mina de ouro no pólo III

Então pessoal? Já tinham saudades minhas? Achavam que tinha desaparecido? Seus marotos…

Andei por aí a vaguear durante quase 3 semanas e imaginem vós que fui descobrir o negócio do século ali para os lados do Pólo III.

Vou tentar ser sucinto nas explicações do El Dorado que encontrei.

Por defeito, a criação da plataforma Inforestudante serviu (entre outras funcionalidades) para que o acesso à informação relativa aos programas das matérias dos cursos fosse mais acessível aos alunos dos ditos.

Ocorre porém que na Faculdade de Farmácia, o Inforestudante ainda é coisa do século passado. O esquema é bem melhor.

Tendo-me dirigido ao centro de cópias (de exploração privada) da dita faculdade, e tendo como base algumas suspeitas lançadas por alunos de Ciências Farmacêuticas, deparei-me com a seguinte situação:

(clique para ampliar)

Um bondoso aluno de Ciências Farmacêuticas permitiu-me o acesso à sua conta de Inforestudante. O que vemos aqui são os materiais de apoio disponibilizados pelo professor da cadeira para a cadeira de 3ª ano designada como Química Farmacêutica II.

Como podemos vislumbrar pela imagem, apenas se encontram acessíveis pelo aluno 2 conteúdos, sendo eles de índole meramente informativa e destinado às aulas práticas.

Tendo-me dirigido ao dito centro de cópias, deparei-me com a argumentação pouco precisa da sua proprietária, que me afirmou peremptoriamente que os “conteúdos leccionados em todas as cadeiras estão em simultâneo no computador e no centro de cópias” – por computador, vamos entender o Inforestudante. A credibilidade é meio passo para a alma do negócio.

Interrogando a dita proprietária sobre o material das aulas teóricas da cadeira em questão, tendo como base o print acima enunciado, vim a descobrir que no centro de cópias está todo o material teórico da cadeira, fazendo menção aos imprescindíveis slides do professor.

Coloca-se aqui desde logo uma questão: Porque é que todo o material das cadeiras não é à semelhança das restantes faculdades colocado na íntegra no Inforestudante?

Outra questão que me assola é desde logo o preço exigido pelo material. 30 euros era quanto a funcionária me pedia pelos conteúdos por si disponibilizados.

Alguns alunos da FFUC contaram-me que não é a única cadeira onde este fenómeno acontece.

Imaginemos que cada aluno da faculdade se inscreve a 5 cadeiras semestrais. Se cada dessas cadeiras tiver um custo médio ao nível de materiais de 30 euros, estaremos perante um custo total médio de 150 euros. Coloca-se outra questão: Terão muitos dos alunos da faculdade capacidades financeiras para fazer face às suas despesas mais básicas?

Estas questões chegam a um outro patamar quando me é confessado em fonte anónima o preço por cópia praticado pelo centro. 3 cêntimos. Para a oferta da cidade, teremos que dizer que 3 cêntimos é um autêntico roubo. Mas é um roubo que se vale do facto do centro de cópias em questão ter a exclusividade dos conteúdos em questão. Neste caso concreto, Professores e centro de cópias estão claramente em conluio ou pelo menos essa é a conclusão que presumo. A única alternativa a muitos dos conteúdos é efectivamente ter que comprar os livros online, tendo os alunos para o efeito de despender algumas centenas de euros. Sem opções do ponto de vista financeiro, falamos de um monopólio puro e duro.

Numa altura em que a crise económica se faz sentir de uma forma dura na comunidade estudantil e onde os alunos sentem algumas dificuldades para cumprir as suas obrigações básicas para prosseguirem os seus estudos, trata-se de um puro acto de má-fé por parte de alguns professores da FFUC. Actos que colocam claramente os estudantes perante certos dilemas: “iremos nós racionalizar cópias ou iremos deixar de comer para podermos estudar para os exames?”

A pergunta fica no ar. Não tenho dúvidas, perante o exemplo dado que existe algo de estranho a rodear esta história. Alguém de direito poderá esclarecer-me.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , ,

19 thoughts on “mina de ouro no pólo III

  1. Independentemente da razão que tenhas, 3 centimos por cópia não é roubo em lugar nenhum do mundo!

    • João diz:

      Considerando que no jumbo consegues tirar cópias a 1,5 centimos por página e considerando que em outros centros de cópias também consegues tirar a 2 centimos por página, 3 centimos é um roubo sim. Tendo em conta o exemplo dado, em que as cópias ficavam a 30 euros, no caso do jumbo esse valor seria de 15 euros, considerando que o preço no jumbo é metade do preço do centro de cópias da faculdade de Farmácia. Poupar 15 euros meu caro é bastante dinheiro. E estamos a falar de um único exemplo. Basta fazer as contas para ver quanto se pouparia ao fim de um semestre. 😉

  2. Raúl diz:

    sim, mas se não tiveres dinheiro nem para comer, se calhar estudas no pc. neste caso o pessoal da FFUC não tem hipotese…

  3. Pam diz:

    Pois eu estudo no Pólo III, conheço esta realidade e lido com ela diariamente. Assino por baixo tudo o que aqui foi escrito. É exactamente como aqui se descreve. É por isso que deixei de usufruir do serviço de cópias em questão – recuso-me a ser roubada – e a fazer impressões noutro lugar qualquer onde pago muito menos por muito mais. A única desvantagem é no material de apoio que existe exclusivamente nesse mesmo “negócio” o qual, por força da circunstância, peço emprestado a alguém que dele disponha.

  4. João Carlos diz:

    Sempre achei interessante a relação de “simbiose” entre a proprietária desse centro de cópias e alguns professores que argumentam ” vou deixar as aulas apenas na D.*** “, no meu ver esta situação não devia ser levada de ânimo leve, e deveria ser do conhecimento de alguns órgãos competentes, não só da faculdade como da Universidade. Pois se o processo de Bolonha e as novas tecnologias vieram dinamizar a forma de como se obtém o saber, deveriam também dinamizar a disponibilidade do material cedido pelos professores aos alunos, chegando a estes de forma comoda e rápida através de uma base de dados segura e credível com é o inforestudante.

  5. Ricardo diz:

    Se calhar até é. Em Aveiro felizmente há uma grande oferta deste tipo de serviços e podes encontrar cópias a 1,8 cêntimos. Basicamente é só e apenas metade do valor. Multiplicando por centenas de cópias, é só fazer as contas.

  6. Tiago diz:

    3 cêntimos por cópia é, salvo erro, o mesmo preço praticado, pelo menos, no Departamento de Eng Mecânica da FCTUC, onde o Inforestudante já existe desde 2009 (ano da migração da WOOK para a nova plataforma). Para além disso, existem cadeiras em que o material de apoio também não contém rigorosamente nada de útil..
    E o pior não é aqui. Os preços do bar conseguem ser SUPERIORES a muitos dos cafés em Coimbra!!

  7. Rita diz:

    É verdade que isto acontece em algumas disciplinas (não muitas), mas a culpa não é da proprietária mas sim dos professores que não metem as coisas online: ou porque não sabem e não têm interesse em aprender, ou porque simplesmente não lhes apetece ter o trabalho, ou porque não querem que os slides estejam a circular online, bla bla bla. Mas é muito fácil, quem não quer tirar fotocópias lá é só pedir os slides a um colega qualquer (porque muita gente tira a maioria das fotocópias lá, mesmo das coisas que estão online) e ir tirar a outro sítio que lhe seja mais conveniente. Easy! E mesmo para aqueles que não queiram tirar fotocópias sempre há a solução de alguém do ano passado emprestar os seus. Por isso não vejo qual é a coisa assim tão chocante deste caso. (Quanto ao preço do material, tudo depende da quantidade de slides que os professores dão xD nessa disciplina que apontaste por exemplo é de facto muita coisa)

