, por isso, é mais que garantido o investimento. Depois, queixam-se que o sistema estoira como estoirou em 2008. Aguentem-se…

Tal diferenciação de pesos e medidas sobre as economias dos países que enfrentam graves crises de défice nas suas contas públicas só me faz elucidar que estas agências de rating só servem para promover mais confusão económica e para alimentar a especulação financeira. Se as mesmas já tiveram o seu dedo na eclosão da crise económica e financeira de 2008 não sei do que é que os governos e instituições mundiais estão à espera para lhes retirar o protagonismo imerecido que têm.

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O que é que podemos esperar?

O resgate do Fundo Monetário Internacional (femi para Passos Coelho) Banco Central Europeu e Comissão Europeia à Grécia está a ter resultados catastróficos no país Helénico. Nem perante o resgate, as sucessivas medidas de austeridade promovidas por interesse do Primeiro-Ministro Papandreou e as medidas impostas pelos homens fortes da comitiva que negociou com os Gregos travam a necessidade do Governo Grego renegociar novamente a sua dívida, poder vir a ter que pedir um novo resgate financeiro e acima de tudo, não conseguem travar o avanço de mais pacotes de medidas de austeridade que não estão a ser aceites pelo povo Grego.

É de salientar que as agências de rating voltaram a ter um papel fundamental no agravar de situação do país Helénico, com novas cotações em baixa dos ratings de praticamente toda a banca Grega e do próprio Estado Grego.

O Governo de Papandreou já afirmou que apesar de todas as medidas impostas necessita de um novo resgate financeiro internacional para que o Estado Grego não tenha de se declarar insolvente perante o mundo. Estamos a falar obviamente de um “pedido de oxigénio urgente” por parte do Governo Grego para não declarar o estado financeiro de bancarrota no país.

À semelhança do exemplo Grego encontra-se o exemplo Português. A troika concedeu-nos um resgate financeiro de 78 mil milhões de euros e impôs mais medidas de austeridade do que as que eram previstas no PEC IV que foi chumbado pelo Parlamento, a juntar está claro, às medidas já estão a ser executadas dos restantes PEC´s aprovados e incentivados pelo Governo Socialista em parceria com o PSD.

O Governo Português necessita urgentemente de renegociar a dívida para poder olhar o futuro com mais clareza. Nesse aspecto, um pequeno texto que li de Francisco Louçã dá plena razão à opinião do economista candidato a Primeiro-Ministro pelo Bloco de Esquerda: “Se aceitarmos o FMI, receberemos uma factura gigante, passada aos mais pobres para que os bancos possam manter a sua boa vida. (…) Podemos dizer não ao país, resignados perante as ordens de Bruxelas, como propõem PSPSD e CDS ou dizer SIM à justiça económica, à distribuição da riqueza e ao investimento público para alterar o rumo de Portugal. Um povo que se ergue conquista respeito e capacidade de resposta”

Ora bem, esse respeito e essa capacidade de resposta só podem ser conseguidos se o plenipotenciários poderes de resposta apresentarem com determinação a renegociação da dívida ou uma amostra firme de não pagamento da mesma, à semelhança daquilo que por exemplo fizeram os Islandeses no caso dos erros cometidos pela sua banca contra o Reino Unido e a Holanda.

Caso contrário, se o povo português aceitar de ânimo leve a ajuda pedida pelo bipartidarismo de centro, arrisca-se a ver o seu país insolvente perante 500 mil milhões de dívida no futuro e como tal, gerações atrás de gerações terão que pagar essa mesma dívida durante décadas. Arrisco-me a dizer que com este espectro em cima das nossas cabeças, o que está actualmente a acontecer à Grécia acontecerá na mesma tarimba a Portugal dentro de alguns anos. Pela primeira vez em muitas décadas, a nossa geração viverá pior que a dos nossos pais e as gerações seguintes viverão cada vez pior que a nossa.

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Bail-out

Os coveiros da actual fase do capitalismo uniram-se para tramar o povo português.

Os Bancos Portugueses nunca lucraram tanto como em alturas de crise. Nunca receberam tantos impostos como nesta crise. Os seus responsáveis nunca foram criminalizados pelas acções danosas das suas gestões. Nunca pagaram os impostos que lhe eram devidos, portanto, acabam por não ser aqueles que pagam esta crise.

As agências de rating. A sua visão exterior à economia de um determinado país é semelhante à visão que os agentes do FMI têm sobre as mesmas e partilham dos mesmos vícios de Bretton Woods na sua extrema aversão à intervenção estatal na economia e na confiança cega na auto-regulação dos mercados. O Triple AAA à toa foi uma das causas desta crise assim como a criação dos famosos CDO´s e das contras apostas que eram feitas ao mesmos, motivos das falências da Lehman Brothers, da Meryll Lynch e da AIG.

É mais que altura da União Europeia colocar mão na sua actividade. Como? Criando a sua própria agência de rating interna.

O imperialismo Alemão e Francês na zona euro. Perigoso. Usam-se de subsídios aos países periféricos para poderem instituir lá as suas multinacionais pagas a salário mínimo. Tão depressa instalam uma fábrica como depois a retiram para um país onde a mão de obra seja mais barata. O exemplo Alemão é o mais crasso. Um país cuja história recente abunda de ajuda externa solidária (pós 2ª Guerra Mundial queda do muro de Berlim) não é capaz de agir solidariamente perante os seus parceiros periféricos europeus, num dos pilares institucionais que constituem propósito da fundação da Comunidade Económica Europeia, agora União Europeia a 27.

Os Governantes Portugueses. As péssimas soluções políticas que apenas castigaram o povo português. As péssimas aplicações dos fundos comunitários. As sucessivas derrapagens nas contas públicas. As sucessivas derrapagens na gestão das empresas públicas e as grandes remunerações dos seus gestores sem que no entanto tenham demonstrado resultados convincentes. As sucessivas trapalhadas do Banco de Portugal na regulação económica. Compensação? Vitor Constâncio no BCE. Uma auditória independente às contas públicas portuguesas será o móbil exacto para finalmente se conhecer a verdadeira história do trajecto do Constâncio.

Tudo isto gerou um bail-out há muito esperado.

Ainda não sabemos em que moldes será pedida a ajuda externa. Ainda não sabemos as condições em que nos será gerada essa mesma ajuda. Temos apenas por consciência que a mesma não será benéfica para o povo. Esperam-se tempos ainda mais difíceis para o país.

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Fitch corta rating de 6 bancos portugueses

A agência de rating Fitch cortou o rating de 6 bancos Portugueses.

Montepio, Banif e Finibanco foram considerados “junk” pela agência Norte-Americana

Se já era conhecido que 3 deles estão em estado de possivel ruptura (o caso do Montepio e do Banif são os mais crassos), CGD, Millenium-BCP e BPI viram os seus ratings descidos por arraste das descidas verificadas nos ratings de outras agências financeiras e pela instabilidade provocada pela descida dos ratings do próprio estado português.

Isto num tempo em que os juros implícitos da dívida pública a 5 anos ascenderam aos 10% nos mercados secundários.


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O espelho das políticas desenvolvidas pelo Partido Socialista

Ontem, como tinha postado neste espaço, a Standard and Poor´s fez uma revisão em baixa do rating de 5 bancos Portugueses, entre os quais a Caixa Geral de Depósitos.

Hoje, a mesma agência, reduziu o rating do Estado Português cotando-o com o rating de BBB – , ou seja, a um passo do rating FFF que em linguagem económica significa “junk”: lixo.

Pelos factos enunciados na peça do Jornal Público, este é mais um dos factos que comprova o falhanço total das políticas económicas impostas pelo Governo Socialista ao país.

Actualização 17:11: No dia em que os mercados voltaram a humilhar Portugal. Depois de corte no rating da Standard and Poor´s, os juros da dívida pública nacional a 5 anos dispararam a novo máximo histórico de 9,02%


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Engraçado…

No dia em que a Standard and Poor´s reduziu o rating de 5 bancos Portugueses (CGD, BES, BPI, Santander-Totta, e BCP) voltei a fazer um review da entrevista que Pedro Passos Coelho deu à SIC na última quinta-feira.

A agência de rating considerou a cotação em baixa do rating dos respectivos bancos com base no chumbo do PEC 4 na Assembleia da República, facto causador de instabilidade política e económica no país e maior dificuldade de refinanciamento.

