Category Archives: Saúde

E no meio de toda esta confusão ainda há quem me explique de forma exemplar uma das funções da psiquiatria

“Os desenvolvimentos recentes da Medicina são a esperança dos cidadãos e o susto dos governos. São a esperança dos cidadãos porque existem hoje soluções técnicas para a maioria dos problemas de saúde. São o susto dos governos porque têm de velar pelo acesso aos cuidados de saúde e, muitas vezes, pagá-los a preços astronómicos.

Porém, alguma dose de ilusão envolve estes progressos que não conseguem, apesar de tudo, erradicar a morte do destino humano. O encarniçamento terapêutico, por vezes sem auscultação dos supostos beneficiários que enfrentam uma qualidade de vida degradante, é um dos maiores problemas actuais. Muitos doentes deambulam pelos hospitais de alta tecnologia sem controlo da sua vida e sem dispor de informação que os ajude a enfrentar os tormentos e a saber o que podem esperar. A tecnologia médica num hospital de ponta pode ser um factor de desumanização. Só não o sabe quem nunca enfrentou uma sala de urgências, um pavilhão de quimioterapia ou a espera das imagens produzidas por uma máquina omnisciente mas implacável. Muitas vezes, a entrada num hospital é uma descida aos infernos.

Entre internistas e cirurgiões, com a sua parafernália de instrumentos, o doente pode ser visto como uma máquina funcionante, muitas vezes dividida por vários órgãos tratados por especialistas. Quando se trata de avaliar a pessoa que está por detrás dessa máquina, uns e outros chamam o psiquiatra. No contexto actual da Medicina tecnológica, a Psiquiatria tem sido encarada como factor humanizante, pois entende a pessoa na sua unidade, no seu conjunto e nas relações significativas com quem ama e partilha alegrias, sofrimentos, esperanças, medos, vitórias e derrotas. O futuro da Medicina, e mesmo o correcto equilíbrio dos recursos, depende muito da importância que se der à Psiquiatria. Acresce que as mais recentes descobertas começam a franquear a última fronteira: a da mente e do seu papel no restabelecimento da saúde. Já se sabia que o organismo se defende dos ataques a que é submetido, corrigindo desequilíbrios e cicatrizando feridas em processos de auto-regulação. Mas o que se vai descobrindo é que o sucesso ou insucesso da auto-regulação depende da mente e do estado de espírito que ela apresenta. Também conhecíamos alguns milagres terapêuticos. Mas o que ainda poucos sabem é que eles se podem explicar pelos avanços científicos mais recentes no âmbito da Psiquiatria. Por outro lado, começa a saber-se que de nada serve o encarniçamento terapêutico se ele não for acompanhado de uma boa saúde psíquica.

Com tal importância, a Psiquiatria é hoje temida e admirada, e ainda disputada por outros ramos do saber aplicado. Frequentemente, também os psiquiatras se isolam nos seus hospitais e se dedicam ao uso dos psicofármacos sem levar em conta os conhecimentos, avaliações e procedimentos que a Medicina actual reconhece. Esta atitude tem prejudicado a imagem da Psiquiatria, vista como prática asilar, o que leva os outros médicos a desdenharem-na e a quererem ver-se livres de tão incómodos vizinhos. Existiam no distrito de Coimbra vários hospitais deste tipo que se foram desactivando progressivamente. Pelo contrário, o serviço de Psiquiatria da Universidade, fisicamente integrado no Hospital, subsistiu e desenvolveu-se, tornando-se líder e modelo de uma psiquiatria do futuro.

A direcção conjunta dos hospitais públicos de Coimbra pode ser uma oportunidade para um melhor entrosamento das capacidades já instaladas. No que respeita à Psiquiatria, porém, existe o risco de retrocesso a uma prática desligada da tecnologia e especialidades médicas, ou a possibilidade de abrir uma janela para a Medicina do futuro. De decisões aparentemente circunstanciais, como a proximidade dos serviços de Psiquiatria em relação ao núcleo central das práticas médicas e cirúrgicas, pode depender aquilo que se vai ensinar aos alunos.”

Publicado na edição de 16 de Março de 2012 no Diário As Beiras pelo Dr. José Luis Pio Abreu.

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E o Serviço Nacional de Saúde do avô Arnaut está a ser oficialmente sugado pela

(to be continued)

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estou um bocado desapontado, são 5 da manhã e a saúde em Coimbra está a morrer lentamente com este tipo de artistas

“Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar(OMS), em sentido inverso os mais recentes dados epidemiológicos mostram serem os problemas de saúde mental a principal causa de incapacidades.

A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde mental (SSM), defende que estes devem garantir a acessibilidade a todas as pessoas, assegurando estes cuidados sem que as pessoas se tenham de afastar significativamente do seu local de residência, e integrando um conjunto diversificado de unidades e programas, incluindo o internamento em hospital geral.

Nesta resposta devem ser respeitados os Direitos Humanos: pessoas com perturbações mentais devem ver respeitados todos os seus direitos, incluindo o direito a cuidados adequados… assim como protecção contra todos os tipos de discriminação.

Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.

Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.

Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.

Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.

Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas, pois grades nas janelas, más condições climática… numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.

Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.

Aos profissionais das diversas unidades espera-se: manutenção da qualidade assistencial; melhoria respostas integradas aos doentes e famílias; continuação do ensino aos estudantes e colegas mais novos; incremento da investigação numa contínua manifestação de se quererem (re)afirmar, não só no país, como internacionalmente como centro de excelência.”

Publicado pelo Diário As Beiras no dia 12 de Maio de 2012

Eu João Branco me confesso:

1. Sempre tive aversão a hospitais. Desde pequeno que morro de medo sempre que entro num e fico meio hipocondríaco sempre que me vêm às narinas aquele cheiro a líxivia tão característico dos hospitais.

2. Dado o primeiro ponto, assumo humildemente que nada percebo de psiquiatria e nada quero perceber. Muito menos depois da leitura deste curioso texto publicado nesse pasquinzeco desta cidade.

3. Vamos por partes:

3.1 Horácio Firmino, o brilhante autor deste churro à espanhola em língua dita portuguesa, é antes de mais um médico psiquiatra licenciado pela Universidade de Coimbra, actual coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra (que não é unidade nenhuma graças às explicações que me foram dadas por uma fonte no serviço mas antes uma Consulta Externa na área de psiquiatria para idosos) e presidente de uma Associação que também me foi dita como inexistente (ou como quem diz para inglês ver) chamada Associação Europeia de Psiquiatria Geriátrica. 

3.2 Como podemos depreender do texto, existem partes do mesmo em que qualquer leitor leigo na matéria se pode regozijar por nada ter aprendido com o mesmo.

