curioso

este fetiche de Frau Merkel pelo 80º aniversário chegada de Hitler ao poder… escolas básicas e secundárias interromperam a lição habitual para conhecer os primeiros 6 meses de governação do Fuhrer. Dúbias afirmações como “os Direitos Humanos não se impõem por si próprios. A liberdade não chega só por si e a democracia também não” e “Tudo o que torna uma sociedade viva e humana precisa de homens que manifestem respeito e cuidados uns para com os outros, que assumam as responsabilidades por si e pelos outros” e “Em seis Meses, Hitler conseguiu destruir a diversidade Alemã”.

é caso para lembrar que Hitler chegou ao poder como uma alternativa aos fracassos da República de Weimar acentuados pela Grande Depressão e pela humilhação imposta pelos aliados à Alemanha pelo Tratado de Versalhes. Hitler chegou ao poder a partir da aceitação por parte da classe média alemã dos pressupostos basilares da sua doutrina: antisemitismo, culpa dos Judeus por todos os males da Alemanha de então, ataque ao comunismo, criação de uma raça superior que jamais se deveria relacionar com raças inferiores, vontade de criação de uma alemanha unificada que pusesse por em marcha um plano de força que possibilitasse a instauração da sua hegemonia no mundo. A transformação da doutrina económica fascista que já era experienciada com exito na Itália de Mussolini ao modelo do Nacional-Socialismo Alemão veio por atacado por ser um bom modelo de controlo do estado sobre o território, sobre os trabalhadores (que na Alemanha de então começavam a nutrir alguma simpatia pelas ideias marxistas) e sobre os recursos económicos.

foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder. Hitler queria cuidar dos interesses alemães e cuidar dos alemães enquanto povo, elevando-os a uma raça superior divina. foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder: assumir a responsabilidades dos outros. delegar a responsabilidades de todos no estado. unificar os interesses de todos num só, alienar as responsabilidades de todos na égide estatal. o problema de um é o problema de todos, o problema de todos é um problema de estado.

a nível político e económico consigo encontrar algumas semelhanças entre o III Reich e o governo de Frau Merkel. As políticas anti-imigração, a tentativa de controlo das instâncias europeias, a tentativa de influência no seio destas mesmas instâncias para a adopção de políticas para a europa criadas pelo governo Alemão, a imposição de regras (pensadas pelos Alemães) aos restantes países europeus, a restrição e contracção económica que é imposta aos designados “PIIGS” (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) como pedra basilar de empobrecimento económico desses mesmos países e ponto de partida para um fácil controlo Alemão baseado na “subserviência” e no pressuposto “quem depende de nós financeiramente não está em condições de exigir nada, devendo portanto só obedecer às nossas ordens”, o jogo alianças com a China que se assemelha ao jogo de alianças que Hitler fez com a Itália e com a Rússia, a falsa aliança com a França, o abandono da França nos últimos meses da Presidência Hollande e a analogia aos falsos tratados de não-agressão do Fuhrer com Estaline. Dá no mínimo que pensar.

enquanto Hitler pretendia, até porque a Sociedade das Nações não tinha meios para controlar as suas pretensões, dominar os restantes países da europa pela força e pela coacção, Merkel opta por um domínio assente na estrangulação económica dos países europeus, num primeiro plano, para num segundo plano, vendo os outros asfixiados, possa calmamente desenhar a arquitectura europeia como bem aprouver aos interesses nacionalistas alemães.

merkel sabe perfeitamente que países votados a um regime de subserviência económica junto de outro jamais poderão exercer a liberdade e a democracia. merkel sabe perfeitamente que para a Alemanha crescer economicamente, necessitará de queimar países para o efeito, aplicando-lhes duras medidas de austeridade, que não só permitam os reembolsos do capital alemão disseminado pela europa como permitam que a economia alemã se torne competitiva à custa da aplicação dos seus capitais em países empobrecidos e com mão-de-obra barata. tudo isto tem portanto uma explicação e não é toa que vemos a chanceler alemã e os seus ministros da economia e finanças (Roeseler e Schauble) a afirmar constantemente que a austeridade na europa ainda está longe de acabar, que a recessão na europa ainda está longe de acabar, que países como portugal deverão manter-se em recessão (a tal estratégia de empobrecimento) e pior que isso, não é à toa que vemos com sistematicidade as tentativas de ingerência nas questões soberanas dos países europeus por parte do governo alemão. se em 6 meses Hitler conseguiu destruir a diversidade alemã, em poucos anos Merkel está a conseguir destruir a europa e a construção europeia. pela retirada de identidade aos povos, pela retirada do poder de decisão aos estados, pela subserviência e pela construção europeia narcisisticamente dependente do poder e das imposições alemãs.

não deixa portanto de ser no mínimo curioso este fetiche pelo 80º aniversário da chegada ao poder de Hitler, curiosamente, o único totalitário europeu de então que chegou ao poder pela via democrática.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , ,

4 thoughts on “curioso

  1. Aron diz:

    Nao resisto a uma resposta..

    Para comecar, comparar o III Reich ao governo de Merkel nao so e demasiado facil como nao faz sentido. Se fores a procura, como tu neste caso fizeste, poderas encontrar as mesmas semelhancas entre quaisquer dois governos no passado e actuais.

    Comecas por explicar como Hitler chegou ao poder: ate aqui nada de novo. Conotar as ditas afirmacoes nas escolas como dubias diz mais sobre a tua interpretacao do que sobre as intencoes do governo alemao. Atencao que isto nao e nenhum ad hominem, mas creio que revela uma certa falacia que tenho visto ultimamente crescer nos meus amigos portugueses: que os ‘alemaes’ sejam fascistas e que tenham um certo orgulho no seu passado no que toca a 2a Guerra. ‘Eles’ nao podem, a priori, fazer nada certo nos olhos dos cidadaos no Sul da Europa, tal como estes nao podem fazer nada certo nos olhos dos alemaes (mas ja vou tocar nesse assunto).

    Parece que a Alemanha, pelo que leio neste post, tem como principal objectivo destruir a Europa e a UE, controlar o continente,e levar os PIIGS a falencia. So nao vi a frase que incluia ‘semear morte’. Tambem podemos levar as coisas longe demais.
    A Alemanha depende da Europa, de uma UE que funcione, dos PIIGS.. A grande maioria das exportacoes da Alemanha vao para a Europa, e como tal, a maioria dos trabalhadores depende de uma Uniao em que mercadorias, capitais e servicos possam livremente circular. Sem estes pressupostos, nenhum pais da UE poderia, nesta conjuntura economica, sobreviver.

    Depois vem o topico da “subserviência”. Ha duas maneiras de olhar para isto, mas so e revelado uma: no post: o lado dos PIIGS.
    Gostaria de fazer uma especie de ‘thought experiment’ contigo: imagina que es alemao e todos os dias ves nas noticias o dinheiro que vai para o Sul. PIIGS que precisam do ‘teu’ dinheiro. Ves, tambem, o dinheiro que ja foi gasto por estes paises em obras inuteis, caros e sem sentido (e.g. uma linha ferrea na Grecia, um aeroporto em Espanha, X autoestradas em Portugal). Chega-se facilmente a uma conclusao: esta gente viveu demasiado tempo acima das suas possibilidades: e aqui nao faco distincao entre governos ou populacoes. Se isto e verdade, deixo aos criterios de cada um, mas por agora nao interessa: o que interessa e o que ‘os do Norte’ pensam dos ‘do Sul’.

    Creio que falta um bocado de auto-reflexao: o que me espanta e que, no post, a Alemanha e vista como O Grande Mal, tomando proporcoes miticas (pela comparacao ao III Reich) e que os PIIGS sejam apenas vitimas desta maldade. Atencao, eu compreendo estas ideias (ate porque nao sao racionais, mas maioritariamente emotivas), mas creio que reflecte tambem a ‘mentalidade do Sul’: ninguem quer ser responsavel, e ‘eu’ o minimo possivel. Negar culpa nesta situacao (lamentavel, sim senhor) nao faz sentido. Um pais, governo, ou os cidadaos sao responsaveis por aquilo que fazem, e culpar outrem pelas suas deficiencias (orcamentais, laborais etc.) e demasiado facil: dizer que ‘a culpa e dos outros’ nao ajuda em nada e nao tem pes nem cabeca.
    Olhar para os problemas estruturais ja tem, negociar o saneamento de dividas tambem, o simples ‘nao gastar mais do que temos’, nao estar dependente de ajuda estrangeira etc.

    Obviamente, isto nao foi o caso dos PIIGS nos ultimos 10,20 anos, e precisam de ajuda: tanto a nivel financeiro como a nivel de gestao.
    Tudo isto e uma brincadeira muito cara, e sacrificios sao para ser feitos. Entre eles a soberania no que toca ao orcamento de estado, medidas de austeridade etc.

    Ja muitas vezes discuti isto com amigos, e gostaria de partilhar contigo esta analogia a que chegamos: um irmao mais velho recebe mais dinheiro mensal dos pais que o irmao pequenino. O irmao pequeno gasta tudo em doces. O irmao mais velho, que ja tem mais dinheiro, mete todos os meses algum a parte. Isto continua durante muitos meses. Ate que o irmao pequeno vem pedir dinheiro ao irmao velho. O mais novo tinha pedido dinheiro emprestado aos amigos, porque gastava tudo em doces e depois ficava sem nada durante o resto da semana. Creio que nao preciso de ir mais alem…

    Por fim, gostaria de dizer que isto nao foi nem um ataque pessoal, nem que eu seja aquele que tem razao: o meu objectivo neste comment foi ‘relativizar’ as coisas: que tudo tem dois lados, e so quando se conhece os dois lados e que se pode fazer um julgamento sao, claro e sem preconceitos.

    Espero ter ajudado.

    Melhores,

    • Começo a minha resposta, em jeito de defesa aos meus argumentos pegando numa das tuas afirmações:
      – “que os ‘alemaes’ sejam fascistas e que tenham um certo orgulho no seu passado no que toca a 2a Guerra. Não Aron, estás redondamente enganado. Sou Português, vivo neste país há 25 anos como bem deves saber e nunca ouvi dizer da boca de ninguém tais afirmações. Vi sim muitas piadas com o Hitler, com os judeus e com o Holocausto. Se bem me lembro, quando dei no ensino básico o III Reich pela 1ª vez, a minha professora de história chegou inclusive a deixar vincado que ainda hoje o assunto é tabu na Alemanha. Tanto o é que o próprio governo alemão aproveitou a efeméride cujo aniversário foi ontem para explicar ao povo aquilo que foi o início do III Reich. Espero com esta primeira parte do meu comentário consolidar desde logo um ponto de vista.

      “Parece que a Alemanha, pelo que leio neste post, tem como principal objectivo destruir a Europa e a UE, controlar o continente,e levar os PIIGS a falencia.”

      Terei que pegar mais uma vez nas tuas palavras para desmontar o teu argumento e montar o meu. Muito pelo contrário caro Aron. Incentivo-te a fazeres um observatório de imprensa desde que Angela Merkel chegou ao poder para quantificares o número de vezes em que Angela Merkel proferiu, tanto nas instituições europeias como no Bundestag como para a comunicação social afirmações\ordens\palpites (o que lhe queiras chamar) em relação aos designados “PIIGS” e o número de vezes em que os líderes das instituições europeias e chefes de estado\governo dos PIIGS se pronunciaram sobre a situação económica alemã. Se quiseres, incentivo-te também a procurares e quantificares semelhantes afirmações por parte do Ministro da Economia Alemão Philip Roesler e do Ministro das Finanças Wolfgang Schauble. Não tenho dúvidas em afirmar que aqui que estás enganado visto que foram mais as vezes em que os Alemães se pronunciaram ou ingeriram em assuntos soberanos dos PIIGS que o resto da europa nos seus assuntos soberanos.

      A Alemanha não depende da UE apenas ao nível das exportações. A Alemanha depende da UE a todos os sentidos. No espaço europeu, é raro o país cujo capital investido nos seus sectores produtivos não é maioritariamente Alemão. Incluo a Grã-Bretanha. Incluo a França. Existe apenas, que eu tenha conhecimento de uma excepção que é Portugal pois existe mais capital espanhol investido que Alemão. Pelos motivos lógicos. Como deves saber, os retornos desse mesmo capital não entram na contabilidade nacional dos países onde a empresa Alemã está sediada. A riqueza produzida migra para a contabilidade nacional alemã. Para além do mais, no caso dos PIIGS a Alemanha consegue obter grandes somas de riqueza e crescimento económico com base na criação e gestão de unidades produtivas cujos custos de produção são claramente inferiores ao custo de produção alemão, fruto de mão-de-obra mais barata do que a alemã. Se bem nível de produtividade, é dispar a diferença entre qualquer PIIGS (exceptuando a Catalunha e Piemonte, tomadas como regiões com um nível de produção superior a qualquer outros nos estados) e a Alemanha.
      No entanto, quero chegar ao ponto onde afirmo, sem qualquer pejo, que a dependência da Alemanha da UE não é uma dependência baseada na dívida ou no crescimento. É uma dependência baseada na liderança onde a Alemanha, pelo empobrecimento dos outros só terá a ganhar ainda mais do que já ganha hoje. Pela implementação de mais unidades produtivas com baixos custos de produção e com o modelo de produção alemão, ou seja, minimamente eficiente.

      Pela terceira vez, sou obrigado a pegar nos teus statements:

      “Gostaria de fazer uma especie de ‘thought experiment’ contigo: imagina que es alemao e todos os dias ves nas noticias o dinheiro que vai para o Sul. PIIGS que precisam do ‘teu’ dinheiro. Ves, tambem, o dinheiro que ja foi gasto por estes paises em obras inuteis, caros e sem sentido (e.g. uma linha ferrea na Grecia, um aeroporto em Espanha, X autoestradas em Portugal). Chega-se facilmente a uma conclusao: esta gente viveu demasiado tempo acima das suas possibilidades: e aqui nao faco distincao entre governos ou populacoes. Se isto e verdade, deixo aos criterios de cada um, mas por agora nao interessa: o que interessa e o que ‘os do Norte’ pensam dos ‘do Sul’.

      Não descuro por completo a validade deste argumento porque tens alguma coerência. Agora não te esqueças de uma coisa: a Alemanha causou 2 guerras que causaram ruína à europa. Vários países foram completamente arrasados a toda a escala. Não só ao nível económico e ao nível de infraestruturas mas também ao nível social. A França, a Bélgica, a Holanda, a Itália, a Áustria, a República Checa, a Eslováquia, os Balcãs, a Dinamarca, a Noruega, a Polónia, a Húngria e todos os países onde o Kaiser e o Fuhrer passaram com os seus exércitos tiveram de ser novamente construídos, repovoados e tiveram que começar todo o esforço produtivo do zero. Receberam fundos para isso é certo. Fundos não-alemães como o Plano Marshall. No entanto, esse plano Marshall também ajudou os alemães a reconstruir o país. No entanto, esses fundos levantaram a Alemanha quando não era obrigação dos aliados levantar um país cujo povo legitimou democraticamente um louco que causou uma guerra que destruiu tudo o que uma europa inteira tinha e um louco que causou um dos maiores genocídios humanos que a história conhece.
      E as ajudas à Alemanha não ficaram por 1945. Se bem sabes, Frau Merkel viveu parte da sua vida do outro lado da cortina de ferro. Quando a cortina de ferro caiu, Frau Merkel e o lado Oriental receberam ajuda de toda a europa (como Portugal e Espanha receberam quando aderiram à CEE) para que se pudessem desenvolver a um nível que permitisse diminuir as assemetrias da região em relação ao resto da Europa. Mais uma vez a Europa foi solidária com o problema Alemão. Quantas vezes é que os Alemães foram solidários com a Europa nos últimos anos? Quantas vezes o foram desde 2007 e desde o primeiro minuto do problema da dívida dos países europeus? Quantas vezes os Alemães chegaram às instituições europeias e procuraram gerar um consenso em vez de chegar com o seu próprio consenso baseado nos seus interesses nacionais? Gostava que me respondesses a estas perguntas Aron… e aqui, digo-te de amigo para amigo, que não é um ataque ad-hominem, são só constatações que pretendo que fiquem limadas entre nós.

      A mentalidade do Sul, a verdadeira mentalidade do Sul passa apenas por um único pensamento: como vamos sobreviver. Nós já não pensamentos no futuro. Pensamos sim se iremos ter comidinha na mesa amanhã. A verdadeira mentalidade do Sul passa por uma europa unida que possa remar para o mesmo lado. Sem narcisismos, sem nacionalismos. Aliás, como bem sabes, Portugueses e Espanhóis sempre foram os povos dentro dos 12, dentro dos 15 e dentros 27 mais empenhados na construção europeia, sempre foram os povos mais europeístas e sempre foram os povos que mais cumpriram as imposições vindas da europa ao nível de directivas e regulamentos. Como podes constatar, nesta questão em específica do resgate, os Portugueses (os espanhóis já nem tanto, os italianos já nem tanto; os gregos estão a marimbar-se para todas as reformas que vem de Bruxelas e esperam o perdão da dívida) estão a seguir de forma fiel as recomendações europeias.

      Agora, voltando ao assunto pelo qual me criticas, eu não afirmo neste post que Merkel é o III Reich. Afirmo sim que consigo encontrar algumas semelhanças entre as medidas dos seus governos e as políticas do III Reich. Acho que a tentativa de controlo da Europa por parte de Merkel é mais que evidente. Substitui-se apenas, tendo em conta os planos Hitlerianos, a força bruta pelas circunstâncias político-económicas em que se encontram os países europeus. Uns estrangulava pelos exércitos, outra estrangula pelo capital que tem investido nesses países, pela austeridade, pelo empobrecimenbo, pela imposição de uma vontade germanista à europa e pela constante interferência em assuntos que ainda são (os tratados ainda não dizem nada em contrário) da pura competência e responsabilidade dos estados.

      Para finalizar, respeito a tua opinião. Espero que pelo menos respeites a minha. Um abraço!

  2. Aron diz:

    Vou tentar responder de um modo mais ou menos metodico i.e. pegando em cada assunto num paragrafo.

    A tua professora esta errada. Os miudos alemaes aprendem muito mais sobre a 2a Guerra do que outros europeus. As atrocidades nazis sao abertamente discutidas e nao e nenhum assunto tabu. Amigos meus alemaes confirmaram-me isso. Eles tem muito mais nocao do que o seu pais fez no passado do que muitos outros da sua idade de outras nacionalidades sabem sobre a deles. Caso para dizer que eles nao tem orgulho no seu passado, mas a nossa geracao e a dos pais deles nao se pode levar nada a mal. E como culpar os espanhois e portugueses hoje em dia pelo genocidio que levaram a cabo no sec. XVI na america do sul.
    Trazer para a conversa historia nao faz sentido, e esse o ponto a que quero chegar.

    Se quiseres, incentivo-te também a procurares e quantificares semelhantes afirmações por parte do Ministro da Economia Alemão Philip Roesler e do Ministro das Finanças Wolfgang Schauble.

    Leio o Bild e o Suddeutsche diariamente. Os PIIGS para eles sao assuntos secundarios. Nao vejo qual o problema de um ministro querer saber para onde vai o dinheiro do pais que serve. Ele e responsavel por esse dinheiro. E o problema da gestao dos PIIGS que referi no primeiro comment.

    No entanto, quero chegar ao ponto onde afirmo, sem qualquer pejo, que a dependência da Alemanha da UE não é uma dependência baseada na dívida ou no crescimento. É uma dependência baseada na liderança onde a Alemanha, pelo empobrecimento dos outros só terá a ganhar ainda mais do que já ganha hoje. Pela implementação de mais unidades produtivas com baixos custos de produção e com o modelo de produção alemão, ou seja, minimamente eficiente.

    Falha-te aqui um principio basico de economia. A Alemanha nao tem nenhuma vantagem em empobrecer outros paises, ate por causa das exportacoes que ja referi. Os americanos foram os primeiros a perceber este principio: eles perceberam que precisavam de uma europa economicamente forte para ‘fazer negocio’ (plano Marshall). Os alemaes tambem sabem isso: explica-me entao porque a Alemanha teria alguma coisa a ganhar em empobrecer paises dos quais esta economicamente dependente?

    Agora não te esqueças de uma coisa: a Alemanha causou 2 guerras que causaram ruína à europa. Vários países foram completamente arrasados a toda a escala.

    Pronto, historia. Nao faz sentido responder porque seria ‘stating the obvious’.

    E as ajudas à Alemanha não ficaram por 1945. Se bem sabes, Frau Merkel viveu parte da sua vida do outro lado da cortina de ferro. Quando a cortina de ferro caiu, Frau Merkel e o lado Oriental receberam ajuda de toda a europa (como Portugal e Espanha receberam quando aderiram à CEE) para que se pudessem desenvolver a um nível que permitisse diminuir as assemetrias da região em relação ao resto da Europa.

    Optimo, do meu ponto de vista estas-me a dar razao por aquilo que escreveste entre parentises. Se tanto a Alemanha (Holanda, Belgica, Luxemburgo, Finlandia, Austria etc.) como os paises do sul da Europa ja receberam ajuda financeira de fora, como explicas as diferencas economico-financeiras entre o Norte e Sul? Caso para dizer, never ask questions you don’t already know the answer to. Mas por favor, chama o bicho pelo nome (mentalidade tem muito a ver com esta diferenca).

    Quantas vezes é que os Alemães foram solidários com a Europa nos últimos anos? Quantas vezes o foram desde 2007 e desde o primeiro minuto do problema da dívida dos países europeus? Quantas vezes os Alemães chegaram às instituições europeias e procuraram gerar um consenso em vez de chegar com o seu próprio consenso baseado nos seus interesses nacionais?

    Atencao, estas a fazer um pars pro toto. A Alemanha apenas cabeceia uma serie de paises insatisfeitos com a maneiro como esta situacao se gerou (- nao como se esta a tentar resolver). Alemanha, Holanda, Belgica, Luxemburgo, Finlandia, Austria, UK, Dinamarca, Suecia sao outros exemplos. Ate a Noruega ja retirou grande parte do seu investimento do fundo de pensao nacional de Portugal.
    Vais levar estes paises a mal por estarem ‘chateados’ (para nao usar outra palavra) de ter de dar ajuda financeira por ma gestao? Sim, ma gestao do dinheiro recebido deles.

    Esta situacao nao foi provocada por nenhuma guerra, apenas por ma gestao, pouca produtividade, e, como ja disse, os cidadaos terem vividos acima das suas possibilidades. Talvez seja tempo de encarar isto em vez de apontar o dedo aos paises do Norte.

    A mentalidade do Sul, a verdadeira mentalidade do Sul passa apenas por um único pensamento: como vamos sobreviver

    Demasiado facil. E mesmo se assim for: nao sera tempo de mudar de mentalidade? Ou teremos de estar satisfeitos com: ‘e a nossa cultura ser assim’ ?

    Desculpa se as vezes usei linguagem forte, mas na minha opiniao uma discussao boa tem de ser assim: duro, mas sempre baseado em conhecimento, factos, respeito mutuo e opinioes pessoais. Gosto disto, como tenho a certeza que tu tambem gostas.

    Um grande abraco

    • Discussões como esta geram conhecimento. E o conhecimento é precioso. Logo, discussões como estas são de salutar meu caro amigo!

      A Alemanha tem interesse em empobrecer os países europeus na medida em que, Como expliquei, no meu primeiro comentário fará com as suas empresas continuem a produzir nesses mesmos países a baixos custos e os países se tornem dependentes do crédito alemão. Como sabes, países em expansão económica são países onde o salário irá a crescer. O crescimento económico é sinónimo de criação de emprego e aí entra a teoria do salário de Marx: num país onde os recursos humanos disponíveis não estão totalmente empregues na produção desse país, os salários tenderão a manter-se baixos porque despedindo um empregado estarão 5 na fila para serem contratados. Num país em crescimento económico progressivo, haverá uma situação de pleno emprego ou existirão dados que confirmarão que se criam mais empregos do que pessoas que entram em situação de desemprego. Logo, uma económica em crescimento, onde há investimento e onde há criação de emprego tenderá a subir os salários dos seus trabalhadores. Noutro aspecto, um país empobrecido é um país que necessita de capital para fazer face às suas despesas em “tempos magros” – quem é na europa é o maior concessor de crédito, tanto aos Estados como às empresas privadas? Os bancos Alemães! Essa relação de subserviência levará os bancos alemães e os estados alemães como credores a tentar minar a europa com decisões que vão de encontro aos seus interesses nacionais.

      Já que pegamos nesse assunto, já que lês os jornais alemães e os assuntos dos PIIGS são “acessórios” para os alemães, não percebo porque é que as instituições europeias, a Sra. Merkel aparece quase sempre com uma nova proposta\recomendação para a gestão desses mesmos países. Consegues-me explicar?

      “eles perceberam que precisavam de uma europa economicamente forte para ‘fazer negocio’ (plano Marshall)” – Eles não precisavam só de uma europa económicamente forte para fazer negócio. eles precisavam de facto de uma alemanha forte para fazer negócio pois sabiam perfeitamente que a Alemanha reconstruída teria um potencial tremendo para eles fazerem negócio. tanto o sabiam como no pós-guerra encheram a Alemanha do seu capital. Aliás, já antes da guerra, uma das causas da chegada de Hitler ao poder era uma Alemanha arrasada pela Grande Depressão muito por causa da retirada do país dos capitais norte-americanos, facto que causou como sabes uma das maiores taxas de desemprego na história da europa.

      Quanto às diferenças entre o Norte e o Sul da Europa penso que não é preciso explicar pois a tua pergunta é uma pergunta de retórica. As respostas assentam nas diferenças de mentalidade, na diferença tecnológica, na diferença de níveis de produtividade, nas diferenças nas formas de estado e na aplicação dos fundos que os países receberam. Enquanto os Alemães aquando da sua reunificação aplicaram bem os fundos que lhe foram concedidos para diminuir as assimetrias entre o este e o oeste, os Portugueses esbanjaram por completo os fundos que lhes foram garantidos nos anos que sucederam a nossa entrada na CEE. E agora estamos a pagar bem por isso!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: