Sim, eu estou a publicar isto

Sim, eu estou a publicar isto.

Não quero de modo algum criticar a campanha que foi feita em prol do filho de Carlos Martins. Não porque a campanha não só já salvou a vida de uma pobre criança e porque poderá salvar muitas outras vidas através das milhares de recolhas de medula óssea que foram realizadas pelo país e pelo mundo.

O povo português, para além de minado com defeitos terríveis como a hipocrisia, a pequenez, a mesquinhice e a inveja social, também se encontra completamente minado por um outro defeito de carácter que é horrível: só liga às aparências.

“Quando és rico ou famoso e tens um problema, ganhas uma série de amigos. Quando és pobre, feio ou deficiente ninguém te liga nenhuma porque de ti não podem retirar qualquer vantagem” – esta é uma frase que resume a solidariedade de pantufinha praticada pelos Portugueses. No problema do filho de Carlos Martins, milhares dirigiram-se a postos de recolha de medula óssea. Porque era o filho de uma figura pública. Acredito até que muitos o tenham feito na esperança de serem compatíveis e de receberem uma recompensa. Porque em Portugal, existe perversão em milhões de mentes que chegam a esse nível.

O caso do Francisco é mais um caso de efectiva carência. Extrema. Severa. Urgente. O cartaz está desactualizado. A página de apoio à ajuda ao Francisco já não tem 217 fans mas sim 10 mil. Mas poderia ter mais e as ajudas poderiam ser tão grandes como a ajuda prestada pelo povo ao filho do Carlos Martins. Não o é porque o Francisco é pobre e nasceu deficiente. Fica-se portanto pelas 10 mil. E a “esgazeada”, cadelita que empurra a cadeira de rodas do Francisco continua a cumprir uma missão que nenhum Português parece ser capaz de fazer.

Faz-me lembrar um bocado o meu caso no secundário com o Zé António, caso que aqui escrevi no passado dia 23 de Março.

Infelizmente, conheço bem o sentimento de um cidadão normal quando vê na rua seres humanos como o Francisco. Vira a cara para o lado e pensa para sí próprio “coitado deste infeliz”. Outros nem olham porque sentem nojo da imperfeição de um próximo. Outros, saudáveis, até são capazes de fazer troça da pobre condição do homem. E esquecem-se que devem agradecer todos os dias o facto de terem mãos para tactear, de terem pernas para andar, de terem ajuda do Estado nos momentos difíceis, de serem saudáveis para trabalhar.

Tenho em crença que são este tipo de coisas que marcam a diferença entre mentalidades de primeiro e de terceiro mundo. E os portugueses são terceiro mundistas.

P.S (informações adicionais) – Segundo as palavras da pessoa que criou a página de facebook criada para ajudar o Francisco: “Quem quiser ajudar, dando o seu donativo, pode fazê-lo para o NIB: 0007 0206 00129090001 15, conta em nome de Maria Helena Oliveira Amaro, no BES, enviem os comprovativos para o e-mail: marlenefonseca@iol.pt.
A rampa é para ser feita na …seguinte morada: Rua Teresa Borges, n.º 6, 2830-106 Barreiro. Será o Sr Quim, que trabalha no clube desportivo e cultural Estrela Negra, mesmo ao lado no n.º 6-A a fazer a rampa.
Quem preferir e viver perto, por favor entreguem os vossos donativos no Estrela Negra, fica mesmo ao lado do prédio do Francisco onde será feita a rampa. Está lá uma caixinha para os receber. Também podem aproveitar e pedir informações por exemplo. Contactos 210 892 563 .212 165 430.
Podem também entregar os vossos donativos, na papelaria aqui do Alto do Seixalinho, Av. do Bocage, Barreiro que serve também de posto dos correios, ao lado de uma agência de viagens. Obrigada.”

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