Cala a boca Morgado

Mais do mesmo.

A crueldade deste governo em relação aos jovens.

Ricardo Morgado está de parabéns. Parcialmente. O forcing que esta Direcção-Geral (em conjunto com os estudantes que ocuparam as cantinas em Março) fez para a reabertura das mesmas ao fim-de-semana deu resultados. Por outro lado, os SASUC vão riscar mais duas cantinas do mapa. No entanto, considero ser melhor a reabertura dos serviços mínimos ao fim-de-semana do que o fecho de duas à semana.

Por outro lado, Ricardo Morgado deveria estar calado.

Ainda estou para ver o megaplano para a Acção Social que Morgado e a coordenadora Rita Andrade tanto falam. Surpreendam-me. Até lá Morgado, está caladinho que estás bem. É vergonhoso ver o presidente da AAC a discursar a partir dos jardins da AAC com o bar como pano de fundo. Irónico, no mínimo. E depois é ver a Direcção-Geral inteira no BAR, representando um quadro negativo em relação ao que se pretendia justificar: as carências económicas de centenas de estudantes da UC.

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4 thoughts on “Cala a boca Morgado

  1. Verdade seja dita que os cortes no ensino superior já vêm de alguns anos para cá. Primeiro com Mariano Gago a dar prioridade à “ciência e tecnologia” (o famigerado plano tecnológico) e, depois, progressivamente, com cortes também na atribuição de bolsas através da implementação de critérios mais apertados para a concessão das mesmas. Também é importante citar o novo Regime Jurídico do Ensino Superior aprovado há coisa de 3 ou 4 anos, cujo intuito era estimular que as “faculdades” fossem desagregadas das “universidades” – através da opção do regime de fundação – para, assim, saírem das “saias” do Estado, isto é, do Orçamento do Estado. Evidentemente que do aumento das propinas já nem falo – a que se soma o agravamento das mesmas pela necessidade que hoje há em se tirar “Mestrados”; seja para o ingresso em profissões liberais ou acesso à função pública.

    No fundo, caro Branco, o consenso político (PS/PSD/CDS) não elege o Ensino Superior como uma função do Estado Social (como sabemos, a corrente dominante vai no sentido do revisionismo do mesmo) e, por isso, caminhamos para um modelo em que os cidadãos terão que custear, em grande parte, a continuação dos seus estudos. Seja através de empréstimos bancários ou pela necessidade de tirarem um ou dois anos para trabalhar e, assim, arranjarem algum fundo de maneio. Mas… ainda que ficássemos convertidos por esta ideia romântica eis-nos perante um grande problema: NÃO HÁ EMPREGO!

    • Concordo com o primeiro parágrafo.

      Discordo profundamente do teu 2º parágrafo.

      O governo PSD\CDS\PP, infelizmente, sabe que o país precisa de se modernizar para poder sair do abismo económico em que se encontra e não faz nada por isso. Dizem que alturas de crise são os tempos em que saem as melhores ideias ao nível tecnológico e consequentemente ao nível do empreendedorismo empresarial. Assistimos porém a tempos em que o próprio estado não fomenta o ensino superior (e a educação em geral) a investigação e a criação empreendedora. Isto porque:

      1. O Governo manda-nos emigrar.
      2. O ensino superior assiste a cortes nunca antes vistos. Nem mesmo nos tempos desse senhor chamado Mariano Gago.
      3. A investigação vinda das universidades (que tão bons resultados apresenta) está a sofrer um duro revés no financiamento vindo do estado.
      4. Os “novos” empreendedores tem ideias mas não dispõem de capital próprio para investir.
      5. As linhas de financiamento para a criação de PME´s quer por parte do estado, quer por parte da banca estão esgotadas ou inexistentes porque nem o Estado nem a banca tem liquidez ou confiança para emprestar.
      6. Como referes e bem, o fluxo de quadros especializados que saem das universidades não são absorvidos pelo mercado de trabalho. Nem de quadros especializados, nem de quadros não-especializados. Não existe emprego. Ponto. Com os cortes na exportação em grande fatia da indústria portuguesa, ninguém está disposto a aumentar significativamente a sua produção, logo, ninguém está disposto a contratar mais mão-de-obra.

