A morte lenta do Serviço Nacional de Saúde – O caso ideal med

Como é de conhecimento público, no passado mês de Maio abriu em Coimbra aquele que é até hoje o mais empreendimento privado de saúde da região Centro do país: a Ideal Med.

Surgida da Ideal Tower S.G.P.S do empresário Carlos Dias, a Ideal Med, como pode ser vista a partir deste link, tem como cartão de apresentação o facto de  contar “com Especialistas em Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Anestesiologia, o Atendimento Permanente da IdealMed UHC é efectuado numa área física própria, estruturada para melhor acolher todos os seus utilizadores.

Visando dar resposta a todas as situações não programadas, a Equipa Clínica do Atendimento Permanente está apoiada por todos os meios complementares de diagnóstico, como Análises Clínicas e Imagiologia, podendo recorrer a todos os equipamentos de cuidados diferenciados da IdealMed UHC.

Segundo o que foi veiculado à imprensa, o novo complexo de saúde de Coimbra teve um financiamento inicial de 35 milhões de euros e apresenta-se como “Uma unidade de medicina familiar, análises clínicas, radiologia e medicina nuclear são algumas das 43 valências clínicas da nova unidade com capacidade para 52 camas de internamento, duas camas pediátricas, cinco salas operatórias, 124 gabinetes médicos e 26 salas de espera.

Nesta unidade, a Ideal Med reservou também espaço para a formação e I&D, criando a Unidade de Medicina Interativa, onde simuladores humanos de ultima geração e avançadas plataformas servirão para formar profissionais de saúde, ou não tivesse a instituição uma parceria com a Harvard Medical School.”que por sua vez tem neste momento protocolos ao nível de pós-graduações e conferências com a Faculdade de Medicina e com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, ressalve-se.

Este investimento de 35 milhões, antes de mais, surge na sequência de dois acontecimentos na área da saúde, um deles promovido publicamente pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo (com ligações à gestão de uma seguradora de saúde, a Médis) e outro à escala regional, mais propriamente em Coimbra, com o encerramento nocturno das urgências hospitalares do Hospital dos Covões:

1. Paulo Macedo anunciou em Dezembro de 2011 (prestando declarações a 21 do mesmo mês na AR) um aumento das taxas moderadoras de 9,6 euros para 20 nas urgências hospitalares polivalentes e de 2,25 euros para 5 euros nas consultas nos centros de saúde. No entanto, a lei especifica que 4 milhões de portugueses (por motivos relacionados com baixos rendimentos\isenção por doença) estão isentos do pagamento de taxas moderadoras, mas por exemplo não estão isentos do pagamento integral de medicamentos que agora não são comparticipados pelo Estado.

Dado o histórico do ministro na administração de uma seguradora privada, a medida soou e com toda a assertividade, numa medida que visa desflexibilizar a escolha do comum cidadão pelo sistema nacional de saúde em opção clara da feitura de apólices privadas de seguros de saúde.

2. Dados os cortes previstos no Serviço Nacional de Saúde perante as exigências e metas estabelecidas no Memorando de Entendimento assinado com a Troika, o Ministério achou por racional fechar com as urgências nocturnas do Hospital dos Covões, passando o banco na íntegra para os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Não é estranho que o Ministério da Saúde encerre um serviço público numa semana e na outra se inaugure um hospital privado?

É nesta conjuntura de cortes no público que nasce a marca UHC – Unidade Hospitalar de Coimbra (a Ideal Med) – repare-se que a escolha da sigla é bastante curiosa pois foneticamente tem analogia clara a uma “marca” registada do SNS, os HUC – Hospitais da Universidade de Coimbra. Nada é escolhida ao acaso.

A UHC não tem como missão apenas funcionar como alternativa ao público. Tem também a missão de substituir o público, principalmente nos exames complementares. Temos em conta a certeza que a Ideal Med (ou UHC) terá a ambição de estabelecer mais uma ruinosa parceria público-privada com o Ministério da Saúde de modo a roubar doentes aos HUC e assim lucrar com a comparticipação estatal na feitura dos ditos exames complementares, de operações e consultas de especialidade, promovendo assim mais um rombo nas contas do “pobre” SNS e enfraquecendo ainda mais a sua qualidade enquanto serviço universal e tendencialmente gratuito.

Por demais, ainda existe outro detalhe que passa em claro aos olhos do público em geral que é o caso do licenciamento do Hospital na Administração Regional de Saúde.

De acordo com o site daAdministração Regional de Saúde do Centro esta é a legislação que legitima a constituição de unidades de saúde privadas e a legislação que lhes é aplicável: I, II, III, IV,

Como podemos ver noutro link da referida página, a Ideal Med (ou UHC) não aparecem para já nas unidades de saúde licenciadas pela entidade que supervisiona toda a saúde regional.

Não sou de intrigas nem de meias verdades: terão porventura os administradores da ARS esquecido a existência de mais uma unidade de saúde privada em Coimbra ou a UHC funciona para já sem qualquer licença do estado?

Se funciona, do que é que está à espera a ARS\Centro e o Ministério da Saúde para actuarem na situação e punirem a ilegalidade?

Passamos a outro ponto muito curioso de toda esta história:

A 14 de Maio de 2012, o Ministério da Saúde dá mais um passo histórico nas pretensões do Ministro Paulo Macedo, publicando um concurso público em Diário da República que é danoso para a classe médica, particularmente gravíssimo e danoso para os jovens médicos deste país.

Fala-se que o país precisa de médicos e que em especial o Serviço Nacional de Saúde precisa de médicos. Tanto se precisa que o Ministério tem que ir recrutar constantemente médicos de clínica geral e outras especialidades a países como a Ucrânia, a Costa Rica, Espanha e Colômbia. No entanto, por outro lado, assiste-se a uma migração estranha ($) de médicos (dos melhores especialistas deste país) para o privado. Compreende-se porquê não é?

O procedimento nº 1921\2012 de 14 de Maio dá conta de um contrato público que visa dar mais uma machadada no SNS, aprovando expressamente a ideia de contratação de médicos a recibos verdes e a contratos temporários para suprir necessidades correntes do SNS em vários locais deste país. Ou seja, contrata-se um médico a 6 meses ou 1 ano porque se precisa dele para depois se recambiar de volta ao desemprego esse médico sem lhe pagar um tostão de indeminizações ou pagando-lhe uma migalha de indeminização, já vigente de acordo com os novos trâmites da reforma do código laboral. Os jovens médicos deste país, alunos de excelência máxima, são chutados e inseridos novamente no SNS a bel-prazer das necessidades correntes.

Quando o Estado publica algo assim…

Temos Horácio Firmino, que se bem se lembram era o psiquiátra que referia neste post, médico psiquiátra dos HUC e coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, a ser coordenador ao mesmo tempo da Unidade de Psiquiatria e Psicologia da UHC, do serviço da Ideal Med

E então? É deontológicamente correcto que seja coordenador unidades no público e no privado? A resposta é não…

Porquê perguntam os leitores mais cépticos?

Lei das Incompatibilidades dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde e o despacho Ministerial de 5 de Dezembro – pdf

Pode-se ler no referido documento as seguintes frases que abaixo transcrevo:

“Só existe incompatibilidade entre o exercício de empregos e cargos públicos e o de actividades privadas nos casos em que a lei o determinar (1)
Nos termos do artº 269º, nº 5 da Constituição da República Portuguesa,” a lei determina as incompatibilidades entre o exercício de empregos ou cargos públicos e o de outras actividades”

(…)

“” Aos profissionais dos quadros do Serviço Nacional de Saúde é permitido, sem prejuízo das normas que regulam o regime de trabalho de dedicação exclusiva, exercer a actividade privada, não podendo daí resultar para o Serviço Nacional de Saúde qualquer responsabilidade pelos encargos resultantes dos cuidados por esta forma prestados aos seus beneficiários.”

(…)

““ 1 – Aos profissionais dos quadros do SNS é permitido, nos termos da lei, o exercício de actividade privada, desde que dela não resultem, designadamente em virtude de contrato ou convenção, quaisquer responsabilidades do SNS pelos encargos correspondentes aos cuidados prestados aos beneficiários.
2 – Em qualquer caso, o exercício de actividades exteriores depende sempre da compatibilidade de horário, do não comprometimento da isenção e imparcialidade do funcionário ou agente e da inexistência de prejuízo efectivo para o interesse público”.

Adenda: Dr. Firmino pode-me dizer como é que consegue aguentar os dois serviços? É divisível e pode estar nos dois ao mesmo tempo? A sua actividade na Ideal Med não acarreta prejuízo para o Serviço Nacional de Saúde, na medida em que pode levar os seus doentes para o privado e deixar o público vazio, ou seja, à mercê de mais cortes no financiamento da unidade por falta de utentes?

Perguntas que só o Dr. Firmino talvez me possa responder…

” O Despacho nº 289/06 do Ministro da Saúde, datado de 5 de Dezembro de 2006 determina:

“1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de  Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.”

O Dr. Horácio Firmino está portanto a incorrer numa incompatibilidade desta lei, cujo Provedor de Justiça (ver a partir desta página no fundo da mesma) já se pronunciou a favor das pretensões da Ordem dos Médicos, como se pode ler clicando na hiperligação dos dois órgãos.

” Provedor de Justiça dá razão à Ordem na questão das incompatibilidades

O Provedor de Justiça recomenda ao Ministro da Saúde que altere o teor dos despachos sobre incompatibilidades, que visavam impedir a generalidade dos médicos do SNS de desempenharem funções de coordenação e direcção em serviços de saúde privados.
A recomendação de que seja modificada a medida do Governo consta de um parecer sobre a matéria que a Provedoria enviou já ao Ministro da Saúde no dia 14 de Maio e de que deu igualmente conta ao Presidente da Ordem dos Médicos.
Na prática, o regime de avaliação de incompatibilidades, tal como a Ordem dos Médicos sempre defendeu, é o que está definido no decreto-lei n.º 11/93 (Estatuto do Serviço Nacional de Saúde) e cujo princípio geral é o de que «os profissionais do SNS podem, nos termos da lei, acumular o exercício destas funções com o exercício da actividade privada, desde que da acumulação não resultem, designadamente em virtude de contrato ou convenção, responsabilidades do SNS pelos encargos relativos aos cuidados prestados aos beneficiários daquela actividade privada (n.º 1), e desde que o exercício desta não gere incompatibilidade de horário, comprometa a isenção e imparcialidade do funcionário, e inexista prejuízo efectivo para o interesse público (n.º 2)», tal como refere o parecer.
Este princípio, segundo o Provedor de Justiça, corresponde, de resto, ao que está disposto na Base XXXI, n.º 3, da Lei de Bases da Saúde (Lei n.º 48/90, de 24 de Agosto), segundo a qual, «aos profissionais dos quadros do Serviço Nacional de Saúde é permitido, sem prejuízo das normas que regulam o regime de trabalho de dedicação exclusiva, exercer a actividade privada, não podendo dela resultar para o Serviço Nacional de Saúde qualquer responsabilidade pelos encargos resultantes dos cuidados por esta forma prestados aos seus beneficiários».
Depois de recordar esta e outra legislação aplicável a estes casos, e de tecer considerações várias sobre o despacho n.º 725/2007 e sobre o despacho n.º 7921/2007, que alterou o primeiro, o Dr. Nascimento Rodriques recomenda então: «Parece-me imperioso que seja modificada a solução constante nos actuais despachos, no sentido de se respeitar a autonomia de decisão das entidades competentes, nos termos da lei, para autorizarem ou não as acumulações».
No ofício que enviou ao Ministro da Saúde, o Provedor de Justiça considera que a legislação em vigor aplicável a estes casos, incluindo o que está estabelecido constitucionalmente, é impeditiva das normas que o Governo estabeleceu através de despacho. No texto de nove páginas assinado por Nascimento Rodrigues, refere-se a certo passo: «Os Despachos de Vossa Excelência, abstraindo das situações concretas e de uma apreciação casuística sobre as mesmas, exigida pela previsão da discricionariedade administrativa, e exceptuando a possibilidade a que alude o n.º 2 do Despacho mais recente [7921/2007], determinam que são sempre incompatíveis – isto é, independentemente das circunstâncias do caso concreto – o exercício efectivo de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais pertencentes a instituições do SNS».
Desta forma, segundo o Provedor de Justiça, altera-se o princípio estabelecido pela lei, que define explicitamente os casos em que a incompatibilidade é gerada. A ser seguido pelas administrações o que está determinado nos despachos em causa, tudo mudaria radicalmente. «De facto, e como disse acima, os pedidos de autorização de acumulação que, nos termos da actual lei poderiam ser decididos favoravelmente, na medida em que, em concreto, não se verificaria qualquer das incompatibilidades legalmente previstas, terão de ser agora decididos sempre negativamente», refere o ofício.
Em síntese, segundo Nascimento Rodrigues, a solução que decorre do que determinam os despachos «gera a dificuldade inerente ao facto de ter sido criada, por via regulamentar, uma nova incompatibilidade, que só por lei formal poderá ser criada». Neste passo, recorda-se o que define a Constituição da República Portuguesa (CRP), no n.º 5 do seu art.º 269.º, segundo o qual «a lei determina as incompatibilidades entre o exercício de empregos ou cargos públicos e o de outras actividades».
De acordo com o parecer do Provedor de Justiça, «a lei a que se refere o mencionado dispositivo constitucional é uma lei em sentido formal, isto é, uma lei da Assembleia da República ou um decreto-lei autorizado, aliás em consonância com o regime forma dos direitos, liberdades e garantias, designadamente constante do art.º 18.º da CRP, que impõem que eventuais restrições ao mesmos – neste caso estamos perante uma medida restritiva a um desses direitos, o de liberdade de escolha de profissão (art.º 47.º, n.º 1, da CRP) – devam ser feitas por lei da Assembleia da República ou por decreto-lei por esta autorizado».
A carta enviada ao Ministro da Saúde não podia ser mais clara. Nela se defende, em síntese, que os despachos emitidos para alterar o regime de avaliação das incompatibilidades não estão de acordo com a lei e só com uma peça legislativa do tipo o Governo o poderia fazer.”

No entanto, o Dr. Firmino ainda se faz valer do seu estatuto de Presidente da Associação Europeia de Gerontopsiquiatrica para promover a marca UHC com uma convenção que se irá realizar na Ideal Med, usando ainda por cima o apoio do CHUC (Centro Hospital) para uma acção que deveria ser realizada em local público e de facto o é em local privado e não licenciado pela ARS. Estamos perante mais um problema que coloca em prejuízo o serviço público de saúde em prol da divulgação de uma marca privada.

No entanto, o Dr. Firmino não é o único que combina ao nível de coordenadorias na dicotomia HUC\UHC (Ideal Med)

Cruzando estes dois links (HUC\Ideal Med) ao nível de coordenadores de serviços das duas entidades(…)

huc – link

ideal med – link

reparamos que o Dr. Nascimento Costa é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Interna dos HUC e de Oncologia da UHC\Ideal Med…

reparamos que o Dr. Páscoa Pinheiro é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação dos HUC e de uma pasta identica na Ideal Med

reparamos que a Dr. Isabel Torgal costa é ao mesmo tempo coordenadora do Serviço de Medicina Ginecológica dos HUC e coordenadora de Medicina da Reprodução da Ideal Med

que o Dr. Filipe Caseiro Alves é ao mesmo tempo coordenador do serviço de radiologia dos HUC e ocupa uma coordenadoria na UHC\Ideal Med como Imagem Médica.

Estamos portanto 5 ilegalidades crassas à lei das incompatibilidades.

Poderão haver indícios claros de lesão do SNS e do interesse público? A resposta é sim.

Perante estes factos, pergunta-se: O que pretende a UHC\Ideal Med? Mais uma PPP que pode colocar em xeque o financiamento à saúde pública? Um xeque-mate à já de si fraca qualidade dos SNS? Privatizar urgências para depois privatizar as especialidades e os HUC?

A resposta só o futuro a dirá. No entanto, como bom cidadão coube-me alertar para esta triste realidade. É a saúde que temos, são os profissionais que temos, é o país que temos. Infelizmente.

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61 thoughts on “A morte lenta do Serviço Nacional de Saúde – O caso ideal med

  1. […] Sexo e  a Cidade já tinha alertado. O blogue Entre o Nada e o Infinito vai mais além. João Branco fez o que a comunicação social devia ter […]

  2. […] a saúde 08/06/2012 Por João José Cardoso Deixe um Comentário As leis são para cumprir, mas não por todos. Filed Under: sociedade Tagged With: ideal med, privados, saúde « Fez Filosofia nas […]

  3. José Carlos Alves diz:

    Façamos então o verdadeiro teste a tão nobre cidadania. Publique-se o comentário de alguém que também se preocupa com a saúde dos nossos conterrâneos.
    Pergunto ao autor do blogue porque não faz o mesmo exercício relativamente a todas as outras unidades de saúde privadas de Coimbra, de Lisboa, do Porto, do País. Terá o senhor algum comprometimento pessoal com outras estruturas? Pergunto-lhe porque não se indigna com os Professores que dão explicações, ou com os jornalistas pagos por todos nós que fora de hora tentam ganhar, ou saquear, uns euros para compor o orçamento. Pergunto-lhe porque não se questiona sobre o número de postos de trabalho que estes investimentos criam, entre muitas e muitas outras questões. Pergunto-lhe se ainda vive no tempo em que o Estado se sentia impelido a dar resposta a tudo … foi esse tempo que contribuiu para o momento que hoje, infelizmente, atravessamos. Saudações.

    • Caro José Carlos Alves,

      Faça-me chegar documentação\relatos\factos sobre outras unidades de saúde privadas do país no país que praticam as mesmas ilegalidades e eu não terei pejo nenhum em estudá-las, tomar-lhes a correcção do que acho justo\injusto, legal\ilegal na situação e denunciá-las publicamente.

      Não postei por estar envolvida a Ideal Med ou outra empresa qualquer do sector, muito menos postei tendo em conta comprometimentos pessoais com as ditas “estruturas” que enuncia. Não tenho por hábito praticar o ilícito, muito menos jogar de forma suja. Postei por uma questão de lesão dos interesses públicos. Só isso. Sou directo, frontal e implacável neste tipo de situações.

      O que está aqui em causa no caso em questão são violações claríssimas à lei. Perante os factos, não existem argumentos que justifiquem o contrário.

      • José Carlos Alves diz:

        Caro Senhor.
        Permito-me manifestar-lhe a minha tristeza por só agora ter percebido que tudo o que escreve é por “indução” de terceiros, uma vez que me sugere para lhe denunciar outras situações para o senhor publicar.
        Este é um procedimento grave, muito grave. Remete-me para tempos por mim vividos, não relatados, e que o Senhor tão somente poderá imaginar. Nesse tempo existiam “bufos” que nos denunciavam por tudo e por nada, nomeadamente com inverdades assumidas como verdades e que justificavam verdadeiras alarvidades dos senhores do regime.
        Sei o que a liberdade de expressão representa, como sei que deve ser cuidada e reflectida, para não se tornar torpe, injusta, sensacionalista.
        Não quero defender nem crucificar qualquer estrutura só porque sim, ou por motivações pouco claras, mas sei que tudo o que escreve como ilegal não o é, e que todas as Unidades de Saúde Privadas assumem o mesmo procedimento.
        O Director da FMUC e do Serviço de Oftalmologia não o é no Centro Cirúrgico? Um Deputado por Coimbra não é o Director Clínico da Sanfil? O Director de Serviço da Urologia não é Administrador da Sanfil? Outro Director de Serviço não é Administrador da Clínica de Montes Claros? …
        Quantos exemplos quer?
        Por tudo o que li, percebo que nada percebe de saúde, e não tem de perceber, mas seria oportuno que fosse imparcial.
        Com a sua permissão, porque este espaço é acima de tudo seu, convido-o a publicar as aludidas incompatibilidades com base em informação clara a recolher junto da ARS, demonstrando que nenhuma das situações por si identificadas, e mesmo as que eu refiro, é contrária à lei vigente. Basta perceber que a tutela tem de autorizar a acumulação de funções, quando estas existem.
        A questão que se deverá colocar é se esta situação deverá ser corrigida ou não, mudando-se a lei.
        Cordiais Saudações.

    • Rui Fachada diz:

      Caríssimo Senhor.
      Não concordando com muito do que diz o meu amigo João Branco, e concordando com o Sr. José Carlos Alves quando desafia o autor do blogue a escrever sobre os professores que dão explicações, sobre os jornalistas dos media públicos que prestarão serviços a entidades privadas, a quem eu juntaria os enfermeiros e técnicos de saúde, ou os engenheiros, não posso deixar de lhe lançar um desafio: diga-nos quantos postos de trabalho cria a IdealMed?
      Não sejamos falaciosos. Se entendo que a IdealMed se arrogue a criação de 500 postos de trabalho (dolus bonus, para efeitos de imagem), já não entendo que o Sr. empunhe essa bandeira, pois ambos sabemos que criar postos de trabalho não é o mesmo que criar emprego. Uma enormíssima percentagem dos postos de trabalho que a IdealMed cria são segundos, terceiros, ou mesmo quartos empregos, para médicos, enfermeiros, técnicos,e, quiçá, auxiliares de acção médica. É importante que se fale em criação de emprego, e não de postos de trabalho.

      • Caro Rui Fachada,

        Como bem escreveu, “não sejamos falaciosos” – a Ideal Med diz (ficamos pelo diz) que quer criar 500 postos de trabalho. Alguns deles, como pudemos observar pelo post acima escrito, já foram inclusive oferecidos a “amigos do sector público” numa clara violação à lei (que o senhor como licenciado em Direito tão bem saberá interpretar) e de um modo que lesa os interesses do sector público em questão.

        Para finalizar caro amigo Fachada, criar postos de trabalho não é o mesmo que criar emprego. Costuma-se dizer que trabalho há muito neste país. Emprego é que é escasso e o que há costuma ser dado aqueles de quem se está mais próximo ou de quem se devem favores. Vivamos então no país da indigência, da sacanice, dos vendilhões do tempo e dos vendidos aos favores e às mesuras dos mais poderosos.

        • Rui Fachada diz:

          Caríssimo João.
          Este teu post apenas confirma o que eu disse no meu comentário ao Sr. José Carlos Alves. Dizer que a IdealMed cria 500 postos de trabalho é uma coisa, dizer que a IdealMed cria 500 empregos poderia ser entendido como a mesma coisa, por isso, vou ser ainda mais preciso: é uma falácia (que, como disse, entendo, na perspectiva da IdealMed) dizer que a IdealMed cria 500 empregos, pois por criação de emprego devemos entender criação de novos empregos para pessoas em situação de desemprego ou à procura de primeiro emprego. O que a IdealMed cria é 500 postos de trabalho, a serem ocupados por profissionais (não vale questionar, aqui e agora, a sua competência e a existência, ou não, de outros profissionais com as mesmas qualificações em situação de desemprego ou à procura de primeiro emprego) que já têm pelo menos um emprego. Por isso reforço a ideia, convergente com a tua, de que criar postos de trabalho não é o mesmo que criar emprego, ao menos no sentido que tal facto geralmente é entendido.
          Uma última nota a desmontar ainda mais essa falácia: pelo que sei da IdealMed, nem sequer há a criação da maioria desses postos de trabalho, mas apenas uma relocalização de vários consultórios e pequenas clínicas que se vão (ou já estão) instalar nas instalações da IdealMed/UHC, com a consequente relocalização dos pessoal que já estava afecto a esses serviços.

  4. Rui Fachada diz:

    Caríssimo João.
    Não vou alimentar a polémica, mas como teu amigo não posso deixar de te dar um humilde conselho: quando decidires “meter mãos” a uma obra como esta, faz muito bem os trabalhos de casa.
    Além de te baldares a parte dos trabalhos, daqueles que fizeste ainda fizeste alguns mal.
    O tempo que passaste a ler sobre o surrealismo (as alusões a PPP, no caso concreto, são absolutamente surreais) podia ter sido bem mais útil a investigares a Ideal Tower, da qual a Ideal Med é apenas uma unidade.
    Forte abraço, amigo.

    Rui Fachada

  5. Fonseca Galhães diz:

    Em resposta ao comentário anterior, claro que há uma grande diferença. O Sr. Alves está um pouco confuso e a tentar misturar tudo. Das duas uma, ou é ingénuo, ou mal intencionado. Na saúde este crime está a acontecer um pouco por todo o país com o silêncio complacente de muita gente. A diferença é que sendo Coimbra um meio pequeno, torna-se mais óbvio.

    Além disto Sr. Alves, os professores a darem explicações não tomam decisões de gestão com este impacto.

    Estes empreendedores criam postos de trabalho à custa da disfunção do público e das parcerias que subsequentemente fazem com o estado. Ou seja, à custa de todos nós! À custa da nossa saúde e da acessibilidade universal da mesma.

    Foi este tipo de PPP (PROMISCUIDADE PUBLICO PRIVADA) que degenerou no estado em que estamos agora!

    PERGUNTAS INCONVINIENTES: Então o encontro internacional promovido pela Unidade de Gerontopsiquiatria dos CHUC (Hospital Público) irá realizar-se no UHC (Hospital Privado da IdealMed)? Se mentes mais ingénuas poderiam pensar que ser coordenador regional da ARS, chefe ou director de serviço dos HUC (público), não entraria em conflito claro de interesses ao desempenhar funções de gestão num hospital privado (UHC-IdealMed) recém criado, com esta notícia ficaram definitavamente esclarecidas…

    1. Como é que um serviço do CHUC(Público) organiza um encontro internacional num recém inaugurado hospital privado que nem sequer está licenciado? Não terá o CHUC, um dos maiores centros do país, condições para receber um encontro desta natureza? Ou estarão desde já, promiscuamente, a tentar credibilizar a clínica privada? O director do CHUC autorizou tudo isto? Relembro que este tipo de encontros, além de prestigio, trazem muito dinheiro da indústria farmacêutica que já está a ser desviado do público para o privado pelos mesmos intervenientes responsáveis pela gestão dos dois lados.

    2. A empresa privada IdealMed escolheu a sigla UHC (Unidade Hospitalar de Coimbra) demonstrando claramente as suas intenções. Estranho porém o silêncio do governo e do CHUC ao não defenderem a marca “HUC”. A confusão fonética é clara.

    3. Haverá directores/chefes/coordenadores de serviço do hospital público ou coordenadores regionais da ARS a desempenhar funções de chefia no hospital privado? (ver lei das incompatibilidades, já para não falar no compromisso ético que já redundou em tamanho escândalo) Como conseguem estes técnicos estar nos dois lados ao mesmo tempo? Haverá isenção nas decisões que tomam? A resposta é NÃO!

    4. Estranho o silêncio da ordem dos médicos que, perante tudo isto, ainda dá apoio ciêntifico a este encontro. Será isto verdade ou terão apenas dado o reconhecimento a dito acontecimento? (ver programa divulgado pela IdealMed)

    5. Como é que querem participar no SIGIC para colmatar as listas de espera em cirurgia como forma de financiamento do hospital privado quando as mesmas pessoas que não têm tempo para as fazer no público, já têm tempo para as fazer no privado. Garantir a viabilidade financeira do privado com a disfunção do público…

    6. Estranho que os mesmos intervenientes da FMUC que nunca se precuparam com o descalabro que foi o aumento dos números clausos de entrada, agora estejam oportunamente precupados com a qualidade de ensino, afirmando que a solução terá de passar por um consórcio de ensino em estabelecimentos privados. Curioso, no mínimo.

    7. Como é que tudo isto acontece num hospital que nem sequer ainda está licenciado pela ARS? (em curso)

    • Rui Fachada diz:

      Caríssimo.
      Não me sendo dirigido este comentário, e não sendo este o local para averiguar da compatibilidade ou incompatibilidade de cargos entre o sector público e o sector privado, vou limitar-me a comentar três dos pontos que questiona:
      (1) A IdealMed não é uma PPP (a menos que o seu comentário não pretenda ser sério e, nele, PPP signifique apenas e só aquilo que o Sr. lhe atribuiu).
      (2) Se uma trabalhadora do serviço doméstico, um mecânico, um electricista, para não citar outras inúmeras categorias profissionais, podem ter dois empregos, porque diabo não há-de um profissional da saúde poder tê-los, se com isso, objectivamente, não criar uma lesão na coisa pública? Do mesmo modo que a doméstica, ou os outros profissionais que citei, têm dois empregos à custa do seu tempo de descanso, à custa de não irem para o café, ou para as Docas, tomar uns finos ao final da tarde, também a grande maioria destes profissionais têm dois ou mais empregos às custas do seu descanso, da companhia das suas famílias e dos seus amigos… São opções deles, que só de má fé poderemos questionar. Da mesma forma que eu não deixo de ser pai quando não estou junto do meu filho, também eles não deixarão de ser directores ou coordenadores quando não estão no seu gabinete de direcção ou de coordenação. E isto é válido para qualquer dos empregos em que eles se encontrem. Coisa diferente é exercer-se uma direcção paras servir a outra, ou exercer esta outra em prejuízo da primeira, e isso, caro Sr., está por demonstrar que esteja a acontecer.
      Sou, por princípio, a favor da dedicação exclusiva dos profissionais da saúde ao SNS. Sou, por princípio, defensor de que à mulher de César não basta sê-lo. Mas daí a questionar o bom nome e a personalidade destes cidadãos, porque de cidadãos se trata, só porque os meus princípios não têm consagração legal, ou estão, em violação da lei a ser desaplicados, vai uma distância muito grande. E aqui, caro Sr., foram ditas algumas coisas claramente difamatórias e/ou ofensivas do bom nome de algumas pessoas claramente identificadas e de outras identificadas pelas suas funções.
      Para quem cita tantas leis, parece-me que o mínimo que deveria saber é que há interesses difusos que qualquer cidadão tem interesse processual em perseguir, pelo que, se, como afirma há crimes contra a res publica, exerça o seu direito de acção e exija que o Ministério Público investigue e acuse. Assim mereceria o meu respeito e a minha “chapelada”!
      (3) Os profissionais da saúde que prestam serviços à IdealMed não têm contrato de exclusividade com o Ministério da Saúde. Alguns mesmo nem sequer exercem funções públicas. O seu regime de trabalho é de 35h semanais, mais os competentes serviços de urgência em dia útil e de fim de semana, quando é o caso. (i) E os senhores professores, alguns (actuais) ainda apenas com o 9º ano e dois anos de Magistério Primário? (ii) Qual a carga horária semanal deles? Estão em regime de não exclusividade? (iii) Vendem as suas explicações (garantidamente) sem prejuízo do cumprimento do seu horário de trabalho na escola? Podem esses senhores estar em dois lugares ao mesmo tempo (como acusa os médicos)?
      Parece-me caro senhor, que aposta as suas armas aos alvos errados.

