Leio no DN e não posso acreditar

que sejam os principais dirigentes da actividade socorrista em Portugal a defender o voluntariado nos bombeiros portugueses.

Ainda por cima, por motivos económicos.

O profissionalismo, porque não?

1. Todos sabemos que o voluntariado faz com que as estruturas existentes no socorrismo (principalmente ao nível de incêndios florestais) dependa do número de operacionais cuja actividade profissional permita um certo grau de liberdade para que o bombeiro voluntário possa sair do seu emprego para combater o fogo.

Logo, existem muitos bombeiros “presos” pelas entidades patronais e incapazes de ter essa liberdade sempre que ocorre uma catástrofe natural. Logo, a estrutura operacional não está no seu pleno porque centenas de voluntários são prejudicados nas suas carreiras profissionais pelo facto de serem bombeiros: uns não podem acorrer rapidamente às suas corporações em dias em que as entidades patronais não lhes garantem a liberdade de sair do emprego durante o horário laboral, outros preferem não o fazer para não correrem o risco de represálias por parte do empregador, e outros não o fazem porque se saírem do emprego, as horas em que não trabalham não entram no orçamento familiar e o mês torna-se mais complicado.

2. O profissionalismo permitiria uma estrutura organizacional mais rápida, constante e mais eficaz na abordagem a situações de emergência. O que é que são 400 milhões de euros em custos tendo em conta os custos humanos que os incêndios provocam nas populações por cada situação em que a resposta seja tardia aos incêndios? Bastará por exemplo olhar ao exemplo dos incêndios do Algarve e da Madeira. Para além disso, o profissionalismo permitiria que milhares de voluntários pudessem exercer a tempo inteiro uma profissão da qual gostam (cívica é certo mas remunerada) sem qualquer tipo de restrições provocadas pelas suas actividades profissionais. E isso permitiria uma resposta mais rápida às situações de emergência.

3. Não consigo compreender o argumento na medida em que não consigo compreender um país que se diz de 1º mundo e que no entanto poupa nas despesas de maior proeminência social.

4. Não consigo compreender porque é que o Estado Português não coloca por exemplo, os milhares de operacionais do exército a trabalhar lado a lado com os bombeiros nas situações de emergência. Exemplos vindos de países como a Bélgica ou a Suiça (onde não existem bombeiros e onde o trabalho de socorrismo em situações de incêndios pertence ao exército) mostram estruturas muito mais organizadas e eficazes que a actual estrutura portuguesa.

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