Passos Coelho apresentou como uma das medidas para superar a crise uma nova privatização da CGD. Com a CGD em clara queda ao nível de confiança nos mercados internacionais, esta medida de Pedro Passos Coelho deverá perder algum efeito. Afinal de contas, se internamente se tem considerado que não existem investidores portugueses capazes de investir, não será com cotações em baixa e perdas de confiança dos mercados no banco do estado um sinal de que haverão investidores estrangeiros prontos a investir na CGD “caso o PSD no governo” decida privatizar parte das acções do banco.

No entanto desconfio que a Standard and Poor´s não quis revelar outro dos importantes factos que constituem o descrédito do maior banco do estado nos mercados internacionais, que não é mais do que a ajuda que foi prestada pelo banco do estado a mando do governo socialista no buraco negro em que se tornou o BPN depois de nacionalizado. Facto que demonstra que não só não se culpabilizaram judicialmente aqueles que provocaram a manobra fraudulenta nos negócios do BPN que motivaram a sua bancarrota, como uma atitude que é por demais passiva do Estado Português perante a banca.

Em tempos em que o governo aplica sucessivas medidas de austeridade que vão directamente aos bolsos daqueles que menos rendimentos têm, a banca continua a ter lucros abissais e a não prestar os impostos que legalmente lhes devem ser tributados, sob o falso pretexto que estes não detêm neste momento a capacidade negocial necessária para investirconceder crédito para fomentar de novo a economia Portuguesa.

Esta notícia surge no dia em que grupos de jovens fizeram acções simbólicas nas sedes do BPN em todo o país.

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Lixo

Mais uma notícia para o João Galamba comentar.

Desta vez meu caro João Galamba, nem as estatísticas do Eurostat, do Ministério das Finanças e do Valter Lemos te safam. Sim, porque está mais que provado que 66% das estatísticas do Valter Lemos são feitas na hora. Logo, nunca hão de bater certo com a realidade.

Relembro-te meu caro João Galamba – a agência de rating´s Moody´s cotou de forma ultra negativa as empresas em causa. Empresas públicas. Cotou-as de “junk”. Tipo, como quem dizer, lixo. Calma aí no andor. Lixo, cujos gestores que as administram ganham mais que o Presidente da República e ao mesmo nível de Nicolas Sarkozy ou Angela Merkel.

Estás muito calado João Galamba. Já diz o ditado e é bem verdade: “quem semeia ventos, colhe tempestades”

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Aos Jugulares deste mundo

Os Jugulares deste mundo, não sabem como se processam os mercados em altura de crise.

Pela auto-regulação dos mercados após períodos de crise, entende-se o fenómeno em que a curva da procura e a curva da oferta se tocam e em que os agentes económicos que defendem a procura e a oferta chegam a um determinado consenso quanto ao preço. Ou seja, quando existe um equílibrio de forças em jogo (compradores e vendedores). Isto é um dos BaBas da economia, como vossas senhorias devem porventura desconhecer. A auto-regulação dos mercados pode ter ou não dedo da intervenção estatal. Essa intervenção reveste o cariz de políticas monetárias ou políticas orçamentais.

Como também deve ser vosso conhecimento, o governo Português já emitiu por diversas vezes títulos de dívida pública. Não vos vou explicar o que é dívida pública. Nos títulos de dívida pública, cabe ao governo através do Ministério das Finanças e das entidades que regulam a emissão de títulos de dívida pública estabelecer a quantidade de títulos a emitir e o objectivo financeiro a obter com a emissão de títulos.

Como também devem saber, a cotação dos títulos de dívida pública e os juros que lhes são indexados nos mercados, dependem de vários factores: políticas económicas financeiras, monetárias e orçamentais que o estado está a desenvolver no plano interno, as políticas externas que o estado desenvolve (neste caso com os parceiros europeus) o nível de inflacção actual, o nível de necessidade do Estado em relação ao investimento de capitais na sua economia, o nível de endividamento do Estado perante instituições bancárias ou outros Estado, e está claro, a análise que é feita pelas Agências de Rating.

