notas e memórias

Lembro-me perfeitamente desta etapa como se fosse hoje.

Lance Armstrong e Joseba Beloki estavam isolados a um grupo que compunha Mayo, Hamilton, Ulrich, Azevedo e mais uns quantos. Joseba Beloki, apesar de ser um excelente trepador, tinha medo de descer.

Beloki e Ulrich estavam em grande forma e ameaçavam o reinado  de Armstrong.

Armstrong viu Beloki a cair com gravidade e nem sequer parou para ver se o colega de profissão estava vivo. Beloki foi imediatamente transportado para um hospital da região, tendo sido operado 3 vezes numa semana a múltiplas fracturas. O então ciclista da Once tinha 30 anos e era sem dúvida o melhor trepador de então em conjunto com Iban Mayo da Euskatel. Foi precisamente o basco que parou a bicicleta para se acercar que o antigo colega de equipa na Euskatel em 98 e 99 estava vivo.

Para Armstrong não interessavam valores de camaradagem. O pelotão tinha-lhe respeito. Sempre que Armstrong parava para urinar, para comer ou para ser assistido por um carro médico, pelotão e fugitivos se os houvessem abrandavam a marcha até que o Norte-Americano entrasse no pelotão. Mas Armstrong não tinha qualquer respeito pelo pelotão.

Prova disso foi o tour de 2003. Não só no episódio Beloki. Etapas depois deste incidente, nos Alpes, Armstrong teve uma queda quando atacava numa contagem de montanha a finalizar a etapa. Mayo e Ulrich, apercebendo-se da queda do camisola amarela, continuaram a correr mas negociaram (contra a vontade do espanhol e a pedido do alemão; relembre-se que Ulrich seria o maior beneficiado desta queda) parar para esperar pela reentrada no grupo do norte-americano. Este viria a reentrar, sendo as imagens esclarecedoras do que fez a seguir à sua reentrada.

Em 2003, Ullrich haveria de perder o Tour com uma queda no contra-relógio final, num contra-relógio disputado num dia chuvoso onde o alemão evaporava o minuto e cinquenta que o separava do americano nos quase 60 km que ligavam Pornic a Nantes. Era o dia anterior a Paris.

Será isto possível sem doping? Na altura a resposta já me soava como não.

Não é possível. Estamos a falar do Mont Ventoux, subida de cerca de 22 km de comprimento a uma pendente média de 7,43% durante toda a subida e com vários locais onde as rampas ascendem aos 14%. Estamos a falar de uma subida onde Merckx venceu duas vezes, uma das quais, tendo que receber oxigénio no final da etapa por intermédio de uma mascara depois de desmaiar. Falamos de uma subida onde o britânico Tom Simpson morreu em 1967 devido ao consumo de anfetaminas com álcool, estamos a falar de uma subida que chega aos 1911 metros de altitude e onde o ar mais rarefeito impede os ciclistas de ter um rendimento metabólico regular.

Como podemos ver no vídeo, Armstrong atacou e segundo os dados da época, fez 115 pedaladas completas ao carreto por minuto, algo que nem Hinault, Merckx ou Indurein tinham alguma vez feito na mesma ascenção.

Pelo meio Armstrong apanha Pantani. Marco Pantani era o melhor trepador da altura. Pantari foi (para mim) o melhor trepador de sempre. A história no ciclismo de Pantani acabou com o suicídio do italiano, cansado de sucessivas investigações e processos judiciais que pendiam sobre falsas acusações de doping que nunca se chegaram a provar. Pantani foi inúmeras vezes castigado e a sua carreira foi estragada por completo. Pantani entrou em sucessivas depressões e em sucessivos programas de reabilitação derivado ao seu consumo de cocaína. Acabou por se suicidar, algo previsível na altura.

Quando no outro lado,

Armstrong fazia 135 pedaladas por minuto em Plateau de Beille, num ritmo que nem o melhor trepador da sua equipa (Roberto Heras) aguentava:

Doping? Não tenho dúvidas. É certo que a luta que Armstrong travou contra o cancro fortaleceu-lhe o espírito de sofrimento e a capacidade de resistência à dor. É certo que a quimioterapia deu-lhe a possibilidade de ter a fisionomia ideal para ser um excelente trepador. Mas como é que se explica o facto de Armstrong, mesmo apesar das suas características, ser também um excelente contra-relogista quando a maioria dos grandes trepadores perdem imenso tempo no contra-relógio? Como é que Ullrich e Santiago Botero, os melhores contrarelogistas da altura, perdiam para o Americano na sua especialidade?

Armstrong sabe que não tem a mínima hipotese de provar a sua inocência neste caso visto que todas as provas o incriminam. A casa de Granada, os métodos utilizados, os sucessivos controlos positivos de Floyd Llandis e as declarações deste, as declarações de Vinokourov, de Hincapie, de Tyler Hamilton, Rubiera, Beltrán, Zubeldia acerca dos conteúdos apreendidos na casa que servia de base aos treinos de preparação para o tour do americano.

Todavia, este escandalo não me serve de contentamento. Foram 7 anos a desejar que alguém vencesse Armstrong, dopado ou não. Acreditei em Pantani, em Mayo, em Ullrich, em Virenque, Jalabert, Beloki, Hamilton, Menchov e em muitos outros. Só queria mesmo que alguém se superiorizasse ao americano e à US Postal. Esta verdade desportiva tardia sabe a muito pouco.

 

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23 thoughts on “notas e memórias

  1. João Borba diz:

    Ninguém me tira da cabeça que o Lance tinha amigos, muitos amigos nos meandros do doping.

    Esse tour da mítica queda do Joseba Beloki foi o tour que me fez gostar de ciclismo. E não tenho dúvidas de que o Beloki era senhor para lutar até ao fim contra o Armstrong.

  2. Nuno diz:

    Sabes qual é o teu problema? Foi teres odiado tanto o Armstrong. Nota-se em cada palavra tua o ódio que tens por ele. Como se pode acreditar em Pantani para vencer Armstrong quando este era péssimo em contra relógios? Como se pode acreditar em Hamilton que só foi um dos ciclistas com mais controlos positivos da história do ciclismo? Como se pode acreditar em Virenque que, embora um grande trepador, nunca foi um ciclista de enorme qualidade em todos os trâmites para vencer um tour? Como se pode acreditar em Iban Mayo para vencer o Armstrong? Em mais de 10 voltas a frança não houve UM sequer controlo positivo provado a Armstrong, como tu podes falar em doping?
    Armstrong, com todos os seus defeitos, foi um dos maiores desportistas de todos os tempos e um ou o melhor ciclista de sempre.

    • Sim, odeio o Armstrong. Odeio qualquer desportista que faz batota. Se bem te lembras, Pantani venceu um Tour contra Ullrich, o melhor contrarelogista da altura. E venceu-o na montanha, perdendo muito pouco tempo no contra-relógio final. Pantani era de facto um péssimo contra-relogista, mas se bem te lembras (já que és tão sabido e tão atento ao ciclismo) ficou em 6º nesse contra-relógio a menos de 2 minutos de Ullrich.
      Hamilton foi de facto um corredor que teve bastantes controlos positivos ao longo da carreira. Qual foi a sua proveniencia enquanto ciclista? Não foi da US Postal? Não terão sido as práticas dopantes iniciadas na equipa norte-americana?
      Virenque: é certo que não dava no contra-relógio. É também certo que estava na equipa da Festina que se constituiu no primeiro grande escândalo de doping da modalidade. Agora é hediondo da tua parte negar Virenque como um ciclista de grande qualidade. Falamos apenas de um corredor que venceu inúmeras etapas de montanha e que venceu por várias vezes a camisola da montanha do Tour, facto que não é definitivamente para todos.
      É certo que em 10 anos não houve qualquer controlo positivo a Armstrong. Quem te diz que a organização da prova não camuflou qualquer controlo positivo para preservar a espectacularidade da prova e a integridade do americano visto que era a sua presença o mote que dava brilho à prova?
      Eu não nego Armstrong como um dos melhores da história do ciclismo. Assisti a alguns dos maiores espectáculos da modalidade com a presença do norte-americano. No entanto, argumento que Armstrong não era casto. E não era mesmo. A sua mais recente recusa em submeter-se a provas e evidencias que iriam ser apresentadas na justiça em troca dos títulos revela que onde há fumo há fogo. Se Armstrong não tivesse nada a temer, submeter-se-ia à verdade, porque cedo ou tarde, ela virá ao de cima. O que não aconteceu por exemplo no caso Pantani. O homem até se poderá ter dopado. Mas foi usado como bode expiatório. Deram-lhe cabo da carreira e ele suicidou-se. Se a justiça não tivesse sido cega, ainda hoje estaria connosco.

      • Nuno diz:

        Eu de ciclismo não percebo nada.
        Mas de português ainda percebo qualquer coisinha. E o que acabei de ler é que ao Armstrong o acusas indubitavelmente de uso de doping. Mas o Pantani que por acaso até foi formalmente acusado de doping, apenas dizes que “até se pode ter dopado”. Nota-se a léguas o teu ódio pelo Armstrong.

        • Nuno diz:

          Fui aos arquivos (pois 98 é demasiado para mim conseguir lembrar-me de classificações de etapas especificas) e o Pantani ficou em 3º a 2.35min no CR final.
          Para finalizar, o Pantani foi dos meus primeiros ídolos do ciclismo (o primeiro foi o Joaquim Gomes), pois vê-lo a trepar aquelas rampas com aquela qualidade, era impressionante. Não estou aqui a defender ninguém, apenas dei a minha opinião e tentei ver as coisas de uma maneira diferente e com outros olhos, de alguém que não odeia o Armstrong, mas também não o idolatra ao ponto de não ver mais nada à frente.
          Obrigado pela participação e desculpa esta “intromissão”, acima de tudo, somos amantes desta grande modalidade.

        • foi formalmente acusado sim, mas como sabes não foi sumariamente provado que o Pantani se dopava. e sim, já admiti que odeio o Armstrong.

  3. Nuno diz:

    PS. E o Mayo apenas parou junto a Beloki porque por milimetros não embatia contra ele e caía também. Ele apenas teve intenção de se desviar. Quem parou para socorrer o Beloki foram os companheiros de equipa.

    • As imagens mostram que Mayo parou, olhou para Beloki, aparentou o seu estado e só depois prosseguiu marcha. Depois vieram os colegas da Once e ficaram junto do seu líder.

      • Nuno diz:

        Mais uma vez não concordo com a tua opinião. Mas respeito.
        O que eu vejo é o Mayo a serpentear o Beloki porque senão teria caído também. É óbvio que tem que olhar para ele, se estiver a olhar para outro lado qualquer não sabe se o vai atropelar ou não. E mesmo seguindo o teu raciocinio… Achas que com um simples olhar e passando pelo Beloki como ele passou deu para entender se ele estava bem ou mal? Por favor.

  4. Nuno diz:

    E outra coisa ainda, o Armstrong apenas ataca na etapa em que o Ullrich espera por ele porque o Iban Mayo, que também caiu, atacou primeiro.

    • Certo. Mas Armstrong nem sequer olhou para Beloki. E caso fosse Ullrich ou Mayo a cair, duvido que esperasse por eles. Tantas vezes que vi a US Postal endurecer o ritmo quando um lider de uma equipa importante ficava por trás por cortes no pelotão ou até quedas.

      • Nuno diz:

        Querias que o Armstrong olha-se para o Beloki? Por favor… Já agora se o Beloki ficasse para trás querias que o Armstrong ficasse a rebocá-lo não?!
        Desculpa, mas tens que ser mais isento, não me leves a mal, mas da maneira como falas, parece mais que é algum trauma de infância/adolescente de teres visto tanta vez ganhar o mesmo. E diga-se de passagem, com enorme qualidade.

  5. Nuno diz:

    E peço imensa desculpa pela quantidade de respostas seguidas mas esqueci-me de um facto muito importante! É que em 2001, como era para escrever no meu primeiro post e acabei por me esquecer, o Armstrong ESPEROU pelo Jan Ullrich numa descida onde o mesmo saiu de estrada e caiu por uma ravina. Mais respeito e isenção quando se escreve.
    Obrigado pela participação

  6. Nuno diz:

    Os melhores trepadores são maus em contra relógio? Falas de trepadores como Contador? Trepadores como Ullrich? Trepadores como Indurain? Trepadores como Bradley Wiggins? Trepadores como Schleck? Trepadores como Evans? Trepadores como Menchov (que como dizes e mal, embora tenha participado em muitos tours, praticamente nunca se cruzou ao mais alto nível durante no reinado de Armstrong, mostrando apenas a sua enorme qualidade após o seu reinado)? Bem, se achas que trepadores são maus em contra relógio, deixo-te aqui alguns exemplos do contrário, existindo muitos outros.

    • Ullrich não era um trepador puro. Indurein mais ou menos. Contador sim é um puro trepador que melhorou muito (mesmo muito) em contra-relógio. Shleck continua mau no contra-relógio. Evans nunca foi um trepador e perdeu muito no contra-relógio em relação ao que era há 7\8 anos atrás. Menchov, safa-se bem na alta montanha e no contra-relógio, é um all-rounder.
      Só me lembro de 3 ou 4 casos de bons trepadores que vieram a revelar-se como bons contrarelogistas: Botero, Vinokourov, Samuel Sanchez, Contador. De resto, os grandes puros trepadores que conheci até hoje sempre se portavam mal no contra-relógio: Jimenez, Pantani (excepto no Giro e no Tour que venceu) Basso, Virenque, Mayo, Beloki, Escartin, Laiseka, Tonkov, Riis, Sastre, Rubiera, Heras, Joaquin Rodriguez, irmãos Schleck, Garzeli, Frigo. Chegam estes exemplos?

