estou um bocado desapontado, são 5 da manhã e a saúde em Coimbra está a morrer lentamente com este tipo de artistas

“Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar(OMS), em sentido inverso os mais recentes dados epidemiológicos mostram serem os problemas de saúde mental a principal causa de incapacidades.

A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde mental (SSM), defende que estes devem garantir a acessibilidade a todas as pessoas, assegurando estes cuidados sem que as pessoas se tenham de afastar significativamente do seu local de residência, e integrando um conjunto diversificado de unidades e programas, incluindo o internamento em hospital geral.

Nesta resposta devem ser respeitados os Direitos Humanos: pessoas com perturbações mentais devem ver respeitados todos os seus direitos, incluindo o direito a cuidados adequados… assim como protecção contra todos os tipos de discriminação.

Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.

Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.

Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.

Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.

Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas, pois grades nas janelas, más condições climática… numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.

Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.

Aos profissionais das diversas unidades espera-se: manutenção da qualidade assistencial; melhoria respostas integradas aos doentes e famílias; continuação do ensino aos estudantes e colegas mais novos; incremento da investigação numa contínua manifestação de se quererem (re)afirmar, não só no país, como internacionalmente como centro de excelência.”

Publicado pelo Diário As Beiras no dia 12 de Maio de 2012

Eu João Branco me confesso:

1. Sempre tive aversão a hospitais. Desde pequeno que morro de medo sempre que entro num e fico meio hipocondríaco sempre que me vêm às narinas aquele cheiro a líxivia tão característico dos hospitais.

2. Dado o primeiro ponto, assumo humildemente que nada percebo de psiquiatria e nada quero perceber. Muito menos depois da leitura deste curioso texto publicado nesse pasquinzeco desta cidade.

3. Vamos por partes:

3.1 Horácio Firmino, o brilhante autor deste churro à espanhola em língua dita portuguesa, é antes de mais um médico psiquiatra licenciado pela Universidade de Coimbra, actual coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra (que não é unidade nenhuma graças às explicações que me foram dadas por uma fonte no serviço mas antes uma Consulta Externa na área de psiquiatria para idosos) e presidente de uma Associação que também me foi dita como inexistente (ou como quem diz para inglês ver) chamada Associação Europeia de Psiquiatria Geriátrica. 

3.2 Como podemos depreender do texto, existem partes do mesmo em que qualquer leitor leigo na matéria se pode regozijar por nada ter aprendido com o mesmo.

Começamos pela frase inicial: “Além da transcendência social e económica, a saúde mental é uma das principais dimensões da saúde e bem-estar.”

Afinal de contas o que é que é transcendente para a saude e bem-estar? A palavra transcendência significa “estar acima de”; “ir para além de um limite”, “ir para além de”;  a religião considera Deus transcendente aos homens. A primeira frase aparece-nos desde logo algo confusa e contraditória: à transcendência social e económica, expressão que é utilizada de forma vaga, supera a saúde mental como uma das principais dimensões. Se o social e o económico é transcendente, não existem outras dimensões nem principais nem secundárias, digo eu…

“A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde menta” – Sr. Doutor, não deveria escrever que a “OMS” baseando-se em estudos custo\efectividade…”

MUST or MUST SEE:

“Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.

A manutenção do internamento de doentes com patologia psiquiátrica aguda no Hospital Geral já é hoje uma realidade e constituiria um acto de discriminação a sua retirada da estrutura física, não aceite por nenhum profissional de saúde mental e muito menos pela população.

Urge incrementar as unidades de saúde mental comunitária, permitindo uma melhoria da acessibilidade e qualidade dos cuidados, com respostas mais próximas das populações, numa maior articulação com centros de saúde e outras estruturas da comunidade, reduzindo riscos de descompensação dos casos de patologia mais severa, por um melhor e regular seguimento desses utentes e evitando o recurso à Urgência e diminuindo substancialmente, a necessidade de camas hospitalares de agudos.”

Primeiro afirma como prejudiciais aqueles que tentam afastar a Psiquiatria dos Hospitais e assim acentuar discriminações e depois afirma que é necessário incrementar unidades de saúde mental comunitária com a implantação de psiquiatras nos centros de saúde, ou seja, promovendo uma maior descentralização das unidades de psiquiatria. Mais uma vez, o Sr. Dr. contradiz-se com uma profundidade no mínimo “severa”.

para depois nos brindar com mais uma pérola…

“Estas estruturas devem ser constituídas por equipas multidisciplinares: psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, técnicos de serviço social e outros profissionais não médicos.”

Os psicólogos formam-se na faculdade de medicina ou na faculdade de psicologia? E os técnicos de serviço social? Que outro tipo de pessoal não-médico incluiria? Palhaços, canalizadores, pedintes profissionais?

“Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.”

Haja dinheiro no Ministério da Saúde para tanto projecto caramba!!! Gerontopsiquiatria, 1 projecto. Psicoterapia, 2 projectos. Stress, 3 projectos, Violência Doméstica, 4 projectos….

Soma e Segue

“Depois de se terem dado passos importantes na reorganização prévia dos Hospitais Psiquiátricos (Sobral Cid, Lorvão e Arnes), a grande maioria dos psiquiatras está de acordo que é agora a altura de promover a transferência progressiva dos cuidados dos utentes, ainda internados no Lorvão e Arnes, para unidades que possam prestar cuidados continuados de Psiquiatria (Dec-lei n.º 8/2010).

Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.”

O que são maioria dos casos!!! Vai entregá-los a quem? À Santa Casa da Misericórdia? Ao clube dos Unidos do Barreiro? À CP? À Refer? Como irão prover ao seu sustento se praticamente todos estarão incapacitados de gozo de direitos pela lei ou impedidos à recepção de ajudas sociais por parte do Estado? Quem é que irá sustentar esses doentes? Quantas são as famílias neste momento pré-dispostas (ao nível de formação; ao nível material; ao nível pessoal) para receber nos seus lares aqueles que muitas vezes acabaram por depositar no Hospital Psiquiátrico?

“Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas”

Mentira.

” numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.”

Mentira. Agora se me falasse que algum do pessoal auxiliar não respeita a ética e a deontologia da profissão no tratamento destes doentes até acreditava em si…

“Esta inserção em unidades mais pequenas, apoiados por técnicos diferenciados numa procura de reabilitação e integração no meio social contribuirá para a solidificação dos princípios dos Direitos Humanos a que anteriormente aludíamos.”

“Aludia” Sr. Dr., diz-se “aludia” – primeira pessoa. Sem acento. Do verbo “aludir”. 

4. Como puderam ler, o tratamento da língua de camões por parte deste Dr, é uma coisa que roça a excelência. No início deste texto fui bem expresso ao ponto de admitir que nada percebo de psiquiatria e nada fiquei a perceber depois da leitura deste texto. Depois da leitura deste texto alicercei ainda mais a crença de que a Universidade de Coimbra dá canudos a quem não domina os assuntos da linguística, da semiótica e da sintaxe. Passam-me pela cabeça outros termos, uns ligeiramente ácidos, outros a roçar a linguagem de imberbe, algo que não me apetece escarrapachar aqui sob pena de me encontrar com este dito senhor numa situação desconfortável… no banco da psiquiatria está claro…

5. A página online onde se encontra este testemunho clínico de craveira tyranossaurica tem algumas respostas que são bastantes interessantes e que passo a transcrever:

RIP – “com certeza este senhor só foi visitar o lorvão uma vez, pois se tivesse por lá permanecido mais dias, teria a oportunidade de verificar que as equipas multidisciplinares nesta instituição, há muito que são uma realidade!!
ao tentarem deslocar estas pessoas que vivem aqui há mais de trinta anos, é retirá-las de sua casa e das pessoas que sempre conviveram com eles, os funcionários e os habitantes da vila, estes sim a sua verdadeira família!!!”

Joana Seco: “Sem as tentarem reabilitar??????? Sr dr Horácio…..nota-se, pelo seu discurso…..que de facto não conhece o Hospital do Lorvão……Enfermeira Joana Seco”

José Cunha-Oliveira: “Tenho muita dificuldade em compreender em que diferiam as condições de alojamento, de clima, de reabilitação e dignidade humana do hospital de Lorvão, relativamente às condições do hospital de Sobral Cid ou do Centro de Arnes ou, até, de certos Departamentos de Psiquiatria e Saúde Mental, designadamente da Zona Centro e, mesmo, das existentes nas impecáveis e amplas instalações do HUC.
Tenho também muita dificuldade em compreender em que diferem as respetivas equipas multidisciplinares, e as coisas que fazem, das que são feitas em setting universitário.
Pois, mas a questão não é essa, obviamente. A questão é de hegemonia, de toma dos lugares de direção e de fuga às filas de excedentários e da mobilidade anunciada. Tudo o mais são sofismas e coisas que se dizem por dizer.
É claro que o futuro será dirigido por quem tem mais estatuto e títulos do que propriamente diferenças de fazer. E está certo, sempre assim foi e há de ser. Pelo menos, têm mais entrada nos centros decisórios.
Porém, do muito que se tem dito sobre o tema, não houve ainda uma única referência ao que se fará de diferente. Apenas se promete, vagamente, que se fará melhor, ou se calha com mais “ciência”, o que sempre se tem feito.
Unidades de Cuidados Continuados de Psiquiatria, isso é o quê: asilos velhos com nome novo? Aonde vai o tempo em que se falava de residências comunitárias, reabilitação cívica (“empowerment”), formação profissional, emprego protegido, enfim, essas coisas diferentes. E, é claro, aonde vai a Psiquiatria Comunitária, agora transformada em Consultas de psiquiatria nos Centros de Saúde…
Acabar com os velhos hospitais psiquiátricos, sim, concerteza. Mas se apenas mudamos os doentes, internados ou ambulatórios, de serviços velhos, onde estão adaptados, para serviços novos, onde terão de se adaptar, e transferi-los de uns sítios para os outros, muito pouco mudará efetivamente no modelo de abordagem da doença mental e menos ainda na dignidade humana dos doentes.
Acrescentarei, para terminar, que mais do que o genuíno interesse pelo bem estar dos doentes nesta transferência dos hospitais psiquiátricos públicos para instituições privadas, estão prioritariamente em causa interesses de natureza orçamental, já que sai muito mais barato tê-los internados em instituições privadas. E que, por sua vez, sai muito mais barato manter o mesmo modelo de intervenção, agora dirigido pelo hospital universitário, do que por em marcha uma reforma profunda dos serviços de psiquiatria e saúde mental.”

6. Para finalizar, cumpre-me escrever Directamente para o Doutor:

6.1 Sr. Doutor, com todo o respeito, uma professora primária decente fazia-lhe jeito. Sei que é de outros tempos assim como de outros tempos são os meus pais por exemplo. O meu pai fala-me que nos vossos tempos, as professoras primárias usavam as ditas “meninas de 5 olhos” para castigar os meninos que não escreviam bem os ditados… Essa tal menina não deverá ter feito milagres na sua escrita.

6.2 Para o pessoal do pasquim: Se o artigo de opinião não vem bem escrito, ao menos, que cumpra aos redactores ou aos editores a função de lhe dar um toque de português com conta, peso e medida. Até nestes pequenos pormenores se denota um mau profissionalismo do jornal para quem os sustenta: os seus clientes.

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4 thoughts on “estou um bocado desapontado, são 5 da manhã e a saúde em Coimbra está a morrer lentamente com este tipo de artistas

  1. Não conhecendo a realidade de Coimbra, só posso dizer três coisas:

    1 – Devem haver mais unidades especializadas em certas doenças. Não faz sentido e pode ser contraproducente aglomerar todas as pessoas possíveis, com patologias diferentes, em hospitais com metade da capacidade necessária, ver os pacientes duas vezes por ano e rezar pelo melhor. Mais de dez por cento da população portuguesa sofre de depressão ou doença bipolar, é certamente a mais prevalente: onde estão os “projectos bem sucedidos” aí? A ideia de comunidade é bem à americana – nem nas aldeias há esse tipo de proximidade com uma grande eficácia, e muito menos a estrutura para tal – as nossas instituições locais, a depreender pela experiência que tenho, são cronicamente corruptas, havendo exemplos pontuais – e pessoais – de excelência como que manietada…

    2 – Convêm esclarecer, várias especialidades podem ser complementares se bem integradas, mesmo que em Portugal haja contra isso muito preconceito:

    Os psiquiatras são médicos [leia-se formados em Medicina] que tiraram especialidade em Psiquiatria. Embora o DSM – o manual de diagnóstico e tratamento de Doenças Mentais dos EUA seja a sua bíblia, o que tem gerado polémica a cada nova edição (a quarta edição, por exemplo diz que só existe autismo e não todos os Síndromes anteriores) tratam todo o tipo de doenças e aflições, normalmente, mas não obrigatoriamente, com recurso a medicação. Não preciso de dizer que estão em qualquer hospital.

    Os psicólogos tiraram um curso de Psicologia, ou Psicologia Clínica ou outra variante ou especialidade. Podem ou não ser médicos. Seja em casos que são de Psiquiatria ou não podem (ajudar a) tratar de todo um conjunto de coisas – desde os famosos testes psico-técnicos da escola até stress pós-traumático. Uns estão mais distantes do SNS, outros trabalham neles, nas escolas – olha, no apoio a estudantes da UC também.

    Os psicanalistas – não pensar que pararam no tempo com Jung e Freud! De Lacan a tantos outros evoluiu sempre… – fizeram formação em psicanálise, que é uma forma diferente e mais continuada de abordar questões estruturais que causam problemas ao ser humano. Podem ou não ser médicos. Certos casos (como o de uma prima minha que é médica psiquiatra especializada em psicanálise e agora também psicanálise infantil) são médicos psiquiatras que procuram uma maneira mais abrangente e eficaz de chegar a causas de problemas e não só lidar com sintomas. É mais intensiva e extensiva que qualquer outra prática anterior, procurando ajudar a pessoa, em complementaridade e nunca em substituição à psiquiatria, a lidar com problemas que tenha, passados ou presentes, que a estejam a afectar a qualidade de vida – desde traumas e fobias a ansiedades e desejos, está tudo lá… Normalmente tem 3 consultas por semana e o período mínimo de tratamento nunca é menos de 6-12 meses.

    Os assistentes sociais, em teoria, poderiam fazer muito por reintegrar os doentes depois de uma crise ou aproximá-los de novo à família, mas isso nem sempre acontece. Há um curso próprio, mas não sei ao que ele se refere em concreto. Há várias competências que são úteis a alguém com algum tipo de doença ou problema (pode ser temporário e não crónico, outra coisa de que ele se esqueceu). Falta usá-las mais!

    3 – O sujeito que escreveu a peça comete vários erros e é completamente irrealista em metade das coisas que diz. Mas não quero repetir nem o atacar.

    Direi contudo que, com o tecido social cada vez mais fino e a ponto de rasgar, José Cunha-Oliveira, uma das pessoas que comentou, diz isto:

    “(…) sai muito mais barato manter o mesmo modelo de intervenção, agora dirigido pelo hospital universitário, do que pôr em marcha uma reforma profunda dos serviços de psiquiatria e saúde mental.”

    Ele tem toda a razão. Mover as pessoas de um lado para o outro não resolve nada – na realidade, pode agravar certas doenças. Colocar doentes mentais, os mais vulneráveis de todos, na mão de privados parece-me de uma agressividade ridícula.

    Caro senhor Horácio Firmino: nos serviços de tratamentos de doenças mentais, como em qualquer caso que vá além de uma unha encravada, o fácil traz dificuldades e o barato sai caro. Sai caro no suicídio de muitas pessoas. Sai caro em vidas e famílias destruídas. Sai caro na estigmatização da doença mental – o que leva a que pessoas que teriam uma vida equilibrada cometam as loucuras violentas que a TV tanto gosta de mostrar por não terem tratamento. Sai caro em remédios que deixam as pessoas como zombies sem tratar os seus problemas. Sai caro na ausência da contribuição para a sociedade por isso mesmo. Sai caro nos abusos, humilhações e desespero que sofrem os pacientes no internamento geral, todas as patologias misturadas como se nada fosse. Na verdade, meu caro, sai caro demais…

    • Fonseca Galhães diz:

      Gostaria apenas de deixar alguns reparos em relação ao comentário anterior, bem como a este post. Fiquei preplexo com tudo isto e não poderia deixar de comentar.

      1. Questino-me como é que uma pessoa que não sabe escrever em português, preside uma Associação Europeia de Psiquiatria Geriátrica? Nem quero imaginar os seus dotes de inglês. Está tudo dito do calibre de tal agrupamento de meia duzia de médicos.

      2. Não obstante da forma larvar com que este artigo foi escrito, o conteúdo não poderia ser mais incorrecto e alienado da realidade. Passo a citar:

      «A OMS baseando-se em estudos de efectividade e custos dos serviços de saúde mental (SSM), defende que estes devem garantir a acessibilidade a todas as pessoas, assegurando estes cuidados sem que as pessoas se tenham de afastar significativamente do seu local de residência, e integrando um conjunto diversificado de unidades e programas, incluindo o internamento em hospital geral.»

      Que mistura de ideias que vai naquela cabeça. Estudos de custo/efectividade misturados com acessibilidade? Como é que pode ficar mais barato deslocalizar um profissional diferenciado como um psiquiatra para os centros de saúde à periferia? Paradoxal, no mínimo. Este Sr. não tem noção do que é prevenção primária? Será isto resposta comunitária? Claro que não. Onde para a multidisciplinaridade e trabalho em equipa. Não serão os médicos de família e os psicólogos dos centros de saúde capazes de dar resposta a grande parte das situações? Este Sr. está a passar um atestado de incompetência a todos os colegas. Quererá transformar os centros de saúde em mini hospitais a fingir à perfieria?

      «Há quem procure minorar a importância da Psiquiatria, tentando afastá-la da estrutura próxima do Hospital, e existem sectores que olham para cada Hospital como tradutor apenas de virtudes, esquecendo as limitações.»

      Como é que este Sr. se intitula psiquiatra ao considerar que a saúde mental é uma limitação. Não devia estar em si. A que limitações é que se refere? Então no parágrafo anterior não disse que era preciso descentralizar os cuidados diferenciados de psiquiatria. Oriente essas ideias, o seu discurso é esquizofrenogénico, no mínimo.

      «(…) casos de patologia mais severa (…)» Patologia significa estudo da doença. Severa era a minha professora da primária. Grave é o termo correcto e o tamanho disparate.

      «Numa senda de progresso é importante desenvolver projectos que granjearam prestígio: Gerontopsiquiatria, Psicoterapia, Stress, Distúrbios Alimentares, Violência Doméstica, Prevenção de Suicídio, Sexologia, Estimulação Cerebral… a manutenção do serviço regional de internamento para doentes inimputáveis e a criação de unidades de internamento para os casos de patologia mental grave.»

      Os sinais e sintomas são um projecto, a doença é um projecto, o tratamento é um projecto, as consultas e unidades são projectos. Conclusão tudo é projecto. Diz-se este senhor director da unidade de gerontopsiquiatria? Como é que pode gerir ou coordenar o que quer que seja com tamanha confusão de ideias. De facto, tudo no seu serviço é um projecto. Ainda não tive a oportunidade de ler um artigo que fosse de tantos projectos.

      «Dado as características dos utentes que ainda aí se encontram, numa larga maioria terão de se enquadrar em residências de apoio máximo, localizadas na comunidade, destinada a pessoas clinicamente estabilizadas com elevado grau de incapacidade psicossocial, impossibilitadas de serem tratadas no domicílio por ausência de suporte familiar ou social adequado.»

      Então estes serviços não têm doentes agudos? Devia fazer lá uma vizita. Seguem agudos e fazem-no muitas vezes com práticas mais actualizadas que nos HUC.

      «Todos os que conhecem as instalações do Lorvão terão de reconhecer que se tratam de hospitais obsoletos sem condições adequadas, pois grades nas janelas, más condições climática… numa acumulação de pessoas sem as tentarem reabilitar, não possam ser consideradas como o pressuposto de atendimento médico com condições humanas adequadas.»

      Começo a acreditar que este Sr. nem sequer lê jornais. Há alas completamente remodeladas “nesses” hospitais e com condições de hotel, completamente modernizadas. Mais uma vez passa um atestado de menoridade a colegas, veja-se “sem as tentarem reabilitar”. Então os programas a decorrer, a cooredenação com a assistência social, etc. Não serão tentativas? Falar de cor dá nisto.

      3. Quanto ao comentário anterior, doutoralmente escrito em comparação com o artigo de jornal, tem todavia algumas imprecisões, embora a ideia global não seja tão desadequada.

      «Mais de dez por cento da população portuguesa sofre de depressão ou doença bipolar» Embora estes dados sejam abudantemente apregoados pelos media, estão muito longe da verdade. Os critérios para os aferir são muito latos e confundem muitas vezes tristeza com depressão. Em boa verdade, a chamada depressão não é assim tão prevalente. O que é manifesto é o consumo excessivo de hipnóticos e antidepressivos. Nalgumas coisas até estamos no top europeu. (Má prática)

      «o DSM – o manual de diagnóstico e tratamento de Doenças Mentais dos EUA seja a sua bíblia» Os critérios formalmente utilizados são os do ICD-10, aprovados pela OMS, e não o DSM.

      «mesmo modelo de intervenção, agora dirigido pelo hospital universitário» O que o senhor pretende reiterar é o direito de pernada. Com a fusão os doutos psiquiatras dos hospitais da universidade de coimbra, como superiores que se intitulam (e que são nos conluios de poder), estão a tomar de assalto todos os outros serviços e a restruturá-los à sua medida.

      «Sai caro no suicídio de muitas pessoas.» O suicidio em portugal tem uma incidência relativa muito baixa. Está longe de constituir um problema de saúde pública. Quanto à medicação, não poderia estar mais de acordo.

      4. Não há critérios de qualidade neste jornal? Não se apura se estes factos apontados, alguns graves, são verdade? Enfim…

  2. […] Horácio Firmino, que se bem se lembram era o psiquiátra que referia neste post, médico psiquiátra dos HUC e coordenador da Unidade de Gerontopsiquiatria do Serviço de Psiquiatria dos Hospitais da […]

  3. […] A peça escalpeliza todo o problema em torno da questão excepto um. Como é sabido, o Ministério da Saúde quer fechar com alguns hospitais psiquiátricos no país para reduzir custos e em alternativa, apresentou uma proposta que visa a passagem de algumas unidades de acompanhamento para as unidades de saúde familiar, proposta essa que implica o encerramento de unidades como o Lorvão (talvez o “meu amigo” Horácio Firmino já me saiba explicar em português decente a medi… […]

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