Category Archives: Literatura

f.

Se mai continga che ‘l poema sacro
al quale ha posto mano e cielo e terra,
sì che m’ha fatto per molti anni macro,

vinca la crudeltà che fuor mi serra
del bello ovile ov’io dormi’ agnello,
nimico ai lupi che li danno guerra;

con altra voce omai, con altro vello
ritornerò poeta, e in sul fonte
del mio battesmo prenderò ‘l cappello . . .

Dante Alighieri.

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O André Azevedo Alves e as suas teorias da merda

aqui.

não desfazendo o sucesso do livro e do autor,

o andré (e o autor citado) caem na esparrela profunda, tacanha, medonha (ainda mais para a categoria de professor universitário) de entrar por uma premissa assente num prisma de comparação entre macroeconomia e economia doméstica. típico dos tempos que correm. aquelas historietas boas para adormecer que se fazem com os 10 amigos que vão beber finos para um café para explicar a equidade fiscal. priceless.

só, que, infelizmente se esquece que em economia o termo austeridade não significa poupar e não tem como contrário o “gastar demasiado” mas sim racionalizar as existências e maximizá-las. se quisermos adoptar à lógica estatal, é racionalizar os activos do estado de forma a (logicamente) executar o máximo bem social\redistribuição do produto\redistribuição dos recursos por toda a população de forma a que se atinja um certo nível de equidade.

quando o andré (seguindo o autor) cita: “Imagine que um conhecido seu tenha gastado, em 2008, 12% a mais do ganhou; em 2009, 31% a mais; em 2010, 25% a mais; e, em 2011, 26% a mais. Você diria que essa pessoa é austera? Você diria que esse comportamento é sustentável? Pois é exatamente isso o que o governo da Espanha tem feito. E ele vem se mostrando incapaz de mudar de postura.” – cita quase a armadilha do coeteris paribus, ou seja, a designação que se utiliza para se designar que uma economia avança, recua, estagna, se todos os outros factores económicos se mantiverem. a austeridade deriva de excessivos gastos? a postura de um estado é apenas condicionada pelo facto de gastar demasiado? a postura de um estado pode ou não pode ser condicionada por factores externos ao próprio estado ou não pode? as agências de rating com as suas inenarráveis formas de catálogo dos seus clientes poderão especular 0u não especular sobre as políticas de um estado? poderão ou não especular para influenciar a queda de uns em proveito dos outros? a economia de um certo estado poderá ou não ser condicionada a partir do momento em que um investidor vai embora para outro país porque o custo de produção nesse país é mais baixo que no país onde anteriormente produzia? não estou, portanto, a perceber o argumento. julgava o sr. professor uma pessoa mais inteligente e sensata.

e já agora, visto que confunde termos e conceitos, pode-me dizer em que parte, em que políticas é que a austeridade nos estados europeus é escassa?

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Prémio D. Dinis

Sartre que era Sartre rejeitou o Nobel da Literatura e não foi por isso que a Academia Sueca extinguiu o prémio.

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Maria Teresa Horta recusa prémio D. Dinis das mãos de Passos Coelho

Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos – pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país.

Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência.

Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores.

O primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural.

O país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto.

Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro.
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Por quem a memória não faz esquecer

Exortação

“Em nome do teu nome,
Que é viril,
E leal,
E limpo, na concisa brevidade
— Homem, lembra-te bem!
Sê viril,
E leal,
E limpo, na concisa condição.
Traz à compreensão
Todos os sentimentos recalcados
De que te sentes dono envergonhado;
Leva, dourado,
O sol da consciência
As íntimas funduras do teu ser,
Onde moram
Esses monstros que temes enfrentar.
Os leões da caverna só devoram
Quem os ouve rugir e se recusa a entrar”

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Quando este medo por/ pequeno minotauro/ uma sílaba grega/ ou vestígio de vaso/ quando o vento polir/ vermelho estuário/ esta pequena dor/ como um pequeno orvalho/ quando tudo romper/ na profusão de cravos/ e não ficar sequer/ nenhum ramo parado/ nenhum resto de Abril/ anónimo e gelado/ / há-de doer doer/ esta palavra Maio”

Orlando de Carvalho, 1966

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mentira (nunca confies numa mulher; ou num homem)

“-Talvez, Ann, talvez você tenha razão. Já não falta muito para fazer um ano que aqui cheguei: foi um ano muito duro, uma vida diferente de tudo aquilo a que estava habituado. E sem ninguém, ninguém rigorosamente, em quem confiar, com quem falar, com quem estar assim, como nós estamos agora, descontraidamente à conversa. A visita do João veio interromper isso, mas eu sei que é apenas um breve devaneio: dentro de alguns dias ele vai-se embora e tudo regressa ao normal. E o normal, Ann, é às vezes difícil de suportar.

– Eu sei, Luís, eu calculo que sim. Mas você sabe, ao menos, que pode contar sempre comigo e com o David. Nós gostamos sinceramente de si e temos falado várias vezes sobre a sua situação. Nós, ao menos, temo-nos um ao outro, mas você não tem ninguém. Estas noites, este terraço, devem ser muitas vezes duros de aguentar.

Luís Bernardo olhou-a: estava linda, quase irreal. Teve medo de que, se estendesse a mão para lhe tocar, ela desaparecesse. Resolveu experimentar:

– Ann, eu não duvido, por um instante que seja, da vossa amizade. Mas, como sabe, o David e eu temos missões diferentes e, se calhar, opostas. Talvez tenha de chegar o dia em que as nossas missões respectivas afastem a amizade que construímos de formaespontânea. Talvez me desse mais jeito, ou a cada um de nós, que afinal não nos tivéssemos tornado amigos: em caso de crise, tornaria as coisas mais fáceis.

– Pois é, vocês homens têm esse lado de conflito interior, que veneram. Por dever de consciência, suportam inimigos e abandonam amigos. Eu já vivi isso na pele, noutros tempos… Mas oiça, Luís, eu sou mulher, sou sua amiga e não vivo conflitos desses: no que depender de mim, eu não o abandonarei.

Ele quedou-se mudo, sem saber o que dizer. Nem sequer percebia bem o que ela lhe tinha querido dizer. Sentiu-se à toa, talvez do vinho e do cognac, da lua cheia, da devastadora beleza da sua pele, do seu peito, do seu cabelo, do seu olhar. Sentiu-se tonto e levantou-se para se encostar à balaustrada do terraço e respirar um pouco da brisa que vinha do mar e que o calor da noite não sufocava na passagem.”

Miguel Sousa Tavares in Equador, páginas 201 e 202.

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Semana cultural da UC

Já arrancou.

Mesmo assim fica aqui o PDF –  suplementosemanacultural – com os eventos que irão decorrer nos próximos dias

 

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V.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Exortação

Em nome do teu nome,
Que é viril,
E leal,
E limpo, na concisa brevidade
— Homem, lembra-te bem!
Sê viril,
E leal,
E limpo, na concisa condição.
Traz à compreensão
Todos os sentimentos recalcados
De que te sentes dono envergonhado;
Leva, dourado,
O sol da consciência
As íntimas funduras do teu ser,
Onde moram
Esses monstros que temes enfrentar.
Os leões da caverna só devoram
Quem os ouve rugir e se recusa a entrar,

Exortação

Miguel Torga, “Poemas Ibéricos”, 1965

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Falsos Diplomatas

O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Paulinho das Feiras, gosta muito de falar sobre diplomacia e sobre a actividade dos diplomatas.

A maior incongruência deste enorme “génio popular” reside no facto do próprio não ser um diplomata nem ter qualquer formação académica na área da diplomacia. Logo, qualquer declaração que ler ou ouvir sobre tal problemática da boca desse ministro considero como falsa.

E mais, aconselho-lhe pelo menos a leitura de dois livros de um antigo e prestigiadíssimo diplomata português chamado José Calvet de Magalhães: “Diplomacia Pura” e o “Manual Diplomático” – pode ser que o ministrozeco da treta aprenda alguma coisa sobre diplomacia.

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Blowin´in the wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, an’ how many times must the cannon balls fly
Before they’re forever banned?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind

(Bob Dylan – Blowin´in the wind)

 

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oh Paul, oh Paul….

Ao menos esta é rica. Já sabes que não te vai chular a fortuna como a outra.

The Beatles — Something — Álbum: Abbey Road (1969)

“Something in the way she moves,
Attracts me like no other lover.
Something in the way she woos me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

Somewhere in her smile she knows,
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
Stick around, and it may show,
But I don’t know, I don’t know.

Something in the way she knows,
And all I have to do is think of her.
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now.
You know I believe and how.”

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Brother, can you spare a dime?

They used to tell me I was building a dream,
and so I followed the mob,
When there was earth to plow, or guns to bear,
I was always there right on the job.
They used to tell me I was building a dream,
with peace and glory ahead,
Why should I be standing in line,
just waiting for bread?

Brother can you spare a dime? – Yip Harburg and Jay Gorney (1931)

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Fernando Tordo – Tourada

“Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.”

(Poema de José Carlos Ary dos Santos)

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Castles in the snow

” You’re my favorite daydream
I’m your famous nightmare
Everything I see looks like gold
Everything I touch goes cold
Castles in the snow

Here’s all I know
Your checkered room and your velvet bow
Your Elvis song in my ear
That moonlit voice that I hear

Now we are bold as brass
We walk along our golden crest
We hide away for a week
We only look and don’t speak

You’re my favorite daydream
I’m your famous nightmare
Everything I see looks like gold
Everything I touch turns cold
Castles in the snow”

George Lewis Jr in Twin Shadow´s “Castles in the snow” (Twin Shadow, 2010)

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Howl

http://www.dailymotion.com/swf/video/xe1b0l?width=&theme=none&foreground=%23F7FFFD&highlight=%23FFC300&background=%23171D1B&start=&animatedTitle=&iframe=0&additionalInfos=0&autoPlay=0&hideInfos=0

Ficha Técnica:

Título: Howl
País: USA (Filmado em Nova Iorque)
Ano: 2010
Realizadores: Rob EpsteinJeffrey Friedman
Argumento: Rob EpsteinJeffrey Friedman (adaptação de algumas conversas com Allen Ginsberg)
Actores: James Franco, Jon Hamm, Alessandro Nivola, Aaron Tveit, Jon Prescott, Todd Rotondi e o próprio Allen Ginsberg

Fazer uma adaptação cinematográfica da vida e obra de um dos maiores poetas do século XX com base num poema, em várias conversas com o mesmo em alturas diferentes da sua vida e num julgamento que tentou impedir que um livro de poemas fosse publicado parece ser uma aventura interessante.

Em “Howl”, a dupla de realizadores Rob Epstein e Jeffrey Friedman, propôs-se a dar uma visão diferente de Allen Ginsberg, um dos maiores expoentes da geração beatnik. Com êxito, na minha opinião.

Em “Howl”, poema homónimo, Ginsberg relata uma série de experiências do começo da sua vida adulta, desde a revelação sobre a sua homossexualidade aos amores por Jack Kerouac (não-correspondido) e Neal Cassidy até à crítica mordaz à sociedade da sua época. O uso excessivo de linguagem, viria a condenar a editora que tinha aceitado publicar “Howl and other poems” a uma terrível batalha judicial pela proibição do livro nos Estados Unidos.

Pelo meio, os realizadores também aproveitaram para focar documentos onde Ginsberg mostrava um pouco do seu pensamento e da forma como escrevia os seus poemas.

Ao nível de realização, o filme divide-se entre partes de entrevista, narração e animação. Quando chamados a penetrar no conteúdo do poema que celebrizou Ginsberg para a eternidade, Rob Epstein e Jeffrey Friedman optaram por inserir vários momentos de animação. Em suma, todas as partes de animação ficaram bastante interessantes, tendo em conta a imaginação utilizada para acompanhar o conteúdo escrito no poema por Ginsberg.

No final do filme damos de cara com a surpresa escondida: imagens em que Allen Ginsberg (numa fase adiantada da sua vida) interpreta uma pequena canção para as camaras.

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Já me podem atirar pedras…

Solta-se o que me pretende deste infortuno infinito
Desenlaça-se o predador que me agarra
Sou um reboliço complicado
Neste laço, onde eu sou o luto e o enlutado
Acordo. Penso. Revolto-me.
Mas a teia
A teia da memória
Não me deixa terminar uma história
Em que estou seco e defunto

Acordo. Penso. Revolto-me
Vem as imagens ao segundo
Nesta teia de um vazio profundo
Prende-me, mata-me, cega-me
Faz-me esquecer a realidade do mundo
Vil
Acordo. Penso. Já desisti. Já me passei
Já estou frustrado e parto tudo. Recomeço
A revolução passou a ser
Escrita numa tinta que não escreve
Na teia
Sou o único que não se apercebe
Que não posso sobreviver.
Acordo. Mato-me. Drogo-me e sobrevivo.

Monta-se o cerco
As armas estão preparadas no canto
Aguarda-se o momento
Em que os tiros das espingardas
Colocarão a senha para o ataque
O fogo lá fora
Arde na minha mente
Acordo. Revolto-me. Estou cego.
O gás faz chorar os meus olhos
De uma hipocrisia impar
O gás
Torna o meu corpo completamente dormente

As trincheiras estão esburacadas
Os olhos esbugalhados
As sirenes, são de pânico
Soam nas caladas
Monta-se o cerco
Atiram-se os cães à frente
Sem piedade
O que hoje é mentira
Amanhã é verdade
Mudam-se os tempos
Continuo a dormir, inerte, Morto
Cego pelo gás
Saiu das trincheiras a amizade
Aliam-se os opostos
Fazem-se as pazes sobre a maldade
E a hipocrisia perdura
Atira ao relento
Nem peças satisfações
Aproveita que estás a favor do vento
E cria a ocasião
Atira
Atira sem perdão.

João Branco – escrito no TAGV a 13 de Outubro de 2010.

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Melhor livro do ano 2010

“a máquina de fazer espanhóis” da mente mais brilhante do actual panorâma literário português, valter hugo mãe.

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15 anos!


Parabéns D´Orfeu!

15 anos ao serviço da cultura!

15 anos de expansão ao nível de actividades, de muita dedicação e de muito muito espectáculo e fantasia!

15 anos a elevar bem alto o nome na cidade de Águeda no país e no mundo!

Parabéns, que venham mais 15 anos, ainda melhores que estes que passaram!

P.S: Para quem desconhece a Associação, pode saber mais informações sobre o seu seu funcionamento e actividades aqui e aqui

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