inenarrável

em vez de ser a primeira a dizer algo como calma aí “arranjem forma de contornar a difícil situação em que vivemos para que as pessoas não tenham que dependem exclusivamente da caridade que a minha instituição promove” é a primeira a dizer que vamos empobrecer e que vamos empobrecer porque o povo não agiu de forma sensata quanto à satisfação das suas necessidades. Afastar a responsabilidade do nosso actual momento de todos aqueles que governaram mal, que especularam, que nos tramaram com os negócios ruinosos, que nos endividaram perante credores externos para alimentar toda a uma máquina de pensões chorudas, de parcerias público-privadas, de regalias para os altos quadros do estado, de despesismo excessivo em infra-estruturas que em nada modernizaram Portugal, é reconhecer um autismo cego perante a realidade histórica do país onde vive. E a Isabel agiu de forma a viver ao nível das suas possibilidades? Será que a Isabel algum dia perdeu o emprego ao ponto de ter que depender de uma instituição de solidariedade social para comer? Será que a Isabel algum dia esteve endividada ao ponto de não saber o que colocar na mesa no dia seguinte para os seus filhos comerem? Será que a Isabel alguma vez dormiu ao relento numa noite de Novembro? Será que a Isabel terá direito a uma reforma condigna no futuro? Será que a Isabel tem direito a um serviço nacional de saúde eficiente?

depois, as analogias. A aula de ginástica e a rádiografia comparadas a um concerto rock. A água da torneira a correr. O viver acima das possibilidades. O que viu na Grécia e aquilo que se vê a olhos vistos no nosso país. A miséria. A miséria está na cabeça da Isabel Jonet, mais uma beneméritazinha da linha de Sintra de trazer por casa que só por acaso conseguiu uma enorme projecção dentro das associações europeias de bancos alimentares porque é efectivamente o seu país um dos casos mais drásticos ao nível de recurso dos mais desfavorecidos (considere-se neste momento 40% da população como desfavorecida ou até se quiser utilizar o termo de Jonet como miserável) a este tipo de instituições de solidariedade social . A miséria não é a dos pobres, a dos desempregados, a dos desvalidos. A miséria está na cabeça de quem os governa. Sempre ouvi dizer que para haverem ricos será necessário que hajam pobres. O exemplo Português é levado a uma assimetria extrema: existem os muito ricos e os muito pobres. Em doses cavalares de assimetria de rendimento.

Advertisements
Com as etiquetas , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: