O que é isto?

A estratégia do governo de Ângela Merkel, embora inserido num contexto histórico e social diferente, tem tiques puros de III Reich.

Muito brevemente, uma das influências do III Reich para a dominação da europa e do mundo foram as teorias geopolíticas da escola de Munique e de Karl Haushofer.

A Escola de Munique teve 3 fases: a fase científica e utilitária (1924-1933), a fase propagandística (1933-1936) e a fase justificada (1936-1945)

Na primeira, segundo as palavras do General Pedro Pezzarat Correia, antigo professor de Geopolítica e Geoestratégia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra: ““Nesta fase, a «geopolitik» alimenta a ideia de recuperação da Alemanha.
Serve como tentativa de repensar o papel da Alemanha no mundo.”

Na segunda, Correia afirma que ““A escola de Munique é sujeita à pressão do partido e a geopolítica alemã acaba por se tornar um veículo de propaganda da ideologia nazi”.

Na terceira, o autor vai mais longe e liga a ideologia à prática: ““O partido nacional-socialista ascende ao poder. A «geopolitik» passa para
uma fase instrumentalista e justificada, justificando e legitimando as conquistas territoriais e política belicista alemã.”

Assim, a contribuição teórica da Escola de Munique assentava em 5 pilares essenciais:

Espaço Vital: “capacidade de um determinado espaço geográfico necessário para atender às necessidades da sociedade humana (etnologicamente diferenciada) que ohabita”(IAEM, 1992), consubstanciando-se na fórmula «sangue e solo» onde se associava o meio e a economia ao solo e a raça e a sociedade ao sangue (Mendes, Dias2005).

Fronteira: “ a fronteira era natural, mas não seria derivada das coisas da Natureza (ex. barreiras impostas pela própria Natureza) ou de outros factores artificiais (ex.tratados) mas, sim , da natureza das coisas.” Por outro lado, o conceito de fronteiras também assentava no pressuposto de que o Estado era um organismo vivo e assim, em associação com a nova percepção de espaço vital a fronteira (Mendes, Dias 2005).

Autarcia: “está relacionado com a experiência traumática da Alemanha na primeira guerra mundial, e com o consequente conceito da «guerra total». A aquisição de capacidade para fazer face, com os seus próprios recursos, a situação de «fortaleza
sitiada» deveria ser a prioridade directriz da Economia mesmo em tempo de paz, a fim de preparar convenientemente o Estado para a próxima guerra”.(François, Raul 1996).

Pan-regiões: “permite atingir a plenitude da autarcia. É considerado o período emblemático da «escola de Munique» e constitui o modelo de análise mais nítido e mais característico do considerado paradigma dos «grandes espaços»”.A «escola de Munique» concebe então a divisão do Mundo em quatro grandes regiões, autosuficientes, geograficamente compensadas ao longo dos meridianos para garantir em cada uma delas a suficiente diversidades de climas que lhes permitissem poderem equivaler-se nas produções agrícolas ”.(François, Raul 1996)

A Pan-América, a Pan-Euroáfrica, a Pan-Rússia (englobando Afeganistão e o sub-continente indiano), e Pan-Ásia oriental, ou zona de co-prosperidade da grande Ásia. Cada Pan-regiões seria comandada por um «Estado director» (em situação não necessariamente de império, mas sim de efectiva hegemonia), o qual garantiriao desenvolvimento integrado de todo o conjunto, liderando a evolução científica e tecnológica, e orientando as especializações e as cooperações” (François, Raul1996).

Hegemonia Mundial “na medida em que, de um Mundo funcionando em paz sob o directório de quatro «Estados directores» se passaria a um Mundo regido pela hegemonia de um Estado, a Alemanha, o que viria a introduzir um fortíssimo incentivo para guerras naquela organização do Mundo em cuja proposta um dos argumentos principais era a suposta eliminação das causas da guerra”. A partir da
constituição da Pan-regiões, e de uma Paz pelo equilíbrio, passar-se-ia a uma Paz pela hegemonia, ou pelo império, através de um jogo de alianças, a constituir segundo três eixos principais. ”(François, Raul 1996).

Se relembrarmos a história, as conexões obtidas com esta contribuição teórica justificam a ligação do III Reich à Escola de Munique.

O pensamento nazi, catapultado pelo seu magnífico trabalho propagandístico não fugia à ideia da recuperação da humilhação alemã promovida pelos aliados no Tratado de Versalhes, na ideia da raça pura, do pan-germanismo consubstanciado na ideia de Gross Deutschland, do império tão grande ou maior que o império sacro-romano que pudesse dominar o mundo pelo prazo mínimo de 1000 anos.

Ou seja, em poucas premissas do pensamento nazi englobamos a autarcia, as fronteiras, a hegemonia e a tentativa de domínio alemão na Europa e no mundo.

Como é que isto foi posto em prática?

