AVB no Inter? AVB no Porto? AVB no Cagliari? AVB desempregado?

Não posso ignorar a notícia do dia no campo futebolístico.

André Villas-Boas foi despedido por Roman Abrahamovic depois de mais uma derrota para a Premier contra o modestíssimo West Bromwich Albion.

André Villas-Boas foi despedido numa altura em que o Chelsea está na luta por um lugar na Champions a nível interno (se o Chelsea não conseguir esse lugar será uma catastrofe tendo em conta o investimento feito no ano civil 2011 por Roman Abrahamovic e as expectactivas iniciais geradas com a contratação de Villas-Boas) e ainda tem uma brecha de oportunidade de passar aos quartos-de-final da Champions caso vença o Napoli por 2 ou mais golos em Stamford Bridge (uma vantagem de 2 golos será suficiente caso o Napoli não marque mais que um golo).

A contratação de André Villas-Boas significava em Julho uma lufada de ar fresco na pouca movida da qual padecia o clube londrino.

No entanto, com a contratação de André Villas-Boas começaram a sair os primeiros targets que o Português pretendia que o seu proprietário e respectiva direcção atacassem no mercado: Juan Mata, João Moutinho, Hulk e Álvaro Pereira. Se o primeiro não hesitou em sair de Valência e está a realizar uma razoável época em Londres, a contratação dos 3 últimos esbarraram formal e informalmente nas elevadas clausulas de rescisão pedidas pelo FC Porto: Moutinho nos 40 milhões, Hulk nos 100 e Álvaro Pereira nos 30. Pelo primeiro o Chelsea chegou a oferecer 25 milhões maso FC Porto comprou os 25% do passe do médio que restavam ao Sporting por cerca de 4,5 milhões e automaticamente renovou com o médio para o blindar com uma clausula de 40 milhões. Pelo 2º, a comunicação social especulou que tanto no verão como no Inverno Abrahamovic tentou resgatar o jogador por uma verba que rondaria os 65 milhões de euros. Pelo terceiro, após rondas de negociação intensas no fim do mercado de verão, Abrahamovic só estava disposto a dar 22 milhões de euros. Os três não engrossaram a fileira de estrelas dos Blues.

A juntar ao insucesso provocado pelo falhanço total das compras, o Chelsea comprou muito, muito caro e mal. Pelo menos, os resultados das suas contratações não são visíveis.

Em Janeiro, Torres e David Luiz custaram juntos algo como 90 milhões de euros. Se o primeiro é uma autêntica sombra do Super Niño de Liverpool, o 2º foi uma contratação completamente furada dada a mediocridade das suas exibições.

No Verão, exceptuando Juan Mata, o Chelsea esfolou mais uns dinheiros de Abrahamovic em Lukaku (não joga; não rende; não marca; para já) em Thibault Courtois (guarda-redes emprestado ao Atlético) em Romeu Oriol (bom jogador mas demasiado verde para ser titular para já) e no mercado de Janeiro foi rematar a má contratação de David Luiz com a contratação do central inglês Gary Cahill, até agora, valor seguro para o futuro do clube.

Gastar muito em muito pouco nunca será solução no futebol.

Quando André Villas-Boas assumiu a pasta do Chelsea em Julho deparou-se também com um balneário fracturado e cheio de jogadores, que apesar dos seus feitos na carreira, ou estão actualmente acabados do ponto de vista físico e psicológico para a alta roda do futebol, ou que, por outro lado, são autênticos destabilizadores de balneário. Falo obviamente de Ashley Cole, John Terry, Bosingwa, Michael Essien, Florent Malouda, Frank Lampard, Salomon Kalou, Alex, Didier Drogba e Nicolas Anelka, recentemente despachado para o futebol Chinês.

Tirando o defesa-central e o extremo francês (pela sua relativa juventude) os restantes jogadores são exemplos claros de gente que manda em demasia em qualquer balneário, capaz de fazer a cama a qualquer treinador e fisica\psicologicamente incapaz, de, por ora, responder às necessidades e expectativas de um clube como o Chelsea. Não quero porém dizer que com isto que não sejam jogadores cujas carreiras tenham sido recheadas de sucesso, títulos e classe e que como tal sejam agora considerados inválidos pelo facto de estarem a caminhar a passos largos para a veterania.

André Villas-Boas sabia perfeitamente no que se ia meter.

Ao implantar uma nova metodologia de treino, novas regras e novos hábitos a atletas já de si rotinados por anos de clube, André Villas-Boas sabia que estava a jogar com o risco de as mudanças irem de encontro aos feitios e egos dos jogadores. Daí até encostar alguns destes no banco de suplentes como Frank Lampard ou Didier Drogba foi um passo claro para que o balneário começasse a ficar desfigurado. Acrescentando o facto de que em Dezembro, alguns jogadores recusaram participar num jantar do clube de natal pelo impedimento feito pelo treinador português à presença de Nicolás Anelka (já vendido aos Chineses do Shangai Shenshua) no mesmo, facto que levou a velha guarda do Chelsea a não comparecer no evento em detrimento de uma festa alternativa com a presença do francês num clube londrino.

O futebol moderno, cada vez mais, é a conjugação de uma multiplicidade de factores, multiplicidade essa que mede o grau de sucesso expectavel e efectivo que uma equipa tem ou que um novo treinador tem numa equipa. Ao contrário do futebol antigo, o futebol moderno já não ressalva exclusivamente questões estrictas da metodologia de treino, do plano físico e do plano de rendimento nos treinos e nos jogos, acrescentando a estes factores outros como o plano psicológico dos jogadores, as capacidades financeiras das equipas, a pressão dos adeptos e da comunicação social e todas as manobras comerciais dos clubes.

O lado efusivo provocado pela excêntrica contratação de AVB por parte de Abrahamovic (foi só excentricidade; por isso é que Abrahamovic também não se importa de correr com o treinador só porque sim) acabou, pelos factores que enunciei, por padecer de alguns lapsos que acima enunciei.

É certo que o campo também não ajudou. No entanto, costuma-se dizer que no futebol, o rendimento das equipas é o espelho do ambiente interno de um clube. E o Chelsea nesse campo está de rastos.

Que futuro terá Villas-Boas. Até ao final da época estará descansado no seu canto.

Inter de Milão? Sim, é possível dado que o treinador conhece todos os cantos da casa.

Cagliari? Sim, é possível se não aparecer qualquer proposta melhor.

FC Porto? Por Pinto da Costa sim. Até seria já hoje caso Vitor Pereira não estivesse a meio dos seus 15 minutos de fama. Mas se as coisas correrem mal ao FCP no fim da temporada, AVB é uma possibilidade muito apetecida no Dragão.

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