Monthly Archives: Março 2012

magnífico

Firenze, Memorial Artemio Franchi – Partita amichevole A.C.F. Fiorentina vs F.C. Barcelona 1 : 3, giocata allo stadio Artemio Franchi, nella foto: Stevan Jovetic saluta il pubblico in curva Fiesole.

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Finalmente!

Que fiques sabendo que nunca gostei de ti.

És o melhor piloto que aí anda mas tens mau feitio, uma personalidade de merda e uma enorme falta de escrúpulos. Não te importas de vencer a qualquer custo e nesse aspecto és parecido com o Schumacher. Lembro-me perfeitamente de ver uma vez uma review de uma época onde tu (ainda na Benetton do Briatore) quilhaste a vida ao Massa numa curva e impediste-o à força de vencer a corrida. O Massa, que não passa de um piloto medíocre, veio ter contigo e perguntou-te se querias “vencer roubado”. Tu viraste-lhe a cara e ainda gozaste com ele.

Lá tiveste sorte hoje. Os da frente tiveram azar e tu aproveitaste. No fim, tava a ver que o rookie te levava a corrida. Recaem as suspeitas se o Pérez não recebeu ordens para te atacar nas últimas voltas. A ver vamos mas espero que não. Mas é bom que comeces a ganhar. Tipos como eu só vêem o vermelho (da Ferrari) à frente e começam a ficar chateados com tanta travessia do deserto.

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Partido Sem Destino (nem Democracia)

1. As greves calam-se à bastonada.

2. As graves calam-se não afixando avisos de greve nos Transportes Públicos.

3. As “revoluções tranquilas” fazem-se com a ajuda da Polícia de Segurança Pública, com a imposição de reformas estruturais, programas de ajustamento e políticas de liberalização económica vindas do estrangeiro. As “revoluções tranquilas” fazem-se também com a ajuda de políticas de flexibilização laboral onde alguns parceiros sociais não são autorizados a dialogar.

4. André Coelho Lima, vereador (da oposição) na Câmara Municipal de Guimarães só pode ser um indíviduo autista quando afirma que: ““O país é como uma família. Se o pai for despedido, a família vai ter de apertar o cinto. Se eu quiser fugir a isso, tem de haver alguém que me ponha na ordem. As pessoas, mesmo as mais desinformadas, perceberam que a casa foi mal governada e que o país precisava desta volta drástica”

Acreditar que os cidadãos portugueses estão inteiramente conformados com as políticas de austeridade é passar um atestado de estupidez ao pulsar das ruas, aos retrocessos da economia portuguesa, à diminuição do consumo, ao aumento do desemprego e da pobreza.

5. 3ª regra interna deste governo: “Quando tiveres um ministro tremido pelos lobbies, demite um dos secretários de estado e dá-lhe o aviso que se os voltar a atacar, será demitido”

6. 4ª regra interna deste governo: “Primeiro usa um discurso moralista em que vais prometer que vais levantar o país. Quando o país te cair em cima, prepara um discurso de ataque claro ao anterior governo”.

7. E já agora este é o rosto do fascismo que nos cerca:

Para quando a sua demissão?

Está mais provado que este Ministro começa a meter nojo pelas suas verborreias mentais e pela sua falta de ideologia democrática.

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é preciso ter lata

Dimitri Medvedev disse a Kofi Annan que a sua missão a mandato das Nações Únidas é a “a última esperança para que a Síria não caia numa guerra civil sangrenta e prolongada”.

Segundo a notícia públicada na edição de hoje do Jornal Público:
“Porém, num comunicado citado pela Reuters, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, advertia o enviado da ONU para não tomar parte no conflito e insistiu que o diálogo político seja feito com o Presidente Bashar al-Assad e não apenas com a oposição que tenta destitui-lo.

Lavrov pediu também à “comunidade internacional” para apoiar Annan, “significando isto a não interferência nos assuntos internos sírio e a inadmissibilidade de apoiar um dos lados do conflito”.

O falso moralismo parece ser um dote especial do Kremlin nos dias que correm. Falamos exclusivamente de um dos países que em sede do Conselho de Segurança vetou uma resolução importante contra o regime sírio e de um dos principais fornecedores de armamento do dito regime.

 

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fly

Tiefschwarz – “Fly”

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pois…

Pablito Aimar, mago da bola e do muay thai.

A entrada é viril. Os benfiquistas poderão alegar que Aimar não conseguiu desviar a perna do jogador da Olhanense depois da disputa de bola. Outros alegarão que Aimar vingou a frustração de um jogo muito difícil para o Benfica numa altura complexa da temporada.

Não tenho as mínimas dúvidas que foi para aleijar. Aimar, frustrado com a entrada do jogador da Olhanense tentou vingar-se disfarçadamente. Ainda bem que foi expulso. Numa liga a sério levava no mínimo 4 jogos de castigo. Mas como vem o Braga e depois o Sporting, convém não desalinhar o jogo do Benfica.

O Javi lá deve ter pensado: “ufff ainda bem que não foi desta que me apanharam”.

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adivinha do dia

Quem é ela quem é que se esqueceu de enviar à FADU (Federação Académica do Desporto Universitário) os certificados de matrícula dos atletas universitários da AAC na modalidade de judo e depois, em reunião do referido órgão disse que não conhecia ninguém da AAC?

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calotes de gente importante

A Académica\OAF é um clube de gente importante.

A Académica\OAF tornou-se organismo autónomo com uma estrutura totalmente profissionalizada quando comprou os direitos de competir na 1ª liga assim como o símbolo da AAC à Secção de Futebol.

No entanto, a Académica\OAF tem uma direcção que não sabe honrar os seus compromissos. Prova disso são 122 mil euros que devem à Académica dos estudantes. De fonte segura.

O futebol está podre. Está cheio de um dirigismo que não sabe honrar os compromissos mais básicos.

Sabemos que a coisa está difícil e tal e tal. Acredito perfeitamente que a OAF queira ambicionar muito mais que a luta pela manutenção. No entanto, no futebol são variadíssimos os exemplos de clubes que deram um passo maior que a perna. Não sei se a Académica\OAF está a dar um passo maior que a perna. Sei sim que se ostenta dinheiro para aventuras megalómanas, também o ostentará para pagar o que deve quem de direito.

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Num país civilizado, este agente da PSP já não o seria mais porque é indigno de ser pago com o nosso dinheiro para prestar este tipo de serviços e constitui um perigo para a sociedade no desempenho das suas funções.

Num país civilizado, este agente da PSP seria automaticamente responsabilizado por ter violentado uma jovem fotógrafa que cumpria o seu trabalho.

Num país civilizado, este agente da PSP seria levado aos bancos dos reús por ofensas à integridade física e por abuso de autoridade.

Num país civilizado, o oficial responsável por este agente da PSP veria o seu cargo suspenso até que um processo de investigações ditasse a inocência do mesmo em todo este processo.

Num país civilizado, não sei até que ponto é que o próprio responsável pela tutela desta força policial seria suspenso, afastado do cargo ou convidado a demitir-se do mesmo.

Num país civilizado, o próprio primeiro-ministro e o próprio presidente da república teriam a hombridade de pedir desculpas públicas à cidadã lesada.

Num país civilizado, isto não acontece. Em Portugal acontece. Infelizmente.

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No país do ridículo

Os fascistas do gosto.

Estão a bloquear a cabeça das crianças com tamanhas heresias. E eu que nem sou do Benfica…

 

 

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tirem-lhe o cuouscouz e o cabrito assado

A União Europeia divulgou hoje uma lista de 12 individualidades do regime Sírio às quais vai aplicar sanções pessoais pela falta de reformas democráticas naquele país e pela repressão que o dito regime está a levar a cabo contra os seus opositores.

Assim sendo, Asma-Al Assad, esposa de Bashar Al-Assad sofrerá entre outros danos menores o cancelamento de vistos (Asma vai regularmente a Londres, cidade onde terá vivido uma boa parte da sua vida) e o congelamento de contas pessoais. Creio que para a medida ter uma maior amplitude de danos, a UE também deverá confiscar todos os sapatos Prada da primeira-dama assim como embalagens de Gloss, Rimel, Sombra, batom, soutiens Victoria´s Secret e os cds da Joni Mitchell e da Tracy Chapman que a primeira-dama Síria tanto aprecia. A UE também deverá impedir as exportações de outros países de carne de cabrito e couscouz para a Síria para que a primeira-dama não possa cozinhar o prato favorito do “querido líder” e o dito, com a fomeca, seja obrigado a ceder às reformas exigidas pelos opositores. Costuma-se dizer que um homem conquista-se pela barriga.

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Insensibilidades (Escolares)

Na sequência da confirmação do Ministério da Educação que irá obrigar os estudantes portadores de deficiências ou atrasos mentais a fazer os mesmos exames nacionais que os alunos ditos normais.

Conto-vos o caso do Zé António.

O Zé António era um rapaz que frequentou algumas disciplinas comigo no 11º e 12º ano. O Zé António, por infelicidade da vida, era portador de uma doença neurológica degenerativa desde tenra idade e era desde aí (devido à pobre condição sócio-economica da família; a mãe já era na altura inválida e acompanhada devido a graves distúrbios psiquiátricos; o irmão, apesar de trabalhar na Junta de Freguesia de Águeda era paraplégico devido a um acidente com uma arma de pressão de ar) que já era acompanhado diariamente pela IPSS da sua freguesia e pela Segurança Social. O Zé António, entravado numa cadeira de rodas a motor, e apesar de tudo o que o rodeava, era um adolescente pacato que se punha no bar a falar de ficção científica com outros alunos e a apreciar o jogo de cartas magic que os mesmos faziam.

Toda a gente na minha turma sabia quem era o Zé António menos eu. Eu, como vinha transferido de outra escola da região, e como vivia no outro lado do concelho não conhecia o caso em específico. Outros colegas meus vindos da freguesia do Zé António, conhecendo o caso em específico, olhavam para o Zé António (infelizmente a família não lhe zelava pela higiéne diária) com uma certa cara de nojo derivada do seu cabelo ralo e casposo, dos seus dentes amarelíssimos e do cheiro nauseabundo do fato de treino que usava sem parar durante semanas a fio.

Confesso que a primeira vez que olhei para o Zé António senti um misto de perplexidade. Nos meus tenros 16 anos não compreendia como é que uma mãe e um pai deixavam um jovem com carências extremas ir assim para a escola. Não compreendia também que mal tinha feito aquela criatura para viver assim, para morrer assim.

Decidi tomar uma atitude de homenzinho. Fui durante várias disciplinas colega de carteira do Zé António. Eu e o Marcos, colega que já não vejo há anos. Eu e o Marcos eramos as mãos do Zé António, o cérebro do Zé António, os olhos e os ouvidos do Zé António. Eramos nós quem apontavamos a matéria nos seus livros, quem lhe virava as páginas dos manuais, quem explicava uma palavra ao Zé António quando ele não lhe percepcionava o léxico. Eramos nós que brincavamos com o Zé António. Eu, com a cara feia que Zeus me deu, fazia macacadas para ele se rir, fazia-lhe os resumos das vitórias do nosso Sporting, oferecia-lhe posters do Hugo Viana, do Carlos Martins, do Cristiano Ronaldo (em Manchester) do Niculae e do João Moutinho. Ofereci-lhe um dos meus cachecóis do Sporting quando me despedi dele pela última vez, já em Setembro, prontinho para iniciar a minha aventura pelo Ensino Superior. Eramos nós quem tiravamos o Zé António da carrinha da IPSS que o levava à escola e quem o metia dentro da mesma carrinha no final das aulas. Eramos nós que muitas vezes lhe dávamos a comida na boca na cantina. Fomos nós que estivemos tardes inteiras a falar com ele para ver se o carolo passava ao exame nacional de história, disciplina em que teve um fantástico 12 na prova final.