As Agências de Rating, como sabem, consideraram negativamente a actuação do Governo Socialista. De acordo com as políticas económicas, financeiras, monetárias e orçamentais que está a tomar com os sucessivos PEC´s, com a dívida externa devida a alguns dos parceiros europeus, com a extrema necessidade de investimento que o estado português necessita e que já não obter dos grandes grupos bancários mundiais e de outros estados (designação correcta: corte de linha de crédito) e de acordo, com as debilidades e dificuldades que o Estado Portugues apresenta em cumprir as suas obrigações a médio e longo-prazo.

Como se não bastasse, também deve ser do vosso conhecimento o facto de algumas dessas mesmas agências de rating terem cotado como “lixo” algumas empresas públicas e semi-públicas Portuguesas, o que de entre outros factores, lhe garante também difíceis acessos a novas linhas de crédito.

Como deve ser de vosso conhecimento, as mesmas agências de rating cotaram o Estado Português com um ranking que o revela incapaz de fazer frente às dificuldades económicas e financeiras pelo qual o país passa.

Está bem. Podem vir com a teoria da conspiração, que essas agências de rating são agências privadas onde os consultores fazem o que bem lhes apetece sobre as políticas dos Estados que analisam. Para resolver esse assunto, porque é que não vão ter com o supra-europeísta Mário Soares e lhe pedem que chateie os tipos lá de bruxelas a de uma vez por todas oficializar uma agência de rating europeia? Não pedem, porque se bem me lembro, foi o Bloco de Esquerda que um dia palpitou apresentar uma solução para esse problema nesses moldes. E como se sabe, vocês adoram fazer piadas sobre o PCP e sobre o Bloco de Esquerda. Uh, que escumalha nojenta!

Juntando todos esses factores em baixa, está claro que os juros dos títulos de dívida pública representam nos mercados, o risco que os investidores correm ao “investir” em títulos de dívida pública emitidos pelo tesouro Português – quanto mais o Estado necessita de capitais, quanto mais tempo demora a cumprir as suas obrigações, quanto pior está cotado ao nível de perspectivas de crescimento económico no futuro e quanto menos estão cotadas as suas empresas públicas, é claro que o investidor sente que o seu investimento a 5 ou 10 anos corre o risco de não ser garantido por falta de pagamento por parte do Estado Português. Daí que as taxas de juro nos mercados subam em flecha, sendo portanto, maior o risco do investimento e menor a linha de financiamento do Estado Português.

Quais são as consequências desta emissão de títulos de dívida pública:

– O Estado financia-se por agora, mas dentro de 5 e 10 anos terá que desenbolsar o dinheiro que agora encaixou com a indexação de um juro de 7,5%8%, ou seja, o Estado endividou-se ainda mais a médiolongo prazo caso o dinheiro que agora é investido não seja capaz de ser investido até perfazer o valor dos títulos de dívida pública mais a indexação dos 8%.

Por acaso já se interrogou acerca da taxa de juro pela qual a China comprou títulos de dívida pública a 18 meses a Portugal?

– O Governo Socialista que vocês tanto defendem (principalmente na pele do Ministro das Finanças não é João Galamba?) é um governo cujas políticas falharam redondamente não só ao nível de efeitos práticos de economia, como ainda votaram cidadãos nacionais a privações de que os Ministros e Secretários de Estado decerto não passam.

Haverá portanto pior tipo de ajuda externa que esta?

Para finalizar, cumpre-me vos dizer que ainda estão a tempo de mudar a vossa perspectiva sobre este assunto. Por vezes, dar o braço a torcer e admitir que estamos errados é meio-caminho andado para chegarmos a uma perspectiva baseada na racionalidade e não na cegueira político-partidária. Acreditar neste governo (em particular, neste primeiro-ministro e neste ministro das finanças) assemelha-se à ridicularidade de um adolescente de 15 anos ainda acreditar no pai natal.

E com isto me despeço.

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Lixo Público

CP, Refer, Metro e ParPublica. Na Standard and Poor´s.

Angela Merkel e o Governo Alemão dizem que está tudo Ok com as políticas levadas a cabo pelo Estado Português. A subida das taxas de juros e as consequentes revisões em baixa (lixo) dos ratings do Estado Português e das empresas públicas Portuguesas são o sinal claro que os mercados não confiam no nosso país e nas nossas empresas públicas.

Em que é que ficamos?


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