jovem, adulto ou idoso

trabalhas, descontas uma vida inteira, trabalhas a vida inteira para ter uma casa, um carro, uma família e os teus putos na universidade. vives na sofreguidão, a contar todos os trocos, com medo que o dia de amanhã traga a fome, a carência ou a falta de um bem-estar mínimo. alimentas uma máquina burocrática que se chama estado. alimentas os vícios de outros, que não são, nem de perto nem de longe aqueles que tens. aliás, nem sequer tens vícios. o teu vício é comprar algo de vez em vez e ir tomar a bica ao café da esquina. mas vês os outros com pensões vitalicias e reformas de entidades públicas das quais não fazes a mínima ideia de onde surgem ou de que trabalho provém. outros, roubam indiscriminadamente as empresas públicas que financias com os teus impostos. como se os impostos servissem para financiar empresas públicas cujos lucros não servem para alimentar os bens sociais que utilizas mas os lucros dos seus subscritores privados de capital. pensas. se adoecer, terei um serviço de saúde público de qualidade. dormes a pensar no dia de amanhã. o dia de amanhã chega. vais a um hospital. tens um cancro. é o dia mais negro da tua vida. sentes a morte a farejar-te. mas lutas contra a adversidade. e no dia em que precisas que o estado te retribua tudo aquilo a que foste tributado numa vida de trabalho, o estado diz-te não. deixa-te morrer sem o acesso a cuidados porque é preciso racionar o que se tem. porque, outros como aqueles que o governam, no passado, tiveram a audácia de gerir mal aquilo que é comum. vai à suiça morrer com dignidade, diz-te por actos um ministro que quer privatizar todo o sistema de saúde. ou então morre para aí, sozinho, numa cama de hospital, na plena dor. revoltas-te. a saúde não é um negócio, apesar da ideia que neste momento os governantes e o crescente número de empresas que lucra com o sector fazem crer. existe dignidade humana, julgas. julgas bem. interrogas-te como é que o teu país chegou a este estado. interrogas o porquê de certos homens nem sequer respeitarem o princípio mais básico da dignidade humana. e vives com medo do amanhã. sobrevives.

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