    • ze povinho diz:

      pois rita, mas nem toda a gente tem dinheiro sequer para tirar cópias nem que sejam a 1 centimo. ha pessoas que estudam apenas pelo computador porque não têm dinheiro para mais. e nem toda a gente tem padrinhos para emprestar as coisas ou amigos. não te esqueças que ha pessoas que são muito mais isoladas e solitárias que a maioria das pessoas da faculdade. são poucas, mas existem, e não podem ser ignoradas. ha casos de pessoas que poupam o dinheiro todo que podem para poderem comprar as coisas na época de exames. Eu sei que não é a maioria, nem sequer uma percentagem grande, mas nem que fosse só uma pessoa o caso já é alarmante. os professores se meterem as cenas no nonio (que não custa nada) retira todos os problemas. que quer vai ao centro de cópias como faz a maioria, quem não quer ou não pode gastar dinheiro em fotocopias faz download dos pdfs e vê no pc. agora será que quem não tem dinheiro nem amigos que possam emprestar as coisas não tem direito a ter acesso a todo o material?

  8. pedro diz:

    parece que um aluno de medicina fez uma sebenta qualquer de uma cadeira do 1º ano e só a disponibiliza lá; não paga mais fotocópias até ao final do curso.

  9. Ana diz:

    Pedir a alguém emprestado para tirar fotocópias noutro lado não é viável para quem não pode gastar dinheiro. Estudar por fotocópias do ano passado nem sempre é a melhor solução porque os profs mudam sempre qualquer coisa. Quanto às 5 cadeiras referidas em cima, não esquecer que os cursos da ffuc têm quase sempre 6 e 7 cadeiras por semestre…

  10. A questão dessa tal de simbiose é o verdadeiro problema.. pois se a documentação está no centro foi o professor que lá colocou e o facto de não estar no formato digital é inteiramente responsabilidade do professor.. conheço bem esta realidade.

  11. FDUC diz:

    Consta por ai que desaparecram uns 900€ (provenientes de camisolas) das contas do anterior NED e que existem umas continhas por pagar! E o senhor presidente vitor? Ninguem sabe do paradeiro!. Verdade ou mentira? Joao, conto contigo para descobrir

  12. Beatriz diz:

    Lido com esta realidade diariamente, e realmente não é um comportamento razoável para com os estudantes… e o pior é que os profs a fazer isto não são, de todo, poucos…
    Ultimamente tenho estado atenta ao que escreves e dizes tanta verdade que às vezes até penso ‘este gajo qualquer dia é morto em coimbra’. Continua com o bom trabalho 🙂

  13. Pedro Santos diz:

    João, agora andas nas festas da JS? vê lá se não tornas no Joel Vasconcelos v.2.0

  14. O posts pararam outra vez? 🙂

  15. Diogo diz:

    Para quem diz que 0,03€ é um roubo por uma cópia, é porque realmente não tem nenhum conhecimento sobre este tipo de serviço. E mais, quem pratica 0,02€ ou perde dinheiro ou não paga impostos. E como ninguém gosta de perder dinheiro, já sabem o q acontece. E depois todos nos queixamos dos impostos e não sei o quê mais… Todos, como eu, querem o mais barato. Se pagarem 0,65€ por uma mini estão a ser roubados? É que eu conheço sítios que a vendem a 1€ e outros q a vendem por 0,5€. Mas ninguém a vende a 0,35€. Tirem as vossas conclusões… Agora quanto aos apontamentos apenas estarem disponíveis no Centro de Cópias não concordo. Devem estar livres e cada um faz o que bem entender. Até há quem peça ao Pai ou Mãe para imprimir no “Serviço” (seja empresa privada, ou estado), mas alguém tem de pagar… Beijos e Abraços

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: