Nunca me enganaste

O Record punha-o a fazer crónicas sobre aqueles filmes que oferecia aos leitores às terças-feiras. Uma vez li uma crónica dele sobre o Crash do Cronenberg e até gostei.

Quando o lia a escrever sobre o Sporting, denotava que existia ali uma espécie de benfiquismo. Daquele Benfiquismo bairrista. Daquele benfiquismo que ainda acredita que o Cosme Damião foi também ele aliciado em 1907 a trocar por 25 réis e uma bicicleta de ferro o Benfica pelo Sporting. Daquele benfiquismo cujo ódio visceral ao Sporting é considerado um sentimento puro e viril. Gobern nunca me enganou. Nem mesmo quando Jardel marcava aos potes e João Pinto trocava o mau pelo bom vi Gobern a escrever uma única palavra, uma única linha que dissesse bem do Sporting.

Não há mal nenhum em festejar um golo do clube que se gosta. Se estivesse na mesma situação e se fosse um golaço do Ricky ao Benfica até era capaz de fazer o pino e depois dar uma cambalhota à rectaguarda. O problema dá-se quando o gesto que se faz está a ser visto por milhares de espectadores num canal pago em dupla contagem por todos os contribuíntes portugueses que ao mesmo tempo são assinantes de televisão por cabo. É uma chulice e o gesto deste Gobern deve-se considerar uma obscenidade para quem pretende ter um jornalismo isento.

Vai-te go(b)ernar para outro lado ó Gobern!

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3 thoughts on “Nunca me enganaste

  1. Concordo.. mas partindo do que aconteceu… deveria ser estendido a todo o jornalismo que hoje em dia se faz que de isento não tem nada..

  2. João A. Correia diz:

    Jean Blanc… Eu por acaso não vejo que mal isso tenha. O Gobern é benfiquista assumido e conhecido pelo público em geral. O problema é que nós cultivamos a ideia de que esconder a “clubite” ou a “cor partidária” é sinónimo de isenção… bem pelo contrário. O “pecado” do João Gobern é não ter sido comedido ao revelar a sua satisfação, visto que no programa em causa não tem como objectivo defender uma posição em particular mas, antes, discutir com objectividade e alguma equidistância os “factos futebolísticos”.

    A tomada de posição da RTP parece-me excessiva e algo hipócrita, até… Penso que uma simples advertência bastava e um pedido de desculpas do Gobern aos espectadores no programa seguinte, bastaria para “sanar” a situação.

    Quanto à isenção… o facto de eu não saber o clube do Rui Santos ou do João Querido Manha não me é garantia de qualquer isenção… Permite-lhes, aliás, dizer muita coisa sem temer acusações…

    Oh Branco… basta ver o programa “punto pelota” de Espanha… os tipos que lá vão são correspondentes dos diversos jornais desportivos e demonstram o seu fervor clubistico de uma forma que em Portugal jamais seria tolerado! Mas eu cá, prefiro assim… Acho que é mais honesto!

    • “Não há mal nenhum em festejar um golo do clube que se gosta. Se estivesse na mesma situação e se fosse um golaço do Ricky ao Benfica até era capaz de fazer o pino e depois dar uma cambalhota à rectaguarda. O problema dá-se quando o gesto que se faz está a ser visto por milhares de espectadores num canal pago em dupla contagem por todos os contribuíntes portugueses que ao mesmo tempo são assinantes de televisão por cabo. É uma chulice e o gesto deste Gobern deve-se considerar uma obscenidade para quem pretende ter um jornalismo isento.” – parafraseio-me novamente como resposta ao teu 1º parágrafo.

      “mas, antes, discutir com objectividade e alguma equidistância os “factos futebolísticos”. – transcrevo-te com o objectivo de te apontar a palavra “isenção” – Acreditas na isenção de um jornalista que é apanhado em directo a festejar o golo de um clube?

      O resto concordo. O Rui Santos e o João Querido Manha não são nem nunca serão exemplos de isenção. O primeiro porque é demasiado estúpido para saber o sentido lexical da palavra e porque opina bem ou mal sobre determinado clube dependendo da sua disposição nesse dia. O 2º porque é de demasiado fanático para deixar de ser tendencioso e até falacioso quando opina sobre o Benfica.
      Em Espanha aquilo é diferente. E tu sabes bem porque é que é diferente. No entanto não deixa de ser um case-study onde não existe qualquer isenção deontológica.

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