Começamos pela frase inicial: “Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar.”

Afinal de contas o que é que é transcendente para a saude e bem-estar? A palavra transcendência significa “estar acima de”; “ir para além de um limite”, “ir para além de”;  a religião considera Deus transcendente aos homens. A primeira frase aparece-nos desde logo algo confusa e contraditória: à transcendência social e económica, expressão que é utilizada de forma vaga, supera a saúde mental como uma das principais dimensões. Se o social e o económico é transcendente, não existem outras dimensões nem principais nem secundárias, digo eu…

“A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde menta” – Sr. Doutor, não deveria escrever que a “OMS” baseando-se em estudos custo\efectividade…”

MUST or MUST SEE:

“Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.”

Primeiro afirma como prejudiciais aqueles que tentam afastar a Psiquiatria dos Hospitais e assim acentuar discriminações e depois afirma que é necessário incrementar unidades de saúde mental comunitária com a implantação de psiquiatras nos centros de saúde, ou seja, promovendo uma maior descentralização das unidades de psiquiatria. Mais uma vez, o Sr. Dr. contradiz-se com uma profundidade no mínimo “severa”.

para depois nos brindar com mais uma pérola…

“Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.”

Os psicólogos formam-se na faculdade de medicina ou na faculdade de psicologia? E os técnicos de serviço social? Que outro tipo de pessoal não-médico incluiria? Palhaços, canalizadores, pedintes profissionais?

“Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.”

Haja dinheiro no Ministério da Saúde para tanto projecto caramba!!! Gerontopsiquiatria, 1 projecto. Psicoterapia, 2 projectos. Stress, 3 projectos, Violência Doméstica, 4 projectos….

Soma e Segue

“Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.”

O que são maioria dos casos!!! Vai entregá-los a quem? À Santa Casa da Misericórdia? Ao clube dos Unidos do Barreiro? À CP? À Refer? Como irão prover ao seu sustento se praticamente todos estarão incapacitados de gozo de direitos pela lei ou impedidos à recepção de ajudas sociais por parte do Estado? Quem é que irá sustentar esses doentes? Quantas são as famílias neste momento pré-dispostas (ao nível de formação; ao nível material; ao nível pessoal) para receber nos seus lares aqueles que muitas vezes acabaram por depositar no Hospital Psiquiátrico?

“Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas”

Mentira.

” numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.”

Mentira. Agora se me falasse que algum do pessoal auxiliar não respeita a ética e a deontologia da profissão no tratamento destes doentes até acreditava em si…

“Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.”

“Aludia” Sr. Dr., diz-se “aludia” – primeira pessoa. Sem acento. Do verbo “aludir”. 

4. Como puderam ler, o tratamento da língua de camões por parte deste Dr, é uma coisa que roça a excelência. No início deste texto fui bem expresso ao ponto de admitir que nada percebo de psiquiatria e nada fiquei a perceber depois da leitura deste texto. Depois da leitura deste texto alicercei ainda mais a crença de que a Universidade de Coimbra dá canudos a quem não domina os assuntos da linguística, da semiótica e da sintaxe. Passam-me pela cabeça outros termos, uns ligeiramente ácidos, outros a roçar a linguagem de imberbe, algo que não me apetece escarrapachar aqui sob pena de me encontrar com este dito senhor numa situação desconfortável… no banco da psiquiatria está claro…

5. A página online onde se encontra este testemunho clínico de craveira tyranossaurica tem algumas respostas que são bastantes interessantes e que passo a transcrever:

RIP – “com certeza este senhor só foi visitar o lorvão uma vez, pois se tivesse por lá permanecido mais dias, teria a oportunidade de verificar que as equipas multidisciplinares nesta instituição, há muito que são uma realidade!!
ao tentarem deslocar estas pessoas que vivem aqui há mais de trinta anos, é retirá-las de sua casa e das pessoas que sempre conviveram com eles, os funcionários e os habitantes da vila, estes sim a sua verdadeira família!!!”

Joana Seco: “Sem as tentarem reabilitar??????? Sr dr Horácio…..nota-se, pelo seu discurso…..que de facto não conhece o Hospital do Lorvão……Enfermeira Joana Seco”

José Cunha-Oliveira: “Tenho muita dificuldade em compreender em que diferiam as condições de alojamento, de clima, de reabilitação e dignidade humana do hospital de Lorvão, relativamente às condições do hospital de Sobral Cid ou do Centro de Arnes ou, até, de certos Departamentos de Psiquiatria e Saúde Mental, designadamente da Zona Centro e, mesmo, das existentes nas impecáveis e amplas instalações do HUC.
Tenho também muita dificuldade em compreender em que diferem as respetivas equipas multidisciplinares, e as coisas que fazem, das que são feitas em setting universitário.
Pois, mas a questão não é essa, obviamente. A questão é de hegemonia, de toma dos lugares de direção e de fuga às filas de excedentários e da mobilidade anunciada. Tudo o mais são sofismas e coisas que se dizem por dizer.
É claro que o futuro será dirigido por quem tem mais estatuto e títulos do que propriamente diferenças de fazer. E está certo, sempre assim foi e há de ser. Pelo menos, têm mais entrada nos centros decisórios.
Porém, do muito que se tem dito sobre o tema, não houve ainda uma única referência ao que se fará de diferente. Apenas se promete, vagamente, que se fará melhor, ou se calha com mais “ciência”, o que sempre se tem feito.
Unidades de Cuidados Continuados de Psiquiatria, isso é o quê: asilos velhos com nome novo? Aonde vai o tempo em que se falava de residências comunitárias, reabilitação cívica (“empowerment”), formação profissional, emprego protegido, enfim, essas coisas diferentes. E, é claro, aonde vai a Psiquiatria Comunitária, agora transformada em Consultas de psiquiatria nos Centros de Saúde…
Acabar com os velhos hospitais psiquiátricos, sim, concerteza. Mas se apenas mudamos os doentes, internados ou ambulatórios, de serviços velhos, onde estão adaptados, para serviços novos, onde terão de se adaptar, e transferi-los de uns sítios para os outros, muito pouco mudará efetivamente no modelo de abordagem da doença mental e menos ainda na dignidade humana dos doentes.
Acrescentarei, para terminar, que mais do que o genuíno interesse pelo bem estar dos doentes nesta transferência dos hospitais psiquiátricos públicos para instituições privadas, estão prioritariamente em causa interesses de natureza orçamental, já que sai muito mais barato tê-los internados em instituições privadas. E que, por sua vez, sai muito mais barato manter o mesmo modelo de intervenção, agora dirigido pelo hospital universitário, do que por em marcha uma reforma profunda dos serviços de psiquiatria e saúde mental.”

6. Para finalizar, cumpre-me escrever Directamente para o Doutor:

6.1 Sr. Doutor, com todo o respeito, uma professora primária decente fazia-lhe jeito. Sei que é de outros tempos assim como de outros tempos são os meus pais por exemplo. O meu pai fala-me que nos vossos tempos, as professoras primárias usavam as ditas “meninas de 5 olhos” para castigar os meninos que não escreviam bem os ditados… Essa tal menina não deverá ter feito milagres na sua escrita.

6.2 Para o pessoal do pasquim: Se o artigo de opinião não vem bem escrito, ao menos, que cumpra aos redactores ou aos editores a função de lhe dar um toque de português com conta, peso e medida. Até nestes pequenos pormenores se denota um mau profissionalismo do jornal para quem os sustenta: os seus clientes.

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obamacare

A reforma que Barack Obama está a tentar implementar no sistema de saúde Norte-Americano permitirá a 32 milhões de cidadãos Norte-Americanos (11% da população desse Estado) obterem finalmente o direito a um sistema nacional de saúde público e universal. No entanto, o plano do presidente Norte-Americano obriga todos os cidadãos Norte-Americanos a ter um seguro de saúde até 2014 sob pena de uma pesada multa.

No Congresso, os Repúblicanos das Health Care´s e das grandes megacorporações que lucram milhões com a saúde dos americanos consideraram que a proposta que começa a ser discutida hoje no Supremo Tribunal Norte-Americano é uma proposta inconstitucional. Só em Junho é que o órgão com sede em Washington se irá pronunciar sobre a legalidade do acto.

Depois de 26 estados se terem pronunciado contra ou com dúvidas quanto ao diploma e de o terem encaminhado para julgamento de constitucionalidade no Supremo, várias vozes se tem mostrado indignadas quanto ao decidendo do Presidente Norte-Americano pelo facto deste violar as liberdades civis dos cidadãos.

Inconstitucional considero o mais rico país do mundo ter um sistema de saúde de 1ª e um sistema de saúde de 2ª. Já nem se pode considerar de 2ª visto que quem não tem um plano de saúde à conta de uma megacorporação não tem sequer direito a um dos mais básicos direitos humanos.

É caso para se perguntar à luz deste facto que moral detêm os americanos quando denunciam violações dos Direitos Humanos por parte de outros países?

O plano de saúde não trata exclusivamente de alargar a rede de cuidados básicos aos até agora excluídos pelo sistema liberal. Trata também de extender esses mesmos cuidados a lares de idosos, de fazer beneficiar jovens até aos 26 anos dos cuidados ao abrigo dos planos de saúde dos seus pais e de beneficiar idosos na compra de medicamentos.

É engraçado observar o antagonismo entre a Administração Obama e a Europa no que toca à saúde. Enquanto o Presidente Norte-Americano tenta tornar mais flexível, mais público e mais universalista um sistema liberal de saúde, na Europa assiste-se ao contrário. Exceptuando os países nórdicos onde o regime escandinavo de estado-providência ainda é uma realidade (e mesmo nos países nórdicos o sistema de saúde universalista e totalmente gratuito já teve melhores dias) e o Reino Unido (com um modelo idêntico ao Norte-Americano) tanto os regimes conservadores de estado-providência (Alemanha; França) como os regimes da Europa do Sul (altamente clientelistas de um sistema de saúde custeado praticamente pelo Estado) querem mexer nas actuais regras com que regem o seu sistema de saúde com uma tendência expressa para o privatizar ao estilo Norte-Americano.

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é tudo uma questão de números

Quando interrogado pelo parlamento sobre os valores do investimento que a empresa Australiana Rio Tinto poderia fazer em Portugal no sector mineiro, o ministro da Economia Álvaro dos Santos Pereira (mais conhecido neste blog como Álvaro Canadiano) respondeu que não poderia fornecer os dados.

Na 11ª comissão parlamentar, Nuno Crato avançou que tinha dados que indicavam que o número de bolsas atribuídas no ensino superior tinha aumentado em relação ao número atribuído no ano lectivo transacto. A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago pediu no entanto que o ministro disponibilizasse os seus dados, pedido que como diz a giria popular “bateu no tecto”.

Na quarta-feira, o ministro da Saúde Paulo Macedo afirmou que apesar do aumento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde para uma franja considerável de cidadãos, o número de consultas aumentou. No entanto não disponibilizou dados.

No próximo sábado, o governo não irá disponibilizar dados sobre a manifestação nacional da CGTP. Não vale a pena tanto esforço. Afinal de contas os números indicados pela intersindical e os números do governo nunca batem certo…

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UNICEF

UNICEF

Vale a pena dar uma olhada por este relatório da UNICEF que trata do problema dos riscos associados à pobreza infantil nos centros urbanos.

Para além da estatística associada, do seu conteúdo técnico, é um relatório que narra o risco de exclusão das crianças em meios urbanos e conta com bons artigos de opinião e retrospectiva por parte da Raínha Rania da Jordânia, do embaixador da boa vontade Amitabh Bachchan. Interessante também é o estudo promovido acerca da taxa de HIV actual entre a população infantil e os desafios que a agência está a travar para parar a pobreza e a exclusão social entre os mais novos em todo o mundo.

 

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Nem mais

Luis Fernandes é um atento comerciante da baixa e acima de tudo um bom cidadão que não tem medo de denunciar as injustiças que vislumbra no seu dia-a-dia.

No seu blog, escreve-nos sobre a insensatez do homem contra o seu semelhante no estranho caso do Cortez, o músico cego e amputado que todos os dias costuma tocar pela baixa.

Confesso que neste minuto constroem-se muitas palavras no meu pensamento. Apetece-me escrever algo acerca de saúde, racionalidade, deontologia do socorrismo, humanidade, abismo de valores. Mas não consigo apelidar de homem aquele que é irracional. Ficamo-nos por aqui. Penso que cada um levará desta vida o mal que semeou.

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Dá com uma mão e tira com a outra

O Ministério da Saúde, com os novas regras das taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde, calcula em 200 milhões a receita extraordinária com a subida da contribuição dos utentes nas mesmas e espera por outro lado que as isenções garantidas aos chamados grupos de risco aumente a base de dados de isentos no nosso país.

Estatísticas ao cêntimo feitas pelo mesmo ministério garantem que uma consulta de especialidade nas urgências de hospitais habilitados para tal custa na sua totalidade algo como 147 euros por utente. 137 pagos pelo Serviço Nacional de Saúde, 10 euros e uns pós (agora 20) pagos pelo utente. Destes 147 euros não são contabilizados gastos que são pagos como extras – medicamentos que os doentes tem que tomar e cujo SNS não cobre a despesa, tratamentos ou exames. Lembro-me perfeitamente de uma noite em que fui parar às urgências e uma ecografia me ter custado algo como 5,23 euros, pagos para além dos 10 euros e uns pós que paguei de taxa moderadora.

Cada vez mais defendo que o SNS deveria tomar um modelo minimamente justo. Sei perfeitamente e não tenho qualquer problema em afirmar que a ideia de Paulo Macedo é claramente retirar um direito adquirido aos portugueses e obrigá-los lentamente a optar por programas privados que são oferecidos pelos seguros de saúde, principalmente aqueles que são ligados à banca. A lógica indica-me que muitos, muitos de classe média pensarão que 20 euros por 20 euros, para esperar longas horas para ser atendido por causa de uma diarreia ou de uma gripe, é preferível fazer um seguro familiar na Médis (perdoem-me a publicidade; espero que para bem do dito Estado com ética na austeridade de que tanto Passos Coelho abre a bocarra para afirmar, abram falência) que para jovens da minha idade segundo a simulação que fiz que está acessível a partir do link que deixei, tem um custo mensal que vai dos 9,10e aos 50 e poucos euros.

Aqui se percebe a lógica de Macedo. Por cada jovem de 24 anos que mude para a Médis, o SNS poupa 147 euros de mínimo com o jovem em causa (que pode ou não descontar para que o SNS lhe preste a devida assistência que lhe assiste no exercício de um tratamento digno como ser humano) e como o jovem apenas fará o seguro por precaução (podendo até nunca o exercer durante 1 ano) enchendo a Médis com um lucro que pode ir dos 108 euros caso opte pelo pacote mais baixo aos 600 e picos euros caso opte pelo melhor pacote para a sua idade.

Sou de acordo que o SNS, necessitando de suportar os custos que tem, deveria ser subsidiado pelos cidadãos por um sistema de escalões. 3 ou 4 escalões em que os cidadãos, pelo rendimento auferido, pagavam ou ficavam isentos de pagamento da taxa moderadora, com um limite máximo nunca superior a 100 euros, sendo que 100 euros seria o limite máximo para cidadãos com rendimentos superiores a 5000 euros por mês. Justo, creio.

A isto eu chamo “dar com uma mão e tirar com a outra”.

Outra das coisas que me choca com esta falta de insensibilidade do Ministério da Saúde é a situação dos pagamentos. A classe média, sufocada com o aumento de tudo (não serão os ricos afectados por esta medida pois estes vão ao privado, nem as pessoas de rendimento mínimo pois estas estão isentas) vai ter mais uma diminuição no rendimento de que dispõe com o aumento das taxas moderadoras. A insensibilidade do Ministério, como refiro, dá-se em maior escala quando se a pessoa (pelo motivo que for) não tem o valor que necessita para pagar os 20 euros de taxa moderadora. A pessoa ou não tras carteira, ou não tem 0s 20 euros. Consequência: recebe uma carta em casa que lhe dá 1o dias úteis (se não estou em erro) para pagar o referido valor sobre o risco de pagar uma multa astronómica por uma consulta.

Imaginemos uma situação concreta que acontece neste país: a pessoa vai ao hospital em fim de mês e não tem dinheiro para pagar a consulta da qual usufruiu porque faltam 2 dias para receber o seu ordenado e não tem liquidez na conta, depois de pagas as obrigações pessoais perante senhorios, bancos, companhias de luz\água e por aí adiante. A carta de alerta só aparece em casa 3 semanas depois quando o ciclo está a renovar-se e a pessoa, depois de pagas as obrigações do mês seguinte continua sem liquidez de rendimento próprio para pagar os 20 euros. Como ficamos? Vamos punir outro cidadão quando este faz tripas coração para fazer frente às vicissitudes da vida?

 

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Estupidez

O preço por maço de tabaco deveria subir para 50 euros. Sou fumador, mas não sou hipócrita:

1. Porque custando 50 euros o maço, eu deixo de comprar, poupo na carteira e poupo na minha saúde. E ainda vou a tempo disso.

2. Porque o custo ao Serviço Nacional de Saúde do tratamento de cada doente com uma patologia provocada pelo tabaco é na maioria dos casos superior ao  do que o custo que é depositado pelo mesmo em impostos ao Estado.

3. Porque existem pessoas que pagavam o que fosse preciso para viver mais e existem pessoas (como eu) que estão constantemente a pagar para morrer lenta e dolorosamente.

4. Porque sendo eu um gajo minimamente instruído e tendo informação sobre os malefícios do tabaco, deixei-me cair neste vício de forma estúpida e infantil.

5. Porque custando 50 euros o maço, cada pessoa está por sua conta e risco e pelo menos contribui em larga escala para uma eventual despesa num tratamento provido pelo Serviço Nacional de Saúde.

No momento em que escrevo isto, acabaram-se as desculpas para deixar de fumar. O último maço está vazio e eu não vou contribuir mais para o meu enterro. Decidi definitivamente que tenho que viver. Viver bem. Aguenta-te à bruta Branco.

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Ladrão

Não se pode pedir mais a Paulo Macedo que a demissão imediata do seu cargo.

 

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portuguesices

Não descurando a dor pela qual está a passar Carlos Martins, e o motivo nobre da causa que o move a salvar a vida do seu jovem filho, dada a aderência do povo português aos centros de doação de medúla óssea (100 vezes mais que o normal nos últimos dias) se o caso fosse do filho de um cidadão comum será que o povo português tinha o mesmo comportamento?

É a pergunta que deixo hoje…

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que contas malucas

Se o Ministro da Saúde Paulo Macedo diz que na totalidade os hospitais portugueses tem 1000 médicos especialistas a mais, não consigo compreender porque é que existem especialidades às quais os principais hospitais (com especialidades) do Serviço Nacional de Saúde (Hospital Infante D. Pedro em Aveiro; Hospitais Universitários de Coimbra; as realidades que conheço com melhor precisão) demoram anos a conceder consultas em certas especialidades como é o caso da psiquiatria, da oftalmologia e meses a tratar  doentes com problemas oncológicos?

“Os cortes não são cegos. São cirúrgicos. Direi mesmo que resultam de uma cirurgia de grande precisão. Rompemos com anteriores práticas de contar com dotações extraordinárias e supervenientes face às derrapagens orçamentais, que eram aparentemente surpresa, mas recorrentes e sempre dadas como inevitáveis. não se pode continuar com despesas não controladas, com a manutenção de ‘rendas’ garantidas e margens de lucro desproporcionadas na actual conjuntura” – Paulo Macedo.

Uma coisa é dizer-se que o SNS tem a mais. Outra coisa é afirmar que a despesa terá que ser controlada porque existiram derrapagens orçamentais. Outra coisa é afirmar-se em lucros e rendas. Creio que o Sr. Ministro da Saúde quis meter estas 3 premissas no mesmo saco para explicar que foi obrigado por outro ministério a cortar a direito no seu. O que de facto é mais um ataque ao povo português porque na saúde não se mexe.

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Magnífico

A Fundação Champalimaud na linha da frente da luta contra o cancro na Europa.

Bravo! Tenho acompanhado o trabalho desta nova fundação e está a ser por demais filantrópico e humanístico.


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As farmacêuticas em tempos de crise

 

“A depressão dói mas pode deixar de doer” – é o slogan de uma campanha que tido alguma percurssão na comunicação social (tanto escrita como falada) nos últimos dias.

Para os mais desatentos, o slogan não passa de uma campanha publicitária disfarçada de campanha terapêutica. Passo a explicar: o slogan da campanha pertence exclusivamente a uma empresa farmacêutica multinacional, a Eli Lilly, ou como queiram em Portugal apenas Lilly, conhecida por ser uma das maiores produtoras mundiais de medicamentos relacionados com a saúde mental, entre os quais, em Portugal, o Zyprexa (anti-psicótico) Fluoxetina (anti-depressivo) Cipralex (inibidores selectivos de recaptação de serotonina) entre outros menos conhecidos do público em geral.

O que interessa mesmo para a questão que quero hoje debater é o facto desta campanha aparecer em força numa altura em que a situação social do país agrava-se de dia para dia. Todos os dias somos confrontados com mais endividados, com mais problemas sociais, com mais divórcios, com mais fome, com mais angústia no rosto das pessoas e consequentemente com mais pessoas a pedirem ajuda médica ao nível da saúde mental. A Lilly, perdoem-me todos os puritanos, pelo que vi no seu site não está mais predisposta a ajudar a que as pessoas que sofrem de depressão mas sim a incentivar para que as pessoas vão constatando que sofrem de depressão e até tenham os sintomas de um quadro de depressão disponíveis para averiguar se familiares estão com depressão. Efeito desejado? Fazer disparar as vendas de anti-depressivos em alturas de crise económica.

Não há portanto um truque publicitário mais baixo que este.

 

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32 alunos em medicina

Vi no telejornal da SIC que a Escola Secundária Alves Martins em Viseu enviou 32, sim, 32 alunos para o curso de Medicina.

Não é pera doce enviar 32 alunos para um curso onde as médias de entrada a nível nacional em 20102011 (conforme me foi emendado pelo leitor JD; não consegui encontrar as médias de entrada deste ano) foram compreendidas entre os 18.52 da Universidade do Porto e os 17,82 da Universidade da Madeira e da Universidade dos Açores. É puro sinal de excelência, de comprovada qualidade no ensino e de empenho por parte dos alunos.

Quando a jornalista interrogou alguns alunos da referida escola acerca do que é que os levou a ingressar em medicina, as respostas agradaram-me ainda mais. Quase todos mencionaram um desejo humanista de ajudar o próximo a superar os seus problemas e o desejo de trabalhar para que a medicina evolua.

Estão portanto todos de parabéns!

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Projecto Por um Objectivo

Os Objectivos do Milénio (ODM) tem sido um dos objectivos mais descurados pelos Estados Mundiais nas últimas décadas.

Em 2000, altos dirigentes de 189 Estados reconhecidos pela ONU reuniram-se na Cimeira do Milénio para reafirmar as suas obrigações com ” todas as pessoas do mundo, especialmente as mais vulneráveis e, em particular, as crianças
do mundo a quem pertence o futuro.”

Comprometeram-se então a atingir um conjunto de objectivos específicos, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que irão guiar os seus esforços colectivos nos próximos anos no que diz respeito ao combate à pobreza e ao desenvolvimento sustentável.

Comprometeram-se então a:

1. Erradicar a pobreza extrema e a fome
1.1 Reduzir para metade a percentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 dólar por dia.
1.2 Reduzir para metade a percentagem da população que sofre de fome.

2. Alcançar o ensino primário universal
2.1 Garantir que todos os rapazes e raparigas terminem o ciclo completo do ensino primário.

3. Promover a igualdade de género e a autonomização da mulher
3.1 Eliminar as disparidades de género no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis, até 2015.

4. Reduzir a mortalidade infantil
4.1 Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade de menores de cinco anos.

5. Melhorar a saúde materna
5.1 Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna.

6. Combater o vírus VIH, a malária e outras doenças mortais
6.1 Deter e começar a reduzir a propagação do VIH/SIDA.
6.2 Deter e começar a reduzir a incidência de malária e outras doenças graves.

7. Garantir a sustentabilidade ambiental
7.1 Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas nacionais; inverter a actual tendência para a perda de recursos ambientais.
7.2 Reduzir para metade a percentagem da população sem acesso permanente a água potável.
7.3 Melhorar consideravelmente a vida de pelo menos 100 000 habitantes de bairros degradados, até 2020.

8. Criar uma parceria global para o desenvolvimento
8.1 Continuar a desenvolver um sistema comercial e financeiro multilateral aberto, baseado em regras, previsível e não discriminatório. Inclui um compromisso em relação a uma boa governação, ao desenvolvimento e à redução da pobreza, tanto a nível nacional como internacional.
8.2 Satisfazer as necessidades especiais dos países menos avançados. Inclui o acesso a um regime isento de direitos e não sujeito a quotas para as exportações dos países menos avançados, um programa melhorado de redução da dívida dos países muito endividados, o cancelamento da dívida bilateral oficial e a concessão de
uma ajuda pública ao desenvolvimento mais generosa aos países empenhados em reduzir a pobreza.
8.3 Satisfazer as necessidades especiais dos países em desenvolvimento sem litoral e dos pequenos estados insulares.
8.4 Tratar de uma maneira global os problemas da dívida dos países em desenvolvimento através de medidas
nacionais e internacionais, a fim de tornar a sua dívida sustentável a alongo prazo.
8.5 Em cooperação com os países em desenvolvimento, formular e aplicar estratégias que proporcionem aos jovens um trabalho digno e produtivo.
8.6 Em cooperação com as empresas farmacêuticas, proporcionar acesso a medicamentos essenciais, a preços acessíveis, nos países em desenvolvimento.
8.7 Em cooperação com o sector privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em particular os das tecnologias da informação e comunicação.

Para tais efeitos, os Estados obrigaram-se até 2015 a ceder uma verba correspondente a 0,7% para projectos que pudessem cumprir os objectivos enunciados.

O grande celeuma dos ODM reside no facto de até hoje maior parte dos Estados signatários não terem alcançado essa meta. De todos os Estados signatários, apenas a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda e Bélgica e Luxemburgo estão no bom caminho e tem cedido 0,7% do seu PIB. Portugal tem oscilado na ajuda na casa dos 0,3%, tendo contribuído com 0,29% do seu PIB no ano civil de 2010.

– O que resulta que 1200 milhões de pessoas vivam em todo o mundo com menos de 1 dólar por dia e aproximadamente 3000 milhões vivam com menos de 3.
– 50% da população mundial continua sem acesso a água potável e saneamento básico. 35% continua sem acesso à educação básica e cerca de 30% não tem acesso a uma vida que se coadune com os princípios básicos da dignidade humana.
– Doenças como a SIDA, malária e tuberculose não param de crescer. As duas primeiras continuam a ser um autêntico flagelo nos países sub-desenvolvidos dos continentes Africano, Americano e Asiático.

Segundo estimativa feita pelas Nações Unidas através da UNICEF, Banco Mundial e Organização Mundial de Saúde, para se alcançarem os objectivos ODM serão necessários 50 mil milhões de dólares anuais, ou seja, os 189 Estados signatários deverão ter que desenbolsar o dobro daquilo que ajudaram nos anos 2009 e 2010.

Mais dados índices e explicações relacionadas com os ODM podem ser vistas aqui.

Para obrigar o Estado Português a arcar com as suas obrigações, algumas ONG´s lusas juntaram-se numa plataforma comum com a designação de Por Um Objectivo.

Os objectivos e iniciativas da plataforma assim como as candidaturas a voluntariado podem ser vistas e preenchidas aqui.

É preciso dar a voz por esse objectivo. 8 bandasartistas portugueses deram a voz por esse objectivo e lançaram um CD que não só visa pressionar ainda mais o Estado Português a cumprir as suas obrigações perante o Objectivo do Milénio como servirá para alertar a juventude à vontade de mudança do actual panorama.

A plataforma está sempre aberta a voluntários para as mais diferentes tarefas.

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O país pobre. Os comunistas de merda.

O pais pobre. Os Comunistas de merda. A ditadura de Fidel Castro. A opressão a um povo. O sistema económico utópico. Um país onde o povo vive na miséria.

São algumas das frases mais suaves que já ouvi um Português dizer sobre Cuba. Sem ter ido a Cuba em férias é certo. Todo o Português que vai a Cuba fica maravilhado com as praias limpas de areia fina, com os mojitos e cubas livres a 2 dólares com o rum e o pedaço de arte que só os Cubanos possuem no mundo. Por outro lado, é raro o Português que volta a Portugal de Cuba e não enfatiza o facto de ter dado roupa e outras coisas a crianças nas ruas, como se em portugal também não existissem dezenas de crianças no final dos treinos dos clubes de futebol ou da selecção nacional estão à porta dos balneários a pedir a camisola às vedetas do futebol.

Fidel disse-o no ano passado que o sistema económico vigente no país já não funcionava. Isso abriu a porta a novas reformas no estilo de governação do país no último congresso do Partido Comunista Cubano, reformas que passaram pela abertura à iniciativa privada e pela consequente diminuição de quadros remunerados pelo Estado. Sinais da crise mundial, digo eu.

Aceito o argumento de que o sistema teve falhas, desde que muito bem justificado. Que sistema de governação vinga quando se tem um embargo pautado durante décadas pela principal potência hegemónica no mundo?

Perante tais factos, Fidel Castro e a máquina do Partido Comunista Cubano fizeram o melhor por aquele povo. É certo que pelo meio existiram alguns atropelos aos Direitos Humanos. O opositor Guillermo Fariñas é provavelmente o maior exemplo desse enorme atropelo. No entanto, é importante relembrar a prática inexistência de desemprego na ilha e outros índices que actualmente são muito superiores ao caso do nosso país.

O Estado Cubano é até hoje o maior empregador na ilha, ilha que tem uma taxa de desemprego baixíssima. Fidel desenvolveu excelentes planos ao nível da educação (a taxa de instrução média do povo Cubano é maior que a de Portugal) ao nível da saúde e ao nível do desporto. Se os primeiros dois items estão interligados entre si, o caso do desporto é incrível. Uma ilha de apenas 110 mil km2 (pouco superior a Portugal) com 11 milhões de habitantes é um caso único no desporto, tendo em conta a rátio de população e a quantidade de títulos americanos, mundiais e olímpicos ganhos pelos seus atletas nas mais variadas modalidades como a ginástica, o boxe, o judo, o voleibol, o baseball, a esgrima, o atletismo e outras modalidades.

Só nas Olímpiadas até agora disputadas, os Cubanos somam 194 medalhas: 67 de ouro, 64 de prata e 63 de bronze. Um número que a nós Portugueses assusta. A que se deve tanto sucesso? Um plano intensivo de formação de técnicos nas mais variadas modalidades, uma aposta clara na prática desportiva de alta competição desde tenra idade e uma lei que apenas permite a competição internacional aos atletas que lutem pela vitória ou pelas medalhas.

No caso da saúde, criaram-se condições para a obtenção de um dos sistemas médicos mais avançados no mundo. Cuba é um dos países com mais médicos para a população existente e ainda se dá ao luxo de exportar médicos para todos os cantos no mundo. É nesse ponto onde quero tocar.

A SIC noticiou hoje que cerca de 300 Portugueses viajaram à Ilha para tratar de problemas de saúde cuja resposta é nula por parte do nosso sistema nacional de saúde ou cujas posses monetárias não chegam para ter direito à resolução dos seus problemas na rede privada existente no nosso país.

Todos aqueles que usam e abusam das expressões contidas nas primeiras duas linhas deste post, mostram desde logo uma ingratidão perante um país, que apesar do facto de ter vivido um embargo histórico por razões políticas contrárias à potência hegemónica do sistema internacional, é um país que ao nível dos cuidados de saúde sempre se mostrou amigo de Portugal.

Nas últimas décadas é infindável o número de portugueses que através da lavra de protocolos entre entidades públicas, IPSS´s, fundações, cidadãos cubanos residentes em portugal ou portugueses com interesses em Cuba viajaram até à Ilha para usufruir da medicina avançada praticada pelos Cubanos. Com resultados é certo. Problemas de visão, doenças do sistema nervoso, paraplégicos, pessoas que necessitavam de transplante de rins e de outro tipo de cirúrgias arriscadas, de fisioterapia avançada, crianças com doenças raras… Já foram alguns milhares, os Portugueses que viram a sua qualidade de vida crescer depois de terem sido enviados de Portugal para tratamento na rede de cuidados médicos de Cuba.

Nem perante tais factos, a mentalidade do comum português (que em portugal vive na lama) mudou em relação a Cuba. Os mesmos clichés de merda relacionados com o Comunismo continuam a superar todas as evidências de amizade que o país de Fidel cedeu de uma forma genuína e cooperativa ao nosso povo. 

Para finalizar, ocorre-me simplesmente dizer que o povo português é de facto um povo cão, um povo cão que não olha ao dono. No fim de contas, quem é quem?

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O segredo “laboratorial” do Milan

Reportagem Especial do Jornal Record da edição de hoje da edição impressa, que pela qualidade e pertinência da reportagem decidi publicar na íntegra.

Segredo de Laboratório

(Reportagem do Jornalista Hugo Neves em Milão)

“Campeão Italiano Trabalha sobre um programa que é reconhecido em todo o mundo. Record foi tentar descobrir o que é afinal a Milan Lab”

“”A reconquista do título italiano por parte do AC Milan fez renascer, em Itália e um pouco por todo o mundo, a curiosidade sobre um dos maiores segredos que envolve o treino dos futebolistas profissionais e a preparação física que deve ser feita ao longo de um ano desportivo. O conhecido Milan Lab, que nasceu em 1999, tem os seus segredos bem guardados embora o protocolo celebrado com a Nutrilite tenha desvendado um pouco o véu sobre que tipo de preparação devem os jogadores fazer para responder positivamente a uma das realidades inatacáveis: o constante aumento de jogos disputados durante uma só temporada.

Uma das realidades é que o Milan não faz exactamente os mesmos testes médicos a um futebolista do que os restantes clubes. Além dos triviais exames, também são efectuados testes genéticos a todos os futebolistas de forma a avaliar a condição bioquímica do jogador. Só por isso se percebe que, nos últimos anos, a maioria dos casos de longevidade dos futebolistas tenha tido lugar no AC Milan.

O acordo celebrado com a Nutrilite, empresa lider mundial  em suplementos vitamíncos e dietéticos, fez com que o laboratório desportivo mais conhecido no mundo ganhasse ainda mais fulgor e capacidade para poder preparar os jogadores e torná-los capazes de prolongar a carreira ao mais alto nível até uma idade que noutros clubes é quase impossível.

Os programas testados são desenvolvidos com base nos testes genéticos e sanguíneos e exames biodinâmicos, os quais são complementados com questionários nutricionais e detalhados além de uma avaliação aprofundada de modo de vida de cada atleta. Esta recolha de dados é feita quando um jogador chega ao Milan e depois o clube exige ter um controlo absoluto na alimentação do atleta, dentro e fora das instalações.

Este, se não for o ponto crucial do projecto do Milan Lab, será um dos mais importantes. A nutrição dos futebolistas é considerada essencial para que estes apresentem uma condição física perto da ideal mas este não é o único ponto. Os testes genéticos assumem uma importância elevada pois é através deles que são descobertos problemas que podem afectar a carreira do jogador no futuro e, que sem este tipo de testes, o clube fica entregue ao destino.

Formula 1

Os responsáveis do Milan Lab e da Nutrilite referiram-no muitas vezes e, de certa forma, é verdade: o futebolista é equiparado a um carro de Fórmula 1, sendo alvo de vários testes e constantes atenções tal como um automóvel de alta competição. Daí que todos os futebolistas que estão às ordens do treinador Massimiliano Allegri recebem semanalmente produtos da Nutrilite para tornarem segundo uma norma que lhes é dada de modo individual.

Cada jogador tem uma alimentação diferenciada até porque as necessidades de cada futebolista são totalmente diferentes. O protocolo com a Nutrilite já foi alvo de inquéritos por parte de empresas estrangeiras mas até ao momento nenhum clube do mundo tentou estabelecer a mesma parceria. A única equipa que a solicitou foi a olímpica da China e os contactos deverão avançar para outro patamar em breve. O laboratório vai revelar o segredo.

Evolução Bioquímica do futebolista do AC Milan

Teste ————- Interpretação ————- Efeito ———– Intervenção – por esta lógica sequencia, numa roda de ciclo vicioso caso todo o método de análise falhe ou não tenha as consequências previstas. 

Análise progressiva dos futebolistas durante a época

Um dos pormenores mais importantes definidos pela equipa de médicos do Milan LAB é a análise constante a que os jogadores são submetidos para que a nutrição de cada um seja reorientada de forma a que todos possam manter os índices físicos num patamar elevado. Segundo os técnicos, são quatro as fases da evolução bioquímica que cada futebolista revela durante um ano desportivo e o ciclo de avaliação é vicioso: passa pelo teste, interpretação do resultado, intervenção (definição dos nutrientes que o atleta deve tomar) e depois ver o efeito. De mês a mês o ciclo é cumprido para que no fim da época o índice se mantenha alto.

Centro de Estágio regista várias visitas diárias dos curiosos – Alvo de muita atenção

A popularidade do Milan LAB é medida através de solicitações que o clube Rossonero recebe e não são poucas pois o clube vê-se obrigado a adiar visitas em certas alturas do ano para que a equipa de futebol possa trabalhar longe dos olhares alheios.

Mensalmente, há uma média de 900 visitas tanto por jornalistas como por representantes de empresas que querem perceber a dinâmica de funcionamento de uma equipa supervisionada por cinco elementos fundamentais: Micheline Vargas e Valentina Kazlova, cientistas de nutrição da Nutrilite, Daniele Tognaccini, líder do projecto, Alberto Dolci, bioquímico e Francesco Avaldi, nutricionista. Este quinteto conta depois com mais de 50 colaboradores para efectuar os testes ao longo da temporada.

À porta do reconhecido centro de estágio, que se situa sensivelmente a 45 quilómetros da cidade de Milão, encontra-se uma equipa de dois jornalistas da Sky Itália 24 sobre 24 horas, para acompanhar o dia-a-dia do Milan e as novidades de um projecto que continua a dar que falar não só na Europa mas no Mundo inteiro.

