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gigs

Impressionante. Ontem, a meio do jogo entre o Manchester e o Real dei por mim a pensar quantos jogadores existiriam na história como semelhante registo de jogos. Equacionei Maldini, Baresi, Zanetti, Bergomi, Costacurta, Rush, Damas, Eusébio, Simões, Pelé, Zoff, Charlton. Fui ver um a um. Apenas o astro Brasileiro ultrapassou a marca dos mil jogos. Fez precisamente 1114 jogos pelos Santos entre 1956 e 1974 e mais 106 no New York Cosmos entre 1974 e 1976 Maldini é de facto o que está mais próximo destes dois. Tem mais de 100o jogos, somando os que fez no Milan (902) nas 26 épocas ininterruptas que realizou pela equipa rossoneri mais os 138 que somou ao serviço da selecção A de Itália mais os sub-21. O histórico capitão do Inter Javier Zanetti também ultrapassa a fasquia, mas com jogos internacionais (924 ao serviço de Talleres, Banfield e Inter de Milão em 21 épocas enquanto profissional) mais os 157 jogos que soma entre os sub-20 argentinos e a selecção A. Todos os outros oscilam entre os 500 e os 800 jogos ao serviço de clubes.

O registo do Galês ao serviço do United (Reforço: sempre ao serviço do United) são absolutamente inacreditáveis e duvido que hajam muitos jogadores, que, nos dias que correm e no futuro do futebol, com a exigência e rigor que concerne à alta competição, consigam atingir esta marca. Podem-me dizer que o uso da ciência e da tecnologia em prol do desporto poderá trazer uma maior longevidade às carreiras. Existem o exemplo do Milanello e do Milan LAB. É o maior centro de medicina desportiva do mundo. O Milan LAB é o verdadeiro responsável por uma das características que identificam o Milan das últimas épocas: como obter um rendimento desportivo de topo, coroado inclusive com vitórias na Liga dos Campeões com planteis de idade muito avançada. O Milan LAB dá a resposta: a fisiologia dos jogadores estudada ao milimetro, a própria vida dos jogadores estudada ao milimetro, o rendimento do atleta (dentro e fora de campo) é colocado em sucessivos relatórios, estatísticas e gráficos, a personalização do treino é feita à medida de cada jogador tendo em conta as suas capacidades físicas no momento com os objectivos centrados naquilo que se espera que o jogador faça em cada momento da temporada, excelentes programas e parcerias ao nível da nutrição desportiva e os avanços científicos feitos na descoberta de novas ferramentas que permitam melhorar a qualidade de vida do jogador, o rendimento do atleta e a própria longevidade do atleta num cenário de alta competição desgantante. Contudo, penso que nem só dos aspectos físicos se pode dizer que x jogador vai ter uma longevidade como as que tiveram Maldini, Zanetti ou Ryan Giggs.

O plano mental começa a contar mais nos dias que correm do que o próprio físico. Ter uma carreira profissional de mais de 20 anos não depende apenas do ponto de vista físico. A profissão futebolista sofre imensos desgastes mentais. É certo que a remuneração no futebol vale a pena. 20 anos num clube de topo europeu faz do jogador um milionário. No entanto, aguentar 20 anos ao mais alto nível inclui obrigatoriamente uma renúncia por parte do jogador à sua vida pessoal: são filhos que não se vêem crescer, são casamentos que não perduram por muitos anos, são juventudes que passam ao lado da vida do jogador e uma 3ª idade cheia de mazelas e tormentos vindos do relvado. A exigência vinda da vitória, do querer ganhar e do ganhar de facto, também leva à desmotivação. Um jogador que ganhe títulos por todos os clubes onde passe, chega a uma altura em que começa a sentir utilidade marginal mínima ao nível de prazer no que faz e tenderá a retirar-se. Quantos jogadores estão no presente e no futuro disponíveis a tamanhos sacríficios em prol de uma carreira?

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4 thoughts on “1000

  1. É a verdadeira prova que um jogador aos 31/32 anos está velho uma ova. Este ainda agora parece que saiu das camadas jovens do Manchester. Auguro-lhe um belo futuro!

    • Renovou recentemente até 2014. Lia uma crónica do João Carlos Ferreira (o antigo treinador da académica) que podes encontrar no Publico Online onde ele fazia uma pergunta pertinente: poderá um jogador destes quando terminar carreira ficar ligado ao clube para passar a sua experiência enquanto futebolista? a resposta para o caso de Giggs parece-me óbvia. Muito óbvia. Tipos com menor percurso no futebol tem iniciado carreiras de treinador mal acabam a carreira futebolistica, muitos deles, sem perfil para tal. Penso que o Giggs tem perfil para tal. É a voz do balneário do United e é induscutivelmente o líder. E para se ser treinador, é preciso acima de tudo alguém que tenha uma indiscutivel capacidade de liderança sob o balneário.

  2. Aron diz:

    Seedorf 819 and counting 🙂

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