Voltamos definitivamente ao tempo do fascismo

Volta o mítico exame da 4ª classe de que os nossos avós falavam.

Sempre defendi que um dos problemas do ensino português são as constantes reformas. Estamos num país em que ao nível da educação as mudanças que se verificam são efectuadas com um espaço temporal de um ano lectivo. Ora se mudam os manuais escolares, ora se mudam os programas de cada disciplina, ora se muda a duração das aulas, ora se impõem novos métodos de avaliação. Só eu, nos 12 anos de ensino primário, básico e secundário fui beneficiário de 4 reformas no ensino.

No ensino português passamos do 8 ao 80. Com a pouco saudosa Maria de Lurdes Rodrigues, tudo era permitido. Os alunos até ao 9º ano só chumbam de ano se os pais assim o consentirem. Com Nuno Crato assistimos a medidas hediondas. Esta medida de colocar miúdos de 9 e 11 anos a fazer exames nacionais com um peso considerável na nota final é uma medida muito pouco pedagógica. Um aluno de 4ª classe ainda não tem maturidade para se sentar numa carteira e resolver um exame como se estivesse no 12º. É uma ideia estapafúrdia. Um aluno que tenha um aproveitamento de 60% durante um ano lectivo poderá efectivamente chumbar um ano se baquear psicologicamente num destes exames. Será um exame pertinente para desavaliar um aluno que cumpiu os trâmites de aprovação até então?

Este Ministro continua a pautar o seu discurso pela necessidade da excelência no ensino. Será que a excelência comporta colocar em stress crianças de 9 anos?

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6 thoughts on “Voltamos definitivamente ao tempo do fascismo

  1. João A. Correia diz:

    oh Branco… educação de qualidade para todos do 1º ao 12º ano não é, para mim, sinónimo de fascismo. Antes pelo contrário… Em toda a reforma, só mencionas o facto de ser hediondo alunos de 4º ano realizarem exames nacionais, o que me parece bastante redutor. De qualquer modo, esses exames já os alunos realizavam, as chamadas provas de aferição, com resultados assustadores… Pois, por “não contarem para nota” incentivava os alunos a não estudarem e… como não estudavam, para compensar, os exames teriam que ser ridiculamente fáceis! Ora, como se pode aferir assim o estado do ensino?

    É apenas o mesmo exame só que, desta vez, a contar para nota (uns 25% parece). E assim fecha-se um ciclo de estudos, sem ter que estar no 2º ciclo a repisar a matéria… e a atrasar outras matérias! (que era o que acontecia…)

    Para mim, o mérito desta reforma é, por um lado, colocar a tónica na exigência e na qualidade dos programas mas, sobretudo, ter uma filosofia, de fio a pavio do ensino público obrigatório. É uma reforma pensada em todo trajecto do aluno e não só, como outras reformas, pensada num ou outro ciclo de estudos.

    *
    Note-se que tinha sido tirado tempo lectivo a algumas cadeiras importantes como a matemática e a história para criar cadeiras como “Área de projecto” e quejandos… No secundário, nas humanidades, a história (de 12ª), a geografia e a filosofia (que não a introdução) tinham desaparecido… e o chamado Português A tinha dado lugar ao Português vulgar, comum ás restantes áreas…

    Estás lembrado, caro Branco?

  2. João A. Correia diz:

    Outra coisa… um ensino público feito como até agora só gera desigualdades sociais. Pois quem tem dinheiro, não tem dificuldade em colocar os filhos nos colégios “internacionais” “franceses”, “espanhóis”, “alemães” ou “de freiras”… Queres coisa mais atentatória para a mobilidade social e, por seu turno, para o Estado Social?

  3. Continuo a não concordar com esta reforma no que toca aos trâmites que vão ser impostos no ensino primário e no 1º ciclo do ensino básico. Podes apelidar de “redutora” a minha posição. Não acho justo que se possa medir o estado do ensino ou o trabalho de um aluno colocando-o em stress com um exame nacional. Não nos podemos esquecer que são crianças de 9 anos que ainda não tem plena noção da importância que têm estes exames e que não têm idade para lidar com este tipo de pressões e níveis de exigência.

    • Prof diz:

      Terão idade quando? Aos 12? Aos 15? Aos 18?

      A pressão será q.b. e a exigência, presume-se que seja a adequada ao nível de ensino a que se destina. Habituarem-se à pressão só os tornarão mais aptos e capazes de fazerem os exames seguintes sem sentiram tanto os efeitos da mesma, aprenderão a controlar a ansiedade e a melhorar os seus mecanismos de concentração.

      Só por curiosidade, informo que tive a interessante experiência de leccionar numa escola onde não se faziam ‘testes’ aos meninos. Chegavam ao 9º ano sem essa aprendizagem e os resultados viam-se, a escola era das últimas em termos de resultados de exames.

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