Aly Cissokho tinha problemas nas vértebras

Aly Cissokho, defesa-esquerdo Francês que jogou no FC Porto meio ano, esteve muito perto de se transferir para o AC Milan no verão de 2009 mas falhou nos exames médicos e acabou depois, por rumar aos franceses do Lyon. Mas a curiosidade centra-se na razão apontada pelo Milan para que a transferência não se efectivasse: um alegado problema nos dentes que iria influenciar a condição física apresentada pelo jogador nas épocas seguintes. Contudo Record falou com um dos responsáveis do Milan Lab, mas precisamente com Alberto Dolci, o bioquímico do centro, que revelou outro problema do agora internacional Francês: “Lembro-me muito bem desse jogador até porque depois foi para o Lyon e nós contactámos o clube para avisá-lo de outro problema. Cissokho tinha também um ligeiro desvio de duas vértebras, as quais, segundo os estudos que fizemos não vão permitir que ele estenda a carreira por muitos anos” – referiu o técnico de bioquímica.

Considera ser grande vantagem – Zambrotta realça testes personalizados

Aos 34 anos, Zambrotta já passou por grandes clubes como Juventus e Barcelona. Actualmente no AC Milan, o italiano que se sagrou campeão do mundo em 2006, indica aquela que considera ser a grande vantagem dos futebolistas que tem o privilégio de trabalhar no Milan LAB: “O mais importante são os testes personalizados que vamos fazendo ao longo da temporada. Os departamentos médicos dos clubes profissionais já estão muito desenvolvidos mas aqui no Milan, os exames nutritivos que fazemos e a alimentação é mais rigorosa daí que os nossos índices físicos sejam mais resistentes.”

Nutrilite tem um plano bem delineado para cada caso

O trabalho desenvolvido agora em conjunto com a Nutrilite teve o seu primeiro passo no longínquo ano de 1988, com a primeira monitorização bioquímica dos jogadores do Milan. O protocolo do clube com a empresa líder mundial em suplementos vitamínicos e dietéticos nasceu apenas em 2008 mas antes disso a equipa responsável pelo Milan LAB já efectuava os testes científicos a cada jogador no sentido de perceber a sua evolução genética e que tipo de produtos necessita para poder apresentar-se ao mais alto nível físico durante vários anos. É por essa razão que muitos jogadores do Milan resistem muito além dos 33 anos e sempre em boas condições físicas.

O complexo bioquímico utilizado pela equipa de estudos rossoneri é composto por vitaminas, testes ao stress oxidativo pela alta competição e ingestão de suplementos alimentares para evitar, numa primeira fase, e eliminar, numa segunda fase todo o stress e, por fim, o tratamento de eventuais inflamações que possam surgir. Contudo esse tratamento só em último caso é efectuado com anti-inflamatórios e medicamentos pois o laboratório de pesquisa do Milan aposta sobretudo em produtos naturais para promover uma recuperação mais rápida e melhor para a saúde.

Exemplo Djokovic. Alguns dos produtos indicados pela Nutrilite têm um índice elevado de glúten e Daniele Tognaccini chamou á atenção para um caso específico do desporto que, a ser avaliado no Milan LAB teria sido detectado: “O tenista Djokovic é alérgico ao glúten, por isso, se fosse submetido aos nossos testes, esses teriam detectado, pelo que a dieta seria orientada de outra forma para que ele pudesse continuar a disfrutar dos produtos que não afectariam a sua saúde” – explicou o actual líder do projecto Milan LAB, perito em programação de treino.

Próximo passo é reduzir lesões

A inovação não tem limites para quem trabalha no Milan LAB. Depois de ter acesso aos dados genéticos de cada jogador e compreeender as necessidades de cada um, tendo em conta o esforço despendido nos treinos e jogos, a ideia de Michelline Vargas, cientista da Nutrilite, indica qual é o próximo passo a dar: “Será a utilização de tecnologia de micro-arranjo que nos vai ajudar a aprofundar a compreensão de como o treino e a nutrição afectam a expressão genética dos atletas. O nosso objectivo é explorar toda esta informação para ajudar cada jogador a treinar-se com maior eficiência, diminuir o tempo de recuperação e reduzir as lesões que sofre” – disse aquela especialista. Para os responsáveis do Milan LAB não há barreiras inultrapassáveis e o próximo passo é possível até porque os resultados demonstrados este ano pelos jogadores do Milan mostram que o tempo de recuperação do esforço efectuado diminuiu em relação às épocas anteriores. A ciência ao serviço do gigante italiano.

Factos e números

– Em 1988 tinha início a primeira monotorização bioquímica dos jogadores do Milan, tendo os primeiros atletaos sido submetidos na temporada de 198889.

– Em 1999 foi criado o Milan LAB, processo de treino ainda a dar os primeiros passos mas que ganharia notoriedade nos anos seguintes devido ao elevado número de jogadores que prolongaram a carreira por perceberem que o programa que seguiam lhes permitia tal feito: foram os casos entre outros de Maldini, Favalli, Costacurta, Valerio Fiore e Inzaghi.

– Controlo absoluto da alimentação é a condição exigida pelo clube tanto dentro das instalações como fora, tendo com isso um registo completo dos dados de cada futebolista dos seus quadros.

– Ibrahimovic e Cassano, dois casos de jogadores que provocaram um estudo aprofundado do Milan LAB: enquanto o internacional sueco chegou ao Milan “em excelentes condições físicas”, o avançado italiano “estava bem mas não no topo” tendo alterado “radicalmente” a sua alimentação assim que começou a seguir o plano delineado pelo Milan LAB.

– Conquista da Serie A 20102011 é considerada uma das grandes vitórias dos últimos tempos do Milan LAB pela forma como os jogadores se apresentaram no campeonato e pelos resultados físicos demonstrados ao longo de toda a temporada.

– 2013 é o ano alvo para que este projecto dê o próximo passo, aquele que ajudará a compreender a forma como o treino e a nutrição alteram a expressão genética dos atletas.

Um projecto com pés e cabeça – sumário e opinião do jornalista Hugo Neves

Já tinha ouvido falar, tal como certamente o leitor, do Milan LAB mas, sinceramente, percebi que só estando no local é que se percebe realmente de forma (exigente e superprofissional) é que o AC Milan prepara os seus jogadores para a mais alta das competitividades e sobretudo a longo prazo. A descoberta feita (mas escamoteada) da lesão de Aly Cissokho e os seus testes científicos que permitem, depois, minimizar cada vez mais o tempo de recuperação dos esforços dos jogadores foram os aspectos que me saltaram mais à vista e aqueles que tornam o Milan um clube mais capaz de responder às exigências do futuro. O facto de ter contado com tantos jogadores a prolongar a carreira para além dos 30 anos e a demonstrarem uma condição física própria de outros futebolistas que estão no auge de carreira tinha de ter um segredo. Mas não é nada por aí além. É só, um projecto com pés e cabeça.””

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