      • Nuno diz:

        Lá está, ela por ela. Na minha opinião não são a MAIORIA, como disseste, dos trepadores maus contrarelogistas. Sabes bem que um trepador é sempre mais franzino como Escartin, Mayo, Beloki, Rubiera, Heras, Rodriguez, etc. E que um bom CR é um ciclista com mais peso, bom em linha. Mas dizeres que os trepadores são sempre maus contrarelogistas e vice versa, não é verdade. Apenas serviu para mais uma vez arrasares com o Armstrong quando ele era sim um enorme ciclista com enorme qualidade.
        Se formos a ver por esse prisma, então todos os ciclistas que referi no meu comentário anterior (ok, o Evans até posso concordar contigo), andam todos na malha do doping porque, como muitos outros, são de enorme qualidade em ambas as especialidades.

  7. Pedro Pereira diz:

    Acho isto mesmo engraçado!
    Fala quem não sabe o que diz, com certezas que nem quem está dentro do ciclismo profissional consegue ter.
    Armstrong dopou-se?! Provavelmente…todos eles se dopam…nem que seja a tomar o que não é proibido tomar (mesmo que aumente o rendimento do atleta).

    É humanamente impossível suportar o que os ciclistas suportam, e é impossível alguém sequer admitir que a organização da “SÓ MAIOR PROVA DE CICLISMO DO PLANETA” tenha fechado os olhos ao doping do Armstrong!
    Aí estão investidos milhões de € por muitas equipas, e não ia ser o capricho de alguém com um “Americano” odiado pelos franceses e italianos, a jóia da coroa. No mínimo tem que ser um ciclista especial…e de facto Armstrong é!

    Foi o primeiro a treinar no túnel de vento, os valores fisiológicos muito idênticos por exemplo ao Indurain, e para mim, a sua técnica perfeita em contra-relógio, não deixam dúvidas da sua qualidade, muito acima da média, só comparado com os melhores de sempre.

    O doping numa volta à França melhora o rendimento em cerca de 24horas em relação a um atleta “limpo”? Acredito, mas será que só ele é que se dopa? Será que os restantes elementos da US Postal não se dopavam da mesma forma!? Será que a equipa tinha interesse em permitir que os restantes atletas fossem apanhados nos testes?!…sim, porque eles sendo apanhados, a probabilidade de denunciarem o Lance era enorme…será que valia a pena o risco?! …não me parece…

    Admito que Messi e Ronaldo sejam amados e odiados, tal com o paralelismo com Armstrong e Contador por exemplo. Os fenómenos, são amados e odiados, na mesma escala do seu talento. Quer se goste ou não, ele é bom, ele é dos melhores de sempre, e merece as vitórias do Tour.

    Como é possível, só com meras notícias, e relatos de intervenientes no caso de doping serem suficientes para haverem juízos de valor, e afirmar que ele se dopa e foram bem retirados os títulos!? Será que isso vale mais do que as centenas de testes negativos que teve?! Será que numa indústria que mexe com tantos milhões, apenas ele conseguia escapar aos testes?!
    Quem já fez ciclismo de estrada, mesmo que de forma amadora, sabe, ou pelo menos tem a noção de uma milésima parte do sofrimento que ser ciclista profissional ultrapassa diariamente. Se se informarem sobre os treinos dele, mesmo juntamente com a equipa (que em dias de gelo no Alpes, ficavam no hotel, enquanto ele ia treinar sozinho, até ter pedras de gelo no equipamento), tanto nos treinos nas montanhas africanas em temperaturas altas, quer em treinos propositados na chuva para ganhar vantagem em relação aos adversários que instintivamente travam mais…quem nos treinos chega a ultrapassar os 110 kms/h, quem durante anos lutou contra o câncro, e quanto mais não seja só por isso merece o benefício da dúvida.

    É muito fácil acusar sem provas, principalmente quando é alguém que nós gostavamos de ter sido, ou admiramos, ou odiamos precisamente por isso.

    Para mim é inocente…teorias da conspiração, e técnicas de tentar alterar os factos, para mim valem zero…até ser considerado culpado, com factos reais, ele vai ser sempre O VENCEDOR DO TOUR!

    Só mais uma nota…o Hamilton, disse que recebia envelopes com doping em casa, enviados por uma transportadora (que não se lembra o nome), nem o nome do destinatário (mas sabia que era o Lance)…mas esqueceu-se de um pormenor!!! O Lance morava no apartamento debaixo do Hamilton uma boa temporada!

  8. […] devidamente neste caso. Perante muitos comentários que recebi aos posts (ver aqui, aqui, aqui e aqui) que escrevi neste blog sobre o “esquema armstrong” (penso que não há problema em […]

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