clássicos

A propósito de uma portentosa exibição no Dell´Alpi em Turim que redundaria em eliminação para a Inglaterra no campeonato do mundo de 1990 frente à Alemanha, a velha glória do Tottenham Gary Lineker diria uma frase que ficaria gravada na história: “o futebol é 11 contra 11 mas no fim ganha sempre a Alemanha”.

Nos últimos 3 anos, essa frase poderia ser transportada com uma certeira analogia para os duelos decisivos entre Porto e Benfica. São 11 contra 11 mas o Porto leva sempre a melhor.

No entanto, preciso de recordar 2 acontecimentos bem recentes:

O 1º em Guimarães há duas semanas atrás quando Jorge Jesus, na altura saído de uma derrota frente ao Vitória local, quando interrogado pelo jornalista no flash-interview acerca da pressão que o Benfica poderia vir a ter com os 2 pontos de vantagem sobre o Porto, afirmou que não compreendia a pergunta e que a pressão ainda estava virada para o seu rival. Mal sabia JJ do que o esperava na semana passada contra a Académica em Coimbra e do desfecho (trágico) do jogo de hoje.

O 2º é este:

Este Zé Manel Nabo deve estar, como se diz na gíria, com o melão a arder…

Isto porque mal sabia da figura triste que estava a fazer ao gravar este spot. Todavia, tenho em conta que liderança com meia dúzia de pontos no fim da primeira volta já serve para os adeptos do folclore lusitano fazerem a festa e atirarem os foguetes. Não quero no entanto fazer de advogado do diabo…

O tal adversário em falência táctica está a meia dúzia de jornadas de ser campeão nacional e ainda pode roubar o título que pertence por decreto-lei ao Benfica, ou seja, a Taça da Cerveja.

O adversário em falência técnica, embora distante, ainda tem uma brecha para poder ultrapassar o Benfica na classificação, está a poucos dias de um embate excitante com o primeiro da Premier para a Liga Europa e de mal o menos ainda se arrisca (a jogar mal) a fazer a festa no Jamor!

Vamos a factos:

Com ou sem rega no relvado, com luzes apagadas ou contas da EDP por pagar, este balázio de Hulk coroa um jogo de classe mundial e deixa mal na fotografia Emerson. Arrisco-me a dizer que Emerson é aquele jogador que não entra sequer na fotografia do jogo visto que foi “comido de cebolada” pelo seu compatriota.

Jogo de classe mundial.

Ao contrário do que tinha feito em Alvalade em Janeiro, o Porto entrou na Luz ferido na asa. Entrou a atacar (ao contrário de Alvalade onde preferiu jogar um pouco na retranca e apostar no contra-golpe) e entrou a vencer. Perante esta atitude, foi nítida a desconcentração inicial do Benfica nas marcações e no ataque era Aimar quem tentava puxar a carroça… mas sem grande jeito.

Depois do golo do empate por parte de Óscar Cardozo, um golo merecido para o equilíbrio que o Benfica estava a executar na partida. O 2º golo viria a completar o auge da exibição Benfiquista na partida. No entanto, aquele par de contra-ataques perigosos que o Benfica teve na 2ª parte (onde a meu ver não existe qualquer falta nas duas situações) poderia ter sido o fim da linha para o Porto. Já diz o ditado que “quem não marca, sofre”  – e o Benfica acabou por sofrer com aquela deliciosa tabelinha entre James Rodriguez e Fernando. Pode-se por em causa o facto de Witsel estar caído aquando do contra-golpe do Porto? Sim. De quem é a culpa? Segundo as leis da FIFA tem que ser o árbitro a parar a partida. No entanto é nítido que Witsel chega claramente atrasado ao passe e tenta cavar uma falta a Maicon à entrada da área, na mesma linha de uma falta que foi assinalada na primeira parte a Rolando, onde Witsel, adiantando em demasia a bola, limitou-se a provocar o contacto.

Está claro que a partir daí, o Porto agigantou-se, sabendo que poderia sacar na Luz mais do que um empate. Não consigo perceber se Emerson é bem ou mal expulso. É certo que toca em Hulk mas também é certo que Hulk aproveita-se claramente do facto do seu compatriota Emerson já ter um amarelo na partida.

Depois veio o 3-2. E quem diria que o herói desta vez seria Maicon! Sinceramente existem duas irregularidades na jogada:

1ª Maicon e outro jogador do Porto, no momento do passe, estão claramente em fora-de-jogo.

2ª O outro jogador do Porto que se faz ao lance entala Artur na sua pequena área, logo, penso que o árbitro deveria ter assinalado falta sobre o guarda-redes do Benfica. É um lance que me faz lembrar o lance de Luisão contra Ricardo no Estádio da Luz em 2005 que ditou praticamente o título desse ano para o Benfica. No entanto, na altura, alguns amigos benfiquistas disseram-me que o lance era limpo… o futebol é mesmo assim: mesmo quando não esperamos, a história repete-se mas contra a nossa equipa.

No entanto, urge-me para finalizar fazer mais algumas menções, reparos, elogios e críticas:

1º – Muitos portistas criticam Vitor Pereira, muitos benfiquistas andaram semanas a ironizar Vitor Pereira. No entanto aqui se vê a organização do porto. Com ou sem o dedo do treinador, mesmo a 5 pontos os Portistas nunca baixaram os braços em relação ao objectivo do título e vieram à Luz jogar para ganhar contra um Benfica que está claramente em perda: tanto ao nível de caudal de jogo como ao nível físico e psicológico.

2ª – Helton. Teve uma exibição muito segura. Não teve culpa nos golos e sempre que chamado esteve ao seu melhor nível. O exemplo disso foi o último livre dos encarnados na partida.

3ª James Rodriguez e Hulk: Em forma, são dois diabretes nas alas do Porto. Dois golões que coroaram duas grandes exibições.

4ª – Witsel – O Belga fez um excelente jogo. Anulou a influência de Moutinho nos dragões e sempre que pode saiu com a equipa no contra-golpe. No entanto, o Belga peca pela palhaçada que fez em dois lances onde poderia ter feito bastante melhor. Optou por atirar-se ao chão.

5ª – Jorge Jesus – O peixe morre pela boca. Há 3 semanas disparava balas contra toda a gente. Hoje saiu triste do seu próprio Inferno. Lançar Nelson Oliveira nas horas em que lançou revela pouquíssima ambição até quando a equipa alinhava num certeiro contra-golpe a meio da 2ª parte. Atacar o rival como meio de defesa nunca é a melhor opção. Arrisca-se a não vencer nada esta época. O futebol português fica mesmo uma treta, mas com gentalha como Jorge Jesus.

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2 thoughts on “clássicos

  1. Excelente texto. Só não concordo com os destaques. Para mim, os melhores em campo foram Maicon e Fernando. O primeiro, porque fez um bom jogo a lateral direito, e um enorme jogo quando veio para onde sempre pertenceu (e pelo golo). O segundo, porque me consegui calar, eu que dizia que ele era mauzinho, e fez um jogo de enorme categoria. Já tenho dúvidas se o melhor trinco do campeonato será mesmo Javi Garcia.

    No Benfica, para mim o melhor foi Nolito, mas também concordo que Witsel foi dos melhores.

    PS: O Evaldo vale 2 Emersons. E isso já é dizer muito.

  2. Obrigado. Fica a tua anotação.

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