Category Archives: Educação

O sr. é parvo ou faz-se?

“Não há, até hoje, nenhuma evidência [de] que estejamos a viver numa espiral recessiva” – Pedro Passos Coelho hoje no debate quinzenal.

Ora vejamos:

1. Quebra na receita fiscal de Janeiro a Novembro de 2012 de 5,2%.

2. A economia portuguesa caiu 3,5% no 3º trimestre de 2012.

3. Quebra no consumo no 2º trimestre de 2012 que será agravada no ano de 2013.

4. Aumento da taxa de desemprego em 2012 em 3% relativamente ao ano de 2011.

5. Aumento da carga fiscal retira 60% do poder de compra detido pelas famílias de classe média.

6. Quebra do investimento global nos sectores produtivos e consequentemente aumento do desemprego.

7. O fetiche dos bancos, o investimento imobiliário, caiu em 20% no ano 2012.

8. A taxa de pobreza em Portugal é a mais alta da UE.

9. O número de pedidos de insolvência em Portugal aumentaram 78% em 2012 tendo em conta os números de 2011.

(entre outros)

A leitura dos dados veículados pelas agências competentes para os fazer é fácil.

Temos 929000 desempregados, 400 mil deles que beneficiam de ajuda ao estado, 529 mil ao deus-dará. Esses 529 mil não consomem nem produzem riqueza para o país. Os 400 mil beneficiários de apoios sociais também não estão em condições de aplicar o seu rendimento no consumo ou em poupança. Temos 929 mil cidadãos que não só não consomem, como não criam riqueza para o país como ainda beneficiam do apoio monetário do estado e dão despesa ao estado. O aumento da carga fiscal, a 3ª mais alta da UE, faz com que o rendimento das famílias daqueles que ainda trabalham diminua. Se diminui, a economia é simples: passam a consumir menos e a comprar menos unidades dos produtos que antigamente compravam. Logo, a receita fiscal obtida por via do consumo é menor. A carga fiscal para quem não trabalha é menor do que nos anos anteriores pela simples razão que os que agora vivem de apoios sociais descontavam mais no passado pelo facto de terem emprego e de terem um rendimento maior do que o que recebem actualmente dos apoios sociais. A queda verificada no investimento e o aumento do número de insolvência daqueles que tinham capital investido fará aumentar o desemprego, a precariedade social, a necessidade de apoio do estado a novos desempregados, menos consumo e consequentemente aumento da despesa para o estado por via da diminuição da receita fiscal e aumento da despesa do estado com apoios sociais. A queda verificada no investimento imobiliário fará estagnar ainda mais o sector da construção civil, um daqueles que mais contribui para o PIB deste país e fará aumentar o desemprego. Escuso portanto de explicar novamente os mecanismos. Para além do mais irá afectar a banca pelo simples facto de insolvência de construtores e detentores de empréstimos à habitação deixar milhares de casas que não serão vendidas facilmente nas suas mãos, créditos que não terão reembolso e investimentos feitos pela banca de acordo com as espectativas geradas por alguns negócios no sector imobiliário completamente pendurados. Numa previsão negativa, mais bancos terão que ser recapitalizados com recurso a fundos do estado. Com o estado sem liquidez para fomentar a economia, com a banca às contas com prejuízos, quem é que vai conceder crédito para novos investimentos? Tudo isto gera não só uma espiral recessiva como os desiquilíbrios provocados pelos mercados e pela tosca intervenção deste governo nestes irão ter repercussões sociais gravíssimas: a população portuguesa é arrastada para situações de pobreza, fome generalizada, miséria, pobreza infantil.

O pior desta afirmação, a meu ver, é que o senhor primeiro-ministro é licenciado em Economia. É certo que é um licenciado às três pancadas. É o nosso destino enquanto povo termos que ser governados por um indivíduo que demorou 2 décadas a tirar uma simples licenciatura de 3 anos, numa instituição de ensino privado ainda por cima. É naturalíssimo portanto que não consiga compreender os mecanismos económicos de uma espiral que está a criar. Não os estudou, decerto. Passou às cadeiras com cábulas na calculadora. Fia-se nos relatórios que encomenda a uma certa instituição com sede em Washington. Fia-se num Ministro das Finanças que de génio não tem nada. Mantem um Ministro da Economia (Olá Alvaro, li os teus papers sobre Economia Portuguesa e são uma valente merda. Foste aluno da FEUC mas não aprendeste nada com os professores Joaquim Feio ou Júlio Mota. Qualquer dia faço-te chegar a minha resposta ao Ministério em carta registada para que pelo menos, caso não os queiras ler, uma das tuas secretárias seja obrigada a assinar um despacho dos correios!) que ainda não fez nada, nada, nadinha. Tomo portanto esta simples frase proferida hoje na Assembleia da República como uma frase de desespero de alguém que já não sabe o que fazer para inverter a situação do país. A saída é simples Sr. Primeiro-Ministro: demita-se e demita o seu governo. Já que em Belém temos um Presidente da República doente, senil, e incapaz de o fazer sem a ajuda da primeira-dama. Demita-se. É o favor que faz ao seu povo.

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que bolada no meu estomago

Vi, foi uma bolada em cheio e relembrei que já tinha escrito sobre isto neste preciso espaço aqui, aqui.

Os contratos públicos de associação voltam a dar que falar. A minha opinião sobre o assunto, como já manifestei, é totalmente contra o ensino privado e contra este tipo de contratos. Não faz sentido os contribuíntes alimentarem uma máquina de riqueza, a um peso de ouro muito maior do que o financiamento que vai do estado para o ensino público (ao qual este governo lembrou-se de ousar pensar que deverá começar a ser pago para além do tendencialmente gratuito que é o que obriga a constituição) que é utilizada para fins que não os garantidos constitucionalmente. Não me venham com tretas de liberdade de escolha. Toda a gente sabe que o ensino privado é usado para fins educativos que extrapolam a justiça. Toda a gente sabe que existem centenas de encarregados de educação que colocam os seus filhos no privado para que estes, pagando mensalidade, consigam a bela da média para entrar em cursos onde jamais iriam entrar frequentando a escola pública. Convido-vos a irem às faculdades de medicina deste país para ver o ratio de alunos que entraram pela via do ensino privado comparativamente aos que entraram pelo ensino público e ficarão maravilhados com a aldrabice.

Pode haver de facto a artimanha (que foi usada pelos encarregados de educação de alunos do ensino privado) de que metem os filhos no privado porque a oferta no público é escassa na região. Pura mentira. E a ser verdade, caberá ao estado, como provedor de serviços, fazer com que a oferta no ensino esteja próxima de todos. Se não está, culpa do ministro. Mas como a reportagem mostra e como todos sabemos, em todos os lados, por cada escola pública nascem mais colégios. E porquê? Porque os interesses privados em Portugal são mais influentes e poderosos que os interesses públicos. E porque os interesses privados imiscuem-se nos interesses públicos através da política.