      No entanto, tudo isto poderia ser invertido, aplicando uma fórmula positiva:

      1. Imagina que o estado aumenta o financiamento das universidades.

      2. Do aumento do financiamento das universidades saem mais quadros técnicos, e consequentemente saem novas ideias de negócios, novas ideias de produtos, novas inovações tecnológicas vindas da investigação e novas ideias de aplicação desses mesmos a eventuais novos segmentos de mercados.

      3. Imagina então que o estado apoia com verbas razoáveis a implantação dessas criações.

      4. Imagina que essas ideias são um sucesso de mercado.

      5. Imagina as receitas que o estado poderá vir a ter a médio prazo com essas políticas e o crescimento económico que poderá ser feito à conta da exportação dessas linhas.

      E tudo de repente poderá entrar numa espiral positiva. Criam-se novos produtos, novos segmentos de mercados, novos mercados, acordos comerciais com novos países, mais receita para o estado e mais emprego para os Portugueses. Logo, mais consumo e mais receita para o estado.

      É esta a fórmula que está a escapar ao Governo do PSD\CDS\PP. Ou será que não lhes interessa lixar os negócios às elites que comandam? É uma pergunta de retórica, como bem sabes.

      O Governo, a meu ver, ainda não estabeleceu o que está dentro ou fora do chamado Estado Social. Pedro Passos Coelho foi sintético ao afirmar que o seu governo mantém a ética social na austeridade. São palavras que não consigo compreender vistos os cortes efectivos em todos os sectores do Estado. Será estado social cortar na saúde e aumentar as taxas moderadoras? Será estado social cortar os subsídios de férias e de natal? Será estado social aumentar a idade da reforma e limitar o acesso à mesma? Será estado social efectuar cortes no ensino superior?

      Estado Social é quando num determinado país existe o cumprimento efectivo do financiamento na totalidade em sectores básicos como a educação, a segurança interna e a defesa, a segurança social e a saúde. Não embarquemos na ideia de que os sistemas mistos ou os sistemas liberais vão resolver o quer que seja neste país. Isso é a mesma coisa que dizer que o Estado está a empurrar a malta para os privados para se esquecer que tem responsabilidades. O Estado tem responsabilidades a cumprir e isso não é o mesmo que dizer que o estado tem que assumir o excessivo clientelismo dos portugueses ao nível do usufruto dos bens sociais. Há que limitar esse clientelismo, cortando onde se deve cortar. O Estado não pode empurrar os desequilíbrios sociais provocados pelas acções danosas dos mercados para as mãos dos privados. Portugal não está preparado para isso. Portugal não tem um tecto salarial que permita aos Portugueses a criação de um seguro de saúde privado ou o recurso de milhares de estudantes aos créditos universitários concedidos pela banca. Até porque esses créditos carecem obrigatoriamente da existência de emprego. Mais uma vez se prova que vivemos numa roda viva. E o governo parece continuar a cair no engodo dessa espiral negativa.

  2. Zeca diz:

    Ca ganda palhaço tu!

  3. Desculpa, mas não tenho grande tempo para me alongar mais na resposta ao teu comentário. Por isso vai assim, em termos muito sucintos:

    1) Não tenho dúvidas que isso seria uma boa medida a médio prazo para o crescimento.
    2) Teria efeitos positivos ao nível da economia e ao nível da mobilidade social.
    3)Contudo, eis o problema de base: falta de liquidez no nosso País.
    4)E na Europa.
    5)O capital do FMI/FEEF que nos foi emprestado (a juros pouco simpáticos mas, ainda assim, abaixo dos exigidos no mercado) tem como função primordial o pagamento aos credores (de modo a estancar a crise financeira mundial).
    6)O restante, serve para garantir um “Estado minimamente Social”:
    -Saúde, em primeiro lugar.
    -Pensões e outras prestações sociais em segundo lugar.
    -Educação até ao 12º em terceiro lugar.
    As outras funções do Estado: Cultura; Forças Armadas; Polícia; Ensino Superior ficarão com os “trocos”.

    *Quanto às Obras Públicas haverá sempre alguém interessado em fazer umas parcerias ou uns financiamentos. Essas existirão sempre, mesmo que agora em menor medida…

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