      • Caro Rui Fachada.

        Como disse e bem a Ideal Med não é nenhuma PPP. Tem razão. Mas em nenhuma parte do comentário do Fonseca Galhães e em nenhuma parte do meu post enunciamos que a empresa seja uma Parceria Público-Privada. No que toca ao meu post, pergunto que se estes arranjinhos da Ideal visam criar uma PPP com o Estado para por em xeque o financiamento do SNS. O Fonseca Galhães apenas fala em promiscuidade público-privada, num tom sarcástico que a boa verdade é bom de apreciar.

        Fachada, creio que depois de um post, de tantos comentários e de tanta discussão ainda não compreendeu que esta discussão não está a por em causa se um profissional, seja de que ramo for, pode ou não trabalhar nos dois lados. Claro que pode. Tanto podem, que existem médicos que trabalham efectivamente no público e no privado. Trata-se de leis, Fachada. A lei proíbe que um médico exerça funções de coordenadoria num serviço no público e no privado ao mesmo tempo. Só e exclusivamente isso. Essa infracção não é só apenas ética e deontologicamente condenável. É também legalmente condenável.

        “Sou, por princípio, a favor da dedicação exclusiva dos profissionais da saúde ao SNS. ” – Ainda bem que o é. Eu também sou. Aliás, sou até contra o privado na saúde, dado que a saúde deverá ser uma das bandeiras de qualquer estado que se proclame como social. E assim da razão ao meu argumento acima transcrito.

        “Mas daí a questionar o bom nome e a personalidade destes cidadãos, porque de cidadãos se trata, só porque os meus princípios não têm consagração legal, ou estão, em violação da lei a ser desaplicados, vai uma distância muito grande. E aqui, caro Sr., foram ditas algumas coisas claramente difamatórias e/ou ofensivas do bom nome de algumas pessoas claramente identificadas e de outras identificadas pelas suas funções.” – Fachada, aqui ninguém questionou o bom nome de ninguém e em nenhuma frase foi utilizado um argumento ad-hominem. Muito menos existiu um interesse claro em lesar o bom nome ou a honra pessoal de qualquer uma destas pessoas. Existiu sim uma crítica à sua presença por vias que extrapolam a lei. Aqui questionou-se um problema desta cidade e a presença incompatível de profissionais do SNS na coordenadoria de um novo hospital privado da cidade.

        “Os profissionais da saúde que prestam serviços à IdealMed não têm contrato de exclusividade com o Ministério da Saúde. Alguns mesmo nem sequer exercem funções públicas.” – Com todo o respeito, mentira Fachada. Veja os links dos profissionais que acima postei. É só cruzar a informação.

        • Rui Fachada diz:

          João.

          É isso que tento que entendas desde o início: em se tratando de leis, a menos que os comportamentos dos Srs. A, B, C, ou D, se subsumam numa violação da lei, pode ser injurioso, ofensivo, difamador, falar desses senhores A, B, C, ou D, e associá-los (mas, perdoa-me, tu não apenas os associaste, como os afirmas em violação da lei) a comportamentos ilegais. Por outro lado, e parece-me que agora é teimosia tua, não estás a querer entender aquilo que eu te disse já muito claramente. A lei está mal? Está sim, meu amigo. Também na minha opinião é uma má lei, embora eu não seja tão radical como tu e admita a existência de serviços privados de saúde. O SNS está em crise? Está, sim, meu amigo, mas ainda recentemente houve um debate sobre o estado do SNS, no Teatro da Cerca de São Bernardo, promovido por uma associação cívica de Coimbra, onde iria estar o Dr. António Arnaut, que depois, por motivos alheios à sua vontade, acabou por não estar, e sabes quantas pessoas assistiram ao debate? Umas 40, mais o staff técnico do Teatro. Não te vi lá, João! Duvido ter visto lá o Sr. Galhães (que num momento de rara inspiração foi buscar o nome a uma velha rábula de trocadilhos feitos com nomes de jogadores de futebol, no caso ao Fonseca Galhão). Duvido ter visto lá o Sr. Gouveia Matos! A lei é má, é verdade! Devia ser absolutamente incompatível fazer medicina privada, convencionada e pública, em cúmulo. Mas a lei que temos permite-o. O Estado, aquele “terceiro” a quem só pagamos os impostos aos quais não conseguimos mesmo fugir, para pagar salários abaixo de cão a certos profissionais, tem que lhes permitir trabalhar na medicina pública, na convencionada e na privada. E eles trabalham, dentro dos limites da lei, sem problemas. Fora dos limites da lei, sujeitos à sanção nela contida. Se todos os senhores em causa estão a exercer determinada actividade ou função dentro da lei, podemos falar da lei, que é má, mas já não nos nomes de quem se comporta em concordância com ela.
          Relativamente às tuas referências a nomes, passo a transcrever parte do teu próprio post:

          “reparamos que o Dr. Nascimento Costa é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Interna dos HUC e de Oncologia da UHC\Ideal Med…

          reparamos que o Dr. Páscoa Pinheiro é ao mesmo tempo coordenador do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação dos HUC e de uma pasta identica na Ideal Med

          reparamos que a Dr. Isabel Torgal costa é ao mesmo tempo coordenadora do Serviço de Medicina Ginecológica dos HUC e coordenadora de Medicina da Reprodução da Ideal Med

          que o Dr. Filipe Caseiro Alves é ao mesmo tempo coordenador do serviço de radiologia dos HUC e ocupa uma coordenadoria na UHC\Ideal Med como Imagem Médica.

          Estamos portanto 5 ilegalidades crassas à lei das incompatibilidades.” (fim de transcrição).

          Não falas em nomes? Não falas na comissão de ilegalidades pelas pessoas que usam esses nomes e que com eles beneficiam de um direito geral de personalidade? Onde é que, neste excerto transcrito, classificas a lei como má? Onde, neste excerto afirmas que estes senhores exercem cargos em conformidade com a lei?

          Caro João, com todo o respeito, mas calçaste uma bota que agora estás com dificuldade em descalçar (em termos argumentativos, é claro, pois é da tua lógica argumentativa que agora falamos).

          Relativamente à minha “mentira” quanto a nem todos os médicos da IdealMed exercerem em instituições públicas de saúde, passo a transcrever o que disse a propósito: “(3) Os profissionais da saúde que prestam serviços à IdealMed não têm contrato de exclusividade com o Ministério da Saúde. Alguns mesmo nem sequer exercem funções públicas.” (fim de transcrição).
          Como deves ver, lendo cuidadosamente o que eu escrevi, e transcrevi, eu não digo que os Senhores que tu nomeaste, e outros que eventualmente constem das listas que tu “linkaste”, não trabalham para o SNS. Digo claramente que “Alguns mesmo nem sequer exercem funções públicas.” A IdealMed é muito mais do que esses poucos nomes que tu citaste. Posso te garantir que há médicos a prestar serviços à IdealMed que só exercem medicina privada (só não te vou citar nomes). E para mim não está em causa o duplamente director, mas todo o profissional médico do SNS que não devia poder ser médico do “SPS” (Serviço Privado de Saúde). O internista do SNS pode praticar os mesmos actos promíscuos que o director. Ou mais, até! O médico de qualquer outra especialidade, idem aspas. Mas por que o podem fazer, não quer dizer que um e outros o façam. Não são eles que fazem as leis. Eles são objecto das leis. Se se portam bem, nada devem à sociedade. Se se portam mal, temos o dever de os denunciar.
          Para finalizar, vou chamar a tua atenção, uma vez mais, para o teor da Recomendação do Sr. Provedor de Justiça. A Recomendação é no sentido de que sejam revogados os despachos do Governo que criam a incompatibilidade de cúmulo de cargos de direcção em estabelecimentos do SNS e estabelecimento privados. Ou seja, o Sr. Provedor de Justiça está a dizer: meus senhores, vocês podem ser “directores” no SNS e, cumulativamente, no privado (desde que, diz a lei, “o exercício de actividades exteriores depende sempre da compatibilidade de horário, do não comprometimento da isenção e imparcialidade do funcionário ou agente e da inexistência de prejuízo efectivo para o interesse público”) (citei o teu post).

          Caro João, não interpretes como falta de respeito pela tua pessoa, mas, em termos de respostas, a minha participação termina aqui. Não será por falta de respeito que não responderei à tua réplica a este comentário, mas porque, como disse no meu primeiro comentário, não vou alimentar polémica. Ou melhor, dizendo agora, não vou alimentar mais esta polémica. Mas reconheço-te o direito de resposta, que lerei com a maior atenção.

          Um abraço! Fica bem.

          Rui Fachada

  6. Rui Fachada diz:

    Uma nota para esclarecer que o post inicial do meu respeitado e respeitável amigo João Branco peca apenas por deficiente formação (jurídica) e informação. Não vejo nele qualquer má fé.
    Data venia!

    • Nesse aspecto não posso concordar consigo caríssimo. A informação está clara como a água. Tomara até que a nossa comunicação social ousasse informar com tanta clareza, qualidade e serviço público aos cidadãos. Quanto
      à “dita falta de formação jurídica” não sei a que se refere, por isso não me apraz comentar.

      • Rui Fachada diz:

        Caro João.
        Com o devido respeito, mas não é a primeira, vez nesta troca de comentários, que não lês o que está escrito. O que eu digo é que tu não estás devidamente informado quanto à IdealMed, e o teu post perde alguma acuidade e fidelidade por isso mesmo. Exemplos: Para não ir mais longe, (i) o projecto IdealMed, com este ou com outro nome, é muito anterior a esta governo, a esta ministro, à criação do CHUC, ao fim das urgências no CHC (vulgo Covôes); (ii) a UHC não vai substituir o público na realização de exames complementares de diagnóstico, mas sim complementá-lo, como já complementava antes, muitoooooo antes, mesmo, de alguém ter cogitado sobre a possibilidade de vir a haver uma IdealMed. Com os mesmos actores (leia-se, com os mesmos profissionais).
        Quanto à formação jurídica, não vejo no meu comentário que eu me tenha referido à falta dela, mas sim à sua deficiente. Como deficiente é a minha. Exemplos: (i) As PPP são projectos do Estado executados por privados, mediante contrato. A IdealMed é um projecto de privados, executado por privados, sem contratos outros com o Estado, além de algumas convenções. Convenções que o Estado tem com milhares de profissionais da saúde e que não se podem confundir com qualquer PPP; (ii) Citas uma recomendação do Provedor de Justiça, ao Governo, no sentido de anular dois despachos que violariam o art. 18º da CRP, designadamente o direito de acesso à profissão. Comecemos pelo despacho, que citas, e passo a transcrever: “1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.” Este é o teor do nº 1 do despacho, que cria uma incompatibilidade, incompetente para isso. A Recomendação do Sr. Provedor de Justiça é no sentido de que, sendo a incompatibilidade criada pelo nº 1 do citado despacho, por ti transcrita, e por mim copiada para este comentário, formalmente ilegal, por violar matéria de DLGs, concretamente o acesso à profissão, que só pode ser regulado por Lei ou Decreto-Lei autorizado, tal despacho deve ser desaplicado. Parece-me que o Sr. Provedor de Justiça está é dizer que, pelo menos por esta via de Despacho do Ministro da Tutela, não pode o Governo dizer que é incompatível o exercício de cargos de direcção de instituições privadas de saúde, em cúmulo com a direcção de instituições públicas, igualmente de saúde. Não lendo o despacho todo, pelo que dele é transcrito, eu até diria que não está em causa o direito de acesso à profissão, mas sim o direito de exercício, pois o que está em causa é o exercício em cúmulo da mesma profissão no público e no privado, o que pressupõe que o funcionário em causa, não apenas tenha tido acesso à profissão, como até o exerça seja no público, seja no privado, questionando-se aqui apenas a possibilidade de o poder EXERCER contemporaneamente nos dois sistemas.
        E por aqui me fico!
        Um abraço!

        • Rui Fachada diz:

          Há no alguns erros de semântica devidos a um qualquer problema que fazia com que o texto sumisse e eu estivesse frequentemente a escrever “no escuro”. Acabei por desistir de corrigir e deixar assim mesmo. Pelo facto, as minhas desculpas.

  7. não gosto de fraudes diz:

    João Branco, obrigado por seres o único neste buraco que evade o conservadorismo e zela realmente pela verdade, pela justiça e pela rectidão.

  8. Gouveia Matos diz:

    Sr. Fachada,

    1. Se considera que: “não sendo este o local para averiguar da compatibilidade ou incompatibilidade de cargos entre o sector público e o sector privado”. Gostaria que me dissesse qual é o local adequado. Este local é tão válido como qualquer outro. Ou estará a tentar fugir ao assunto fundamental? Se calhar não lhe é conviniente.

    2. Não li em nenhum lado do post do Galhães a expressão parceria publico-privada. Até poderia ter lido porque o SIGIC no fundo é isso mesmo. Quando diz :”o seu comentário não pretenda ser sério”, quem não o está a ser é o senhor ao afirmar que o post anterior tem coisas escritas que dele não constam.

    3. “Coisa diferente é exercer-se uma direcção paras servir a outra, ou exercer esta outra em prejuízo da primeira, e isso, caro Sr., está por demonstrar que esteja a acontecer.” Está mais que provado que assim o é. Há promiscuidade declarada ao desviar congressos internacionais do público para o privado, ao diminuir o numero de camas dos serviços ou ao fechar maternidades e recoloca-las no centro de um hospital central contra todas as indicações clínicas, em prejuízo da qualidade.

    4. Gostaria que enunciasse as pessoas que o post do Galhães fala. Não vejo lá nem um nome nem nenhum ataque pessoal a ninguém ao contrário do que tão seriamente afirma. Não tente por isto no campo pessoal.

    5. Há uma grande diferença entre todas as situações que aponta. Não tenho nada contra o trabalho dos dois lados. Apenas entendo que existe diferença entre exercer cargos de responsabilidade pública e chefia dos dois lados. Entra em conflito claro de interesses. Não estamos a comparar um hospital com uma pequena clínica. Estamos sim a comparar um hospital do Serviço Nacional de Saúde e um novo concorrente de mercado. No caso dos professores, por exemplo, o senhor é falacioso. A situação comparável seria se um professor fosse director de uma escola pública e privada ao mesmo tempo. O que acha disto? No caso dos médicos a situação legal e impedimento ético são tão claros que há uma legislação específica. Se não compreende, ou não quer compreender, cada um que tire as suas elacções. Para mim, ou é ingénuo, ou mal intencionado. Com toda a honestidade, estava a espera de um pouco mais de um jurista (presumo que seja)

    Para finalizar e não querendo fazer juízos de valor, gostaria de saber se o Sr. já trabalhou para alguma seguradora. De comentários de fachada já estamos nós fartos. Não tente defender o indefensável. Só lhe fica mal.

    • Rui Fachada diz:

      Sr. Gouveia Matos.

      1. O local adequado para averiguar as incompatibilidades em causa, é nos tribunais. Que elas se discutam aqui, até admito, mas de modo genérico, sem ataques pessoais, e devidamente fundamentadas, digo juridicamente fundamentadas. Este local não me é conveniente, nem deixa de ser, pois não tenho quaisquer interesses no negócio. Nem como utilizador: sou utilizador das unidades do SNS. Foi por uma questão de bom senso que me levou a dizer que este não é o local para averiguar da (in)compatibilidade por uma simples razão. Estes comentários partem de uma posição legítima de um bloguer, por acaso meu amigo, ou pelo menos conhecido, de quem gosto, mas assentam em vários erros. Ora, se até agora só li louvores ao post, e admitindo como certo que ele contém vários erros, errados, também, estão os louvores. Essa discussão, partindo de pressupostos errados, é absolutamente estéril. Por isso, agora digo-o com mais clareza, se têm indícios de ilegalidades, levem-nas a tribunal, em nome do Povo português. Deixem-se de tretas e ajam!

      2. Por favor não insulte a minha pouca inteligência. Quando o Sr. Galhães (nome engraçado, se conjugado com a última sílaba do apelido anterior) fala em PPP, como quando fala em SIGIC, quer falar nessas figuras jurídicas, e não em outra coisa. O meu parêntesis “a menos que o seu comentário não pretenda ser sério” não está a colocar em causa a seriedade (leia-se: honestidade) do sr. Galhães, mas a admitir a hipótese de a sua referência a PPP ser irónica, e por isso não querer referir as parcerias público-privadas.Qualquer pessoa que não seja analfabeta funcional, ou mal intencionada, lê o que lá está escrito e interpreta dessa forma.

      3. a) Referindo-me, como sempre, e apenas, me referi à IdealMed e não aos imensos casos que se verificam país fora, mantenho o que disse, precisando: está (aqui, especialmente no comentário do Sr. Galhães) por demonstrar qualquer promiscuidade entre o exercício da chefia pública e privada pela mesma pessoa. b) Não é da responsabilidade decisória desses senhores o encerramento de uma maternidade, a redução do número de camas. Talvez já o seja o encerramento da urgência do Hospital Geral, dos Covões, entre as 20 e as 8h. Esta decisão pode ser economicamente racional, mas não o é seguramente em termos humanos, pois aquela urgência é bem mais humana do que a dos HUC. As maternidades? Não sei. Não me parece é que tenha sido decisão destes senhores, aqui em causa. Não estaremos a misturar alhos com bugalhos? c) Não sei se o congresso em causa foi desviado do público para o privado. Não sei se isso tem algum custo para o público. Não sei se isso tem algum benefício para o privado. Não vi nada, além de alegações, sem qualquer documentação, por isso mesmo não me lhes referi.

      4. Uma vez mais, o Sr. Gouveia Matos leu desatentamente o que eu escrevi. Ainda está em tempo, pois o post não foi apagado. Digo (e passo a trasncrever) “E aqui, caro Sr., foram ditas algumas coisas claramente difamatórias e/ou ofensivas do bom nome de algumas pessoas claramente identificadas e de outras identificadas pelas suas funções.” (fim de transcrição). Onde está dito, caro Senhor, que o Sr. Galhães, a quem o Sr. se refere tão familiarmente, referiu algum nome de alguma pessoa? “Aqui”, caríssimo, não é o mesmo que “o Sr.”. “Aqui”, é neste post do blogue, e reservo-me o direito de não transcrever os passos onde as pessoas são citadas, não pelo Sr. Galhães, mas pelo sr. João Branco, autor do blogue.

      5. a) A incompatibilidade é legal, com fundamento constitucional, e não ética ou moral. Ética ou moral seria a decisão de não aceitar a direcção cumulativa (não simultânea) de unidades dos dois sistemas de saúde. Ética ou moral é igualmente a decisão de aceitar essa situação. Mas isso é algo do foro pessoal, íntimo, de cada um doa visados. A incompatibilidade, essa, como disse, é legal, é determinada por lei, e não por qualquer imperativo de uma ordem moral ou ética sua, ou minha, ou do Sr. Galhães. E, pelo que li, parece não haver incompatibilidade. E se as há, seria bem mais honesto e corajoso exigir à administração que lhes ponha fim. b) Se tem elementos que indiciem a prática de crime (e não tenho dúvidas que desviar utentes do SNS para o privado, com benefício do privado e prejuízo do utente, abusando de um cargo público o é), é seu dever ético e moral denunciá-lo ao Ministério Público e exigir que este proceda criminalmente contra os visados. Parece-me é que isso é um pouco mais incómodo, e exige um pouco mais de coragem, do que escrever umas quantas coisas num blogue. b) Uma coisa é eu concordar com o sistema, outra coisa é eu concordar com o que foi escrito, outra coisa, ainda, é a posição que eu aqui expressei. (i) Em lugar algum eu disse concordar com o sistema; (ii) apenas me limitando a discordar e a apontar a incongruência e irracionalidade de algumas das questões levantadas; e (iii) a posição que tenho vindo a expressar é (uma vez mais o sublinho) relativa ao caso concreto que deu origem a esta troca de comentários, do ponto de vista da legalidade e da (in)correcção como está a ser tratado.

      6. Nunca trabalhei em nenhuma seguradora, nem vejo, sinceramente, o que é que isso tem a ver com esta discussão. A IdealMed não é seguradora, os beneficiários dos seguros quando atendidos no SNS gozam dos mesmos privilégios e têm os mesmos custos que os outros utentes do SNS. Estará a querer dizer que tudo isto é uma conspiração para retirar pessoas do SNS (que até as pode enviar, via SIGIC, para a IdealMed, como bem notou o Sr. Galhães) e as levar a fazer seguros, para depois serem atendidas na IdealMed?

      7. Em muitas coisas serei ingénuo, sim. E não tenho a arrogância de de o negar. Mas não está em causa a minha ingenuidade. Está em causa que alguém teve a infelicidade de escrever um artigo num blogue, apontando imoralidades, ilegalidades, incompatibilidades, de forma descontextualizada e atentatória do bom nome e da personalidade de algumas pessoas, e logo vêm umas quantas pessoas lançar lenha numa fogueira que, em nome do bom senso e da ética de quem é associado da WordPress.com, nem sequer deveria estar acesa.

      8. Ao contrário do Sr. Galhães e deste humilde comentador, que em momento algum entraram nos ataques pessoais, o Sr. Gouveia Matos, não obstante afirmar o contrário, parece ter tornado isto uma questão pessoal. Será Gouveia Matos, porventura, um pseudónimo do Sr. Galhães?

      Pois, Sr. Gouveia Matos… Pode estar farto de comentários d(o) Fachada, porque de fachada não está, com certeza, ou teria escrito muito menos do que escreveu!

      Atenciosamente!

  9. O comentário do Sr. Gouveia Matos para além de ser muito pertinente para o tema em questão é extremamente inteligente e toca nos pontos que idealizei ao escrever o post.

    Respondendo aos seus últimos dois comentário Rui Fachada…

    O amigo acusa-nos de não ler os seus comentários. A gente lê os seus comentários, homem! O sr. é que continua a bater na mesma tecla e a não explicar com profundidade algumas coisas com que se debate contra o nosso argumento.

    Eu não estou informado acerca da Ideal Med? Vá ler a parte inicial post se faz favor… Até sei demais sobre a Ideal Med. E até lhe posso dizer que começou com o investimento de um imigrante ali para os lados de Penacova cujo nome é enunciado nessa partitura inicial do meu post. Começou sobre o nome (que ainda existe) de Ideal Tower S.G.P.S, gestora de capitais sociais que gere entre outras empresas (de produtos luxo principalmente) e brands como a SegurMed, uma seguradora que deve estar muito interessada com a privatização da saúde. Como qualquer seguradora neste momento neste país!
    Até lhe posso dizer mais: os terrenos onde está situado o Hospital da Ideal Med ou UHC foram comprados a um antigo chefe de serviço dos HUC, felizmente (segundo o que me fez constar) um homem honesto que dava a cadeira de ética e deontologia na FMUC, cujo nome não irei aqui revelar mas cuja identidade é facilmente encontrada pelo meu amigo aqui pelos motores de busca da interweb. Um homem que diga-se, tendo visto o projecto da Ideal Med e tendo visto a “salsarilhada” onde se ia meter, manteve a sua idoneidade enquanto funcionário público e desde logo se quis desmarcar da situação…. facto que até lhe granjeou o nome no auditório da Ideal Med onde o excelso Horácio Firmino (espero que desta vez alguém lhe tenha corrigido o português das apresentações em powerpoint) hoje realizou o dito congresso que deveria, a bem da idoneidade profissional do mesmo, ter sido realizado em solo de pertença do CHUC… Mas não foi, caro Fachada.

    Com activos destes, quem é que quer um serviço nacional de saúde público, tendencialmente gratuito e de qualidade aceitável caro Rui Fachada? Ninguém, é óbvio. É business Fachada. Business. Business. No Business nem quer saber de doentes, mortos, velhos, ricos, pobres, pedófilos, pedrastas, escroques, indigentes, ciganos, negros, idosas que tem mau hálito ou crianças com a camisola do Ricky Van Wolfswinkel. O Business quer é dinheiro. E a sociedade portuguesa é obcecada (como qualquer sociedade sem palminhos de testa e com os corninhos a dar a dar pros cartões de crédito) por dinheirinho, riqueza, poder… cúmulos de poder… somas de riqueza…

    Depois deste devaneio Fachada, arrisco-me a dizer que o que você está aqui a fazer não é spin-doctoring. É propaganda.

    “a UHC não vai substituir o público na realização de exames complementares de diagnóstico, mas sim complementá-lo, como já complementava antes, muitoooooo antes, mesmo, de alguém ter cogitado sobre a possibilidade de vir a haver uma IdealMed. Com os mesmos actores (leia-se, com os mesmos profissionais).”

    Fachada, imagine a seguinte situação: o Fachada vai fazer um raio-x às urgências dos HUC. A taxa moderadora do atendimento a si prestado irá sair-lhe em algo como 20 euros dos bolsos. Dado que como não é isento de taxa moderadora e como a legislação (a santa legislação do nosso supra sumo do neoliberalismo Paulo Macedo) mudou, o Fachada pagará um suplemento por cada vez que entrar na sala do raio-x. Imagine portanto que a acrescentar aos 20 euros, é lógico que o estado arque com o resto do custo (médio; quer a fórmula do cálculo do custo médio?; dê-me o seu email que eu envio-lhe a fórmula com todo o gosto) que (sem estipular o valor correcto actual) esteja fixado em 120 euros por cada consulta de um doente com os propósitos hipótéticos desta situação. Se, hiupoteticamente a consulta custa 140 (custo médio) e o exame (o raio-x) pode ser realizado no privado por 90 euros, o Estado tenderá a querer que o doente vá para o privado pois mais vale pagar 90 euros a um privado do que pagar 120 pelo mesmo tratamento no público. Pela óptica da despesa, o Ministério (segundo as directivas que está a efectuar) agradece tamanha generosidade oferecida com concorrência de um novo hospital privado na cidade de coimbra pois põe 30 euros ao bolso e pode continuar a dizer à troika que a qualidade dos serviços estão estáveis com uma política de redução de despesas, que o mercado está mais flexível e mais oscilante para os privados, que a economia dos privados cresceu, e que pode ainda cortar mais no sector público porque as listas de espera estão a diminuir. É só este o argumento que me move para derrotar (refutar; rebater; reformular e todos os sinónimos que possam existir na língua de Camões e Cristiano Ronaldo) o seu.

    Interprete-me de forma sarcástica amigo Fachada. Não me interprete de forma ofensiva pois senão corre o risco de fazer fila para me dar uma malha de porrada como os tipos da gerência da Ideal Med, como os tipos do tascozeco que “bomba” na AAC e como alguns tipos que gerem alguns órgãos da AAC. Sabe Fachada, são quase 5 da manhã e eu para além de ser um acérrimo fã do Sporting Clube de Portugal, da Fiorentina, do Tottenham Hotspurs, do Atllético de Bilbao e dos Chicago Bulls, tive um dia muito feliz porque estou terrivelmente apaixonado. Isto das coisas do amor aniquilam qualquer das coisas da Internet. A moça é linda e boa pessoa e eu sou um rookie de 52ª pick do draft da NBA ao lado da all-star que ela é.

    Aliás, já passam das 5 da manhã. O mundo voa.

    Depois deste mundo de desanuvio pessoal para quebrar o gelo de alguma da descaradeza que possa ter escrito e que o possa ter ofendido (no argumento espero; nunca na honra senão teremos que nos bater à pistola a 15 passos ali prós lados do rio ceira) vamos ao que interessa novamente:

    “1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.”

    Vê caro amigo? Até o provedor corrobora o meu argumento. Onde é que está o deficit legal que menciona? Parece-me claro que o Sr. Provedor não menciona a dita lei de incompatibilidades como uma lei que seja inconstitucional ou anti-constitucional.

    Desmonto o dito artigo 18º da CRP:

    “Artigo 18.º
    Força jurídica

    1. Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas.

    2. A lei só pode restringir os direitos, liberdades e garantias nos casos expressamente previstos na Constituição, devendo as restrições limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente protegidos.

    3. As leis restritivas de direitos, liberdades e garantias têm de revestir carácter geral e abstracto e não podem ter efeito retroactivo nem diminuir a extensão e o alcance do conteúdo essencial dos preceitos constitucionais.”

    A lei suprema deste país é tão complexa, tão estupida e tão facilmente manipulável Fachada, que o Lou Reed era capaz de assumir o serviço de Estomatologia do HUC sem nunca ter cursado Medicina.

    Isto porque?

    O John Cale seria obviamente o primeiro a votar contra a entrada do Lou Reed na Ordem dos Médicos.
    Brincadeirinha. Sabe, eu vi o John Cale há uns meses no Teatro Aveirense e estendi-lhe uns CD´s dos Velvet Underground à frente e o cabrão não me assinou porque eram os álbuns onde o Lou Reed assinava a composição de todas as faixas.
    Avante Beira-Mar.

    “Assim, ao abrigo do artigo 6.º do regime jurídico da gestão hospitalar, aprovado pela Lei n.º 27/2002, de 8 de Novembro, e da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 233/2005, de 29 de Dezembro, entendo de transmitir as seguintes orientações e directrizes:
    1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos, ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.
    2 – Devem os conselhos de administração das Administrações Regionais de Saúde e instituições integradas no SNS proceder em conformidade e, em caso de dúvida, solicitar esclarecimentos à Secretaria-Geral do Ministério da Saúde.
    3 – Os órgãos referidos no número antecedente procedem à avaliação das situações actuais uniformizando-as com o presente despacho.”

    pode-se ler na página da ordem dos médicos. O parecer não é meu mas da jurista Paula Quadros.

    Desmontando com base na lei:

    artigo 6º do regime jurídico da gestão hospitalar

    Artigo 6.º
    Poderes do Estado
    1 – O Ministro da Saúde exerce em relação aos hospitais integrados na rede de
    prestação de cuidados de saúde e na parte das áreas e actividade, centros e
    serviços nela integrados, os seguintes poderes:
    a) Definir as normas e os critérios de actuação hospitalar;
    b) Fixar as directrizes a que devem obedecer os planos e programas de
    acção, bem como a avaliação da qualidade dos resultados obtidos nos
    cuidados prestados à população;
    c) Exigir todas as informações julgadas necessárias ao acompanhamento da
    actividade dos hospitais;
    d) Determinar auditorias e inspecções ao seu funcionamento, nos termos da
    legislação aplicável.
    2 – Os hospitais devem facultar ao Ministro da Saúde, sem prejuízo da
    prestação de outras informações legalmente exigíveis, os seguintes
    elementos, visando o seu acompanhamento e controlo:
    a) Os documentos oficiais de prestação de contas, conforme definido no Plano
    Oficial de Contas do Ministério da Saúde;
    b) Informação periódica de gestão sobre a actividade prestada e respectivos
    indicadores.

    aprovado pela lei:

    Artigo 6.º
    Superintendência
    1 – Compete ao Ministro da Saúde:
    a) Aprovar os objectivos e estratégias dos hospitais E. P. E.;
    b) Dar orientações, recomendações e directivas para prossecução das
    atribuições dos hospitais E. P. E., designadamente nos seus aspectos
    transversais e comuns;
    c) Definir normas de organização e de actuação hospitalar;
    d) Homologar os regulamentos internos dos hospitais E. P. E.;
    e) Exigir todas as informações julgadas necessárias ao acompanhamento da
    actividade dos hospitais E. P. E., bem como determinar auditorias e
    inspecções ao seu funcionamento.
    2 – O Ministro da Saúde pode delegar os poderes referidos no número anterior
    nos conselhos de administração das administrações regionais de saúde.

    Ocorre que a lei das incompatibilidades que está reforçada pela aprovação destes artigos pelo decreto-lei 233\2005 diz despacho 2896 da tutela (o Ministério da Saúde – órgão com competências legais para) afirma que:

    ““1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de
    saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de
    5 Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre
    considerado incompatível.”

    Perante os 5 casos acima citados (cruzar os links que coloquei do site da Ideal Med e do site dos HUC…

    Quid Iuris Rui Fachada?
    Xeque-mate?

    Não quero ser um embecilho para a sua alma, nem um Kasparov para o seu estudo do Direito.

    Como pode o governo não autorizar o quer que seja no SNS e na gestão hospital se é a própria lei que o legitima a executar nesse sentido aquilo que bem der na real gana do Ministro da Saúde?

    Vamos continuar porque tal e qual dizia o falecido Jorge Perestrelo, “é ripa na rapaqueca porque o meu povo gosta é de bola no cucuruto”.

    “1. O local adequado para averiguar as incompatibilidades em causa, é nos tribunais.”

    Tem toda a razão. Paga-me as custas judiciais? Se me pagar, eu vou direitinho ao Ministério Público na segunda-feira às 9 da manhã.”

    “Estes comentários partem de uma posição legítima de um bloguer, por acaso meu amigo, ou pelo menos conhecido, de quem gosto, mas assentam em vários erros.”

    Amigo, conhecido, como queira. Sempre que quiser ir beber um whiskyzinho comigo está à vontade pois como cantava o Rui Veloso ” podes vir a qualquer hora. cá estarei para te ouvir” – onde é que estão os erros Fachada? Especifique.

    “3. a) Referindo-me, como sempre, e apenas, me referi à IdealMed e não aos imensos casos que se verificam país fora, mantenho o que disse, precisando: está (aqui, especialmente no comentário do Sr. Galhães) por demonstrar qualquer promiscuidade entre o exercício da chefia pública e privada pela mesma pessoa. b) Não é da responsabilidade decisória desses senhores o encerramento de uma maternidade, a redução do número de camas. Talvez já o seja o encerramento da urgência do Hospital Geral, dos Covões, entre as 20 e as 8h. Esta decisão pode ser economicamente racional, mas não o é seguramente em termos humanos, pois aquela urgência é bem mais humana do que a dos HUC. As maternidades? Não sei. Não me parece é que tenha sido decisão destes senhores, aqui em causa. Não estaremos a misturar alhos com bugalhos? c) Não sei se o congresso em causa foi desviado do público para o privado. Não sei se isso tem algum custo para o público. Não sei se isso tem algum benefício para o privado. Não vi nada, além de alegações, sem qualquer documentação, por isso mesmo não me lhes referi.”

    Concordo parcialmente com este ponto acima transcrito. A responsabilidade do encerramento de unidades de saúde e serviços médicos pertence à tutela. No entanto, quanto à passagem do tal congresso do público para o privado creio que não há a dizer a mais do que aquilo que escrevi no post.

    Continua depois a bater pelas ofensas pessoais que a meu ver (como já lhe expliquei nesta barra de comentários) não foram escritas. Sabe uma coisa: um jurista de Coimbra com nome bem reputado na praça já chegou a “mandar um juiz para o caralho”. E sabe como se defendeu desse impropério danoso para a magistratura? Dizendo que ir para o caralho era ir (perspectivar) mais além do que aquilo que os comuns mortais perspectivam. Dou-lhe uma pista quanto a esse jurista de nome bem reputado na praça coimbrã: foi o mesmo que ainda agora apresentou um novo recurso em honra do deus-baco presidente do football club da solum da decisão do tribunal da relação em relação a crimes cometidos inclusive em sede camarária, precisamente e mais especificamente, no exercício de funções públicas.

    Vinho do Porto? não obrigado.

    “e não tenho dúvidas que desviar utentes do SNS para o privado, com benefício do privado e prejuízo do utente, abusando de um cargo público o é)”

    Fachada, vê como consegue vislumbrar os motivos obscuros que levam a que coordenadores de serviços do SNS tenham tanto interesse em passar para os privados?!

    “Parece-me é que isso é um pouco mais incómodo, e exige um pouco mais de coragem, do que escrever umas quantas coisas num blogue.”

    “Está em causa que alguém teve a infelicidade de escrever um artigo num blogue, apontando imoralidades, ilegalidades, incompatibilidades, de forma descontextualizada e atentatória do bom nome e da personalidade de algumas pessoas, e logo vêm umas quantas pessoas lançar lenha numa fogueira que, em nome do bom senso e da ética de quem é associado da WordPress.com, nem sequer deveria estar acesa”

    Para quem era amigo ou conhecido ou a porra-que-parte-a-loiça toda, parece que agora já sou (indirectamente) infeliz, imoral, ilegal, incompatível, descontextualizado, aleatório, difamador, ofensivo, rispido, Fernando Couto, Paul Gascoine diria até, da blogosfera.

    Para falar em fachada caro Fachada, aqui fica para as despedidas (porra, já são 6 da manhã; ainda bem que já é domingo) aqui fica o lamento de um fachada, de um Fachada brilhante que tanto me encanta:

    Confesso que a sonoridade de sintetizador inicial me deixa um pouco melancólico e me deixa imaginar o quão negro deveria ser viver em Estado Novo. A mais recente conjuntura em Portugal não é diferente dos momentos mais sufocantes do Estado Novo.

    Por isso é que me vou pisgar daqui para fora assim que tenha a oportunidade. Recordo-me de uma vez alguém me dizer numa oral algo como:

    ” se voi dispone de mezzi finanziari, ti mette a studiare per Parigi, Londra, New York. L´Italia e un paese molto bello ma il ricchi stanno lentamente annientarlo. Buon paese a muoversi verso la riforma.” (e riu-se)

    Se tiveres meios financeiros, mete-te mas é a estudar por Paris, Londres ou Nova Iorque. A Itália é um país belíssimo mas os ricos estão lentamente a aniquilá-lo. Continua a ser um bom país para se passar a reforma.

    Passo as palavras do professor Luigi Giovano e apenas mudo “Itália” e coloco Portugal.

    Isto porque o Bernardo assertivamente canta:

    ” Faz sinal ao galo vencedor
    Que esta dança é arriscada
    Vai pela crista não vás num bom cantor
    Que a cantiga está mal parada

    Portugal está para acabar
    É deixar o cabrão morrer
    Sem a pátria para cantar
    Sobra um mundo para viver
    Chegam flores do estrangeiro
    Já escolhemos o coveiro
    Por mim é para queimar
    Mas não quero exagerar

    Não à glória nacional
    Não à força não letal
    Já não canto sobre amores
    Nem me perco no recheio
    É que em terra de amadores
    Basta ter o pau a meio

    Eu não sei português
    E que se foda Portugal
    Eu canto em fachadês
    A minha língua paternal

    Impotência cultural
    Nem que fossem 100 Lisboas
    Cidadão é animal
    E eu faço isto é para pessoas

    Estou farto de ser fraco
    Vou lutar pela desordenação
    É hora do boicote
    Já não chega a abstenção
    Chegar ali tem que doer
    Tamanha a piça do poder
    Comer no rabo de meninas
    Nos herbívoros é que estão as vitaminas

    Faz sinal ao galo vencedor
    Que esta dança é arriscada
    Vai pela crista não vás num bom cantor
    Que a cantiga está mal parada

    Eu não sei português
    E que se foda Portugal
    Eu canto em fachadês
    A minha língua paternal

    Partiste a cama
    Gostas mais do chão
    Se não fosse amor
    Ninguém diria que é paixão
    Dormir a meias
    Já faz parte de acordar
    Coisas feiras não vais ter que as procurar
    Passo a tarde no piano
    A trabalhar o desengano
    A estrofe avança o refrão é para rezar
    Que tu é que és a deusa deste lar

    Faz sinal ao galo vencedor
    Que esta dança é arriscada
    Vai pela crista não vás num bom cantor
    Que a cantiga está mal parada

    Portugal vai rebentar
    É deixar o cabrão sofrer
    Sem a pátria para queimar
    Há mais tempo para viver
    Chegam flores entre as estrangeiras
    Mas 3 tristes parideiras
    Que venham cá curtir
    Já que não há nada para partir

    Não à força nacional
    Não à glória não letal
    Já não há cú para doutores
    Que o pau fica-me sempre a meio
    Que em terra de amadores
    Basta ter algum paleio

    Eu não sou português
    E que se foda Portugal
    Eu canto em fachadês
    A minha língua paternal

    Traz no colo uma missão
    Fiz a cama dos teus pais
    Passo a boca
    Tiro a roupa
    Nunca quis saber demais
    Dás-me o outro lado
    Para não estragares o penteado
    Eu estou sossegado
    Ninguém quer mais que ser um pai babado
    Ninguém quer mais que ser um pai babado”

    Obrigado pela vossa atenção.

    João Branco

    • Rui Fachada diz:

      Porra, João!

      São quase 8h da matina e eu continuo aqui a alimentar o teu desvario.
      Uma vez mais passo a transcrever-TE:

      “” O Despacho nº 289/06 do Ministro da Saúde, datado de 5 de Dezembro de 2006 determina:

      “1 – O exercício efectivo de funções de coordenação e direcção, independentemente da sua natureza e forma jurídica, em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais pertencentes a instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sujeitos ou não, ao regime da administração pública, deve ser sempre considerado incompatível.”

      Continuo a transcrever-TE:

      ” Provedor de Justiça dá razão à Ordem na questão das incompatibilidades

      O Provedor de Justiça recomenda ao Ministro da Saúde que altere o teor dos despachos sobre incompatibilidades, que visavam impedir a generalidade dos médicos do SNS de desempenharem funções de coordenação e direcção em serviços de saúde privados.”

      Com todo o respeito, e com os meus parabéns por estares apaixonado (sem qualquer sarcasmo, que, aliás, nunca usei neste monte de comentários), não respondo mais. A tua argumentação, desdizendo-te, insistindo no mesmo erro, ou nos mesmos vários erros poderia levar-me a perder o respeito e consideração que tenho por ti, e eu não quero isso! Até porque já me atribuis intenções obscenas, como “propaganda”.

      Um abraço, João!

      PS: Apesar do horror das imagens, gostei do post do Torres (creio ser esse o nome), jogador de futebol de praia.

      • Rui Fachada diz:

        PS, 2: Estava-me a esquecer disto: quando vemos uma coisa, temos que saber aquilo que vemos. Os hospitais contratualizados, para onde nos leva aquele link do teu post, são Unidades SPA e Unidades EPE, do SNS. Claro que a IdealMed não poderia estar lá, pois não é do SNS, nem é contratualizada.
        Faltou-te ver o link das convenções, onde, aí sim, poderia (digo poderia, pois não pode) estar a IdealMed. Na vez da IdealMed, estão lá os vários prestadores que asseguram os serviços da IdealMed. Se quiseres saber como esses esquemas funcionam, procura ver se conheces alguém no Hospital de São Francisco, em Leiria. É um hospital privado, que funciona em termos que não devem diferir muito dos da IdealMed, e fá-lo há longos anos (quase do tempo da outra senhora).

        • Rui Fachada diz:

          PS, 3; Era para não comentar, mas deixar-te na presunção de que sabes mesmo do que estás a falar seria não ser teu amigo. Por isso, tenho que fazer mais este comentário: sabes muito pouco sobre a IdealMed. Ou, dizendo de outra forma, o que sabes sobre a IdealMed (e sobre a IdealTower), é muitooooooooo pouco, comparado com aquilo que não sabes. 😉

          • Rui Fachada diz:

            PS, 4: Desta prometo que me vou. Segui o teu link até à notícia do congresso realizado na IdealMed, e vê só com o que me deparo:

            “Decorreu nos dias 7, 8 e 9 de Junho na Unidade Hospitalar de Coimbra da Idealmed o encontro Internacional de Gerontopsiquiatria de Coimbra, numa iniciativa organizada pela Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria, da Psiquiatria Biológica e cérbero e mente.”

            Sabes, porventura, o que é a Associação Portuguesa de Gerontopsiquiatria, da Psiquiatria Biológica e cérebro e mente?

            Eu sabia que não devia ter perdido tanto tempo nesta coisa. Eu sabia!…

            http://apgerontopsiquiatria.com/pt/apg/estatutos/

            Passo a transcrever parte dos estatutos, que podem ser integralmente consultados no url supra:

            Artigo 2º
            A Associação é de carácter científico e cultural, não tem fins lucrativos e constitui-se por tempo indeterminado.
            Artigo 3º
            A Associação tem por objectivo o estudo e promoção de todos os aspectos relacionados com a Gerontopsiquiatria nomeadamente:
            Proporcionar aos seus associados meios para debater a problemática das perturbações do foro Psiquiátrico relacionadas com o envelhecimento, e a forma como estas afectam a Saúde Pública; Promover a investigação científica e divulgar os conhecimentos nesta área; Encorajar a melhoria da qualidade de cuidados médicos a prestar às pessoas que sofrem destes problemas.

            A Associação pugnará por ser ouvida na planificação dos problemas de Higiene e Saúde Mental, no âmbito dos seus objectivos, bem como no de formação pré e pós graduada dos técnicos desta área.

            No more comments!

        • Não, aquele link é o link que corresponde aos licenciamentos de hospitais permitidos pela ARS\Centro para a região centro. Está equivocado, Rui Fachada.

          • Rui Fachada diz:

            Eu sou humilde o suficiente para reconhecer quando estou equivocado. Por favor, João, corrige, fundamentadamente, o meu equívoco, e diz-me: a que grupo de hospitais (licenciados, segundo dizes) pertenceria a IdealMed? Aos do Sector Público Administrativo (SPA)? Às Entifdades Públicas Empresariais (EPE)? Ou aos do Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP)?
            Ou o link, no teu computador, leva a destino diferente do meu?
            Eu adoraria abandonar esta dúvida.

            • Rui Fachada diz:

              “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”. Bukowski.

  10. mjr diz:

    Um grande hospital sim senhora cujo o objectivo é principalmente lucrativo!

    “Contratou” enfermeiros a recibos verdes a 40h semamais com menos de 3 anos de experiencia a 6,5Euros/h.

    Para alem do pagamento de ser uma ofença ao exercicio desta função, nao deixa de ser completamente descabido um hospital arrancar com profissionais a recibo verde e com pouco tempo de experiencia profissional.

  11. Luís Faria diz:

    Parabéns ao João Branco pela magnífica investigação que fez. Teve a coragem de abordar um tema no qual os jornalistas de Coimbra, sempre tão politicamente correctos, não tiveram a coragem de mexer! O que se está a passar nas barbas de toda a gente e com o silêncio cúmplice de muitos é vergonhoso. A legislação sobre o regime de incompatibilidades é muito clara! Deveria era ser aplicada! Este é, como todos sabemos, um dos maiores problemas neste país: há muitas leis e muito boas, mas não são aplicadas! E há grupos profissionais que continuam a gozar de uma certa impunidade em relação a certas leis. Esta promiscuidade muito pouco transparente entre o público e o privado tem de acabar rapidamente. A bem do SNS e do próprio sistema privado de saúde. Haja entre os dois sistemas uma concorrência leal e transparente! A bem do todos os portugueses.

    • Obrigado caro Luis Faria. No entanto, cumpre-me dizer-lhe que ainda existem pessoas sem ética neste canto e que tão pouco são capazes de lutar por aquilo que ainda é nosso (do povo): O Sistema Nacional de Saúde.

  12. Maria do Amparo diz:

    Exmos bloguistas,

    Saúdo-vos por este fórum de debate e crítica.

    Deixo aqui a minha opinião de Conimbricense, por quem o tempo já deixou marcas, mas que vive esta Cidade intensamente.

    Em primeiro lugar, abracemos as iniciativas dinamizadoras da Cidade com carinho.O que tantos grupos de saúde tentaram, alguns jovens conseguiram: reunir debaixo de um mesmo tecto estruturas bem conceituadas na prestação de cuidados de saúde. E conseguiram-no sem ter de recorrer a Clínicos de fora da Cidade, sem duplicarem a oferta de saúde, com grandes vantagens para aqueles que, necessitando de serviços médicos, deambulam pela Cidade em carros de praça e táxis, tendo de trazer o seu pequeno-almoço na mala, perdendo horas a fio de um lado para o outro, de sala de espera em sala de espera. Será que o bem-estar de um doente não merecia, de todos, comentários mais abonatórios?

    Em segundo lugar, é uma estrutura moderna, eficiente, com estacionamento, bons acessos, limpa, acolhedora, com funcionárias simpáticas, prestáveis, que orientam os doentes e lhes dão todo o seu carinho. Será que também isto não merece uma palavra de apreço e reconhecimento?

    Em terceiro lugar, é um gerador de emprego na Cidade. Comentam alguns que os salários e as condições não são as melhores. Seja, mas concedamos o benefício da dúvida: não se pode exigir a uma nóvel estrutura que comece, de imediato, com contratações e condições fantásticas. Manda a prudência dos tempos que correm ser-se ponderado, cuidadoso, previdente. Mas, ao que sei, não serão melhores que nas outras clínicas da Cidade e arredores?

    Em quarto lugar, parece-me muito bem apetrechada. Tive a honra de a poder visitar, e verifiquei as condições, o ambiente, os equipamentos, os quartos. E vi Cuidados Especiais, onde vi quartos de Cuidados Intensivos e de Neonatologia. Será que as outras estruturas da Cidade também as têm?

    Em quinto lugar, destaco que toda esta obra foi feita sem alaridos, sem protagonismos, numa toada tranquila e serena. Não se anunciou nada: de repente, estava feito… Outros houve que anunciaram Hospitais, Clínicas, num carnaval mediático inusitado: onde estão essas obras?

    Por último, a questão da abertura e a coincidência com o fecho da Urgência nocturna dos Covões. Soube que, pela inusitada vontade das estruturas médicas da Cidade em abraçar este projecto, este sofreu mais de 20 alterações, que ditaram o atraso na sua abertura de Novembro de 2011 para Maio de 2012. Se tivesse sido inaugurado nessa altura, como previsto, quais seriam os temas de conversa? A cor do edifício? A localização?…

    Sejamos Conimbricenses e não Coimbrinhas!

    Apoiemos quem tem dinamismo, quem não teme levar a cabo projectos de valor para a Cidade, reconhecidamente bons, com mais-valias para todos!
    Ajudemos quem quer que os nossos filhos continuem a encontrar trabalho em Coimbra!
    Apoiemos quem pode fazer com que Coimbra se assuma como um verdadeiro baluarte da boa medicina!
    Olhemos todos para a Idealmed como um exemplo e façamos, sem receio, mais e melhor!

  13. João Dias diz:

    Concordo com muitos dos comentários aqui apresentados. Obviamente que é uma iniciativa de louvar. Agora devemos pensar que à mulher de césar não basta ser séria, tem de parecer. De facto, trata-se de mais um desrespeito a uma lei, que nunca foi cumprida por quase ninguém no país. Agora não podemos ficar pela dimensão legal (honestamente é a que menos me interessa). Há toda uma situação ética e deontológica criada. Mesmo que as pessoas sejam sérias, ficam numa situação muito delicada. Estando em profunda mudança no SNS, todas as decisões que tomam, têm um grau de suspeição diferente. Não pude ficar indiferente ao seguinte comentário que demonstra que não se trata apenas de trabalhar dos dois lados, como acontecia, não se trata de uma situação potencial instalada, trata-se de abuso declarado. Pelo menos eu não tenho memória de nenhuma destas coisas tenha acontecido noutras privadas de Coimbra… Defender a cidade é, de facto, defender o seu maior activo, o Hospital, de ser pilhado por gente gananciosa.

    “Então o encontro internacional promovido pela Unidade de Gerontopsiquiatria dos CHUC (Hospital Público) irá realizar-se no UHC (Hospital Privado da IdealMed)? Se mentes mais ingénuas poderiam pensar que ser coordenador regional da ARS, chefe ou director de serviço dos HUC (público), não entraria em conflito claro de interesses ao desempenhar funções de gestão num hospital privado (UHC-IdealMed) recém criado, com esta notícia ficaram definitavamente esclarecidas…

    1. Como é que um serviço do CHUC(Público) organiza um encontro internacional num recém inaugurado hospital privado que nem sequer está licenciado? Não terá o CHUC, um dos maiores centros do país, condições para receber um encontro desta natureza? Ou estarão desde já, promiscuamente, a tentar credibilizar a clínica privada? O director do CHUC autorizou tudo isto? Relembro que este tipo de encontros, além de prestigio, trazem muito dinheiro da indústria farmacêutica que já está a ser desviado do público para o privado pelos mesmos intervenientes responsáveis pela gestão dos dois lados.

    2. A empresa privada IdealMed escolheu a sigla UHC (Unidade Hospitalar de Coimbra) demonstrando claramente as suas intenções. Estranho porém o silêncio do governo e do CHUC ao não defenderem a marca “HUC”. A confusão fonética é clara.

    3. Haverá directores/chefes/coordenadores de serviço do hospital público ou coordenadores regionais da ARS a desempenhar funções de chefia no hospital privado? (ver lei das incompatibilidades, já para não falar no compromisso ético que já redundou em tamanho escândalo) Como conseguem estes técnicos estar nos dois lados ao mesmo tempo? Haverá isenção nas decisões que tomam? A resposta é NÃO!

    4. Estranho o silêncio da ordem dos médicos que, perante tudo isto, ainda dá apoio ciêntifico a este encontro. Será isto verdade ou terão apenas dado o reconhecimento a dito acontecimento? (ver programa divulgado pela IdealMed)

    5. Como é que querem participar no SIGIC para colmatar as listas de espera em cirurgia como forma de financiamento do hospital privado quando as mesmas pessoas que não têm tempo para as fazer no público, já têm tempo para as fazer no privado. Garantir a viabilidade financeira do privado com a disfunção do público…

    6. Estranho que os mesmos intervenientes da FMUC que nunca se precuparam com o descalabro que foi o aumento dos números clausos de entrada, agora estejam oportunamente precupados com a qualidade de ensino, afirmando que a solução terá de passar por um consórcio de ensino em estabelecimentos privados. Curioso, no mínimo.

    7. Como é que tudo isto acontece num hospital que nem sequer ainda está licenciado pela ARS?”

  14. Atento diz:

    Depois de ler tão “ilustres” comentários, muitos da responsabilidade das “maiores” individualidades da cidade, responsáveis pelo estado parético de desenvolvimento da cidade de Coimbra, que vive e persegue há longos anos um trilho de doença e de atrofia que a conduzem à morte lenta, deixem-me atirar mais uma acha para a fogueira: a enfermeira responsável pela Ideal Med, também tem muitas responsabilidades de gestão nos HUC, ou seja a tal relação de interesses HUC/UHC, também está patente ao nível da enfermagem, onde também muita coisa acontece. para quem não sabe, chama-se Alice Pais, e é também enfermeira-chefe do bloco operatório central dos HUC. É ela que manda e dispõe numa a´rea tão imprtante como enfermeiros e recursos materiais.
    Bem-haja ao excelente trabalho do autor do artigo. Mesmo que não seja perfeito, pois no meio de tanta ilegalidade e atropelo aos interesses do estado, é impossível ter o dom da perfeição no meio de tanto lixo.

  15. Rui Fachada diz:

    Presunção e água benta, cada um toma a que quer!
    A começar por ti, João Branco.

  16. José Carlos Alves diz:

    “i agora” Sr. João Branco e Sr. Fernando Moura? A montanha pariu um rato?

    Tal como me parecia evidente o trabalho por Vós realizado é redutor, característico de quem apenas crítica por sensacionalismo ou por pura necessidade de mediatismo. E Coimbra? Onde fica a real defesa dos interesses das pessoas, da Cidade e da região?

    Sabemos agora de fonte oficial que não existe qualquer incompatibilidade profissional na Idealmed e que esta nunca exerceu qualquer actividade não licenciada.

    Sabemos agora que um, sim um, profissional solicitou ao Conselho de Administração do CHUC uma avaliação prévia à sua condição para poder exercer serviços na privada.

    Sabemos agora que a Idealmed esclareceu de forma cabal toda a Comunicação Social, informando que não tem nem nunca teve um único contrato de trabalho celebrado com um único Médico, uma vez que à semelhança de qualquer clínica, policlínica ou mesmo consultório médico, uma vez que os médicos exercem naquele espaço a sua actividade clínica de forma livre e sob a forma de prestação de serviços.

    Sabemos agora que a Administração da Idealmed apenas comentou a notícia por esta ter sido veiculada por um Grupo Parlamentar, que tem enormes responsabilidades junto da comunidade, e que não teve qualquer cuidado em validar a veracidade das suas fontes.

    Sabemos agora que alguém que teve grande relevância na Direcção Política desse mesmo Partido Político tem grandes interesses na saúde privada da região.

    Coimbra agradece o Vosso pedido de desculpa,em nome do desenvolvimento, do emprego e da elevação da própria Cidade.

    Atentamente,

    José Carlos Alves

  17. just a sns user diz:

    Legal e ético são coisas diferentes.

    Acho que é factual e indiscutível que há leis mal feitas, facilmente contornáveis, que permitem situações anómalas caírem na legalidade. Pessoalmente considero que um dos recentes exemplos de leis idiotas é a do crime continuado, que pareceu feita à medida do processo casa pia, mas voltando ao assunto aqui em questão:

    Dois factos independentes de legalidade e ética:
    1 – Estando um profissional num regime de prestação de serviços (quer a uma unidade pública ou privada), a remuneração que o médico auferirá será proporcional ao seu volume de actividade.

    2 – Caso SNS consiga dar respostas de qualidade e em tempo útil a todas as solicitações que tem, a actividade nos prestadores privados será reduzida (doentes estrangeiros)

    Se não estou errado (e confesso que nunca estudei adequadamente o assunto), devido a restrições financeiras o SNS tem limites nos orçamentos que transfere para cada Hospital.

    Por este motivo, se os médicos quiserem ver mais doentes depois de um certo limiar, são forçado a fazê-lo em probono (o Hospital não tem verbas para pagar ao Serviço/Médico, porque o SNS também não irá pagar mais ao Hospital por esta produção extra não definida do contrato programa).

    Isto leva-nos a uma situação aceitável em que estes profissionais, após fazerem o seu melhor no SNS (este ponto não é factual, muitos farão o seu melhor, e como em todas as profissões, outros nem por isso), possam continuar a servir as populações, mas neste caso os que possam pagar pelos seus serviços no privado.

    O que é mais difícil de aceitar é que elementos com funções de coordenação, e cujo resultado das suas decisões e políticas influencia significativamente a capacidade da resposta da unidade, possam ser exercer actividade em conflito de interesse, sejam com contrato com a unidade ou em regime de prestações de serviço.

    Mas antes de atirarem todas as pedras, a querer que algo deste género seja efectivamente incompatibilizado, é preciso permitir que estes profissionais possam ser produtivos e remunerados no SNS, sob pena de nenhum querer assumir funções de direcção e coordenação dos serviços.

    No meio desta problemática complexa e nebulosa, tem de imperar o bom senso.

    Pessoalmente, sou da opinião que desde que a qualidade e produtividade dos médicos sem funções de chefia no SNS seja adequadamente avaliada e auditada (com esta auditabilidade a garantir que o serviço público não é usado para angariar clientes para o privado), tal como noutras profissões, estes poderão perfeitamente usar o seu tempo livre para prestar serviços directamente ao cliente final.

    Médicos com funções de coordenação, não o devem fazer (tal como a lei tenta regular).
    Temos é todos de estar conscientes que os médicos mais diferenciados têm um histórico de actividade no privado, e lidar com isto de um modo leviano tem o risco de afastar estes profissionais dos lugares de decisão (ficam as direcções de serviço para os recém-especialistas?).

    • Nota diz:

      não há limiar de productividade nenhum. Grosso modo os médicos no hospital não trabalham por objectivos. Se assim fosse os índices de produtividade não eram tão baixos. Convido as pessoas aqui presentes a irem ao site dos HUC e lerem o relatório de actividades. Há serviços que têm um numero de primeiras consultas por médico inferior a uma consulta/dia ou perto disso. Há serviços com médias de quase 1 médico para cada meia duzia de camas… dá que pensar..

  18. Fonseca Galhães diz:

    Há aqui gente muito desonesta!! No site da IdealMed retiraram os lugares de chefia de todas as pessoas mencionadas neste blogue. De chefes a assalariados num dia. A explicação cabal foi de que essas pessoas não ocupavam cargos de chefia no hospital privado (LER DN). LOL Contornar a questão até que as pessoas se esquecam. Estas pessoas envolvidas não tinham autorização prévia do conselho de administração.

  19. Joao Carvalho diz:

    É por alguns comentários que são postados aqui, e pelas mentes brilhantes e bem falantes de alguns iluminados “supostamente” desta cidade, que Coimbra tem vindo a perder a importância no panorama nacional.
    Trabalho no serviço público com motivação e agrado, em exclusividade, e sem interesses e receitas de qualquer outra via. Se tivesse a oportunidade de trabalhar noutra instituição, publica ou privada (cumulativamente), não a perderia seguramente, desde que regesse sempre o meu trabalho pela integridade pessoal e profissional, e em prol do bem comum.
    É triste que um investimento destes na nossa cidade traga tanta angustia, desespero e, muito provavelmente, frustração a tanta gente.
    Felizmente, há ainda pessoas da região, mesmo que emigrantes (que não de Penacova!!) interessados em investir nesta cidade e região…. Seja na saúde, vinhos ou muitas outras actividades.
    Nasci em Coimbra, estudei em Coimbra, trabalho em Coimbra, curiosamente, na saúde em Coimbra, mas não sou medico….
    Coimbra, uma cidade de serviços públicos, que impõe restrições, permanentes, aos privados que trazem emprego/trabalho à população.
    A IDEALMED (que não era IDEALMED), que nasceu de um conjunto de pessoas, maioritariamente de Coimbra, com interesse em fazer alguma coisa nova mas que, aproveitando o surgimento de um grande investidor, vendeu a ideia para a tornar ainda maior e mais ambiciosa.
    Emprega quantas pessoas a tempo inteiro? 500? 400? 300? 200? 100? 50?
    E se forem só 30? São menos 30 que vão para fora da cidade, da região, do país….
    Espero, como Conimbricense, e não como Coimbrinha, que tenha sucesso, como espero que tenha sucesso a clínica de Montes Claros, a nova ao lado do HP (que não sei o nome, perdoem-me), o Centro Cirúrgico….
    Repararam, certamente, que me esqueci de referir a grande instituição que é a SANFIL… que não foi por acaso…. Essa sim com interesses públicos e, sobretudo, com muito dinheiro publico.
    Mais…. Para quê esta instituição empregar tantas pessoas se não lhes pagam???? Alguém sabe o porquê da rotatividade de profissionais da dita instituição? Eu respondo! Falta de condições, mas, sobretudo, por falta de pagamento! Alguém sabe onde são os serviços financeiros? Na data de hoje???? Porque amanha já será noutro local! E se sabem, conseguem obter resposta do outro lado da campainha???
    Não tenho, sinceramente, nada contra esta instituição que refiro, mas apenas como muito dos colegas de comentários, interesso-me pelos dinheiros públicos. Se pagamos a esta instituição para fazer o que o publico não consegue, sejam lá os motivos (que, por vezes não são do interesse publico, infelizmente), porque não a instituição investir em melhores condições logísticas, em empregar e pagar a funcionários? Dar, assim, mais emprego/trabalho à cidade.
    Um investimento como a IDEALMED tem, obviamente, expectativa no retorno do investimento! Claro! E??????
    Se for para tratar mal os doentes, claro que todos seremos contra! Quem vai, que eu saiba, não vai obrigado, ou vai?
    Felizmente, principalmente nesta cidade, temos muito por onde escolher, quer publico quer privado.
    Este investimento já vem de há muito tempo, e agora colam-se ao fecho da urgência dos covões??? A urgência dos covões está condenada desde que no dia 17 de Outubro de 2010 se anunciou a fusão, diria mais anexação, do CHC, CHPC e HUC.
    Com tantas mentes brilhantes aqui, que escrevem tão bem português, por que não investir mais na reabertura das urgências? E saber quais os verdadeiros motivos do fecho da urgência? Essa sim, preocupante….
    Um dos “grandes” da instituição referida anteriormente é deputado, por Coimbra, na Assembleia… que ficou agradado com os esclarecimentos sobre o fecho da urgência dos covões. Sendo da “concorrência”, e com a azia que andam, poderia ter movido, ainda mais, fundos e mundos para o “não fecho” das urgências dos covões, e ainda na fase de construção da nova UHC, ter impedido a mesma.
    Este espírito coimbrinha entristece-me…. Sobretudo por questões pessoais.
    Congratulo-me por a Joana, o Francisco, a Maria, a Patricia, o Nuno, o Miguel, e tantos outros trabalharem, a tempo inteiro, e receberem, numa instituição. Congratulo-me por darem emprego aos Srs Enfermeiros, mesmo ao preço que referem. Pelo menos têm trabalho, ou será que querem emprego? Se não estiverem satisfeitos, podem ir para Hong Kong (que procuram muitos enfermeiros), ou até para Inglaterra, que lá até já podem fazer partos… (meu deus, ao ponto que a saúde chegou… infelizmente no publico….) insurjam-se também contra isto amigos? Então? Onde está a preocupação do interesse publico? Da Saúde Publica????
    Voltando à questão do interesse público, levar clientes do hospital para o privado????
    Isto é falta de ética… sim, é verdade! Quantos consultórios estão abertos cá em Coimbra??? E de pessoas que trabalham no hospital? Será que estes por não serem coordenadores de coisa alguma, são mais éticos e não podem levar os utentes do publico para o privado??
    Ah ok, já sei qual é o problema…. “é que os srs Dr.s da IDEALMED, de Montes Claros, do Centro Cirúrgico, são menos éticos dos que os outros dos consultórios”….
    Aliás, congratulo-me por muitos dos médicos destas clínicas serem directores, coordenadores, etc, pois, por norma, vêem menos doentes porque têm outro trabalho de gestão a fazer, e desta forma menos sujeitos a levar doentes do publico para o privado.
    E mais, como estas clínicas de maior dimensão “têm menos recursos, menos condições logísticas, piores profissionais”, já se coloca o problema ético….
    Felizmente, há o registo biométrico que, de alguma forma, controla a assiduidade dos profissionais….
    Claro que agora vão dizer, e achas que todos cumprem??? Que não vão lá meter o dedo mais tarde???? Eu respondo, falta de ética, de profissionalismo e tudo o mais,… mas claro, uma vez mais isto só acontece com os sr.s drs da IDEALMED.
    Claro que aqueles que dizem aos internos, “agora asseguras-me a urgência que vou ver a minha briosa (que sou fã incondicional em casa e fora), ou vou fazer umas compras, ou que…. Espantem-se, vou dar consultas ao meu consultório…. Mas claro, estes serão certamente os Srs Dr.s da IDEALMED.
    Tanta Lei em Portugal para não se cumprir, de tanta gente, de tantos sectores…. O melhor advogado não é aquele que melhor defende os casos, mas sim aquele que consegue perceber as lacunas da lei para a contornar.
    Agora, certamente me dirão, vá, dê nomes que eu combato toda a gente…. Eu denuncio, eu isto e aquilo, sou tão bondoso e sem mais interesse que coloco em tribunal toda esta gente…. Da IDEALMED, mal feitora… Corruptos, assassinos….
    Então esse Dr. Firmino deve ser o maior aldrabão da cidade, o pior profissional e eticamente o mais condenável…. Se me disserem que quer trabalhar é para ganhar ainda mais dinheiro??? Ok, e??? Paga os impostos??? Passa recibo?? Cumpre, com QUALIDADE, o serviço no hospital publico??? Ah bom, então fico mais descansado….
    Já agora, a IDEALMED já entrou em funcionamento sem autorização???? Tem graça, e eu que, em conversa com amigos, me disseram que queriam fazer uma cirurgia aos olhos, que gostariam de ter o parto na UHC…. E que a IDEALMED informou que ainda não estava a fazer este tipo de trabalhos, bem com o serviço de atendimento permanente, por estar a aguardar autorização… “Estes gajos da IDEALMED são mesmo uns imbecis…. Com um investimento tão grande, e tao mau para Coimbra, com condições péssimas, com péssimos médicos, todos eticamente incorrectos, e todos “fugidores” da lei, não fazem estes serviços enquanto aguardam autorização…”
    Até porque seria engraçado, falar durante um mês, postar centenas de comentários, se calhar em horário laboral (aqui já não há nenhum problema ético, apenas respondem numa pausa de trabalho), sobre o tema IDEALMED, Horácio Firmino, etc…
    Para os que ainda tiveram paciência para chegar ao fim deste comentário, agradeço a todos os Srs. Carlos Dias, Travassos, Murta, Pimentel, Rabaça,…., e aos seus colaboradores, o investimento feito na região, e mais propriamente, na minha cidade de Coimbra. Agradeço por terem dado oportunidade a mais de 500 pessoas, de terem um trabalho/emprego a tempo inteiro. Agradeço a qualidade acrescentada à saúde, mesmo que privada (“espero que não obriguem ninguém a ir à UHC”)…
    A todos os verdadeiros Conimbricenses, um bem haja, e que os Coimbrinhas deixem de tricas, invejas e de fazer malhas, e invistam nesta cidade e digam bem desta cidade e dos seus habitantes.

  20. Zé Povinho diz:

    “Muita parra e pouca uva” !… mais palavriado do que este só na Assembleia da República, ou nos Tribunais !!!…

  21. José Carlos Alves diz:

    Retirado da página do FB da Sanfil:
    “A SANFIL tem ao dispor dos seus utentes uma equipa técnica de excelência a trabalhar nas mais diversas especialidades ….

    Em parceria com os nossos médicos foram criados …
    – Centro de Patologia da Coluna de Coimbra
    – Centro de Cirurgia Articular e Artroscópica
    – Centro de Urologia de Coimbra
    – Clínica da Mama
    – Academia de Cirurgia Plástica
    – Centro de Microcirurgia
    – Centro de Obesidade Mórbida”

    Fantástico. São TODOS médicos com contrato com SNS e não se ouve ninguém dizer nada. Basta pesquisar no site http://www.sanfil.pt. Bem, e aqui alguns até são sócios e directores de serviço, logo pessoas “sem interesse na coisa”.

    Então são só os outros, os da Idealmed.

    Vai mais um exemplo.

    Retirado da página http://www.ccci.pt (Centro Cirúrgico):

    Fiquemos só pela de Equipa de Oftalmologia:

    Carvalheira, Dr. Fausto Augusto Figueiredo
    Faria, Dr. Ilídio Fernandes
    Faria, Dr. Pedro
    Faria, Dr. Ricardo
    Leite, Prof. Doutor Eugénio Óscar Luís Batista
    Murta, Prof. Doutor Joaquim Carlos Neto
    Pires, Dra. Isabel
    Proença, Prof. Doutor Rui Daniel Mateus B.
    Quadrado, Dra. Maria João Capelo
    Regadas, Dra. Isaura Carmo Ferraz
    Rosa, Dra. Andreia Martins
    Silva, Dr. Mário Jorge Figueiredo
    Silva, Prof Doutor Rufino
    Silva, Prof. Doutor Eduardo José Gil Duarte

    Então? Não. Afinal aqui também. Ohhh. Estou surpreso. E ninguém sabia? Que malandrice.
    Olha. Um até o Director da FMUC e Director de Serviço. Não. Só pode ser um primo parecido com o mesmo nome.

    Os senhores dos blogues ou estão a ser pagos ou acordaram agora cheios de vontade de fazer justiça (ou injustiça)?

    E o Bloco de Esquerda? Essa fantástica força de modernidade e de soluções para o País? Também só agora percebeu que afinal todos os privados se regem pelos mesmos princípios.

    Ai Coimbra, Coimbra. Não acabes com as quintas e os interesses instalados ou acabas mal. Deixe-se trabalhar quem quer trabalhar.

    • Joao Carvalho diz:

      Os srs do BE agora ficaram mais tristes… Pensavam que iam por justiça com a extrema esquerda na grecia, e que agora iam mudar o mundo, nem que fosse à força, como foram sempre habituados…

  22. ASP diz:

    Caros “bloguistas”,

    Gostaria de começar por me apresentar. Nasci em Coimbra (entendam como quiserem, conimbrincense, coimbrinha, enfim não entro nessa discussão patética) e sou uma estudante de medicina na FMUC.

    Entre tudo o que foi apresentado acho que se está a levantar, propositadamente, uma cortina de fumo para fugir ao essencial, tentando vitimizar aqueles que de ingénuos não têm nada. A minha prespectiva é meramente constructiva como uma jovem que vê tudo isto de uma forma apreensiva mas crítica.

    Não tenho nada contra o trabalho no privado nem tão pouco contra nenhuma instituição em particular, muito pelo contrário. Fico muito contente por haver gente a investir em Coimbra.

    Há que reconhecer que nalguns pontos o João Branco tocou na ferida da classe médica embora tenha pecado por defeito. São situações que infelizmente se generalizaram, banalizaram mas não são correctas apenas por serem frequentes.

    A ferida está no ponto: Público / Privado, há ou não conflito?

    Esta questão já foi inumeras vezes abordada pela ordem dos médicos (OM) e por intervenientes de vários governos. Não é tão linear como possa parecer. Inclusivamente o regime de exclusividade não passou de uma tentativa falhada de separar águas entre público e privado. Há de facto um lobbie grande por parte dos médicos em manter esta liberdade/libertinagem. O governo optou por uma solução de compromisso para tentar manter profissionais supostamente mais qualificados a trabalhar no público, sem que deste trabalho incorra prejuíjo para o público. Esta realidade mudou. Há jovens especialistas que estão anos-luz desses supostos peritos… É do entendimento geral que para trabalhar no público e no privado devem ser respeitadas pelo menos algumas premissas, tentando manter uma concorrência leal e justa, o que não está a acontecer em coimbra (há algum tempo):

    -não deve haver incompatibilidade de horários
    -dimensão do serviço privado – trabalho concorrencial
    -não se deve ocupar cargos com responsabilidade de gestão quer seja coordenação, chefia ou direcção de serviço.

    Quanto à incompatibilidade de horários supostamente o trabalho deve ser separado de pelo menos uma hora. Trabalhando 35 horas semanais, mais 5 horas (uma por dia), quanto tempo sobra para o privado? Mesmo que não sejam estas as horas contractualizadas, façam as contas… Até é possível, há quem o faça, mas não é muito rentável. Convido todos os leitores a passarem pelo hospital depois das 3 horas da tarde. Inclusivamente eu por vezes tenho dificuldade em entregar trabalhos a professores porque estes não têm qualquer tipo de prurido em dizer que não estão a tarde no hospital. Por vezes nem as secretárias clínicas. Não estou a falar de casos de pessoas contratadas a tempo parcial, estou a falar de profissionais a tempo completo que, se for preciso, ainda teem o descoco de ir ao fim da tarde ao hospital picar o ponto para sair, como se tivessem lá passado o dia inteiro. Não digo que esta prática é norma, nem tão pouco que todos os que trabalham no privado fazem isto. A verdade é que o “dedómetro” surgiu por algum motivo, mas continua a não existir o devido controlo e regulação. Os principais interessados em manter esta disfunção (médicos) se for preciso também trabalham no privado e preferem manter a selva instalada. O grande problema é que estas atitude por parte de alguns médicos são tomadas como generalizadas e ocorrem com o silêncio envergonhado de todos colegas. O impacto do conhecimento público destas situações decorre na descredibilização dos médicos, perda negocial e, como se tem observado, na destruição da carreira médica. Os jovens vão certamente pagar o preço destes mercenários da medicina que estão a destruir o SNS para ficar com o seu saque. As pessoas e os leitores, se eventualmente passaram por serviços públicos sabem do que falo.

    No que diz respeito à dimensão do serviço, o trablho no privado deve ser colocado em contexto. Uma coisa é o trabalho pontual numa pequena clínica ou consultório. Outra coisa, completamente diferente, é o trabalho num hospital, tendo dimensão suficiente para se tornar concorrente com o público. A própria natureza do serviço oferecido também pode influenciar éticamente o compromisso. Uma coisa são consultas ou actos pontuais. Outra coisa é trabalho continuado de enfermaria. Este até pode ser realizado por turnos mas certamente não será tão personalizado nem com o mesmo nível de qualidade. Não é sempre o mesmo médico a acompanhar o doente, etc… Questiono-me se as enfermarias destes hospitais privados funcionam durante o dia. Terão estes hospitais gente suficiente em dedicação exclusiva no privado para os manter funcionais e com padrões de qualidade aceitáveis. A resposta em coimbra é não! Só é conseguida se técnicos de enfermagem tomarem conta das situações ou se médicos saírem do hospital público em tempo de trabalho para solucionar uma urgência de enfermaria no privado. Uma alternativa é enviar os doentes que complicam para o público, encarecendo os serviços oferecidos pelo estado e tornando-se assim o privado numa instituição com preços sempre potencialmente mais baixos. Os casos complicados ficam no público. Isto nem sempre é assim. Mas facto é que se tem observado noutras cidades. Veja-se a qualidade reles do hospital de aveiro. Esta não é despropositada. Está intimamente ligada à ClinRia… Em breve coimbra não estará muito longe.

    No que concerne ao lugar que se ocupa. Seja em que lugar for, cumpridas as premissas apresentadas, não tenho qualquer oposição ao trabalho que se realiza, desde que seja de mera prestação de serviços. Uma pessoa que ocupa cargos de gestão no público tem RESPONSABILIDADE. Irá exigir mais trabalho dos colegas, melhor trabalho se dessa ineficiência do público incorrerem maiores lucros na sua actividade privada. O que se tem observado é que não! Daí ser uma incompatibilidade absoluta. É mais uma lei que nao é regulada. Toda a gente faz o que quer. A lei tem fundamento para existir. A selva é que é muito conveniente. Com que edoneidade defende reformas do SNS como coordenador da ARS, por exemplo. Nem todos são desonestos. Mas que os há, há! Imagine-se o que seria se o director do banco de portugal fosse ao mesmo tempo director de um qq banco privado. A convite de um post fui ler o relatório de actividades dos HUC. Fiquei escandalizado! Há médicos em coimbra para dar oferta à região centro inteira, com base nas médias da OCDE. Há serviços que têm tantos médicos como camas, quase. Há serviços que têm um número de consultas por médico baixissimo (nalguns serviços 1 consulta/médico a cada 3 dias). Agora questiono-me. Como é que existem listas de espera? Porque há pessoas a lucrar com isto. O estado também não quer incentivar o aumento de actos médicos porque estes têm custos associados (medicamentos materia, etc) e levariam à ruptura do SNS em poucas semanas. Convido-vos a fazer as contas. Há serviços em que se despedissem metade dos médicos e obrigassem essa metade a trabalhar o que deviam, por objectivos, se manteriam os mesmos níveis de productividade.

    Porque surge esta discussão agora?
    Este tema já foi discutido muitas vezes e, mais cedo ou mais tarde, voltaria à baila.

    Não tentem vitimizar a IdealMed. De meninos do coro não têm nada.

    Para além das alarvidades que, tal como os restantes praticam, vejam-se os ESCÂNDALOS já decorridos:

    Um serviço dos HUC a fazer uma reunião internacional na IDEALMED. Ainda antes de esta ter aval da ARS. Nem de um serviço com trabalho reconhecido na área se tratava. Foi apenas para dar visibilidade e tentar credibilizar uma nova instituição. Não tenho nada contra a IdealMed. Fosse qualquer outra clínica de coimbra a fazer o mesmo, eu teria exactamente a mesma postura. Aplica-se à IdealMed, como a todas as outras!

    Os directores de serviço dos HUC defenderem a diminuíção de camas nos seus serviços, mesmo com taxas de ocupação incríveis. lembro que há serviços que teem de espalhar os seus doentes pelo hospital, noutros serviços para dar resposta, uma vez que teem uma lotação completa… Oportuno com um novo hospital a 1000 m…

    Os mesmos intervenientes afirmarem que há demasiada oferta em coimbra para justificar o fecho de outros serviços. Ficando muito contentes.. Ideal, mais sobra…

    Como é que querem colocar a maternidade nos HUC em vez do novo hospital pediatrico? Supostamente era preciso fazer obras no pediatrico e não há dinheiro.. ora bem.. estão a fazer obras nos HUC..LOL. Como é que querem colocar a maternidade onde se localiza agora a psiquiatria? Naquele corredor minusculo. Até a Maternidade daniel de matos, bem velhinha, tem melhores condições.. Relembro que a idealmed tem uma maternidade..

    Incorrerem de um crime ao dar o título de chefes e coordenadores.. Tiveram de corrigir o tiro. Isso o joão já conseguiu. No papel esses senhores já não são nada. Afinal são meros prestadores de serviços… LOL

    Como estudante a parte do ensino também me diz muito. Desde a eleição do actual presidente que se fala nisto… Estamos no limite de qualidade de ensino. Não há espaço nos huc para mais. Contudo há soluções que foram apontadas. Todas estas foram sempre descartadas! Agora, oportunamente o actual presidente vem dizer que a solução passa por consorcios com privados.. Dá a mão à ideal, dá a mão ao centro cirurgico e resolve-se a questão.. LOL Não tenho qualquer problema em ter ensino no privado. Agora que seja privado de reconhecido mérito, estabelecido na cidade e de dimensão suficiente para ensino, uma vez esgotada a oferta no público. No ano passado foi assinado um protocolo de colaboracao entre os CHUC e a UC. Agora o ensino pode ser subdividido por outros hospitais e serviços que não os HUC. Tem sido feito? NÃO! A única coisa que fazemos é ir a uma aula teórico-prática leccionada lá. Até hoje, no decorrer do curso, só tive de ir aos covoes 2as vezes, totalizando umas 3/4 horas no máximo. Como é que podem fechar os olhos a isto? Outra alternativa seria dividir os alunos ao longo do ano por turnos, com rotações de diferentes especialidade e áreas médicas. Não é opção. Resolver o problema e é chato. Deixa de haver desculpa para canalizar o ensino para o privado, credibilizando-o. Os papeis estão invertidos, devia ser um privado credível a atrair o ensino público e não o privado a tentar credibilizar-se com o ensino público. Mesmo quanto à formação não traria grandes vantagens. os professores seriam os mesmos.

    Eventualmente o joão branco falhou por defeito. Há muito mais gente sem ética do que poderia pensar. Coitado é apenas um estudante como eu, com a limitação de não sendo de medicina mas que teve a coragem para dizer a verdade! Não tentem tapar o sol com a peneira. O que acontece em paralelo na idealmed com outros serviços não torna a situação mais correcta e aceitável, nem torna a IdealMed uma vítima. Há situações que já descrevi que também só ocorreram na idealmed e que estão dependentes das suas caracteristicas diferentes de todos os outros privados. Não tentem colocar tudo no mesmo saco.

    Está é instalada a selva! e a OM caladita…

    (P.S.: Apenas coloco as minhas iniciais porque tenho um curso para acabar.)

    • Rui Fachada diz:

      Caríssima ASP.
      O anonimato é uma coisa muito feia. Ou será apenas (como estudante da FMUC) para preservar a possibilidade (probabilidade) de ainda vir a bater à porta da IdealMed?
      Respeitosamente.

      Rui Fachada

      • Rui Fachada diz:

        P.S. – Ser estudante de medicina, não a deveria impedir de se saber exprimir corretamente em português, sua língua materna.

      • ASP diz:

        Curioso que na sua douta e sábia resposta não tente contrapor nenhum dos factos apontados.

        Quando não há argumentação possível, por incapacidade ou desconhecimento, o senhor passa ao ataque ad hominem. Que bela atitude… Que nível.

        No que diz respeito à possibilidade/probabilidade de trabalhar na IdealMed, essa questão não se coloca. Nos próximos 12 anos tenho uma formação para concluir que tem de ser realizada no público. A menos que, convenientemente, a IdealMed comece a participar no ensicno e internatos médicos. Mesmo quando acabar a minha formação não hei de compactuar com esta promiscuidade. Com toda a honestidade teria horizontes muito curtos se na minha ambição pessoal almejasse ir trabalhar para um pseudo-hospital como o da IdealMed. Aquilo não passa de uma fraude. Uma federação de consultórios privados. Veja-se: cerca de 50 camas para quantas valências médicas? Cerca de cinco camas por serviço ou menos. LOL Aquilo não é nada.

        Quanto ao anonimato o Sr. sabe mais que perfeitamente que tenho professores que trabalham na IdealMed. Já vi colegas serem prejudicados por dizerem o que pensam.

        P.S.: estou a escrever um post num blog a partir de um telemovel, não estou a escrever um artigo nem coisa que o valha. Prefiro ter gralhas de tipografia e texto mal urdido do que ser intelectualmente desonesto e tentar defender o indefensável sem o mínimo de humildade.

  23. mas diz:

    onde foram fazer os estagios todos os profissionais que foram para lá trabalhar?

  24. Rui Fachada diz:

    Há tantos burros mandando
    Em homens de inteligência,
    Que às vezes fico pensando,
    Se a burrice não será uma ciência.

    António Aleixo

  25. […] O “mítico caso” Ideal Med Share this:TwitterFacebookEmailStumbleUponTumblrLinkedInRedditDiggPrintGostar disto:GostoBe the first to like this. Com as tags Entre o Nada e o Infinito, Ideal Med, José Manuel Silva, medicina, Ordem dos Médicos, saúde […]

  26. Filipe C. diz:

    Não percebo qual a indignação e guerra de tanta gente com a IdealMed.
    Antes havia queixas que em Coimbra não havia o ”chamado” Hospital Privado à seria (e não clinicas ou edificios um bocado antigos).
    Finalmente temos então uma alternativa ao serviço publico, com medicos de qualidade, pois muitos são dos HUC e sim, agora ganham por 2 lados, e então? Eu como cliente do SNS e não de privados (ainda), fico muito contente que se algum dia tiver capacidade economica para mudar para um serviço de melhor qualidade, ele existe em Coimbra.

    E melhor qualidade em que? Para ja, sei que muitos medicos sao os mesmos que me servem no publico (HUC) logo em termos ”clinicos” não fica pior. As instalações sao melhores, pois é mais moderno, e melhora o atendimento logo a começar no fim de filas de espera longas, do ”desprezo”, do demorar-se 12 horas para simplesmente perceber porque se está com uma indisposição forte (que ao fim de 12 horas no Publico já passou, e lá vão 20 euros de taxas moderadoras), etc.

    Neste momento não sei bem quantos medicos dos HUC vão deixar o memso para ir para a Idealmed, ou não, mas oxala que fiquem nos 2 lugares. Eles ganham sim os seus ”tachos” extra e tal, mas aqui o que interessa é o que o cliente ganha, seja no publico, seja no privado, se bem que neste caso discute-se o privado.

    So espero é que a Idealmed se disponibilize a fazer parcerias com seguradoras, visto que o proprio seguro de saúde indirectamente associado é caro no que toca a preços de serviços, para que mais gente de Coimbra frequente.

    E quanto mais gente vai ao Privado, menos gente vai ao Publico, e de repente o maior problema do publico que é o tempo de espera que leva ao desprezo pelos clientes, arrogância de alguns profissionais, ou até um atendimento menos pessoal, passa na verdade com um menor fluxo de clientes, a ser mais rápido, mais dedicado, e no fundo, melhora o próprio atendimento no publico.

    É uma analise um pouco ”infantil” a minha mas excluindo polémicas partidárias, (porque nota-se que quem escreveu este artigo, ou tem algum problema com o PSD(CMC) ou não ganhou o seu tacho prometido, ou ve na qualidade dos outros, o fim de algo pessoal), todos ganhamos com esta nova unidade privada. Simples. E quem é ”rico” pode, vai e paga. E eu se fosse rico, sinceramente teria ”medo” de entrar nas urgências de um hospital publico, não pela qualidade medica, mas pelo ambiente que é uma urgência publica, que no mínimo deprime, e coitados dos profissionais, em nada têm culpa, e fazem o seu melhor.

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