fico incrédulo

O Departamento de Justiça Norte-Americano lançou uma investigação contra a agência de rating Standard & Poor´s que visa apurar as responsabilidades desta numa eventual fraude na crise dos sub-primes em 2007 por “considerar que a agência de rating ignorou as fragilidades dos investimentos em produtos financeiros hipotecários durante o período que antecedeu a crise económica de 2008.”

Devo considerar que acho este pedido de investigações no mínimo caricato. Devido a certos pontos:

1. O Governo Norte-Americano usa e abusa das suas agências de rating para defender os seus interesses económicos nacionais. Tanto podemos ver a agência em causa a dar rating de Triple-A a produtos financeiros que não merecem esse rating devido ao risco de incumprimento que subjaz e a manter o rating da dívida alemã no referido rating sem que a economia alemã cresça a um nível que possa tornar essa dívida pagável, como podemos ver as agências de rating a afundar os países da zona euro a partir do rating da sua dívida para que o euro desvalorize em relação ao dólar e para que os sectores produtivos europeus se tornem menos competitivos nos mercados em relação aos seus homólogos americanos e para que a especulação possa fazer aumentar os juros da emissão de títulos de dívida e os investidores mundiais possam sugar esses mesmos estados até ao tutano como é o caso da dívida pública portuguesa.

2. Porque é que o Departamento de Justiça Norte-Americano, em relação a estes produtos financeiros e à especulação que foi feita em seu torno, não lança uma investigação detalhada às autorizações dadas pela Reserva Federal no último mandato de Alan Greenspan e à falta de supervisão económica da mesma agência? Afinal de contas parece que já foi provado que foi a FED que deu autorização à transacção em mercado de certos produtos (com um risco de incumprimento que jamais teriam o rating de Triple-A) cujos responsáveis sabiam perfeitamente (no caso de activos tóxicos do mercado imobiliário) que seriam negócios que iriam dar para o torto.

No entanto, os responsáveis da FED sempre poderão alegar isto: (vide declarações de Greenspan a meio do vídeo para o documentário de Charles Ferguson “Inside Job”)

3. Greenspan, hoje conselheiro económico do Primeiro-Ministro Britânico irá alegar que “não, não tinha conhecimento profundo sobre os CDS” (credit default swap) que os bancos e as seguradoras Norte-Americanas (entre as quais aquela cuja falência despoletou a crise de 2007, a Lehman Brothers) e “não, não sabia que os activos tóxicos emitidos por essas entidades iriam ser negócios ruinosos”. A fraude não reside apenas nos comportamentos especulativos tomados pela agência de rating em questão. Tenho como dado adquirido que a culpa desta fraude é partilhada com a Reserva Federal Norte-Americana.

4. Concluo portanto que a justiça norte-americana sofreu interferências do poder executivo para de uma vez por todas oferecer como bode expiatório para o que passou em 2007 as agências de rating. Não deixa de ser, no mínimo, caricato.

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