A meio da reportagem, aparece a figura de José Manuel Canavarro. Não me espanta o porquê desse nome ter aparecido. Só é pena que este senhor, nos artigos de jornal que assinava, apresentar uma enorme máscara de hipocrisia em relação à defesa do Estado Social, quando, de facto, é o primeiro a delapidar esse mesmo Estado Social. Estavam à espera que ele dissesse que sim, que tinha assinado os contratos? Se estavam à espera que dissesse que sim, aqui fica uma das regras de ouro em política: se fizeres merda no ministério, manda a responsabilidade para o governo seguinte. Mas assinou. Obviamente que assinou e autorizou mais uma delapidação do Estado Português.

No meio da reportagem existe outro doce do qual eu já sabia há muito tempo: os contratos ilegais que os professores assinam. Se acham que os colégios privados tem um corpo docente qualificado, ou mais qualificado que o normal como muitos afirmam na publicidade que fazem da instituição para recrutamento de alunos, isso é uma profunda mentira. Mentira também é o ensino qualificado desses colégios, vistos os termos da sobrecarga de horários e alunos por cada professor. Daí que se efectuem os referidos contratos porque 90% dos professores que leccionam nos privados não tem colocação no ensino público e sujeitam-se a esse tipo de contratos para não cairem em situação de desemprego ou trabalho temporário longe de casa. E no mundo da docência, com o desemprego que é notório, se um não assina, existem 5 disponíveis para assinar.

Sobre o facto dos professores fazerem trabalhos extra-curriculares como limpezas, serviço de café e serviço de cantina, prefiro não comentar porque acho algo surral, mas credível porque até o próprio director o admitiu como “embelezamento da sala”. Cabe ao professor ensinar ou embelezar a sala Sr. Director?

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greve geral e afins

A leitura do ponto actual do país está difícil.

Dada a dificuldade da leitura decidi meditar um pouco sobre os incidentes de ontem na escadaria da Assembleia da República.

Sociologicamente tenho como certo o velho ditado que diz que em “casa onde não há pão toda a gente ralha sem razão” – esse foi o mote do que se passou ontem, e bem, para bem da própria democracia portuguesa. Se bem que considerar democracia ao actual regime imposto no país pode-se caracterizar como um conceito muito perigoso. Deveras perigoso.

A realidade do país, como tenho escrito neste blog desde Junho de 2010 até hoje, está muito difícil e pode resvalar por caminhos perigosos. Se há alguns meses atrás reclamavamos que o povo português assistia com modos pacíficos (tendo em conta aquilo que assistimos na Grécia, em Itália e em Espanha) a um corte generalizado do estado na sua despesa (cortes esses que irão tirar eficiência e qualidade a alguns serviços e bens providos pelo Estado) temo, repito, temo, que com os cortes alargados ao rendimento dos cidadãos por via do aumento da carga fiscal façam com que assistamos num futuro muito próximo ao aumento da escalada da violência. Tenho como certo também que este governo matou o dito Estado Social. Sim, porque caracterizar o modelo português como Estado Social é outra ideia que só existe na cabeça dos governantes e políticos portugueses. A esses, aconselho-os a estudar os modelos nórdicos, esses si Estados Sociais.

A realidade do nosso país é uma realidade marcada pela miséria e pela pobreza. Os dados económicos assim o mostram: mais de 850 mil desempregados, sendo que a taxa de desemprego não para de subir, fruto da falta de investimento em vários sectores produtivos (por falta de liquidez, falta de liquidez essa que é provocada pela falta de concessão de ajuda ao investimento por parte do Estado e de uma banca que ainda está a contas com a rectificação dos seus rácios de capital) e da previsão em baixa da produção de certos sectores produtivos, em virtude da diminuição do nosso consumo interno. Estagnação no consumo interno que também se reflecte na óptica das receitas do Estado. Receitas do Estado que se reflectem obviamente, por via orçamental, na diminuição de verbas consignadas ao provimento de bens e serviços essenciais dos quais esmagadora maioria do povo português dependia. De forma excessivamente clientelista, diga-se a abono da verdade. Se o que ontem era provido pelo Estado de forma tendencialmente gratuita, assistimos a uma evolução onde a casa de partida não será o pagamento dos cidadãos ao estado pelo valor real dos serviços providos mas sim a própria privatização do poder provedor desses mesmos bens e serviços. A mercadorização total em Portugal quando noutros países onde a mercadorização é intensa (nos modelos de estado liberal do Reino Unido e Estados Unidos; exemplo mais crasso é o próprio Obamacare) se está a assistir a uma tendência desmercadorização. Os Estados estão a desmercadorizar-se, ou seja, a tirar o papel de protagonista principal aos mercados e a corrigir por via do provimento estatal os desiquílibrios sociais que advém da desregulação desses mesmos mercados. No caso do Obamacare, e da constituição de um sistema de saúde que possa englobar em si 25% dos cidadãos Norte-Americanos que não tem acesso aos mais básicos cuidados de saúde pelo facto de não terem rendimentos que lhes dêem o acesso a um seguro de saúde privado, tal medida só poderá resultar, caso seja alargada numa evolução generalista (a criação de um sistema nacional de saúde no país sob o domínio estatal, dando-se obviamente a liberdade ao cidadão de optar entre o público e o privado) no aumento de rendimento disponível dos cidadãos por exemplo para consumo. E aqui Obama joga de forma inteligente pois sabe que o único factor que poderá gerar uma onda expansiva na economia norte-americana, também ela afectada por uma alta taxa de desemprego, é um novo crescimento do mercado interno por via do consumo.

Em Portugal assiste-se ao contrário. Com o aumento dos impostos assistimos a uma tendência exagerada para embarcar numa nova onda de privatizações. A própria política instaurada pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo visa privatizar o que é público. Para dar mais vencimentos aos amigos que outrora o empregavam. Já todos sabíamos disto. No Ensino Superior, os cortes feitos não chegam para as Universidades fazerem face às suas despesas estruturais. Como tal, existem Universidades a ultrapassar por completo o limite do que é suportável. Daqui a uns meses poderemos assistir ao fecho de par em par de várias instituições entre as quais a UC. Diz-se por aí que é em tempos de crise que surgem as melhores ideias. As melhores ideias empreendedoristas por norma saem de nichos de formação de profissionais altamente qualificados. Os profissionais altamente qualificados estão a sair do país a olhos vistos por via do elevado desemprego. E a formação de profissionais altamente qualificados que se podem tornar novos empreendedores está a ser completamente estrangulada. E o desemprego não só não cria novo empreendorismo (quem é que consegue ser empreendedor sem boas linhas de financiamento? quem é que está para arriscar quando o mercado interno está em queda? quem é que tem condições para investir tudo o que tem vivendo no risco do infortúnio no dia seguinte?). Tudo me leva a crer que a estratégia deste governo está a ser uma estratégia que visa estrangular por completo as soluções que o país necessita.