Nunca mais me esquecerei do Zé António. Sei que é vivo e sei que mora num lar de idosos. Mas nunca mais o vi desde então.

O Zé António deu-me a prova que somos homens de carne e osso e que somos todos iguais. O Zé António deu-me a prova viva que um homem não se mede pelo seu estatuto social. Não existem estatutos sociais. Existem Homens e homens.

Esta medida do Ministério é ridícula.

Se vamos neutralizar todas as incapacidades mais vale que o surdo comece a ser abandonado no ensino daqueles que ouvem. Que o cego aprenda a ler pelos livros normais e não pelos livros em braille. Que o disléxico continue a escrever da direita para a esquerda. Que o paraplégico e o tetraplégico leve falta de material nas aulas de Educação Física quando não puder correr. Que os miúdos portadores de trissomia 21 aprendam que D. Afonso Henriques criou esta nação através do gesto de uma espada. E por aí além.

No fim desta storyline, não sei quem é mais atrasado mental: se os pobres coitados cuja vida lhes ceifou uma vida normal, se os ditos pedagogos do Ministério.

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hiper-democracias ou a falta dela.

Quando penso sobre o valor Democracia e sobre o valor Liberdade, confesso que começo a ficar confuso.

Pegando nesses valores como inseparáveis, já não consigo perceber a diferença entre a ditadura e uma democracia tosca, falsa e mal institucionalizada.

A única diferença que consigo vislumbrar entre as duas reside no facto da ditadura ser instituída por métodos que tornam previsíveis aos cidadãos as consequências dos seus actos e a democracia falsa ser instituída de forma a criar um grau de imprevisibilidade nesses mesmos actos em relação às suas consequências práticas. Quero com isto dizer em duas pinceladas que a ditadura, pela imposição e utilização de todo o tipo de meios, instrumentos legais e instituições repressivas, faz com que o cidadão necessite de repensar as consequências dos seus actos antes de agir concretamente perante dado caso (p.e num país onde não há liberdade de expressão e onde opinar dá direito a sanção penal, o cidadão tenderá a comportar-se adequadamente a esta imposição legal) e numa falsa democracia, pela criação de um institucionalismo tosco, tendencioso, imprevisível, lobbysta e pela criação legal que permite a distinção prática entre as elites e o povo, a atitude e os comportamentos do cidadão não só tendem a ser mais liberais e abrangentes como as respostas do poder governativo e administrativo podem ser transmitidas nos moldes da resposta dada pela polícia aos manifestantes de ontem.

Esta introdução remete-me obrigatoriamente para um texto delicioso escrito pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e pelo sociólogo brasileiro Leonardo Avritzer intitulado “Para âmpliar o cânone democrático”.

Podendo ler esse texto na íntegra aqui, Santos e Avritzer dão uma autêntica lição discursiva sobre as intensas batalhas que a democracia teve que ultrapassar no século XX. A meio do texto, os dois autores discursam de forma exemplar sobre a dificuldade da implantação e institucionalização democrática nos países europeus saídos de ditaduras (como Portugal) e nos países do hemisfério sul no período de pós-colonização, onde os mesmos tiveram que construir uma experiência democrática a partir da estaca zero, muitas vezes ultrapassando os problemas decorrentes da tosca aplicação democrática pelas necessidades de abertura aos mercados decorrentes de entrada numa economia global.

Portugal é um belo exemplo de um país onde a experiência democrática está a ser aplicada às 3 pancadas.

Ainda ontem, na manifestação decorrente da greve nacional convocada pela CGTP, tivemos este belíssimo exemplo de um governo que começa a temer a contestação promovida pelo povo.

Qual constituição, qual quê? Porrada neles.

Os agentes do corpo de intervenção da Polícia de Segurança Pública, agentes que são pagos pelo nosso dinheiro para manter a segurança e a ordem pública, acabaram por libertar de uma vez só a frustração de anos e anos de profissão em que não conseguem combater males maiores à sociedade como a prostituição por coacção de terceiros, o desmantelamento de redes de narcotráfico nas grandes cidades, o crime organizado e as máfias estrangeiras que operam em Portugal para descarregar umas boas bastonadas em cidadãos que livre e pacificamente reinvindicavam os seus direitos perantes os cortes anti-democráticos que o nosso governo de direita faz segundo o mando desse documento chamado Memorando de Entendimento com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.

Como diria Pedro Rosa Mendes, “não somos a voz do dono de ninguém” – somos sim, donos do nosso próprio destino e donos do nosso próprio país! A Democracia constroi-se a partir das nossas instituições e não a partir daquilo que as instituições regionais e mundiais pensam que é bom para o nosso presente e para o nosso futuro.

Feliz ou infelizmente, a democracia já ultrapassou a era do contrato social iluminista. No entanto, o contrato social ainda pode explicar muita coisa nos tempos que correm. Como a confiança do povo nas mãos dos seus governantes tenderá a ser praticamente nula, quando o povo já não demonstra essa confiança, os governos terão que cair. O Sérgio Godinho explicava muito do contrato social quando cantava “a paz, o pão, habitação, saúde, educação” em prol da Liberdade. O Estado, deveria por defeito ser o garante desses 5 pilares. Em Portugal, o estado deixou de ser garante dos 3 primeiros e tenderá a extender-se progressivamente para fora dos dois últimos.

Ocorre-me ainda perguntar quem foi o indíviduo que deu ordem para este acto hediondo. Se foi alguém da tutela responsável pelas forças policiais, diria que tal recorrência à força para este tipo de eventos já é um acto paralelo à própria história de um dos partidos do governo. Assim aconteceu quando os polícias se viraram contra os polícias e quando os estudantes foram corridos à lei do bastão no aumento de propinas nos anos 90. Assim aconteceu por exemplo quando Alberto Martins pediu a palavra nas Matemáticas em 1969 perante o Ministro da Educação em nome dos estudantes de Coimbra. Semelhanças com o modus operandi do Estado Novo só me fazer reflectir para a ideia que vivemos numa democracia falsa.

Chegamos a um ponto neste país onde as pessoas não tem direito a uma vida condigna. Escasseia o emprego, escasseia o rendimento das famílias para fazer face às suas obrigações, o nível de vida subiu abruptamente assim como a carga fiscal imposta pelo estado e o acesso aos bens sociais que o estado deveria assegurar (como manda a constituição) como “tendencialmente gratuitos”.

Pior que esse facto é o facto de vivermos num país onde o ordenamento jurídico nos autoriza a liberdade de expressão e o direito à greve, mas onde empresários aparecem de caçadeira em punho nas suas empresas para aterrorizar os seus trabalhadores e persuadi-los pela força a não fazer greve e onde as próprias instituições do estado são as primeiras a usar a violência para reprimir esses mesmos direitos.

Vivemos num país sem rei nem roque. O poder é transversal. Pertence ao povo não aos governos, não aos partidos políticos. No mesmo sentido em que se elegem representantes, o povo é livre para destituir dos cargos esses mesmos representantes quando não se sentir satisfeito. O povo é digno de entrar pacificamente pela Assembleia da República e terminar a pouca vergonha que os partidos políticos por lá fazem. O povo é digno de mudar o rumo do seu país se assim o pretender.

Caberá a cada cidadão zelar pelos seus interesses. Caberá a cada cidadão consciencializar-se daquilo que pretende para a sua vida. Sei que são cada vez mais os revoltados com o presente e com o futuro do país. A única coisa que peço é que esqueçam os partidos políticos e as ideologias. Lutem pela vossa vida. Ergam-se e lutem por algo melhor. Façam a revolução. Para bem desta tosca democracia. Para bem deste país.

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Bulls vencem em Orlando (e outras da Liga)

Poucos minutos antes de ter escrito esta crónica, assistir a mais uma vitória de Chicago. Nesta madrugada, os Bulls bateram de forma sensacional os Toronto Raptors, numa partida em que estiveram a perder durante 3 períodos.

Na terça-feira, os Bulls foram sensacionais ao derrotar os Orlando Magic (3º da conferência este com um score de 30-18) por 85-59. Numa altura em que se tem criticado a equipa de Chicago por estar sistematicamente a lamentar-se com as ausências de Derrick Rose e quando se aproxima o jogo de sábado frente ao líder do Oeste (Oklahoma City Thunder) em que Rose não irá marcar presença (ausência praticamente confirmada pelo departamento médico dos Bulls) Chicago tem mais uma resposta colectiva sensacional em Orlando, vulgarizando Dwight Howard e os seus Magic.

Howard, que recentemente extendeu por mais uma época o seu contrato com Orlando, olhava apreensivo do banco de suplentes para a sua equipa. Não era para menos, Chicago dominou em todos os aspectos do jogo e fez com que os Magic não conseguissem ultrapassar os 20 pontos de pontuação em cada parcial. O melhor parcial que Orlando conseguiu foi um magro 15-12 no 3º período.

Do lado dos toiros, grande exibição para Carlos Boozer. Boozer está a jogar muito bem. Mais seguro na hora de atirar. No jogo contra Orlando atirou de todos os cantos e feitios e saiu-me muito bem com 24 pontos resultantes de 12 lançamentos em 18 tentativas. É raro ver um Boozer a lançar tanto, a lançar de longe e a lançar com tanta eficácia. O 2º jogador em destaque foi John Lucas. O base voltou a saltar do banco (quando Rose e Hamilton estão em campo Lucas não salta do banco a não ser nos minutos finais se a equipa estiver a ganhar por larga vantagem) e voltou a fazer estragos. Lucas está a aproveitar a ausência dos bases para ganhar o seu espaço na rotação. Contra Orlando, o base fez 20 pontos resultantes de um belíssimo e eficaz 8-13 em lançamentos de campo onde 4 dos 8 certeiros foram de 3 pontos. Luol Deng também fez 14 pontos, mas continua a ser uma pontuação algo escassa para o 2º melhor da equipa de Chicago.

Desengane-se quem pensa que Dwight Howard teve um dia para esquecer. O poste tentou levar (como sempre) a sua equipa às costas. Fez 18 pontos e 12 ressaltos. Mesmo perante a oposição de Boozer (13 ressaltos) Gibson e Asik (8 ressaltos cada).  Esteve muito eficaz com 8 em 12 em lançamentos de campo. No entanto apanhou uma das melhores atitudes defensivas dos Bulls do ano, o que inclusive levou a ESPN a passar muitas vezes imagens defensivas dos Bulls com os seus comentadores a dizer que esta defesa dos Bulls é provavelmente uma das melhores senão a melhor da história da NBA. E tem toda a razão, pois confesso que desde que sigo a NBA a sério (2001) nunca vi uma equipa defender de forma tão severa e ao mesmo tempo tão eficaz. Howard esteve bastante desacompanhado na partida: apenas Ryan Anderson conseguiu passar a barreira dos dois digitos de pontos. Fraquíssimas exibições por parte de Jameer Nelson e Hedo Turkoglu.

A equipa de Orlando lançou muito em mal. Enquanto os Bulls embalados por Boozer e Lucas obtiveram um score de 35 lançamentos em 79 tentativas (incluíndo um razoável registo de 7-18 em triplos) a equipa de Orlando lançou muito e mal, obtendo um score de 24-68 em lançamentos de campo (4-20 em triplos). A juntar ao fraco desempenho de tiro, Orlando cometeu 19 turnovers contra os 16 de Chicago. Tenho visto muito jogos esta época e fico com a sensação que as equipas (na globalidade) andam a cometer mais turnovers que o habitual.

Mais uma vez se viu algo em Chicago que denota melhoria em relação ao ano passado. Acabaram-se os ataques em que os bases não trabalham as jogadas. Quero com isto dizer as situações de jogo frequentes na época passada em que Rose ou Watson chegavam ao ataque e em vez de pensar plataformas de ataque, optavam pelo ataque rapido ao cesto. Actualmente vejo uma equipa dos Bulls que demora mais tempo a atacar mas que consegue delinear as jogadas de forma correcta, optando por soluções de passe até se encontrar um jogador livre para lançar. O jogo interior também tem ganho muita expressão com esta eficácia de Boozer e com a bravura de Joakim Noah.

Outros jogos da Liga:

Wade (31 pontos) e Bosh (23 pontos) afundaram o rival do Estado da Flórida no dia anterior a Chicago.

No Staples Center, a equipa de Utah continua a fazer pela vida na tentativa de chegar aos playoffs. Os Lakers tiveram uma prestação para esquecer e sofreram um pouco com a súbita queda de forma do seu líder Kobe Bryant. Bryant teve um jogo para esquecer com 3 lançamentos de campo em 20 tentativas. Brilharam Bynum (33 pontos e 11 ressaltos) e Gasol com 18 pontos e 10 ressaltos. Daí que nos últimos dias se tenha feito a piada que os Lakers vencerão mais jogos se Bryant resolver passar a bola a Gasol e Bynum.

Os Jazz começam a lutar contra o tempo para chegarem aos playoffs. A equipa de Salt Lake City está na 9ª posição do Oeste com um score de 24-22, apenas a um jogo dos playoffs pois Houston tem um score de 25-22. Em Los Angeles, brindaram-nos com mais uma exibição colectiva: Paul Millsap (é o grande líder desta equipa) fez 24 pontos, 9 ressaltos e 5 assistências, Josh Howard, Derrick Favors e Devin Harris fizeram 12 pontos e do banco saltaram os inspirados Hayward e Enes Kanter (finalmente) com 17 pontos respectivamente.

Jogo fraco em Atlanta onde a excelente carreira de tiro de Joe Johnson foi insuficiente para travar o jogo colectivo de Boston. Prometem-se bons e duros playoffs para as duas equipas caso se encontrem na 1ª ronda.

Jogo para Dirk Nowitzky brilhar (33 pontos). Arron Afflalo também fez uma excelente exibição por parte dos Nuggets (24) mas a noite seria do Alemão, que, perante a aproximação dos playoffs está a aumentar o ritmo da pastilha e está a tornar-se cada vez mais certeiro. Bom sinal para os Mavs.

Os Rockets continuaram a maldição dos Lakers. Bryant voltou a não passar a bola e fez 10-27 em lançamentos de campo. Mesmo assim marcou 29 pontos. Se os tivesse acertado todos (incluíndo lances livres) o extremo poderia ter feito algo como 68 pontos. Pau Gasol fez 16 pontos mas os Lakers estiveram muito mal defensivamente.

Na presença de Yao Ming (ainda não se sabe se voltará à competição) foi o seu colega de posto Luis Scola (está a fazer uma grande época; já vi Scola por várias vezes a pegar na bola na linha de lance livre e a levar toda a gente atrelada a ele até ao cesto!) a brilhar com 23 pontos. Quem também brilhou foi o base suplente Courtney Lee com 23 pontos. Lee subiu a titular graças à lesão temporária de Kevin Martin, outra das estrelas dos Rockets. Quem também está em destaque em Houston é o base esloveno Goran Dragic. Este esloveno fez 16 pontos e 13 assistências.

Outras da Liga:

Ainda as trocas.

Depois de expirado o período legal para trocas,

Na sexta-feira, Cleveland que tinha recebido Jason Kapono de Los Angeles na troca Ramon Sessions decidiu despedir o extremo. O antigo rei dos triplos da NBA deverá decerto rumar à Europa ou esperar que alguém o contrate de forma livre até aos playoffs, dado que é possível contratar atletas livres até ao final da fase regular.

No sábado Denver assinou por 5 anos com Wilson Chandler. O antigo jogador dos Knicks, que já tinha actuado em Denver na época passada  vem reforçar em muito o shooting da equipa do Nevada. Chandler é conhecido por ser um jogador que se perdeu pelos seus péssimos hábitos. Há uns meses atrás foi inclusivamente detido em Nova Iorque por ter sido apanhado a fumar marijuana dentro de um Hummer, o que motivou o seu despedimento dos Nuggets. Na 4ª época na Liga, Chandler conseguiu atingir o seu ponto auge em 2010\2011 ao serviço dos Knicks onde em 51 jogos conseguiu uma média pontual de 16.4. Entretanto seria trocado para Denver no pacote por Carmelo Anthony.

Satisfeitos com o voador Gerald Green (média pontual de 11 em 12 jogos pelos Nets) a equipa de New Jersey decidiu oferecer um contrato a este jogador de 4ª temporada que andava intermitente entre a NBA e a D-League. Green tem aqui a sua oportunidade para se estabelecer de vez na Liga depois de passagens por Boston, Houston, Dallas e pela Europa.

Na segunda-feira, Houston despediu Derek Fischer. O veterano base tinha vindo de LA. Houston não o quis e Fischer foi assinar por Oklahoma City. Não servia para os Lakers. Vai agora reforçar a equipa com melhor score no Oeste e ajudar a colmatar um défice que os Thunder tem tido pela falta de um base que faça exclusivamente transporte de bola.

Na terça-feira, Andrés Nocioni foi despedido por Philadelphia. O argentino deverá despedir-se da Liga para voltar à Liga Argentina, desejo que já era público do jogador depois de ter jogado no Peñarol de Mar de Plata durante o lock-out. Nocioni despede-se da competição depois de várias épocas interessantes em Chicago e Sacramento.

No mesmo dia, Memphis contratou Gilbert Arenas. Reforço para playoffs, mais pela experiência do que pelo aumento de mais-valia que trás à equipa do Tenessee. Arenas já foi All-Star mas há muitos anos que se arrasta pela liga em virtude de uma grave lesão que sofreu ainda ao serviço dos Wizards.

Hoje, Miami contratou o Francês Ronny Turiaf. Washington tinha trocado o jogador com Denver no pacote Nênê e McGee. Denver não assumiu o jogador e ele agora vai parar a Miami.

O mítico e inconfundível. Cada vez mais pançudo. Entra sempre para fazer o seu cestinho da ordem e para por o United Center de Chicago ao rubro. All-Star da Mine e dos tremoços.

Para quem não o conhece, disfarça bem. Por vezes dou por mim a ver Nova Iorque e a pensar que no fim de contas estou a ver Miami, tantas são as vezes que as movimentações do Melo são iguais às do LeBron e que a bola tem cola nas suas mãos e não sai para as mãos de mais ninguém.

Só de uma noite de bebedeira é que Michael Jordan se poderia ter lembrado de comprar os Bobcats. Ou então a Nike não lhe pagou honorários suficientes da sua linha de sapatilhas para comprar os Bulls.

Desde que Jordan tomou posse como proprietário dos Bobcats que a equipa do seu estado natal nunca mais voltou a ser a mesma. Pela Negativa. Os Bobcats continuam no seu mundinho à parte, a levar tareia após tareia. 7-37 é mau demais para ser verdade.

Pior que isso foi o acordo que os Bobcats fizeram com Boris Diaw. Um dos seus melhores jogadores decidiu em conjunto com a equipa terminar o seu contrato para poder assinar livremente com outra equipa do NBA. Bulls poderão ser um lugar para o veterano francês. Isto se exonerar a 1st pick de draft que Charlotte deve a Chicago pela transferência de Tyrus Thomas. Mas duvido que Chicago pretenda fazer esses acordos.

Cena muito feia em Sacramento. Com Rubio no estaleiro até ao final da época, começam-se a esfumar as hipóteses de Kevin Love e dos Minnesota Timberwolves em conseguirem os playoffs. Love começa a perder a paciência com os seus colegas de equipa. Depois de uma discussão com Barea no banco de suplentes na derrota contra os homens do Óregon, Love e Barea chegaram a vias de facto, tendo que ser afastados pelos colegas.

O base porto-riquenho já se deverá ter arrependido do facto de ter trocado Dallas por Minnesota.

No jogo desta madrugada contra Chicago, em honra das forças armadas Norte-Americanas e Canadianas os Toronto Raptors decidiram usar um uniforme verde camuflado.

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Honrar os vivos (e já agora os mortos)

Messi é um jogador fantástico. Leva a bola nos pés como se tivesse manteiga. Dribla como ninguém. É esguio, é rápido, é letal a finalizar. Em quase todos os jogos, leva equipas inteiras à frente e finaliza fintando o guarda-redes. Messi é aquele jogador que executa tão rapidamente que assume o seu jogo na base do risco. Basta um pedaço de terreno e Messi faz Magia. Até quando temos a noção que o defesa vai ser mais lesto a desarmá-lo ou a fazer falta, Messi surpreende com um toque mágico de ouro. É disciplinado e não treme perante a pressão. Já ganhou a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Campeonato do Mundo de Clubes.

No entanto, Messi ainda não conseguiu aquilo que o pode comparar a El Pibe: ser campeão do mundo pela Argentina e chegar (como El Diez chegou) a uma cidade do Sul de Itália como Napoles, cujo clube clube estava na altura na 2ª divisão italiana e contrariar todos os arranjinhos que a Federação Italiana de Futebol fazia até então para que o dono do scudetto oscilasse entre Milão, Roma e Turim.

Costumo dizer que quando Messi chegar à categoria de um clube como a Cremonese ou o Macclesfield Town e levar essa equipa ao título máximo dos respectivos países, aí sim, Messi será para mim iconizado como o melhor jogador da história do futebol.

Não quero com isto tirar brilho aquele que para mim é o melhor jogador da actualidade. Não é aquele que mais gosto. Pelo meu gosto, adoro um Zlatan Ibrahimovic que finaliza constantemente em força, um Ronaldo que é esquivo, um Luka Modric que pensa todo o jogo de ataque de uma equipa e um Gareth Bale locomotiva. Entre outros…

Deixo-me de blá blá blá e passo de seguida aquilo que me motivou a escrever este post.

Nunca fui um fã do Barcelona. Fui sempre daqueles que simpatizei com a equipa consoante os craques que ia contratando. Nas eras Robson\Cruyff\Van Gaal gostava do Ronaldo (quando ainda era magro) do Couto, do Figo, do Baía, do Nadal e do De La Peña. No final da era Van Gaal e na estadia do Carles Rexach, adorava a manada de Holandeses que o clube tinha, com especial destaque para o Philip Cocu, um dos médios mais inteligentes que vi jogar na minha infância\adolescência. Também admirava o Cavalo Manco. Para leigos, era o nome pelo qual o Rivaldo era tratado carinhosamente pelos seus colegas da selecção Brasileira. O Cavalo Manco era elegante no passe, finalizava luxuosamente à entrada da área e fazendo jus ao ditado popular “cada tiro cada melro” podia-se traduzir que era “cada tiro, cada golo” de livre. Sempre ao canto num estilo de pés inconfundível.

Depois veio a era Rijkaard e a simplificação do modelo implantado 15 anos antes no clube pelo mítico Rinus Michells. A cantera começou a fornecer talentos e o Barça começou (pela necessidade de assimilação da unificada táctica de jogo da equipa) a capturar talentos a olho: Ronaldinho Gaúcho, Deco, Eric Abidal, Daniel Alves, Samuel Eto´o, David Villa, etc Todos eles já tiveram o seu tempo de “partir tudo” na Catalunha.

A estética bonita do futebol do Barcelona (diria eu à passagem dos anos 2006, 2007 e 2008) começou a soar-me como coisa feia nos dias que correm. Costumo dizer que quando o Barça joga, vou tirar uma soneca, tal é o grau de sono que aquele modelo de contenção de bola meu causa.

Fora-de-campo, o Barça é um clube com uma gestão de doidos e com um objectivo expresso.

A gestão do Barça oscila entre a captação de recursos e o esbanjamento puro e duro. É uma máquina de fazer dinheiro mas também é uma máquina de o gastar. Nou Camp chega a ter uma política em que os lugares lá de cima são comprados por várias pessoas na espécie de bilhete anual, cabendo aos primeiros milhares a chegar ao estádio a possibilidade de ver os jogos. Interrogados por mim, catalães disseram que não se importam de dar 1000 euros por um bilhete anual onde sabem que se chegarem atrasados vão ver a bola ao café no centro comercial. Querem sim é dar dinheiro ao clube porque o clube representa toda uma cidade, toda uma região e todo um sentimento separatista a Madrid. Dizem que se ultrapassaram o tempo do franquismo enquanto clube (os adeptos do Barça eram proíbidos de levar bandeiras e tarjas alusivas à equipa para Nou Camp) tem orgulho em mostrar a Madrid que são os mais fortes em território espanhol. Subliminarmente, até o próprio futebol catalão mostra uma ideia separatista ao criar aquela coisa estranha a que chamam Selecção da Catalunha.

O presidente do Barcelona Sandro Rosell, ligeiramente antes das eleições para o clube e ainda na pele de vice-presidente para a área financeira afirmou no final da época passada que o Barcelona não possuía um euro de capital próprio nas suas contas, estando para tal dependente do empréstimo de bancos. Rosell, banqueiro, sabe perfeitamente que existem poucos bancos no mundo que neguem um empréstimo a um dos mais endividados clubes mundiais. O Barcelona clube optou então que uma das soluções para enfrentar a austeridade seria fechar modalidades, o que acabou por não acontecer. A austeridade de Rosell era tanta que no defeso, o Barça não se importou de gastar 75 milhões de euros em 2 reforços: Cesc e Aléxis. Curioso.

Outro dado que já me fez escrever uma vez aqui no blog é o carácter exemplar do dirigismo barcelonista quanto ao patrocínio da UNICEF. Mais uma vez pego em Rosell. Em 2007 Rosell afirmava em tempos de vacas gordas que o Barça pagava o que fosse preciso para que a UNICEF tivesse um patrocínio na frente da camisola do clube. Anos passaram e a UNICEF passou para o dorso da camisola e deu lugar à Qatar Foundation a troco de 30 milhões\ano. A hipócrisia sem limites.

O separatismo Catalão é uma coisa dura como bem sabemos. O ódio a Madrid é visceral. No Barcelona, todos os produtos da cantera são dados como deuses porque lhes corre sangue catalão nas veias. Maradona vinha rotulado de Deus mas acabou por ser rapidamente chutado para Itália. Diziam eles que fazia um jogo genial por cada 5 maus. Maradona justificou-se que o tratamento que lhe davam em Barcelona era bastante inferior a paupérrimos colegas que saiam da cantera. Rivaldo, Cruyjff, Figo (antes de trocar para Madrid) Kubala, Ronaldinho e Messi são das raras excepções entre os estrangeiros que actuaram em Barcelona e que conseguiram ter um estatuto superior a qualquer jogador catalão. Se bem que Messi partilha o mesmo estatuto com Xavi, Iniesta, Piqué e Puyol. Figo partilhava-o com Guardiola e De La Peña.

É fantástico comparar este dado separatismo com o separatismo Basco. O Athletic de Bilbao tem como obrigatoriedade nos seus estatutos alinhar todos os jogos com jogadores nascidos no País Basco: tanto no do lado espanhol (inclui jogadores nascidos em Navarra, caso de Urzaiz) como do lado francês de onde já veio Bixente Lizarazu, antigo internacional Francês.  O Athletic Bilbao é inegavelmente uma das maiores escolas de formação do mundo. De Bilbao já saíram para o mundo jogaores como Rafael Alkorta, Belauste, Joseba Exteberria, Goikotxea, Ismael Urzaiz, Julen Guerrero, José Angel Iribar, Javier Irureta, Aitor Karanka, Andoni Zubizarreta, Uriarte e Júlio Salinas. Meia selecção espanhola dos últimos 2o anos portanto. Actualmente tem outros: Markel Susaeta, Iraola, Oscar de Marcos, Iker Muniain, Joseba Llorente, Javi Martinez. O Athletic de Bilbao tem uma gestão perfeita: só gasta aquilo que pode, tudo em ordenados pois raramente contrata um jogador e quando o contrata, contrata a clubes pequenos da periferia como o Deportivo Alavés, Baskonia, San Fermín ou a clubes fortes da região como o Osasuna ou Real Sociedad. O Athletic de Bilbao não tem 1\7 do potencial financeiro que ostenta o Barcelona e faz história (muita história) com aquilo que produz internamente.

Já o Barça gaba os títulos aos seus catalães de meia tigela e vence-os com os estrangeiros que compra a potes. Messi é só mais um exemplo.

Para finalizar, é bom ver como um clube adultera a sua própria história. Cliquem aqui.

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O suspeito habitual

Por Bradford DeLong, Professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e antigo subsecretário do Tesouro dos EUA

“Por todo o mundo euro-atlântico, a recuperação da recessão de 2008-2009 permanece lenta e hesitante, transformando um facilmente curável desemprego cíclico num desemprego estrutural. E o que foi um breve soluço no processo de acumulação de capital transformou-se num prolongado défice de investimento, que implicará uma acumulação de capital mais baixa e um menor nível do PIB real não só hoje, enquanto a recuperação está em curso, mas possivelmente por décadas.

Um legado da experiência da Europa Ocidental na década de 1980 tornou-se um princípio básico: por cada ano que uma menor utilização da força de trabalho e uma redução do capital físico total resultante da diminuição do investimento fazem diminuir a produção para 100 mil milhões de dólares abaixo do normal, então o potencial produtivo no pleno emprego em anos futuros será 10 mil milhões de dólares abaixo do que se preveria caso a retracção não tivesse ocorrido.

As implicações fiscais disto são notáveis. Suponhamos que os Estados Unidos ou as economias centrais da Europa Ocidental impulsionam as suas compras governamentais para o próximo ano por 100 mil milhões de dólares. Suponhamos ainda que os seus bancos centrais, estando indisponíveis para se comprometer adicionalmente em política monetária não convencional, estão também indisponíveis para entravar políticas de governos eleitos, contrabalançando os seus esforços para estimular as suas economias. Nesse caso, um simples multiplicador de condições monetárias constantes indica que podemos esperar uns 150 mil milhões de PIB adicional. Esse impulso, por sua vez, gera 50 mil milhões de dólares de rendimento fiscal extraordinário, implicando um acréscimo líquido à dívida nacional de apenas 50 mil milhões.

Qual é a taxa de juro real (ajustada pela inflação) que os Estados Unidos ou as economias centrais da Europa Ocidental devem pagar por esses 50 mil milhões de dólares de dívida adicional? Se for 1%, impulsionar a procura e a produção por 150 mil milhões de dólares no próximo ano significa que devem ser reunidos 500 milhões de dólares em todos os anos futuros para impedir que a dívida cresça em termos reais. Se for 3%, o aumento anual necessário de rendimentos fiscais sobe para 1,5 mil milhões de dólares. Se for 5%, o governo necessitará de uns 2,5 mil milhões de dólares adicionais todos os anos.

Assumindo que uma produção continuamente abaixo dos níveis normais lança uma sombra de 10% em futuros níveis de produção potencial, esses 150 mil milhões adicionais de produção significam que no futuro, quando a economia tiver recuperado, haverá uns 15 mil milhões de dólares adicionais de produção – e uns 5 mil milhões adicionais de rendimentos fiscais. Os governos não precisarão de aumentar impostos para financiar a dívida extra contratada para financiar impulsos fiscais. Em vez disso, será provável que o contributo no longo prazo da oferta agregada sobre a produção potencial proveniente da política fiscal expansionista consiga não apenas pagar a dívida adicional necessária para financiar o aumento de gastos, mas também permitir cortes fiscais futuros ao mesmo tempo que se equilibra o orçamento.

Esta é, para dizer pouco, uma situação altamente invulgar. Normalmente, os multiplicadores aplicados a expansões nas compras do governo são muito menores do que 1,5, porque o banco central não mantém as condições monetárias constantes à medida que os gastos do governo aumentam, mas antes age para manter a economia no caminho para atingir o alvo inflacionista da autoridade monetária. Um multiplicador mais habitual será o multiplicador compensatório da política económica de 0,5 ou zero.

Além disto, numa situação normal, os governos – mesmo o governo dos Estados Unidos e os da Europa Ocidental – não conseguem gerir a dívida adicional e em cima disso ainda pagar uma taxa de juro real de 1%, ou mesmo de 3%. Normalmente, a aritmética do aumento das compras por parte do governo diz-nos que um pequeno ou dúbio aumento actual da produção traz um fardo financeiro mais pesado no futuro, o que transforma a expansão fiscal financiada por dívidas numa má ideia.

Mas a situação actual é tudo menos vulgar. Hoje a economia global está, como salienta Ricardo Cabellero do MIT, ainda desesperadamente à procura de activos seguros. Os investidores globais estão dispostos a pagar preços extraordinariamente altos e a aceitar taxas de juro extraordinariamente baixas sobre dívida de economias centrais, porque valorizam como um proveito extraordinário a detenção de um activo seguro que possam usar como garantia.Neste momento, a preferência dos investidores pela segurança torna o financiamento adicional de dívida soberana anormalmente barato, enquanto as sombras no longo prazo provocadas pela produção e pelo emprego prolongadamente abaixo dos níveis normais tornam a lenta recuperação actual previsivelmente cara. Dada a necessidade de mobilizar recursos ociosos no curto prazo para manter o potencial produtivo no longo prazo, uma maior dívida nacional seria, como Alexander Hamilton, o primeiro Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, o disse, uma bênção nacional.”

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