Este tipo é autista?

excertos da entrevista realizada hoje pelo público a António Borges

“Porque consumimos menos?

É um ponto importante. O nosso problema maior é que o país passou dez anos a gastar mais 10% do que podia. As famílias portuguesas tiveram um ajustamento muito forte, pois reconheceram que tinha chegado o tempo de poupar. Há uns anos, Portugal tinha uma das taxas de poupança mais altas da Europa e, de repente, tornou-se num dos piores, só a Grécia estava à ainda pior. Este é o primeiro passo para pôr a economia equilibrada e deixarmos de depender do financiamento externo como de pão para a boca. O passo seguinte é pôr a economia a crescer. E há sinais de que a recessão está a abrandar e já não estamos naquela queda dramática da actividade económica que se verificou no final de 2011, início deste ano.

A evolução do défice público [que disparou em Abril para 1.740 milhões de euros] não contraria essa ideia?

Pelo contrário. As pessoas começaram a poupar mais, em particular em artigos de luxo, automóveis. E o consumo de combustível, por exemplo, também. E isto permitiu reduzir o desequilíbrio das contas externas, mas tem a consequência inevitável de redução dos impostos sobre o consumo, da subida do desemprego, menos impostos sobre o trabalho, e aumento dos subsídios de desemprego, o que se reflecte no défice. O desemprego subiu para além do que se explica pela recessão; há muito tempo que digo que temos andado a fazer duas coisas terríveis, a criar postos de trabalho artificiais e não sustentáveis, e a pagar muito acima do que se devia. O momento da verdade chegou. Infelizmente temos muito mais desemprego do que o esperado.”

(…)

Anotamento Meu

Confesso que a palavra “poupar” me inquieta nestas respostas.

As pessoas começaram a poupar porque gastaram de mais durante anos, pensa Borges. As pessoas não estão a conseguir ter dinheiro no bolso sequer para cumprir as suas obrigações, Sr. António Borges. Must or must see é também o argumento citado de que as pessoas começaram a poupar mais, em particular em artigos de luxo, automóveis. Quais Automóveis Doutor? O que é que considera como artigos de luxo? Um citroen em 2ª mão? Um peugeot de 18 mil euros? Um maserati?

E como economista que é, António Borges parece incapaz de saber que os verdadeiros produtos de luxo, indiferentemente da conjuntura económica que se verifica, são produtos que mantém uma procura rigida.

E o consumo de combustível, por exemplo, também. E isto permitiu reduzir o desequilíbrio das contas externas, mas tem a consequência inevitável de redução dos impostos sobre o consumo, da subida do desemprego, menos impostos sobre o trabalho, e aumento dos subsídios de desemprego, o que se reflecte no défice” Borges mantém-se optimista quanto ao cumprimento das metas traçadas no memorando de entendimento, mas só revela sinais de fraqueza na economia portuguesa. Deliciosa contradição.

(…)

Os banqueiros não aprenderam nada com a crise, basta ver o que se passou com o Barclays.

Desculpe, mas o caso do Barclays não tem nada a ver com a crise. O que se passou é que há um sistema a funcionar facilmente manipulável e, em determinada altura, o Barclays entrou nesse jogo e foi obrigado a admti-lo.”

Anotamento Meu

Como banqueiro que foi António Borges também parece ignorar as linhas pelas quais se cozem os jogos dos bancos num sistema capitalista. Sr. Dr., o Barclays entrou num jogo manhoso que visava crescer desmedidamente (assim como 95% da banca mundial) ao apostar no investimento em activos tóxicos cada vez mais complexos que com o tempo se tornaram pouco dirigíveis (ao nível de resultados) pelas instituições financeiras. Como tal, o sistema bancário colapsou e mais uma vez, foram os contribuintes a pagar os erros da banca.

(…)

Mas são factos destes que minam a confiança do cidadão na banca e geram hostilidade?
Vivemos hoje um ambiente em relação aos bancos, de que o Barclays e o JP Morgan (prejuízo de dois mil milhões) são exemplos, com reacções extremas, e que levam os banqueiros a serem excessivamente prudentes e cautelosos.”

Anotamento meu: prudentes e cautelosos?

(…)

“Que os ricos paguem mais? Não só gosto, como considero estritamente imprescindí¬vel”. A frase é do Comissário Europeu da Concorrência, Joaquin Almunia. Concorda com ela?

Em todos os grandes processos de ajustamento há profundas alterações de situações de poder e de privilégio, com enorme impacto na distribuição de rendimento. É muito importante manter o objectivo de justiça distributiva. Portugal é o país mais desigual da Europa – segundo dados da OCDE – e o País onde, desde 1980, a desigualdade mais tem aumentado. Neste sentido, compreende-se uma afirmação como a de Almunia. Convém, no entanto, relembrar que muitos dos mais ricos estão a sofrer perdas gigantescas de riqueza e de rendimento. Basta olhar para os preços das ações dos bancos para percebermos até que ponto muitos dos mais ricos de Portugal se viram em pouco tempo muito menos ricos do que antes.

Anotamento meu

A isto chamo defesa da classe.

(…)

Como é que consegue trabalhar com Passos Coelho e Miguel Relvas que tiveram uma acção muito negativa, de combate em surdina à campanha eleitoral de Ferreira Leite, de quem foi braço direito e vice-presidente?

Essa matéria é um pouco penosa para mim, devo dizer, com toda a verdade. O dr. Passos Coelho era o nosso rival e combatemo-lo politicamente. Eu próprio, várias vezes, tomei posições bastante críticas. Hoje sou levado a reconhecer que muitas das críticas que na altura fiz não se revelaram correctas e estou surpreendido com a qualidade com que tem sabido governar. Ultrapassou as minhas expectativas e mostra que muitas das críticas estavam desajustadas.”

Anotamento meu: porque Passos lhe deu a mão quando saiu do Fundo Monetário Internacional e lhe endossou um dos dossiers mais criminosos da sua legislatura. Em política, nunca se poderá dizer mal de quem dá a mão nos momentos difíceis.

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