O louco viciado na austeridade

É inadmissível que o Primeiro-Ministro tome o papel de supremo carrasco de uma sociedade asfixiada pelas medidas do seu governo.

Pedir aos sufocados portugueses que sejam “menos piegas”, quando todos os dias é uma autêntica batalha pela sobrevivência é de loucos.

Do alto do seu pedestral em São Bento, o louco viciado na austeridade que nos tira a educação, o futuro, a saúde, o dinheiro no bolso, a casa, a comida que vinha para o prato e a roupa no corpo não consegue raciocinar de acordo com estes dados históricos:

Na última década, melhor, nos últimos 15 anos as necessidades líquidas de financiamento externo da economia portuguesa (défice da balança corrente e de capitais) aumentaram de 1996 para 2005 de 1,6% do PIB para 8,1%.

Estes dados, sendo supervisionados pelo Banco de Portugal, foram durante esses anos (governos do Eng. Guterres, de Durão Barroso e no início do mandato do Eng. Sócrates) tratados como irrelevantes. Numa monetária como a zona euro, onde todo o mundo económico e financeiro têm os olhos postos em nós, o significado da balança de pagamentos de Portugal significa que tirando os constrangimentos externos causados pelas fases de preparação que nos foram impostas pela adesão ao euro, que cumprimos ainda no tempo do governo socialista do Eng. Guterres, fizeram supor a ideia que depois da adesão ao euro tudo nos seria permitido uma vez desaparecidos esses constrangimentos perante os nossos parceiros monetários externos.

E foi assim que o país se comportou até ultrapassar a barreira dos 10% de PIB de défice.

Durante os últimos 15 anos, os Portugueses foram incentivados a consumir. Principalmente nos governos do Eng. Guterres. Ah Belle Époque! Casas novas, carros com farturas, TV em cabo, charuto a seguir ao jantar.

Durante os últimos 15 anos, Portugal (quer ao nível das famílias, administração pública e parcerias público-privadas) viveu 10 furos acima do tamanho das suas calças. Viveu acima das suas possibilidades. As famílias endividaram-se, o desemprego aumentou, e ninguém acreditou que uma crise financeira despoletada na América com duas falências de seguradoras, nos iria a meter a pedir trocos ao FMI para pagar despesas imediatas. Ninguém em São Bento se preocupou em executar reformas que não fossem as vindas do exterior. Porque as reformas vindas do exterior foram sempre tidas em conta como melhores que as  dos nossos economistas. Ninguém em São Bento se preocupou em reformar o nosso tecido empresarial, em expandir a inovação, as pequenas, médias e grandes empresas, em incutir novas mentalidades educativas e culturais e novas mentalidades empresariais.

As necessidades de financiamento externo da nossa economia agravaram-se a partir de 2009. Com este agravamento, cresceu o endividamento externo do país, sem que cá dentro se pensassem soluções para reduzir despesa ou para renegociar a dívida. Veio o FMI. Veio a tecnocracia. E o zé povinho passou obrigatoriamente a gastar menos, porque não têm por onde gastar.

Ao nível de balança financeira, Portugal continuou a reflectir a manutenção de um elevado deficit de poupança e investimento. Esse deficit foi financiado por uma redução de activos sobre o exterior de aproximadamente 13% do PIB, verificando-se uma queda nos passivos face ao exterior de cerca de 2% do PIB. Esta nova forma de financiamento, conjugada com as alterações feitas nos fundos de pensões contrasta com a dos anos anteriores e reflecte uma alteração de vulto no papel das instituições financeiras não-monetarizadas no financiamento da balança de pagamentos, sem excluir a intervenção da troika, que dizem os de São Bento ter equilibrado a mesma nos anos 2011 e 2012.

Perante tais factos, o PM deveria ter mais cuidado quando nos apelida de piegas. A competitividade não é algo que se mude a curto prazo quando a nossa balança de pagamentos deu em 2010 e 2011 sinais muito negativos aos mercados. A competitividade não se alcança com desemprego, cortes nas prestações sociais e aumentos. Não se alcança com austeridades. A competitividade alcança-se sim com sinais de euforia económica vinda de São Bento e com optimismos.

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