Jovens desesperam por emprego. O país está a envelhecer. A segurança social está falida e sobrecarregada de apoios sociais por via do aumento de beneficiários que não tem emprego. Jovens estão a emigrar. Jovens não estão a contribuir para que a segurança social se possa manter sustentável e possa ter capitais para pagar as reformas no futuro daqueles que contribuem hoje. Os fundos de pensões que o estado precaveu em bom tempo para pagar essas mesmas reformas estão a desvalorizar em virtude da própria recessão nos mercados. Só neste ano 2012, os investimentos feito pela Segurança Social nesses mesmos fundos viram as carteiras de investimento desvalorizar cerca de 1500 milhões de euros. Que futuro terão os nossos pais?

São esses pais, esses contribuíntes que desesperam com a situação. As contas caem em casa com enorme velocidade e voracidade. O endividamento das famílias é maior e abrange mais famílias. Levam todo o rendimento disponível. São centenas os casos de famílias que estão a ficar sem tecto para morar. São milhares os casos de famílias que já não conseguem fazer mais que uma refeição diária. São milhares os pais que já não conseguem suportar os gastos dos seus filhos no ensino Superior. Já são centenas os casos de atrasos de pagamento das refeições por parte de encarregados de educação em crianças do ensino básico e do ensino pré-escolar. Já são centenas os casos onde essas próprias crianças apenas tem uma refeição diária, servida exclusivamente na escola. São milhares aqueles a quem o futuro é negado por falta de condições económicas que lhes permitam continuar a estudar. Que futuro teremos?

O pior neste país é que toda esta austeridade é feita numa clara violação a princípios Constitucionais e tem a ajuda de um Presidente da República que está manifestamente doente e como tal incapaz de por cobro a toda esta situação.

A Europa, liderada pela senhora Merkel, num tabuleiro onde a chanceler alemã põe e dispõe, actuando sob uma lógica muito própria e viciada na austeridade é seguida pelo governo português de forma fiel. Empobrecer o país não é solução. Não seremos mais competitivos com desfelexibilização das leis laborais. Não seremos mais competitivos com desvalorização salarial. Não seremos tão competitivos como países com o México ou como a Turquia porque jamais nos poderemos comparar a países da sua dimensão e jamais poderemos comparar as nossas estruturas laborais às suas estruturas laborais. Não podemos jogar o jogo das potências emergentes. Jamais. É errado pensar que a desvalorização salarial dos nossos trabalhadores poderá trazer competitividade aos nossos produtos nos mercados internacionais. Porque a jogar esse mesmo jogo arrastaremos todo o Portugal para uma época de miséria profunda. Se o trabalhador que aufere o salário mínimo já não apresenta condições para subsistir, imaginem que esse mesmo trabalhador num futuro próximo terá 400 euros de salário. Caos. Teremos sim que modificar as nossas estruturas de forma a existir fomento. Daí que a ideia de criar um banco de fomento, exclusivamente criado para fomentar a actividade económica é uma das soluções que já deveria ter sido feita aquando da assinatura do memorando de entendimento. Gerar dívida é fácil. Cortar despesa é fácil. Mas há que atentar a um pormenor: quem e como se irá pagar essa dívida? A resposta é simples: criando riqueza. Será ao desinvestir que se cria riqueza que possa pagar essa mesma dívida e fazer o país crescer novamente? A resposta é simples: não. Será pelo crescimento do mercado interno que poderemos ter a capacidade de fazer face ao desemprego e alinhar uma política económica expansiva que nos permita activar um ciclo económico positivo que recupere o consumo interno, que nos devolva um mercado interno forte e que possa incentivar à produção para consumir internamente e posteriormente exportar? Sim.

Para finalizar. O mote principal. A democracia. É esta a democracia que precisamos para Portugal? A democracia que não sai do gabinete em São Bento para oscultar as dificuldades de um povo? A democracia que escuta as directivas de uma instituição fracassada como é de facto o Fundo Monetário Internacional? A democracia que serve fielmente as imposições estrangeiras em Portugal? A democracia que ontem bateu indiscriminadamente em manifestantes e grevistas numa clara violação a princípios constitucionais? A democracia que bateu indiscriminadamente em idosos e crianças? A democracia que no mesmo dia anunciou por via do seu Ministro da Administração Interna um extraordinário aumento na remuneração das forças policiais de 10% quando assistimos a cortes cegos noutros sectores bem mais essenciais como a saúde ou a educação? Enganem-se os polícias, enganem-se os governantes. Enganem-se os polícias pois estão a ser comprados para defender quem arrasta para a pobreza todo um país. Enganem-se os governantes. Não são aumentos remuneratórios que compram a consciência das forças policiais. A continuar assim, duvido que um único polícia neste país defenda um governo que castiga de forma dura e ímpia o seu povo. Um povo que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas é um povo revoltado. E eu cada vez mais acredito que este país irá acabar muito mal.

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leio no público

“O custo médio por aluno nas escolas públicas estava, em 2009/2010, nos 4415 euros e nos colégios com contratos de associação situava-se nos 4522 euros.” – chega…

mas porque é que o contribuínte há de pagar mais para quem, com escolas públicas à frente de casa, inscreve (alguns despejam literalmente pois não tem paciência para os aturar) o filhinho no colégio (à sua inteira responsabilidade e pagamento de mensalidades; com o estado a abonar só pode crer que estes colégios são altamente lucrativos) só por status social ou por vontade, ilegitima (pois só no colégio é que muitos lá chegam) de comprar (sim, comprar) a sua nota para entrar em medicina?

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imagens do insensível Portugal

abrir o jornal e ler que uma criança pouco mais nova que o meu irmão (5 anos) não almoçou na escola porque lhe foi negada a refeição pelo facto da mãe possuir uma dívida de 30 euros perante a escola de Quarteira em questão e reparar que a cabeça do director da Segurança Social, da directora do agrupamento à qual pertence a escola ainda não rolaram é algo que me choca. pior que isso é o todo poderoso Nuno Crato apenas ter afirmado, 2 dias depois do sucedido, que só agora iria analisar a situação em casa. choca-me profundamente esta insensibilidade social num país onde existem centenas de crianças cuja refeição única que fazem no dia é precisamente na escola. chegamos a um ponto de desumanidade grotesto neste país que é pura e simplesmente inexplicável e intolerável.

 

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o facto de não postar sobre a DG\AAC não quer obrigatoriamente dizer que estou a dormir na forma

Na semana passada, tive a oportunidade de dizer a alguns colegas da direcção-geral que iria escrever um post a dar nota positiva ao trabalho desta nos primeiros anos de mandato. Palavra dita, não irei modificar significativamente a nota que irei pontuar neste post. No compto-geral, esta direcção geral merece um 10 em 20, estando dois furos acima da DG\AAC anterior ao nível de trabalho interno e 3 furos abaixo da garra da DG\AAC de 2010.

No entanto, existem factos que me intrigam e sobre os quais irei escrever.

1. Sobre o Presidente Ricardo Morgado.

Ricardo Morgado parece estar a viver um segundo erasmus. Ou melhor, parece ainda não ter acordado do “primeiro” para a realidade da instituição depois da sua passagem por Praga.

Se é certo que ao contrário de Eduardo Barroco de Melo, Ricardo Morgado tem aparentado (pelo menos) manter a unidade entre as suas tropas (mesmo perante a presença de cobras muito venenosas da academia em cargos de destaque) e tem feito os possíveis para que a sua equipa apresente trabalho (com alguns supercoordenadores, nem a lei da chibata faz com que trabalhem) também é certo que o actual presidente da DG\AAC tem algumas posturas e comportamentos que deixam a desejar:

1.1 A célebre entrevista à SIC onde Morgado afirmava que a AAC conseguia arranjar “empregos” e “estágios” a recém-licenciados. Uma profunda mentira que aprouve dizer à frente das camaras nacionais de televisão que não corresponde nem nunca correspondeu ao passado mais recente da instituição, apesar do facto desta possuir agora um gabinete de atendimento nas saídas profissionais.

1.2 A célebre entrevista à SIC onde Morgado falava de estudantes carenciados directamente do estabelecimento comercial da instituição, símbolo do consumismo que muitos estudantes das equações da nossa realidade não tem acesso. Muitos até, nem acesso financeiro a uma refeição equilibrada tem. No entanto, o presidente, do alto do seu cadeirão parece desconhecer essa realidade, até porque decerto nunca lhe deve ter faltado comida na mesa.

1.3 A inabilidade crassa que o presidente tem para por fim a remunerações que certos dirigentes associativos de secções culturais recebem pela realização de actividades nas mesmas. Facto que foi denunciado por este blog e cujo blogger perdeu a paciência ao ponto de por ventura ser obrigado a levar o assunto a Assembleia Magna, visto que DG\AAC e Conselho Fiscal não só não se mostraram interessados em resolver como parecem mais interessados em pactuar. E pagar.

1.4 A inabilidade crassa que Ricardo Morgado tem em recuperar aquilo que é devido à instituição, culpas que partilha com o seu boémio administrador. A Associação está morta em dívidas, e o seu presidente preferiu andar a lamber o rabinho a devedores durante semanas do que lhes pedir a cobrança das dívidas. O problema não reside apenas no facto da AAC ter dívidas gigantescas a pagar. Reside também no facto de ser uma instituição que parece mais dependente dos fundos que vem da queima das fitas (que este ano vai ser nenhum graças à desgraça que foi a queima das fitas cujo secretário-geral parece mais interessado em comezanas, beberetes e festivais de verão do que em realmente em trabalhar em prol da instituição que lhe paga o salário) e do facto de a DG\AAC não se poupar a despesas (ao nível de comunicações\transportes principalmente) quando os tempos advogam uma racionalização dos recursos que dispõe.

1.5 A falsa vitória da ocupação das cantinas, problemas aos quais, o presidente não parece ter soluções reais a apresentar para que tudo se mantenha conforme nesse dossier.

Must or must See:

2. A ocupação das cantinas no passado mês de Março trouxe uma falsa vitória. As cantinas reabriram aos fins de semana, mas em contrapartida, a nova administradora dos SASUC Regina Bento, apertada pelos cortes na instituição e pelo alto despesismo que apanhou dos anteriores administradores, decidiu encerrar as cantinas verdes e encerrar mais cedo outras dos serviços sociais como os grelhados, cantina onde se via a olhos vistos uma maior racionalização das quantidades dos pratos e que, ou muito me engano, fechará definitivamente no próximo ano lectivo, perante um olhar impávido dos representantes dos energúmenos estudantes da UC, perdão, da comunidade estudantil que elegeu Ricardo Morgado como presidente.

Mas, não deixo de observar de forma inquietante um fenómeno que se verificou e cujos resultados estão a ser, no mínimo opacos.

Aquando do fecho das cantinas ao fim-de-semana no início deste ano lectivo, assistiram-se (principalmente nas redes sociais) a uma multi-diversidade de protestos individuais contra o fecho das mesmas. Meses depois, as cantinas reabriram, num esforço financeiro que pesa aos SASUC e de que maneira. Tenho almoçado e jantado nas cantinas ao fim-de-semana desde então e tenho reparado que os SASUC não servem mais de 60 refeições por período. Onde é que estão portanto, aqueles indignadinhos de merda que justificavam a abertura das salas por questões económicas e por não terem onde almoçar uma refeição saudável ao fim-de-semana? Desapareceram? Calaram-se? Era só tesão de mijo? Criticavam o fecho porque queriam ser bem vistos para terem um lugar na DG\AAC?

Vou mais longe ao afirmar que é graças a este tipo de pessoas que qualquer dia, não havendo rentabilidade na abertura das cantinas ao fim-de-semana por falta de utilizadores, estas irão fechar definitivamente.

3. Quanto ao administrador desta DG\AAC João Seixas

3.1 Inabilidade na cobrança de dívidas à instituição. “Se não os podes vencer, junta-te a eles” foi o leitmotiv expresso da actuação de Seixas enquanto administrador da casa. Com todo o respeito pelo Seixas, que é uma pessoa da qual até gosto bastante, considero que já não apresenta condições para se manter como administrador da casa. Até porque esta apresenta condições de visível degradação (o quadro elétrico) e foi palco de situações (navalhadas, assaltos, vandalismo, destruição de material de secções e organismos autónomos) às quais a administração e Conselho Fiscal passaram vistas grossas, não abrindo sequer processos de investigação aos actos.

Relembramos que foi desta administração a portentosa ideia de decreto acerca das condições de entrada no edifício. Apesar de Seixas ter obrigado a segurança paga pela AAC a pedir cartão de entrada no edifício, a medida durou apenas algumas semanas, tendo a administração cedido a interesses económicos dentro do espaço num piscar de olhos. Qualquer cabecinha pensadora, conseguirá ligar os elos que aqui deixei e que justificam um comportamento cobardio quanto a certas situações.

Para fechar a parte da administração, um louvor ao coordenador-geral Jonathan Torres.

Não por ter a paciência de louvar de apanhar com a minha ira quase todas as semanas. Mas, pelo facto de ser um bom miúdo, presente, honesto e trabalhador. Não há dia em que não veja o Jonathan para trás e para a frente no edifício. Arrisco-me a dizer que o administrador desta DG chama-se Jonathan Torres e decerto, tenha em crença que este recém-licenciado levará muita experiência da AAC para a sua actividade profissional.

4. Voltamos ao problema das cantinas.

4.1 A malta da DG (ou pelo menos uns tipos de cara enfadonha e enfastiada que por lá andam e que fazem questão de mostrar o quão enfastiados são quando se cruzam comigo) pensa que o João Branco só serve para arrasar. Pensa mal.

4.2 Numa conversa que tive oportunidade de ter com o Francisco Leal (um dos vices-presidentes) dei uma solução espectacular para a AAC e para a reutilização das recentemente encerradas Cantinas Verdes.

Dizia eu ao Leal que a AAC poderia resolver os seus problemas com uma parte do edifício e ainda poderia rentabilizar as Verdes através de uma mudança que comportava a passagem da sala de estudo da instituição para as Verdes (edifício que daqui a uns anos poderá tornar-se devoluto, até porque não prevejo que os SASUC\UC queiram fazer algo daquilo) e a cedência da sala de estudo a tempo permanente para a Queima das Fitas, que, para trabalhar, dispõe de uma sala minúscula e utiliza a sala do CIAAC, de modo a que a queima tivesse um local grande e arejado para trabalhar e não tivesse que incomodar os utilizadores da sala de estudo nas semanas anteriores à queima, privando-os do seu lugar de estudo, para venda antecipada dos bilhetes do evento. Nas Verdes, a AAC, podia inclusive protocolar com os SASUC um contrato de exploração do BAR existente à entrada do edifício, em regime de exploração dos SASUC para criação de receitas próprias, de exploração da AAC para objectivo similar ou até partilhada.

É portanto uma questão dos meninos colocarem as bundas para fora do gabinete e irem bater nas portinhas que são proprietárias do espaço com esta ideia. Um não terão como garantia. Mas, como o meu pai sempre me disse, mais vale tentar do que ficar impávido e sereno à espera que aquilo que nunca virá (sem trabalho e persistência) nos venha cair no colo de mão beijada.

5. Vice-presidentes.

José Amável – Bom moço que representa a AAC nos funerais.

Samuel Vilela – Dispensa apresentações neste blog. O “competente” no trabalho que não se vê. O estratega de manobras de bastidores, porcas, sujas e más.

Pedro Tiago – Tacho.

Francisco Leal – Tacho, parte II. Ou melhor, tacho a dobrar.

6. Super coordenadorias.

6.1 Acção Social – A Rita Andrade é uma máquina de trabalho. Melhor dizendo: é a única máquina de trabalho em tantos super-coordenadores, se bem que grande parte desta classe de espécies, é escolhida em virtude de votos nos seus cursos e não naquilo que valem, até porque alguns deles, como eu costumo dizer, “não valem merda nenhuma”.

Projecto Lado a Lado, acções de sensibilização sobre o estado da Acção Social, reuniões com bolseiros, residentes universitários e repúblicos, ocupação das cantinas em prol de uma melhor Acção Social, pressão e diálogo junto dos SASUC para resolução de problemas relativos a bolseiros, abertura do GAPE para ajuda a candidaturas a bolsas e ao FASEUC fazem parte de um mandato que considero brilhante.

Um trabalho com superior quantidade e qualidade em relação ao tutelário da mesma pasta da “época” transacta. Não é por nada, mas fazer melhor que o Francisco Guerra não é difícil. Até eu, a dormir, faço mais trabalho que o Guerra acordado e desperto.

6.2 Pedagogia – Letícia Gomes e Leila tem feito um trabalho bastante satisfatório, com foco nas Jornadas Pedagógicas e na complementaridade de informação da actualidade pedagógica da UC e do Ensino Superior. No entanto, dou-lhes uma de borla: e que tal fazerem um levantamento público de atropelos pedagógicos que tem existido nas faculdades para numa 2ª fase encetar um diálogo na resolução destes com os Conselhos Pedagógicos e Directivos das mesmas?

6.3 GAPE – Um razoável trabalho que é manchado apenas pelo facto do desconhecimento da sua existência entre a comunidade estudantil e pelo estigma da vergonha que muitos tem em contar os problemas das suas vidas.

6.4 Saídas profissionais – O jovem em questão (Joel Gomes) não é perfeito mas pelo menos esforça-se.

6.4 Relações Internacionais, Externas, Política Educativa, Ligação aos órgãos – Tudo no mesmo saco roto. Inexistentes. Com uma falta de qualidade e de brio evidente.

O primeiro (Jorgito) é uma das pessoas às quais me interrogo como é que foi parar a uma Direcção-Geral?

A segunda (Mariana Mesquita) está a anos-luz da sua antecessora Mónica Batista. E nem a UV 2012 irá salvar um mandato vazio.

O terceiro (Tiago Martins) está agregado a um pelouro, onde os falsos experts da modalidade dizem que é preciso fazer muito trabalho de gabinete. Não poderia discordar mais, pois cada vez considero este pelouro o mais importante entre os existentes, pela necessidade que existe de discutir e repensar assuntos como RJIES, Bolonha (assuntos cuja aplicação no ensino superior português foi tosca) nas esferas a que compete a sua observação. Tiago Martins tem muitas ideias, é um bom moço, mas está cada vez mais enterrado no gabinete.

O quarto (Filipe Luz) deveria dirigir um pelouro chamado “desliga-te dos órgãos” tal é o deslocamento que parece ter dos órgãos em que deveria conquistar vitórias institucionais.

6.5 Desporto e Desporto Universitário, Núcleos, Intervenção Cívica e Comunicação e Imagem –

Desporto e Desporto Universitário – Nada a apontar. Anos difíceis (a nível financeiro) depois de anos gloriosos tornam o trabalho muito difícil.

Núcleos – Um bom trabalho, pelo que sei.

Comunicação e Imagem – Altamente profissional.

Intervenção Cívica – Ana Rita Mouro até poderá ser uma excelente pessoa, mas está muito longe ao nível de trabalho da sua antecessora e de Patrícia Damas (DG 2010)

6.6 Cultura – Um super coordenador (Mário Gago) incapaz de estabelecer uma relação permanente com as secções culturais da casa, expert e participante em jogos de moscambilha e golpes palacianos nas esferas que concernem às secções e sem trabalho de iniciativa própria de pelouro, exceptuando uns miseráveis “25 anos da Morte de Zeca Afonso” que poderiam ter sido melhor comemorados caso não “se tivesse armado ao pingarelho” com as secções culturais.

Partilha de responsabilidades com o seu presidente nas fraudes que são cometidas pelos referidos dirigentes associativos remunerados.

6.7 Tesouraria – Aprender como olhar para um cofre vazio tendo contas para pagar.

7 –  Conselho Fiscal

O trabalho de Francisco Guerra e seus pares pode-se considerar lastimável. Falta tudo: respeito, consideração, observação e consequente aplicação de deveres estatutários que competem ao órgão, interesse, mentalidade e até brio.

8- Assembleia Magna

Apesar de ter sido expulso de uma magna depois de uma votação a uma moção aldrabada por Rui Santos e seus pares, e depois de os ter mandado para o caralho porque de facto mereciam ir pró caralho naquela noite, é de elogiar uma inovação nunca antes feita neste órgão: o Regimento Interno.

E por hoje é tudo.

P.S – falta-me a Sara São Miguel. Creio que finalmente a AAC tem uma assessora de imprensa como deve ser. Acho que isto diz tudo.

E falta-me também mencionar o Paulo Ferreira, que, está sempre presente na Direcção-Geral e trabalha bastante bem.

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só na Universidade Lusófona é que isto pode acontecer

Relvas pagou 1777 euros (inscrição, equivalências que não existiam, e propinas) para ter um curso à la minuta.

Faz-me lembrar a era socratinista e a sua obsessão com o programa das Novas Oportunidades. Venha cá, aprenda um português de 3º ano, um inglês macarrónico de 6º e saia daqui com o 12º ano prontinho para frequentar o ensino superior.

Antigamente, faziamos questão de saudar os péssimos condutores automóveis como salvas com “tiraste a carta por correspondência seu urso” – noutros casos, o urso era logo substituído por um impropério mais berrante. A suposta licenciatura de Relvas (o fascista; cognome utilizado desde sempre e para sempre neste blog) soa a uma licenciatura tirada por correspondência. Relvas nem sequer fez um exame ad-hoc. Valeu-se da experiência profissional adquirida na sede da nacional da JSD a assinar despachos para as comissões políticas regionais e logo aí teve equivalências a cadeiras de Ciência Política. Pululou entre História e Direito (sem nunca ninguém o ter visto pelas faculdades em questão) e a única cadeira que fez valeu-lhe outras 10 equivalência. Foi a Roma, a Berlim, a Paris, a Bruxelas, a Londres e a Estrasburgo, tendo da vista do Big Ben obtido as restantes equivalências às restantes cadeiras de Relações Internacionais. O sonho fez o homem, o homem fez a carne e a carne deu o curso a Relvas.

Todo este esturro sai precisamente no dia em que o Ministério da Exigência Educativa de Nuno Crato publica os excelentes resultados do exame nacional de Português. 9.6 de média à disciplina da Língua de Camões. Uma exigência danada. No entanto, como em terra de cegos quem tem olho é rei, é caso para dizer que infelizmente qualquer pessoa que saiba ler e escrever o suficiente em Portugal poderá arriscar-se a ter uma licenciatura como Miguel Relvas.

Mas atenção. Nesta macacada, juntando os galhos todos, ainda vêm dizer que Relvas está dentro da lei. Será que se eu arranjar o vidro do meu carro, terei automaticamente a licenciatura em Engenharia Mecânica e o mestrado em Mecânica de Automóveis? Se eu usar um beret basco, serei pintor e como tal terei direito à licenciatura em Arquitectura? A resposta dou-a de borla: sim, Relvas conseguiu. sim, dá direito. (mas porque Relvas conseguiu).

O pior desta história será obviamente mencionar a postura deste ministro. Ainda circula pelos corredores de São Bento. Sem vergonha de ter a sua pessoa envolida em escândalos das secretas, de estar acusado de vigiar e obter informações sobre a vida privada de 4 mil pessoas, de ter coagido psicologicamente uma jornalista a não apresentar uma peça jornalistica incómoda, e destinatário de um licenciatura mais forjada que a dita licenciatura de José Sócrates a um domingo. Ou seja, em São Bento, para além da incompetência do Ministro da Economia, da prepotência e do falhanço total das políticas do Ministro das Finanças, da arte de bem mentir do primeiro-ministro, da cristandade absoluta da Ministra da Agricultura e da pasmaceirice que se tem revelado noutros Ministros, temos um que não tem vergonha.

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O Relvas é mais inteligente que eu

Gostava de descobrir os segredos e truques que utilizou para cometer esta proeza.

Mais um case-study para o Ministério da Educação no âmbito da tal “exigência” que Nuno Crato está a tentar incutir no ensino Português.

Desta notícia também tiro uma ilação que me parece importante: a bancada parlamentar do PSD já não pode usar como arma de arremesso contra a bancada do PS a pressuposta “licenciatura a um domingo” de José Sócrates.

Para finalizar, remeto os meus leitores para uma sondagem que publiquei aqui onde pergunto se Miguel Relvas se deveria demitir.

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mina de ouro no pólo III

Então pessoal? Já tinham saudades minhas? Achavam que tinha desaparecido? Seus marotos…

Andei por aí a vaguear durante quase 3 semanas e imaginem vós que fui descobrir o negócio do século ali para os lados do Pólo III.

Vou tentar ser sucinto nas explicações do El Dorado que encontrei.

Por defeito, a criação da plataforma Inforestudante serviu (entre outras funcionalidades) para que o acesso à informação relativa aos programas das matérias dos cursos fosse mais acessível aos alunos dos ditos.

Ocorre porém que na Faculdade de Farmácia, o Inforestudante ainda é coisa do século passado. O esquema é bem melhor.

Tendo-me dirigido ao centro de cópias (de exploração privada) da dita faculdade, e tendo como base algumas suspeitas lançadas por alunos de Ciências Farmacêuticas, deparei-me com a seguinte situação:

(clique para ampliar)

Um bondoso aluno de Ciências Farmacêuticas permitiu-me o acesso à sua conta de Inforestudante. O que vemos aqui são os materiais de apoio disponibilizados pelo professor da cadeira para a cadeira de 3ª ano designada como Química Farmacêutica II.

Como podemos vislumbrar pela imagem, apenas se encontram acessíveis pelo aluno 2 conteúdos, sendo eles de índole meramente informativa e destinado às aulas práticas.

Tendo-me dirigido ao dito centro de cópias, deparei-me com a argumentação pouco precisa da sua proprietária, que me afirmou peremptoriamente que os “conteúdos leccionados em todas as cadeiras estão em simultâneo no computador e no centro de cópias” – por computador, vamos entender o Inforestudante. A credibilidade é meio passo para a alma do negócio.

Interrogando a dita proprietária sobre o material das aulas teóricas da cadeira em questão, tendo como base o print acima enunciado, vim a descobrir que no centro de cópias está todo o material teórico da cadeira, fazendo menção aos imprescindíveis slides do professor.

Coloca-se aqui desde logo uma questão: Porque é que todo o material das cadeiras não é à semelhança das restantes faculdades colocado na íntegra no Inforestudante?

Outra questão que me assola é desde logo o preço exigido pelo material. 30 euros era quanto a funcionária me pedia pelos conteúdos por si disponibilizados.

Alguns alunos da FFUC contaram-me que não é a única cadeira onde este fenómeno acontece.

Imaginemos que cada aluno da faculdade se inscreve a 5 cadeiras semestrais. Se cada dessas cadeiras tiver um custo médio ao nível de materiais de 30 euros, estaremos perante um custo total médio de 150 euros. Coloca-se outra questão: Terão muitos dos alunos da faculdade capacidades financeiras para fazer face às suas despesas mais básicas?

Estas questões chegam a um outro patamar quando me é confessado em fonte anónima o preço por cópia praticado pelo centro. 3 cêntimos. Para a oferta da cidade, teremos que dizer que 3 cêntimos é um autêntico roubo. Mas é um roubo que se vale do facto do centro de cópias em questão ter a exclusividade dos conteúdos em questão. Neste caso concreto, Professores e centro de cópias estão claramente em conluio ou pelo menos essa é a conclusão que presumo. A única alternativa a muitos dos conteúdos é efectivamente ter que comprar os livros online, tendo os alunos para o efeito de despender algumas centenas de euros. Sem opções do ponto de vista financeiro, falamos de um monopólio puro e duro.

Numa altura em que a crise económica se faz sentir de uma forma dura na comunidade estudantil e onde os alunos sentem algumas dificuldades para cumprir as suas obrigações básicas para prosseguirem os seus estudos, trata-se de um puro acto de má-fé por parte de alguns professores da FFUC. Actos que colocam claramente os estudantes perante certos dilemas: “iremos nós racionalizar cópias ou iremos deixar de comer para podermos estudar para os exames?”

A pergunta fica no ar. Não tenho dúvidas, perante o exemplo dado que existe algo de estranho a rodear esta história. Alguém de direito poderá esclarecer-me.

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Verdades

Rob Riemen, filósofo Holandês em entrevista ao Jornal i na edição de ontem.

“E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.”

“A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc… Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existempara servir os seus interesses, não o país”

“a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas…”

“Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia…”

“Porque não está interessado na pessoa que tu és, mas no tipo de profissões que a economia precisa…”

“O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo?”

“A geração mais jovem tem que questionar as elites do poder.”

“O espírito democrático é mais do que ir às urnas e se eles (políticos eleitos) não se baseiam nessa nobreza (de espírito) os sistemas colapsam, como estão a colapsar.”

“É extremamente esperançoso que estejamos a livrar-nos da passividade. Finalmente temos uma nesga de ar, mas precisamos de um novo passo, protestar não basta. A História mostra-nos que as mudanças vêm sempre de um de três grupos: mulheres, jovens ou minorias. Acho que agora vai ter de vir dos jovens. Se isto continuar por mais três ou cinco anos, o seu futuro estará arruinado, não haverá emprego, casas, segurança social, nada. É tempo de reconhecer isto, de o dizer publicamente, de parar e depois avançar. Se os jovens pararem os jornais, os jornais acabam. Se os jovens decidirem que não vão à universidade, ela fecha.”

“O perfeito disparate de que todas as nações europeias não podem ter um défice superior a 3% é pura estupidez económica. Temos de investir no futuro. Como? Investindo numa educação como deve ser, que garanta seres humanos bem pensantes e não apenas os interesses da economia.”

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“Últimas palavras” – Última aula do professor Joaquim Romero Magalhães

O júbilo de um dos professores marcantes da Faculdade de Economia.

Pessoalmente, foi um prazer assistir às suas aulas de História das Relações Internacionais I e II, cadeira onde fiquei a conhecer factos que me apoiaram imenso para a compreensão histórica, social, diplomática e geopolítica do século XX.

Para além do mais, Joaquim Romero de Magalhães foi presidente da Associação Académica de Coimbra no ano de 1964.

Profere as suas “últimas palavras” na quarta-feira 18, pelas 17h no Auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

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Voltamos definitivamente ao tempo do fascismo

Volta o mítico exame da 4ª classe de que os nossos avós falavam.

Sempre defendi que um dos problemas do ensino português são as constantes reformas. Estamos num país em que ao nível da educação as mudanças que se verificam são efectuadas com um espaço temporal de um ano lectivo. Ora se mudam os manuais escolares, ora se mudam os programas de cada disciplina, ora se muda a duração das aulas, ora se impõem novos métodos de avaliação. Só eu, nos 12 anos de ensino primário, básico e secundário fui beneficiário de 4 reformas no ensino.

No ensino português passamos do 8 ao 80. Com a pouco saudosa Maria de Lurdes Rodrigues, tudo era permitido. Os alunos até ao 9º ano só chumbam de ano se os pais assim o consentirem. Com Nuno Crato assistimos a medidas hediondas. Esta medida de colocar miúdos de 9 e 11 anos a fazer exames nacionais com um peso considerável na nota final é uma medida muito pouco pedagógica. Um aluno de 4ª classe ainda não tem maturidade para se sentar numa carteira e resolver um exame como se estivesse no 12º. É uma ideia estapafúrdia. Um aluno que tenha um aproveitamento de 60% durante um ano lectivo poderá efectivamente chumbar um ano se baquear psicologicamente num destes exames. Será um exame pertinente para desavaliar um aluno que cumpiu os trâmites de aprovação até então?

Este Ministro continua a pautar o seu discurso pela necessidade da excelência no ensino. Será que a excelência comporta colocar em stress crianças de 9 anos?

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Insensibilidades (Escolares)

Na sequência da confirmação do Ministério da Educação que irá obrigar os estudantes portadores de deficiências ou atrasos mentais a fazer os mesmos exames nacionais que os alunos ditos normais.

Conto-vos o caso do Zé António.

O Zé António era um rapaz que frequentou algumas disciplinas comigo no 11º e 12º ano. O Zé António, por infelicidade da vida, era portador de uma doença neurológica degenerativa desde tenra idade e era desde aí (devido à pobre condição sócio-economica da família; a mãe já era na altura inválida e acompanhada devido a graves distúrbios psiquiátricos; o irmão, apesar de trabalhar na Junta de Freguesia de Águeda era paraplégico devido a um acidente com uma arma de pressão de ar) que já era acompanhado diariamente pela IPSS da sua freguesia e pela Segurança Social. O Zé António, entravado numa cadeira de rodas a motor, e apesar de tudo o que o rodeava, era um adolescente pacato que se punha no bar a falar de ficção científica com outros alunos e a apreciar o jogo de cartas magic que os mesmos faziam.

Toda a gente na minha turma sabia quem era o Zé António menos eu. Eu, como vinha transferido de outra escola da região, e como vivia no outro lado do concelho não conhecia o caso em específico. Outros colegas meus vindos da freguesia do Zé António, conhecendo o caso em específico, olhavam para o Zé António (infelizmente a família não lhe zelava pela higiéne diária) com uma certa cara de nojo derivada do seu cabelo ralo e casposo, dos seus dentes amarelíssimos e do cheiro nauseabundo do fato de treino que usava sem parar durante semanas a fio.

Confesso que a primeira vez que olhei para o Zé António senti um misto de perplexidade. Nos meus tenros 16 anos não compreendia como é que uma mãe e um pai deixavam um jovem com carências extremas ir assim para a escola. Não compreendia também que mal tinha feito aquela criatura para viver assim, para morrer assim.

Decidi tomar uma atitude de homenzinho. Fui durante várias disciplinas colega de carteira do Zé António. Eu e o Marcos, colega que já não vejo há anos. Eu e o Marcos eramos as mãos do Zé António, o cérebro do Zé António, os olhos e os ouvidos do Zé António. Eramos nós quem apontavamos a matéria nos seus livros, quem lhe virava as páginas dos manuais, quem explicava uma palavra ao Zé António quando ele não lhe percepcionava o léxico. Eramos nós que brincavamos com o Zé António. Eu, com a cara feia que Zeus me deu, fazia macacadas para ele se rir, fazia-lhe os resumos das vitórias do nosso Sporting, oferecia-lhe posters do Hugo Viana, do Carlos Martins, do Cristiano Ronaldo (em Manchester) do Niculae e do João Moutinho. Ofereci-lhe um dos meus cachecóis do Sporting quando me despedi dele pela última vez, já em Setembro, prontinho para iniciar a minha aventura pelo Ensino Superior. Eramos nós quem tiravamos o Zé António da carrinha da IPSS que o levava à escola e quem o metia dentro da mesma carrinha no final das aulas. Eramos nós que muitas vezes lhe dávamos a comida na boca na cantina. Fomos nós que estivemos tardes inteiras a falar com ele para ver se o carolo passava ao exame nacional de história, disciplina em que teve um fantástico 12 na prova final.

Nunca mais me esquecerei do Zé António. Sei que é vivo e sei que mora num lar de idosos. Mas nunca mais o vi desde então.

O Zé António deu-me a prova que somos homens de carne e osso e que somos todos iguais. O Zé António deu-me a prova viva que um homem não se mede pelo seu estatuto social. Não existem estatutos sociais. Existem Homens e homens.

Esta medida do Ministério é ridícula.

Se vamos neutralizar todas as incapacidades mais vale que o surdo comece a ser abandonado no ensino daqueles que ouvem. Que o cego aprenda a ler pelos livros normais e não pelos livros em braille. Que o disléxico continue a escrever da direita para a esquerda. Que o paraplégico e o tetraplégico leve falta de material nas aulas de Educação Física quando não puder correr. Que os miúdos portadores de trissomia 21 aprendam que D. Afonso Henriques criou esta nação através do gesto de uma espada. E por aí além.

No fim desta storyline, não sei quem é mais atrasado mental: se os pobres coitados cuja vida lhes ceifou uma vida normal, se os ditos pedagogos do Ministério.

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Semana cultural da UC

Já arrancou.

Mesmo assim fica aqui o PDF –  suplementosemanacultural – com os eventos que irão decorrer nos próximos dias

 

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(des)educação

Fica a amostra para que as políticas locais sejam repensadas pelos nossos autarcas e pelo poder central: em Portugal, da verba total consignada ao poder local pelo Orçamento de Estado para este ano, apenas 9% dessa verba é aplicada na educação. Comparativamente a outros Estados da Europa, no exemplo dado, é mais um sinal de atraso a juntar aos muitos do qual este país é responsável: na Suécia do total da verba garantida ao poder local, os munícipios gastam 20% dessa verba no financiamento de programas educativos, no Reino Unido 40% e na Lituânia, sim na Lituânia, é de 42%.

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conclusões

Para mim, um cidadão de ideologia e pensamento à esquerda, é muito triste perceber que depois de determinados comentários feitos a um determinado artigo de jornal de um professor também ele de ideologia de esquerda, onde não quis de forma alguma colocar em causa o seu pensamento mas apenas dar um ponto de vista, acabei por colher mais meia dúzia de inimigos.

Questionava nesse artigo publicado neste blog se neste momento os estudantes da Universidade de Coimbra pensavam por cabeça própria ou se sofriam da ausência de algum espírito crítico em relação a tudo o que os rodeia. Descobri que até existe algum espírito crítico e que existem outros que preferem entrar na discussão apoiando o saber escolástico e idolatrando-o aos mais altos píncaros.

É lamentável que assim o seja e que se tente cavar um fosso entre o professor e o aluno como no ensino de antigamente. Bolonha veio trazer mais interacção entre professor e aluno, sendo que a um cabe preparar o outro para o seu futuro profissional mas, como somos todos homens e temos interesses diferentes e saberes diferentes e desconhecimentos sobre algumas matérias, o segundo também pode ensinar o primeiro e o ensino sairá valorizado se assim o acontecer.

Dessa discussão pouco me faltou para me apelidarem de proto-fascista. Porque são contra tudo e contra todos, até contra si mesmos se tal for o caso. Porque misturam conceitos e ideologias de forma errada e reduzem a política à economia como se tal fosse a coisa mais vulgar do mundo. E depois de tanta verborreia linguística, quem está contra é quem está errado. Temos pena das narrow-minds que a esquerda de certa forma incute nos seus membros.

Para finalizar friso, sou de esquerda, mas felizmente penso por cabeça própria.

 

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