Joga sensacional!

Sem tempo disponível para fazer grandes análises sobre as finais da NBA, passo a escrever algumas notas fruto das ilações que tirei do jogo 4 das finais e dos 3 jogos anteriores:

1Miami venceu ontem Oklahoma no 2º jogo no seu reduto, fazendo o 3-1 na série. Para os menos conhecedores da modalidade, esta 3ª vitória de Miami representa por um lado uma barreira psicológica que nenhuma equipa conseguiu ultrapassar nas finais da competição e que salvo erro só 4 equipas conseguiram ultrapassar na história dos playoffs da competição e que por outro lado é um estímulo para a equipa de Oklahoma.

A perder por 3-1 nas finais, nenhuma outra equipa da Liga conseguiu virar uma série. A vitória de Miami ontem é tida como a vitória que garante praticamente o título visto que o jogo 5 disputa-se quinta na Flórida. No entanto, para Oklahoma, o 1-3 significa uma oportunidade dourada que a equipa tem de vencer o título (o que seria fantástico dado que o seu franchising foi constituído em 2008) e de fazer história na NBA ao passar a série de 1-3 para 4-3.

Como resumo global destes 4 jogos, a imaturidade de Oklahoma tem vindo ao de cima. A equipa tem um talento enorme mas não consegue aguentar a pressão psicológica própria das finais da Liga. Tanto não a consegue aguentar que jogadores como Kevin Durant e James Harden tem-se mostrado algo escondidos nestes 4 jogos, ora como brutais ondas de ineficácia, ora carregados de faltas no último período, facto que naturalmente condiciona a actuação dos jogadores nos períodos decisivos.

Neste último jogo, a imaturidade do campeão do Oeste fez-se sentir novamente. Carregados por Russel Westbrook (jogo de carreira seguramente; 43 pontos) Oklahoma baqueou nos últimos frente uma equipa de Miami que venceu fruto dos grandes jogos de LeBron James, Dwayne Wade e Mario Chalmers. O último esteve muito bem no lançamento exterior, marcando 3 triplos em 9 tentativas (25 pontos no total).

O jogo começou no entanto com um gás tremendo por parte de Oklahoma. A equipa de Durant começou com uma eficácia extraordinária, cavando desde cedo uma vantagem que chegou a ser de 17 pontos. A comandar a equipa esteve sempre Westbrook. No primeiro período ainda se viu um cheirinho de Nick Collison, mas, para infelicidade dos azuis do Oeste, o poste rapidamente secou e passou despercebido durante o resto da partida. Basicamente, a equipa do Oeste dependeu exclusivamente de um Westbrook endiabrado que não teve medo de encarar o cesto ora em lançamento exterior ora em penetrações de um contra todos, ao contrário de James Harden, que pela primeira vez nestes playoffs teve momentos em que não encarou o cesto.

Do outro lado, James foi o maestro de um 5 inicial bastante inspirado. Nem mesmo no último período, aquando de problemas físicos, LeBron parou e acabou por marcar uma tripleta do meio da rua que foi meio caminho andado para a vitória de Miami. O jogo de LeBron esteve próximo do triplo-duplo, acabando por lhe faltar apenas um ressalto. No entanto, LeBron mostrou aquilo que o público nunca antes tinha visto: uma calma extraordinária, decisões acertadas e um jogo colectivo que saltou por completo à vista de todos, marcado por 26 pontos (quase todos em altura de decisões) e 12 assistências, algo que é fenomenal para um jogador que não é base (mas que se comporta como tal)…

Pelo meio, Dwayne Wade ia dando contribuições pontuais esporádicas e Chris Bosh teve um papel muito importante ao nível defensivo, anulando por completo os postes de Oklahoma. Serge Ibaka foi uma sombra daquilo que tem sido durante todos os outros jogos do playoff e dele só se viu um abafo digno desse registo.

Se olharmos às estatísticas, há aqui pormenores que foram decisivos para que o jogo pendesse para o lado de Miami. Salta-me à vista logo a quantidade de triplos que as equipas tentaram e o grau de concretização das oportunidades acima da linha de 6,25m. Miami lançou por 26 vezes e conseguiu marcar 10 triplos (30 pontos) enquanto Oklahoma lançou pr 16 vezes, concretizando apenas 3 cestos (9 pontos).

Oklahoma terá que corrigir alguns aspectos do seu jogo caso queira jogar uma 6ª partida em sua casa. Westbrook não pode estar sozinho contra Miami. Durant e Harden terão forçamente que entrar em jogo e pontuar mais do que aquilo que tem pontuado. No jogo interior, Collison e Perkins tem que ser mais duros com Chris Bosh tanto no ataque como na luta das tabelas.

Jogo 5 na madrugada de quinta para sexta às duas da manhã.

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