Category Archives: Acção Social

tristeza. meninos

Afinal de contas, a surpresa para o dia do estudante era este miserável documento de word (não lhe chamo texto sequer, muito menos comunicado, porque um comunicado deve ser agressivo e deve conter soluções que consigam penetrar a outrém uma mensagem que seja capaz de granjear abertura para a resolução de problemas) que não relata nada do que nós saibamos há bastante tempo, não ressalva nenhuma medida que possa servir de solução para os problemas da academia nem indica qualquer estratégia para o futuro.

A AAC, na sua nova área política, coordenada por uma pessoa (Leila Campos; sou frontal, directo, duro e pragmático) cuja inteligência, competência ou mérito não lhe reconheço para tais funções, e a paupérrima entrevista por si concedida para a última edição do Jornal A Cabra assim o manifesta, em que esta pseudo-dirigente de gabinete não só não apresenta uma única frase onde se possa sondar (nem nas entrelinhas) aquilo que pode ser feito por esta DG como afirma “querer criar posições consensuais dentro da Academia” (como aprovar moções sem as cumprir, o que é uma grave violação aos estatutos e aos princípios que sempre nortearam o funcionamento da instituição; quanto a esse ponto, melhor dizendo, quanto à minha moção, apresentada e aprovada a 12 de Março em AM, ainda não foi enviado o convite ao Ministro que estava inscrito no seu conteúdo e isso já motivou uma queixa minha a um membro da AM e nos próximos dias irá resultar em 3 queixas no fiscal contra DG, Ricardo Morgado e Leila Campos; porque se quiserem gozar vão gozar com os vossos avós) quando de facto está a recusar a participação da instituição em verdadeiras acções reivindicativas (essas sim, verdadeiras acções reivindicativas duras e sérias) para um dia tão importante e tão simbólico como o dia do estudante, para depois apresentar esta merda escrita em word que foi claramente escrita em cima do joelho de alguém. E eu sei de quem foi. Os responsáveis por este texto são Ricardo Morgado e Leila Campos. Ambos militantes da Juventude Social Democrata. São responsáveis pelo silêncio da AAC quanto a um texto que não tem origem cá mas numa cabeça pensante da Federação Académica do Porto com o silêncio destes seus dois amiguinhos de Coimbra. Porque duvido que a Mariana da Acção Social, pelo que conheço dela e pelo que já falamos sobre a AAC, deixasse uma coisa tão merdosa passar para o público.

Neste documento de word que não é digno da nossa realidade, há duas ressalvas às quais pretendo mexer:

a 1ª quando se lê: “uma comparticipação dos estudantes sob a forma de propina, consignada à melhoria da qualidade e à ação social, e a simultânea responsabilidade do Estado em garantir efetivamente que nenhum estudante é excluído do sistema de ensino superior pormotivos de carência económica!” – subentendo então que a actual DG\AAC, ao contrário do que prevê a CRP é a favor do pagamento de propinas e chama a 1000 euros “comparticipação” por um ensino de qualidade que a CRP obriga a ser tendencialmente gratuito. Se as propinas cobradas pela UC aos seus alunos tem um valor superior a 2 salários mínimos, não é uma comparticipação (é um encargo pesado para muitas famílias) e muito menos é o pagamento simbólico de um ensino “tendencialmente gratuito”.

a 2ª quando se lê: “É que, apesar de estarmos em “férias escolares”, as dificuldades não tiram férias!” – esta DG não está em férias escolares pelo que depreendo deste texto. está em férias desde que tomou posse!

Eu não gosto de criticar por criticar. Apresento soluções.Apresento acções de reivindicação a sério:

1. A minha moção no dia 17 de Abril como propus em Assembleia Magna.

2. Uma manifestação da Academia onde se convidem alunos, docentes, investigadores da UC a desfilar da Via Latina até à Ponta de Santa Clara (passando pela rua Oliveira Matos onde estão situados os SASUC) para protestar contra os cortes impostos no financiamento da Universidade de Coimbra, contra os cortes na Acção Social directa e indirecta e contra o regulamento de atribuição de bolsas de estudo no ensino superior, disponibilizando para o efeito uma informação detalhada sobre os graves entraves enunciados no dito regulamento que estão a fazer com que milhares de estudantes com um considerável grau de carência económica não possam continuar os seus estudos no ensino superior.

3. Reuniões urgentes em Coimbra ou em Lisboa com o Ministro da Educação\Secretário de estado do ensino superior\Primeiro-Ministro\Presidente da República para dizer “basta” e para dizer que os estudantes da Academia de Coimbra irão tomar medidas concretas para reivindicar os seus direitos.

4. O decreto de um luto académico pela actual situação da Academia de Coimbra.

5. Uma paralização grevista da Universidade de Coimbra por vários dias, convidando os docentes da Universidade de Coimbra a discutir o ensino superior e a situação do país com os alunos à porta das faculdades.

6. A criação de um fundo solidário para situações de emergência social para usufruto de estudantes carênciados excluídos do sistema de acção social escolar com a sua base constitutiva assente no valor que for cobrado à nova concessão dos bares da AAC e dos restantes estabelecimentos comerciais instalados no edifício da instituição.

Apresento estas 5 vias de reivindicação e a solução que vejo possível para ajudar a dirimir um dos problemas que nos aflige aqui. Não apresento na Direcção-Geral porque não confio na sua estrutura e tão pouco em alguns dos seus dirigentes. Não confio numa Direcção-Geral que não é capaz de fazer uma ruptura com as decisões tomadas em ENDA. Não confio numa Direcção-Geral da AAC que anda a reboque daquilo que a FAP acha que deve ser feito. Num confio numa DG\AAC que baixa constantemente as saias aos dirigentes da FAP em ENDA. Não confio em pessoas sem ideias, sem noção da realidade daqueles que representam e sem um mecanismo de acção para a resolução dos seus problemas.

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lembrete

MoçãoA Moção\Acção Reivindicativa que apresentei (e vi aprovada) ontem em Assembleia Magna para o próximo dia 17 de Abril para aproveitar o 44º aniversário do 17 de Abril de 1969.

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choca-me

claro que me choca. e muito.

Não tem dinheiro para ir às consultas e fazer a medicação? A solução é deixar morrer: lentamente e em silêncio.

A peça escalpeliza todo o problema em torno da questão excepto um. Como é sabido, o Ministério da Saúde quer fechar com alguns hospitais psiquiátricos no país para reduzir custos e em alternativa, apresentou uma proposta que visa a passagem de algumas unidades de acompanhamento permanente para as unidades de saúde familiar, proposta essa que implica o encerramento de unidades como o Lorvão (talvez o “meu amigo” Horácio Firmino já me saiba explicar em português decente a medida).

Essa medida implica que muitos dos doentes que já se encontram internados nessas unidades há muitos anos sejam novamente “entregues” aos cuidados das famílias, sem que se saiba sequer se as famílias os querem receber em sua casa, sem que se saiba sequer se as famílias tem condições de habilitabilidade para receber esses doentes, sem que se saiba sequer se as famílias tem possibilidade para receber esses doentes. Posso estar errado, mas estou em crer que muitos desses doentes foram forçados ao internamento nessas unidades pelo simples facto das famílias não terem possibilidades ou não quererem suportar os seus problemas. A criação de unidades comunitárias de saúde psiquiátria irão abrir novos celeumas na questão: quem é que irá receber o doente em sua casa? quem é que irá com o doente às consultas visto que são pessoas que não tem mobilidade? quem é que irá suportar os custos das consultas e da medicação intensiva ao qual esses doentes estão sujeitos? até que ponto é que certas famílias estão preparadas para lidar com alguém que necessita de um tratamento especializado? até que ponto é que as instáveis famílias portuguesas estão aptas a receber mais instabilidade dentro dos seus lares? a mim parece-me que esta medida visa abandonar ainda mais quem já não é útil para a sociedade em prol da tão ambicionada redução de custos no Serviço Nacional de Saúde.

É efectivamente essa redução de custos por parte do Estado, é efectivamente essa retirada de papel do Estado nas suas responsabilidades enquanto provedor de bens e serviços que está a desregular por completo o funcionamento farmácias (ainda hoje presenciei um exemplo numa farmácia de Coimbra de um casal de Leiria que se deslocou a Coimbra para comprar um medicamento que as farmácias de serviço de Leiria não tinham em stock; não preciso de explicar porque é que não tinham stock desse medicamento; logo a seguir presenciei outro de um idoso que não tinha 5 euros para comprar um medicamento do qual necessitava para a doença de Alzheimer) que está a destruir com o Serviço Nacional de Saúde e que consequentemente está a encaminhar o ramo da saúde para as mãos de entidades privadas. Pior que isso é o facto de sabermos que somos o povo com a 3ª carga tributária mais alta da europa e os nossos impostos não estarem a servir para nada. Uma das questões que pululava a mente de muitos opinion-makers deste país há uns meses atrás era precisamente a questão que interrogava quanto é que os portugueses estavam dispostos a pagar pela manutenção do Estado Social? Se o Estado Social é isto, então é melhor que nada tenhamos de pagar para o manter porque ele não existe. Temos escalões tributários ao nível dos nórdicos, recebemos menos que os trabalhadores dos países nórdicos, e quando vamos a um hospital pagamos uma taxa moderadora enquanto os nórdicos nada pagam. Vamos à Farmácia e vemos a comparticipação dos medicamentos subir diariamente a um ritmo impossível de pagar a um doente enquanto os nórdicos vão às farmácias e obtém o mesmo medicamento com uma comparticipação quase total do preço do medicamento por parte do Estado. Estas são apenas as dicotomias que podem ser encontradas no ramo da saúde. Mais poderão ser encontradas nos sectores da segurança social e da educação. Vale a pena pagar por algo onde o estado está a retirar as suas responsabilidades?

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a explorar

ando a descobrir umas discrepâncias de valores (entre o cálculo de simulação e a real atribuição) do mecanismo de cálculo de bolsas de estudo.

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2 de Março

Por favor, saiam de casa, vão para as ruas exercer o vosso direito de manifestação e larguem com civismo todo o vosso descontentamento em relação à insensibilidade social deste governo, todo o vosso descontentamento em relação à má experiência macroeconómica que as instituições europeias e mundiais estão a promover no nosso país e acima de tudo, por favor, vamos mostrar que somos um povo que não se cala nem se resigna perante a injustiça, perante as adversidades e perante a desgraça social que certos agentes teimam em aplicar nas nossas vidas.

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infeliz, infelicidades

Parece que estamos a voltar ao tempo dos ‘catadores de lixo’, uma situação própria de países do Terceiro Mundo. É preciso tomar medidas para travar este roubo, que nos prejudica a todos. As coimas podem funcionar como um factor fortemente dissuasor” – Pedro Machado, administrador da BRAVAL, empresa intermunicipal de Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde.

Tem bom remédio seu pulha. Vá a São Bento e a Bélem pedir aos órgãos de soberania que acabem com a pobreza, com a fome, com o desemprego e com o desespero das pessoas que procuram comida no seu lixo devido às suas políticas terceiro mundistas. Aliás, como rei do lixo que é, fique com o seu lixo, ou seja, com as suas palavras. E já agora, à lá Viegas, vá tomar no cú com as suas coimas. Ou acha que quem vasculha lixo à procura de comida irá pagá-las? É triste perceber que existem estes cenários dantescos no nosso país, mas ainda é mais triste ver funcionários públicos “armados ao pingarelho” a tratá-los de crime. Francamente…

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NBA 2012\2013 #34 – do All-Star Weekend

1.

all-star

2. Do habitual jogo entre Rookies e Sophomores, agora misturados

De um lado o Team Shaq de Shaquille O´Neal, constituído por Kyrie Irving (Cleveland Cavaliers) Damien Lillard (Portland Trail Blazers) Harrison Barnes (Golden State Warriors) Michael Kidd-Gilchrist (Charlotte Bobcats) Chandler Parsons (Houston Rockets) Kemba Walker (Charlotte Bobcats) Ty Zeller (Dallas Mavericks) Klay Thompson (Golden State Warriors) Dion Waiters (Cleveland Cavaliers) Andrew Nicholson (Orlando Magic) e Andre Drummond (Detroit Pistons) que mesmo lesionado alinhou durante 36 segundos.

Do outro lado o Team Chuck de Chris Robinson, constituído por Ricky Rubio (Minnesota Timberwolves) Bradley Beal (Washington Wizards) Kenneth Faried (Denver Nuggets) Kawhi Leonard (San Antonio Spurs) Anthony Davis (New Orleans Hornets) Alexey Shved (Minnesota Timberwolves) Tristan Thompson (Cleveland Cavaliers) Isaiah Thomas (Sacramento Kings) Nikola Vucicevic (Orlando Magic) e Brandon Knight (Detroit Pistons)

Faried

A vitória acabou por sorrir confortavelmente para a equipa Chuck por 163-133 e o MVP da partida foi o Sophomore Kenneth Faried depois de marcar 40 pontos e conseguir 10 ressaltos. No lado do Team Shaq, o melhor pontuador foi Kyrie Irving com 32. Faried recebe o prémio com o “fantástico” Craig Sager (carismático jornalista da modalidade conhecido pelos seus exuberantes fatos) atrás. Sager ontem estava com um fato fora do normal.

3.

Antes do BBVA Rising Stars, as celebridades convidadas pela liga disputaram o jogo de celebridades. A mascote dos Bulls aproveitou para celebrar com Kevin Hart, o MVP da partida.

4. As fotos de grupo de rookies e Sophomores, a visita do comissário da liga David Stern ao balneário das equipas e algumas fotos do jogo:

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5. Do jogo das celebridades:

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O rapper Common e a antiga vedeta da liga, o poste Dikembe Mutombo.

celebridades 3

Usain Bolt, o próprio, atrás da bola!

celebridades 4

O rapper Ne-Yo.

6. Como não podia deixar de faltar neste tipo de eventos, a NBA Cares preparou uma série de acções comunitárias em Houston com a participação de jogadores e treinadores da liga. A NBA cares é um assunto ao qual irei abordar num dos próximos posts.

NBA cares Duncan

Tim Duncan (San Antonio Spurs)

NBA Cares Harden

James Harden (Houston Rockets)

NBA cares Howard Parker

Dwight Howard (Los Angeles Lakers) e Tony Parker (San Antonio Spurs)

NBA cares Irving

Kyrie Irving (Cleveland Cavaliers)

NBA cares LeBron

LeBron James (Miami Heat)

NBA cares Lin

Jeremy Lin (Houston Rockets)

NBA Cares Ming

Mesmo já não pertencendo à liga, a antiga vedeta dos Houston Rockets Yao Ming também se quis associar ao evento.

NBA cares Westbrook

Russell Westbrook (Oklahoma City Thunder)

7. Brincadeiras:

Na euforia de ter ganho o prémio de MVP do jogo das celebridades, Kevin Hart decidiu desafiar o campeão olímpico Usain Bolt a uma corrida com bola nas mãos!

8.

Bastidores do jogo entre rookies e sophomores.

9. Mais a sério.

Michael Jordan afirmou recentemente que prefere Kobe Bryant a LeBron James. Já em Houston, James respondeu ao melhor jogadores de basquetebol da história.

10. Acabada de tirar:

skills challenge

Os participantes do concurso de skills de hoje. Brandon Knight (Detroit Pistons) Damien Lillard (Portland Trail Blazers) Jrue Holliday (Philadelphia 76ers) Jeremy Lin (Houston Rockets) Jeff Teague (Atlanta Hawks) e Tony Parker (San Antonio Spurs). “As festividades de hoje” começam à 1 e meia da manhã e tem transmissão na Sportv.

11.

A dupla de vedetas de Oklahoma presente no evento (Westbrook e Kevin Durant) falam do “orgulho” em ser all-star.

Westbrook 2

Westbrook decidiu prolongar o carnaval e aparecer no evento de ontem vestido de Tartaruga Ninja!

Os Thunder decidiram publicar no seu site um video com os dois jogadores a trabalhar nos eventos promovidos pela NBA cares.

12.

Bruce Bowen

Jogo das celebridades. Quem se lembra de Bruce Bowen, exímio atirador campeão pelos Spurs?

13.

carmelo

Festa de Puff Daddy e Carmelo Anthony em Houston. Seguramente uma daquelas festas onde todos os amantes da liga queriam ir!

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O sr. é parvo ou faz-se?

“Não há, até hoje, nenhuma evidência [de] que estejamos a viver numa espiral recessiva” – Pedro Passos Coelho hoje no debate quinzenal.

Ora vejamos:

1. Quebra na receita fiscal de Janeiro a Novembro de 2012 de 5,2%.

2. A economia portuguesa caiu 3,5% no 3º trimestre de 2012.

3. Quebra no consumo no 2º trimestre de 2012 que será agravada no ano de 2013.

4. Aumento da taxa de desemprego em 2012 em 3% relativamente ao ano de 2011.

5. Aumento da carga fiscal retira 60% do poder de compra detido pelas famílias de classe média.

6. Quebra do investimento global nos sectores produtivos e consequentemente aumento do desemprego.

7. O fetiche dos bancos, o investimento imobiliário, caiu em 20% no ano 2012.

8. A taxa de pobreza em Portugal é a mais alta da UE.

9. O número de pedidos de insolvência em Portugal aumentaram 78% em 2012 tendo em conta os números de 2011.

(entre outros)

A leitura dos dados veículados pelas agências competentes para os fazer é fácil.

Temos 929000 desempregados, 400 mil deles que beneficiam de ajuda ao estado, 529 mil ao deus-dará. Esses 529 mil não consomem nem produzem riqueza para o país. Os 400 mil beneficiários de apoios sociais também não estão em condições de aplicar o seu rendimento no consumo ou em poupança. Temos 929 mil cidadãos que não só não consomem, como não criam riqueza para o país como ainda beneficiam do apoio monetário do estado e dão despesa ao estado. O aumento da carga fiscal, a 3ª mais alta da UE, faz com que o rendimento das famílias daqueles que ainda trabalham diminua. Se diminui, a economia é simples: passam a consumir menos e a comprar menos unidades dos produtos que antigamente compravam. Logo, a receita fiscal obtida por via do consumo é menor. A carga fiscal para quem não trabalha é menor do que nos anos anteriores pela simples razão que os que agora vivem de apoios sociais descontavam mais no passado pelo facto de terem emprego e de terem um rendimento maior do que o que recebem actualmente dos apoios sociais. A queda verificada no investimento e o aumento do número de insolvência daqueles que tinham capital investido fará aumentar o desemprego, a precariedade social, a necessidade de apoio do estado a novos desempregados, menos consumo e consequentemente aumento da despesa para o estado por via da diminuição da receita fiscal e aumento da despesa do estado com apoios sociais. A queda verificada no investimento imobiliário fará estagnar ainda mais o sector da construção civil, um daqueles que mais contribui para o PIB deste país e fará aumentar o desemprego. Escuso portanto de explicar novamente os mecanismos. Para além do mais irá afectar a banca pelo simples facto de insolvência de construtores e detentores de empréstimos à habitação deixar milhares de casas que não serão vendidas facilmente nas suas mãos, créditos que não terão reembolso e investimentos feitos pela banca de acordo com as espectativas geradas por alguns negócios no sector imobiliário completamente pendurados. Numa previsão negativa, mais bancos terão que ser recapitalizados com recurso a fundos do estado. Com o estado sem liquidez para fomentar a economia, com a banca às contas com prejuízos, quem é que vai conceder crédito para novos investimentos? Tudo isto gera não só uma espiral recessiva como os desiquilíbrios provocados pelos mercados e pela tosca intervenção deste governo nestes irão ter repercussões sociais gravíssimas: a população portuguesa é arrastada para situações de pobreza, fome generalizada, miséria, pobreza infantil.

O pior desta afirmação, a meu ver, é que o senhor primeiro-ministro é licenciado em Economia. É certo que é um licenciado às três pancadas. É o nosso destino enquanto povo termos que ser governados por um indivíduo que demorou 2 décadas a tirar uma simples licenciatura de 3 anos, numa instituição de ensino privado ainda por cima. É naturalíssimo portanto que não consiga compreender os mecanismos económicos de uma espiral que está a criar. Não os estudou, decerto. Passou às cadeiras com cábulas na calculadora. Fia-se nos relatórios que encomenda a uma certa instituição com sede em Washington. Fia-se num Ministro das Finanças que de génio não tem nada. Mantem um Ministro da Economia (Olá Alvaro, li os teus papers sobre Economia Portuguesa e são uma valente merda. Foste aluno da FEUC mas não aprendeste nada com os professores Joaquim Feio ou Júlio Mota. Qualquer dia faço-te chegar a minha resposta ao Ministério em carta registada para que pelo menos, caso não os queiras ler, uma das tuas secretárias seja obrigada a assinar um despacho dos correios!) que ainda não fez nada, nada, nadinha. Tomo portanto esta simples frase proferida hoje na Assembleia da República como uma frase de desespero de alguém que já não sabe o que fazer para inverter a situação do país. A saída é simples Sr. Primeiro-Ministro: demita-se e demita o seu governo. Já que em Belém temos um Presidente da República doente, senil, e incapaz de o fazer sem a ajuda da primeira-dama. Demita-se. É o favor que faz ao seu povo.

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meanwhile

Os invasores de Bretton Woods ainda não conseguiram perceber que o aumento da carga fiscal e da retenção à fonte por parte dos trabalhadores da classe média estão a arruinar por completo o consumo, a criação de emprego e consequentemente a economia do país.

Os Invasores de Bretton Woods ainda não conseguiram perceber que a diminuição de deduções fiscal em sede de IRS irá tirar ainda mais rendimento a quem já não o tem.

Os Invasores de Bretton Woods continuam a insistir que tudo deve ser taxado, inclusive o subsídio de maternidade. Só não são capazes de propor uma taxa sobre as transacções financeiras e sobre as mais valias de quem não quer investir no nosso país. Só não são capazes de instigar a uma averiguação do que se passou no BPP, no BPN e daquilo que se está a passar no BCP, no BPI e no Banif.

Chegamos a um grau asfixiante de incerteza. As pessoas não tem dinheiro.

Diariamente assistimos a uma panóplia de casos chocantes: a crianças são negadas refeições por dívidas dos país ao agrupamento escolar ou à segurança social. Nas Caldas da Raínha, um casal vive dentro de uma carrinha antiga porque não tem onde trabalhar. O ditado diz: “em cada esquina, um amigo” – a realidade de Lisboa diz: “em cada esquina, um mendigo ou um sem-abrigo” – em coimbra, na baixa, existem mais de 50 pessoas nessa situação (vi-as eu no outro dia a dormir ali prós lados do Arnado e da democratica). Chegámos a uma realidade triste onde as pessoas olham para as montras desupermercado e não tem capacidade para prover os bens básicos de que necessitam.

Imaginemos então se o IVA do cabaz básico sobe de escalão. Aquele que vai comprar 2 litros de leite, compra apenas 1. Aquele que comprava 10 pães, compra apenas 5. Aquele que comprava 2kg de carne compra apenas 1. Efeito ciclíco: o produtor de leite que vendia 100000 litros por mês passa a vender metade e dos 10 empregados que tem dispensa 5 e esses 5 terão que receber ajuda do estado. O padeiro que vendia 200000 pães por dia, passa a vender 100o00 e dos 20 empregados que tinha, dispensa 10 e esses 10 passam a depender do estado. O produtor de carne que vendia 10000 kg por mês passa a vender 5000 e dos 50 empregados que tinha, dispensa 25 e esses 25 passam a receber apoio do estado. A cadeia de supermercados que vendia todos estes produtos, como passa a vender menos (e a receber menos comissões pelos produtos que vende) também terá que reduzir o número de trabalhadores e estes passam a dependem da ajuda do Estado. Se o objectivo do estado é diminuir a despesa, não é só a receita que chega por metade por via do consumo como é o extra que sai pela via das ajudas sociais (enquanto as houver). Decidi escrever a última frase a vermelho para que toda a gente saiba que esta é a visãodo falhanço do Consenso de Washington, ou seja, o neoliberalismo falhou, fracassou, morreu.

Fico incrédulo quando leio que estas medidas são fruto da necessidade que o país tem em promover o investimento? Mas qual investimento? Com um mercado interno completamente estagnado, arruinado, quem é que vai investir no quer que seja para fracassa por falta de compradores? Digam-me qual é o investidor que tem neste momento condições para arcar com o risco do seu negócio fracassar pela abismal queda do consumo interno português?

O investimento (ou a falta dele) remete-me a outros factores que me encaminham ao busílis da questão: ainda ninguém percebeu as inconstitucuionalidades promovidas pelo último orçamento de estado? Será que ninguém percebe de leis neste país ao ponto de não se perceber que é as férias pagas são um direito constitucional adquirido, inamovível e inultrapassável? Será que neste país ninguém percebe de leis ao ponto de deixar passar uma medida que cobra impostos de forma retroactiva? Será que os agentes do FMI não percebem que o direito à maternidade (paga) é um direito constitucional e como tal impassível de ser retirado total ou parcialmente?

Chegámos a uma realidade onde milhares de famílias não sabem o que lhes espera o dia de amanhã ou sabem que o dia de amanhã poderá trazer miséria e fome. Chegámos a uma realidade onde a insatisfação leva à frustração, a frustração à criminalidade, a frustração à insegurança, a frustração à fome e qualquer dia a fome rebentará numa onda de violência sem precedentes neste país.
Cada vez acredito que este país terá o destino (sufragado democraticamente) que merece. Este povo está a ter a paga que merece por ter eleito esta corja de bandidos. Se eu fosse membro do governo teria medo. Está a criar um povo que já não tem nada a perder. Eu sei que são situações diferentes, promovidas por contextos histórico-sociais diferentes mas não tejo qualquer pejo em afirmar que a revolução francesa começou pela falta de pão. E um povo que já não tem nada a perder, com fome, pode tornar-se violento.

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Projecto Lado-a-lado

lado a lado

Numa época onde a crise social e económica que o país atravessa se faz reflectir essencialmente nas camadas mais desfavorecidas da população, afectando essencialmente o rendimento das famílias da classe média e em particular aquelas que tem jovens a frequentar o ensino superior e numa época em que existe um tendencial crescimento de idosos que vivem sozinhos na mais profunda solidão, o pelouro da Acção Social da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra vem alertar para o projecto lado-a-lado.

O projecto lado-a-lado, projecto criado em 2009 visa combater dois males de uma vez só: idosos disponibilizam-se para receber estudantes nas suas casas e em troca só pedem aos estudantes que os ajudem a combater a solidão e a realizar tarefas básicas do dia-a-dia. Estudantes carenciados, vulneráveis à falta de rendimentos, poderão ter neste projecto o lar familiar que tanto almejam e a forma de poderem continuar os seus estudos. Este projecto, está assim aberto a qualquer estudante do ensino superior, com comprovadas carências económicas e com aproveitamento escolar, disposto a apoiar um idoso nas mais variadas tarefas do dia-a-dia.

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O projecto aqui apresentado está a passar por alguns problemas: neste momento a Direcção-Geral tem bastantes idosos inscritos no projecto mas não consegue encontrar estudantes que precisam ou queiram beneficiar deste.

Para nós estudantes, habituados a um ambiente de liberdade e independência e a um ambiente festivo, custa-nos deixar de lado o orgulho (e neste ponto falo para aqueles que tem vergonha de afirmar que estão a passar por dificuldades económicas pois é para este grupo de pessoas que este post e este programa se destina) e acreditar que a solução dos nossos problemas passa por entrar na casa de um(a) desconhecido(a). Aqui ficam portanto alguns testemunhos de felicidade de quem já entrou no programa:

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Assim sendo, para todos os estudantes que se mostrem preocupados pelo seu futuro, que estejam a pensar em desistir dos seus cursos por falta de recursos económicos para pagar as suas habitações ou para todos aqueles que tenham vontade de entrar neste projecto, contactem o pelouro da Acção Social da DG\AAC ou com o Centro de Acolhimento João Paulo II (parceiro local no projecto) através dos contactos disponibilizados neste cartaz.

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Missão Sorriso

“Associação de Defesa e Apoio da Vida de Coimbra

Envelhe (S)er pretende incidir em duas principais problemáticas que se verificam na sociedade atual e nomeadamente em Coimbra: a elevada taxa de desemprego e o envelhecimento demográfico acentuado da população, que acarreta muitas vezes situações de isolamento social, carência económica e desproteção social. A ADAV- Coimbra tem vindo a constatar um crescente aumento das situações de desemprego nos agregados familiares que apoia. Os pais e mães acompanhados/as têm formação e competências a vários níveis (Cabeleireiro e estética, Construção civil, Animação Sociocultural, Geriatria, Serviços Domésticos), pelo que o presente projeto visa criar uma bolsa de pessoas que estão desempregadas ou em situação de emprego precário, com o intuito de as inserir no mercado de trabalho através da prestação de serviços nas suas áreas. Assim pretende-se criar uma resposta alternativa e inovadora, no concelho de Coimbra, às situações de isolamento em que vivem muitos idosos e/ou às famílias que têm idosos a seu cargo.”

Votar aqui.

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greve geral e afins

A leitura do ponto actual do país está difícil.

Dada a dificuldade da leitura decidi meditar um pouco sobre os incidentes de ontem na escadaria da Assembleia da República.

Sociologicamente tenho como certo o velho ditado que diz que em “casa onde não há pão toda a gente ralha sem razão” – esse foi o mote do que se passou ontem, e bem, para bem da própria democracia portuguesa. Se bem que considerar democracia ao actual regime imposto no país pode-se caracterizar como um conceito muito perigoso. Deveras perigoso.

A realidade do país, como tenho escrito neste blog desde Junho de 2010 até hoje, está muito difícil e pode resvalar por caminhos perigosos. Se há alguns meses atrás reclamavamos que o povo português assistia com modos pacíficos (tendo em conta aquilo que assistimos na Grécia, em Itália e em Espanha) a um corte generalizado do estado na sua despesa (cortes esses que irão tirar eficiência e qualidade a alguns serviços e bens providos pelo Estado) temo, repito, temo, que com os cortes alargados ao rendimento dos cidadãos por via do aumento da carga fiscal façam com que assistamos num futuro muito próximo ao aumento da escalada da violência. Tenho como certo também que este governo matou o dito Estado Social. Sim, porque caracterizar o modelo português como Estado Social é outra ideia que só existe na cabeça dos governantes e políticos portugueses. A esses, aconselho-os a estudar os modelos nórdicos, esses si Estados Sociais.

A realidade do nosso país é uma realidade marcada pela miséria e pela pobreza. Os dados económicos assim o mostram: mais de 850 mil desempregados, sendo que a taxa de desemprego não para de subir, fruto da falta de investimento em vários sectores produtivos (por falta de liquidez, falta de liquidez essa que é provocada pela falta de concessão de ajuda ao investimento por parte do Estado e de uma banca que ainda está a contas com a rectificação dos seus rácios de capital) e da previsão em baixa da produção de certos sectores produtivos, em virtude da diminuição do nosso consumo interno. Estagnação no consumo interno que também se reflecte na óptica das receitas do Estado. Receitas do Estado que se reflectem obviamente, por via orçamental, na diminuição de verbas consignadas ao provimento de bens e serviços essenciais dos quais esmagadora maioria do povo português dependia. De forma excessivamente clientelista, diga-se a abono da verdade. Se o que ontem era provido pelo Estado de forma tendencialmente gratuita, assistimos a uma evolução onde a casa de partida não será o pagamento dos cidadãos ao estado pelo valor real dos serviços providos mas sim a própria privatização do poder provedor desses mesmos bens e serviços. A mercadorização total em Portugal quando noutros países onde a mercadorização é intensa (nos modelos de estado liberal do Reino Unido e Estados Unidos; exemplo mais crasso é o próprio Obamacare) se está a assistir a uma tendência desmercadorização. Os Estados estão a desmercadorizar-se, ou seja, a tirar o papel de protagonista principal aos mercados e a corrigir por via do provimento estatal os desiquílibrios sociais que advém da desregulação desses mesmos mercados. No caso do Obamacare, e da constituição de um sistema de saúde que possa englobar em si 25% dos cidadãos Norte-Americanos que não tem acesso aos mais básicos cuidados de saúde pelo facto de não terem rendimentos que lhes dêem o acesso a um seguro de saúde privado, tal medida só poderá resultar, caso seja alargada numa evolução generalista (a criação de um sistema nacional de saúde no país sob o domínio estatal, dando-se obviamente a liberdade ao cidadão de optar entre o público e o privado) no aumento de rendimento disponível dos cidadãos por exemplo para consumo. E aqui Obama joga de forma inteligente pois sabe que o único factor que poderá gerar uma onda expansiva na economia norte-americana, também ela afectada por uma alta taxa de desemprego, é um novo crescimento do mercado interno por via do consumo.

Em Portugal assiste-se ao contrário. Com o aumento dos impostos assistimos a uma tendência exagerada para embarcar numa nova onda de privatizações. A própria política instaurada pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo visa privatizar o que é público. Para dar mais vencimentos aos amigos que outrora o empregavam. Já todos sabíamos disto. No Ensino Superior, os cortes feitos não chegam para as Universidades fazerem face às suas despesas estruturais. Como tal, existem Universidades a ultrapassar por completo o limite do que é suportável. Daqui a uns meses poderemos assistir ao fecho de par em par de várias instituições entre as quais a UC. Diz-se por aí que é em tempos de crise que surgem as melhores ideias. As melhores ideias empreendedoristas por norma saem de nichos de formação de profissionais altamente qualificados. Os profissionais altamente qualificados estão a sair do país a olhos vistos por via do elevado desemprego. E a formação de profissionais altamente qualificados que se podem tornar novos empreendedores está a ser completamente estrangulada. E o desemprego não só não cria novo empreendorismo (quem é que consegue ser empreendedor sem boas linhas de financiamento? quem é que está para arriscar quando o mercado interno está em queda? quem é que tem condições para investir tudo o que tem vivendo no risco do infortúnio no dia seguinte?). Tudo me leva a crer que a estratégia deste governo está a ser uma estratégia que visa estrangular por completo as soluções que o país necessita.

Jovens desesperam por emprego. O país está a envelhecer. A segurança social está falida e sobrecarregada de apoios sociais por via do aumento de beneficiários que não tem emprego. Jovens estão a emigrar. Jovens não estão a contribuir para que a segurança social se possa manter sustentável e possa ter capitais para pagar as reformas no futuro daqueles que contribuem hoje. Os fundos de pensões que o estado precaveu em bom tempo para pagar essas mesmas reformas estão a desvalorizar em virtude da própria recessão nos mercados. Só neste ano 2012, os investimentos feito pela Segurança Social nesses mesmos fundos viram as carteiras de investimento desvalorizar cerca de 1500 milhões de euros. Que futuro terão os nossos pais?

São esses pais, esses contribuíntes que desesperam com a situação. As contas caem em casa com enorme velocidade e voracidade. O endividamento das famílias é maior e abrange mais famílias. Levam todo o rendimento disponível. São centenas os casos de famílias que estão a ficar sem tecto para morar. São milhares os casos de famílias que já não conseguem fazer mais que uma refeição diária. São milhares os pais que já não conseguem suportar os gastos dos seus filhos no ensino Superior. Já são centenas os casos de atrasos de pagamento das refeições por parte de encarregados de educação em crianças do ensino básico e do ensino pré-escolar. Já são centenas os casos onde essas próprias crianças apenas tem uma refeição diária, servida exclusivamente na escola. São milhares aqueles a quem o futuro é negado por falta de condições económicas que lhes permitam continuar a estudar. Que futuro teremos?

O pior neste país é que toda esta austeridade é feita numa clara violação a princípios Constitucionais e tem a ajuda de um Presidente da República que está manifestamente doente e como tal incapaz de por cobro a toda esta situação.

A Europa, liderada pela senhora Merkel, num tabuleiro onde a chanceler alemã põe e dispõe, actuando sob uma lógica muito própria e viciada na austeridade é seguida pelo governo português de forma fiel. Empobrecer o país não é solução. Não seremos mais competitivos com desfelexibilização das leis laborais. Não seremos mais competitivos com desvalorização salarial. Não seremos tão competitivos como países com o México ou como a Turquia porque jamais nos poderemos comparar a países da sua dimensão e jamais poderemos comparar as nossas estruturas laborais às suas estruturas laborais. Não podemos jogar o jogo das potências emergentes. Jamais. É errado pensar que a desvalorização salarial dos nossos trabalhadores poderá trazer competitividade aos nossos produtos nos mercados internacionais. Porque a jogar esse mesmo jogo arrastaremos todo o Portugal para uma época de miséria profunda. Se o trabalhador que aufere o salário mínimo já não apresenta condições para subsistir, imaginem que esse mesmo trabalhador num futuro próximo terá 400 euros de salário. Caos. Teremos sim que modificar as nossas estruturas de forma a existir fomento. Daí que a ideia de criar um banco de fomento, exclusivamente criado para fomentar a actividade económica é uma das soluções que já deveria ter sido feita aquando da assinatura do memorando de entendimento. Gerar dívida é fácil. Cortar despesa é fácil. Mas há que atentar a um pormenor: quem e como se irá pagar essa dívida? A resposta é simples: criando riqueza. Será ao desinvestir que se cria riqueza que possa pagar essa mesma dívida e fazer o país crescer novamente? A resposta é simples: não. Será pelo crescimento do mercado interno que poderemos ter a capacidade de fazer face ao desemprego e alinhar uma política económica expansiva que nos permita activar um ciclo económico positivo que recupere o consumo interno, que nos devolva um mercado interno forte e que possa incentivar à produção para consumir internamente e posteriormente exportar? Sim.

Para finalizar. O mote principal. A democracia. É esta a democracia que precisamos para Portugal? A democracia que não sai do gabinete em São Bento para oscultar as dificuldades de um povo? A democracia que escuta as directivas de uma instituição fracassada como é de facto o Fundo Monetário Internacional? A democracia que serve fielmente as imposições estrangeiras em Portugal? A democracia que ontem bateu indiscriminadamente em manifestantes e grevistas numa clara violação a princípios constitucionais? A democracia que bateu indiscriminadamente em idosos e crianças? A democracia que no mesmo dia anunciou por via do seu Ministro da Administração Interna um extraordinário aumento na remuneração das forças policiais de 10% quando assistimos a cortes cegos noutros sectores bem mais essenciais como a saúde ou a educação? Enganem-se os polícias, enganem-se os governantes. Enganem-se os polícias pois estão a ser comprados para defender quem arrasta para a pobreza todo um país. Enganem-se os governantes. Não são aumentos remuneratórios que compram a consciência das forças policiais. A continuar assim, duvido que um único polícia neste país defenda um governo que castiga de forma dura e ímpia o seu povo. Um povo que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas é um povo revoltado. E eu cada vez mais acredito que este país irá acabar muito mal.

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Chega!

da declaração pública lida ontem pelos reitores de todas as universidades do país,

no caso particular da Universidade de Coimbra, confesso que em muitos anos não tinha assistido a um tamanho poder de mobilização. se bem que o gabinete de comunicação e imagem da reitoria voltou a falhar ao apenas enviar tolerância de ponto para todo o universo da UC na hora prevista para a leitura da declaração no dia anterior à mesma, facto que poderia ter arrastado ainda mais gente para o Teatro Académico Gil Vicente. se o referido gabinete tivesse enviado o email com maior antecedência, em vez de 2 ou 3 mil pessoas estou seguro que Coimbra caíria lá toda.

o Magnífico Reitor João Gabriel Silva, o meu reitor (explico o porquê aqui) voltou a soar o botão de alarme no que diz respeito à sobrevivência da instituição Universidade de Coimbra. não preciso de esmiuçar muito o seu recurso. João Gabriel Silva voltou a mencionar o básico: com uma menor dotação orçamental para a instituição, a UC está abaixo do limiar de sobrevivência e não tem recursos para fazer face às despesas estruturais, as despesas mais básicas como água, electricidade, gás. nem falo sequer das despesas orçamentais, pois está mais que visto que a situação irá fazer com que a UC possa efectivamente ter a necessidade de fechar portas entre Julho e Setembro do próximo ano para cortar na despesa, despedir funcionários ou reduzir-lhe os seus horários, despedir professores, encerrar ou encurtar a prestação de alguns serviços e fazer ainda mais cortes na acção social indirecta. isso irá traduzir-se obviamente, para muita pena do nosso reitor, na diminuição da qualidade de ensino, na diminuição das verbas consignadas a investigação, na diminuição da qualidade da acção social e sobretudo, em mais desemprego e mais abandonos no ensino superior. esta declaração não se tratou de um aviso. João Gabriel Silva já vem alertando desde há muitos meses para esta situação. trata-se da realidade: ou o governo volta atrás na sua decisão ou então a UC tem os dias contados.

ao discurso do reitor seguiu-se o discurso de Ricardo Morgado. um discurso em loop. mal preparado, mal lido e revelador da estratégia que paira neste momento em relação ao problema no nº1 da Padre António Vieira que é ABSOLUTAMENTE NENHUMA. (malta, se quiserem uma ajudinha…)

o próprio Ricardo Morgado, foi o maior derrotado da manhã de ontem. a mobilização do reitor com um simples mail no dia anterior derrotou qualquer mobilização que a AAC possa fazer. perdão, a mobilização é fácil. mas só se põe em marcha quando se interessa, ou seja, em dia de eleições.

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a tal ética social na austeridade

 

Depois existem os exemplos vindos do nosso Serviço Nacional de Saúde.

Sim, é real. Alguém que seja vítima de assalto ou roubo com recurso à violência física, agredido ou até espancado de forma brutal e necessite de cuidados médicos depois do crime, terá que desembolsar todos os cuidados prestados porque o SNS não comparticipa os mesmos.

Seria este o verdadeiro sentido do conceito inserido pelo primeiro-ministro em pleno Parlamento em Outubro de 2011?

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ora vamos lá ver se nos entendemos

“Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, as escolhas políticas difíceis que estão a ser feitas estão a testar o consenso politico alargado em torno do programa que existia até à data” – Abebe Selassie, avaliador do Fundo Monetário Internacional para o programa Português.

Perdão? Este senhor não sabe a realidade política do nosso país? Este senhor não sabe que este programa foi negociado por 3 dos 5 partidos? Este senhor não sabe que este programa não foi debatido sequer com 2 partidos políticos que fazem representar a vontade popular na Assembleia da República? Este senhor não sabe que o próprio programa não teve a aprovação do sindicato que representa 95% dos trabalhadores nacionais? Este senhor não sabe que as decisões importantes da vida de um país, principalmente no que toca a ingerência de organizações terceiras nas matérias internas de um país é uma matéria que constitucionalmente terá direito a um referendo? Este senhor não sabe que a democracia é popular é constituída do povo para quem os representa e não, uma obrigação posta pelos representados aos seus representantes? Mas qual consenso político? E já agora, o que é que pensa Abebe Selassie da falta de consenso social em relação a todas as políticas posteriores à assinatura do memorando? Não contam?

Mas em Bretton Woods, eles ainda acham que o povo está satisfeito com a sobretaxa no IRS:

No mesmo relatório, o Fundo Monetário Internacional avisa os governos portugueses (sim porque o nosso governo está a tentar sacudir a água do capote ao nível de responsabilidades) que em 2013 teremos o pico mais alto da dívida pública portuguesa: 123,4% do PIB.

A confirmar-se será o número mais negro da nossa história. Questiono: como é que vamos criar riqueza para podermos pagar esta dívida? e se criarmos, quantos anos andaremos refens desta mesma dívida?

Selassie dá a resposta a partir de Nova Iorque: “A pobreza nos últimos anos é mais efeito do crescimento do desemprego que dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos em si mesmos. (…) “Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, factores dos quais já tínhamos avisado o Estado Português na quinta avaliação do Programa. (…) Tentámos seguir o conselho do Governo quanto às áreas onde se poderia cortar despesa sem sobrecarregar os mais pobres (…)”

“a gente avisou, vocês é que nã nos deram ouvidos, tá? quem criou esse mesmo desemprego? não foi o próprio Fundo através do Memorando e da hedionda medida de revisão do Código Laboral para tornar mais flexíveis as leis laborais neste país de forma que se pudesse despedir de forma mais gratuita? ou será que o Fundo já está a sacudir a água do capote para o governo português como fez nos exemplos da Argentina e do Brasil?

mas no entanto, o governo não soube dizer onde poderia cortar na despesa sem sobrecarregar os mais ricos mas sobrecarregou e de maneira os mais pobres com a subida de escalões do Imposto Sobre o Rendimento.

E o relatório de Bretoon Woods vai mais longe quando se lê:

e…

é o que dá não negociar um programa paralelo que pudesse fomentar a economia de forma a criar riqueza para pagar esta dívida. parece a armadilha da qual a direita (do governo) utiliza para afirmar que o país está no bom caminho: “calma que as exportações aumentaram este ano” – quando de facto, o superavit criado na balança comercial português no ano 2012 não chegará sequer para pagarmos os juros do resgate que nos foi concedido pelos nossos amigos de Bretton Woods e Bruxelas.

prodigiosa também é a última frase. o nosso sucesso a depender do que for construído a nível europeu, quando Merkel, Hollande, Draghi, Monti e companhia ainda não sabem bem o que fazer\não estão em sintonia em diversos aspectos. quando não se sabe o que dizer, atiram-se culpas e responsabilidades para outros organismos.

continuando.

Não iremos voltar aos mercados em 2013 porque tal será perigoso dado o aumento da nossa dívida pública. Recordando o primeiro-ministro lá em Nova Iorque aos gurus da Economia em Abril deste ano:

No entanto Selassie diz “a sobretaxa de 5% sobre o IRS manter-se-à até 2014”

e o relatório do Fundo diz:

Arriscaremos a ir aos mercados em 2013 a 7,5% ou mais, gerando ainda mais dívida que não poderemos pagar durante gerações e gerações…

Cruzando Passos:

quando a nossa recuperação será mais pronunciada a partir de 2014? Quando Selassie afirma que a sobretaxa terá que vigor até 2014

Entra em Cena, Gaspar, o neoliberal:

na comissão de orçamento. com a economia portuguesa a acelerar o crescimento, dizem, só em 2014.

no entanto, era este mesmo ministro que dizia publicamente horas antes a uma rádio:

confesso que até eu me sinto confuso com tanto contrasenso. se o financiamento do estado será feito com recurso ao mercado (na primeira afirmação do ministro; mas já não será, com base na 2ª) porque é que o estado português carregou com os contribuíntes com um escalões tributários mais severos para aumentar a receita pela via de impostos?

a resposta também pode ser dada pelo relatório do Fundo, quando neste se lê:

que as parcerias publico-privadas vão custar muito mais do que as previsões que as projecções do Ministério das Finanças previam…

2013 já não é o ano do crescimento, contrariando aquelas vezes em que ouvimos o primeiro-ministro a dizer que “2013 é que é”, discurso que já vem desde 2011 a dizer que 2012 é que era…

aproveitando a deixa, enquanto como umas torradinhas, para o post não ficar tão duro, esta situação parece aquela situação das contas do Guterres:

continuando.

O relatório do Fundo entra em contradição com as próprias palavras do avaliador da nossa missão Abebe Selassie:

todos já sabíamos que pode haver retrocesso económico caso a Espanha dê, como se diz na gíria “o badagaio” visto que é o nosso maior importador e a economia com o maior fluxo de capital investido no nosso país.
no entanto, é de surprender que o Fundo escreva isto logo a seguir:

então mas… Selassie não dizia que tudo se mantinha de pé graças ao “consenso político e social existente?”

A Solução passará portanto por… típicas privatizações ao estilo Bretton Woods:

que não serão mais do que mais financiamento (empresas a troco de feijões) para o Estado Português!

Perguntam vocês, porque é que a Economia não cresce? O Fundo sacode a responsabilidade para as fracas políticas do Álvaro Canadiano e do Gaspar, o neoliberal:

tendo que ser o estado falido a conceder crédito não-bancário a novos investimentos. Como? não sei. Se é visto frequentemente? não.

ah pois, ainda são formas a serem exploradas pelo estado português! Ou seja: a concessão de crédito para fomento empresarial, criação de emprego, criação de riqueza, e consequente pagamento desta dívida ainda é coisa que está a ser explorada pelo estado português numa conjuntura de autêntico desatre económico e social.

A compreensão do resto deste relatório, a outros níveis, fica para abordagens futuras!

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vamos cá esclarecer umas coisitas

dados revelam que se fez “história” na economia portuguesa: pelo primeiro ano em 16 (se não estou em erro), a nossa balança comercial (dizem) é favorável. 315 milhões de superavit no período considerado na peça da rádio renascença, segundo os dados apresentados pela AICEP.

1. falsa ilusão: não são as exportações que estão a crescer desmesuradamente, são as importações que estão a decrescer. porquê? a perda de poder de compra dos portugueses. crescem porque o mercado interno já não satisfaz a oferta das empresas.

2. crescimento de 6,9% nas exportações em relação ao período considerado no ano anterior. justificação? simples. as exportações estão a crescer em virtude dos acordos comerciais que foram feitos no mandato de José Sócrates. Quais são os mercados? simples. Venezuela, Líbia, África do Sul, Angola, Moçambique, Brasil, Argentina, ou seja, tudo países, onde Sócrates conseguiu mercados para produtos portugueses. Imputar a este governo este tipo de vitórias é do ponto de vista prático errado.

3. falsa ilusão, parte 2: uma balança comercial favorável, apesar de ser um indicador económico interessante e positivo, no nosso caso, não revela as contas do país. continuamos a ter uma balança de pagamentos desfavorável, em virtude dos elevados juos que o país está a pagar aos credores internacionais e, precisamente à troika. Os 315 milhões de euros obtidos não chegam sequer para pagar os juros anuais que estamos a pagar ao Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, que, como se sabe, são de 34,4 mil milhões de euros (quase metade do resgate financeiro a que fomos submetidos). Bastará portanto fazer as contas aos 5% que teremos que pagar ao Fundo Monetário Internacional, calculando as 5 tranches que já nos foram atribuídas e a verba pertencente ao Fundo dentro dessas tranches(por exemplo) mais o spread diferencial, Dá qualquer coisa como 750 milhões de euros de juros por ano a 45 anos.

outros dados revelam-se assustadores: a política de Gaspar a dar frutos. 4,9% de queda na receita fiscal. Apesar do corte na despesa de 14,5%, o aumento de 22,9% com ajudas sociais mostram que a política de empobrecimento do país não só está a reduzir o poder de compra como está a tirar dinheiro ao estado por via de impostos indirectos, como ainda está a levar o estado a aumentar os seus encargos com situações de desemprego, que, tenderão a aumentar visto que a perda de poder de compra só trará mais ruína ao tecido económico português. Medidas ruinosas que se tendem a aliar com os valores dos novos escalões tributários deste país.

a espiral negativa. a armadilha do consumo. em tempos de recessão, a súbida de preços dos produtos, aliada à perda de rendimentos para consumo por parte das famílias levará a uma racionalização do consumo. perde o consumidor (que fica claramente insatisfeito visto que não consegue prover todas as suas necessidades), perde o empresário (não escoa stocks e como tal terá que rever as planificações da sua empresa e cotá-las novamente em baixa; o que levará ao desemprego, favorecido pelo novo código laboral), perde o trabalhador (despedido e catapultado para um subsídio de desemprego mais baixo que o salário que auferia) e perde o estado, pela diminuição de receitas e pelo aumento de prestações sociais.

mas

Gaspar e Mota Soares ainda querem atacar mais.

se seguir em frente, esta é a proposta que irá colocar meio portugal nas ruas para derrubar o governo. menos 42 euros para quem já faz das tripas coração para sobreviver. seria uma medida excelente caso os 150 mil beneficiários desta medida tivessem emprego. mas não tem. e mais uma vez, a estratégia de empobrecimento do país trará consequências ruinosas.

para finalizar e indo de encontro ao meu pensamento, é bonito ver as últimas estatísticas da Comissão Europeia sobre o desemprego jovem e os custos que esse mesmo desemprego incidem sobre o Estado Português.

não me venham com isto dizer que este governo peca por estar, com estas políticas, a agradar às pretensões dos seus parceiros europeus e dos mercacados, menosprezando ou tendo dificuldades de comunicação com o povo português. o povo português é imberbe mas não é estúpido. sente na pele a falta de dinheiro nos bolsos, a falta de comida na mesa e a falta de dinheiro para satisfazer as necessidades básicas.

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