Por via da propaganda, das ideias adoptadas pelo nacional-socialismo alemão da experiência fascista italiana de Mussolini com olhares claros de desdém para o exterior numa índole de eliminar a ameaça externa, sem no entanto descurar o facto que internamente o poder ditactorial teria que ser imposto pelo monopolismo estatal do uso da violência e consequentemente por purgas internas aos opositores. Por via da asfixia aos países da Europa Central através de constantes tensões diplomáticas e ameaças bélicas. Por via de um sistema económico corporativista em que o Estado dominava a produção: Quem produz? Quanto produz? A quem vende? Com os ensaios bélicos promovidos na Guerra Civil Espanhola e com o sistema de alianças promovido pelo III Reich com Roma, com Tóquio e com Moscovo num tratado de não-agressão, que numa primeira fase era uma segurança para os alemães e ao mesmo tempo uma garantia de tentativa de pacificação Russa com o Japão.

Basicamente, pode-se dizer que os métodos de invasão alemã consistiram em asfixia dos países vizinhos e consequente anexação pacífica por falta de resistência militar por via da capacidade de juntar condições materiais que permitissem fazer frente à enorme máquina bélica do III Reich.

Não dispersando.

Volto à situação actual da europa.

A crise da dívida soberana da Zona Euro demonstra os tais tiques de III Reich no governo Merkel.

Em primeiro lugar, urge-me considerar alguns factos históricos:

1. Com o institucionalismo internacional imposto no pós 2ª Guerra Mundial, o uso da força por um parte de um Estado contra outro tornou-se ilegítimo.

2. O federalismo europeu tornou-se uma realidade tão importante que em primeiro lugar, ajudou a Alemanha a levantar-se dos danos provocados pelo III Reich durante os anos da guerra e num segundo lugar, voltou a ajudar a Alemanha depois da queda da RFA na ajuda ao desenvolvimento económico no contexto da Alemanha reunificada.

Nos últimos 20 anos, temos assistido a um pensamento alemão que incorre na vontade de juntar toda a Europa num estado único, cuja hegemonia é vista pelos Alemães (hegemonia essa dominada por Berlim) como a única capacidade da Europa se tornar competitiva do ponto de vista económico.

Daí toda a construção económica e financeira da europa segundo um modelo de moeda única e mercado único (União Económica Monetária e Integração financeira na zona euro) em que foi garantida à Alemanha o papel de hegémon de todas as forças e vectores europeus.

Merkel e os seus antecessores pegaram nessa oportunidade para poder asfixiar os restantes países (politicamente com as constantes perdas de soberania nacional e economicamente com as concessões crediticias que a banca alemã emprestou principalmente aos países em sub-rendimento da periferia europeia e que hoje estão a ser a garantia que o Estado Alemão tem para que estes países cumpram metas orçamentais e económicas).

Mais uma vez a lógica apresenta-se numa simples frase: “asfixiar para anexar e dominar”.

As sucessivas ajudas externas a Irlanda, Grécia e Portugal, a asfixia e perda de controlo dos governos Francês e Italiano nos mais variados ratings, as tentativas frustradas de renegociação das dívidas grega, portuguesa e irlandesa face aos credores privados alemães são o exemplo mais claro daquilo que os alemães pretendem da Europa.

A mais recente imposição do governo alemão de instituir um controlador externo às contas orçamentais do governo Grego não só representam mais uma investida alemã à perda de soberania nacional grega como concorre claramente no dito projecto alemão. Daí que Jean-Claude Junker, hoje, já tenha vindo a público negar a possibilidade de tal facto acontecer, numa afirmação de salutar.

No entanto, creio que se esta posição alemã não passar na cimeira europeia de hoje, outros métodos (decerto mais asfixiantes e mais repressivos aos estados europeus que constituam oposição às suas medidas) serão tentados para que pela via de políticas de pressão se façam as vontades às pretensões alemães. O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros também já veio repudiar a posição do governo alemão, o que para já, a meu ver, vem de encontro à minha ideia de que devemos bater o pé aos Alemães e às suas pretensões, mas, de facto pode ser uma posição que nos possa sair cara devido às pressões (negativas para o nosso bem-estar) que os Alemães poderão incutir ao nosso Estado.

Os dados estão portanto lançados. Restará aguardar para ver.

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5 thoughts on “O que é isto?

  1. Márcio Cabral diz:

    Ora bem, cabe-se ser o primeiro é? Pois seja – comuniquemos.

    Há apenas uma coisa de que discordo fundamentalmente de ti, e é algo histórico, não um elemento decisivo. A construção europeia, tal como a conhecemos, vem do eixo franco-alemão ainda antes de haver novamente Alemanha. Uma Alemanha a trabalhar contra a França e vice-versa é algo se só se vê a sério depois do projecto falhado da Constituição Europeia, e o alargamento a 27 (para mim o maior erro da construção europeia desde a permissão da entrada do Reino Unido, mas isso não cabe aqui).

    É ingénuo negar o que afirmas quanto a economia desde 1994, depois da saída em vergonha do grande Helmut Kohl, um estadista como não mais se viu na Alemanha, e mesmo assim sendo antecedido por nome ainda mais importantes e exemplos do que já não se vê num único governo europeu – o referido estadismo, e a noção do que os Norte-Americanos chamam a “Bigger picture”

    Mas seria errado negar o trabalho que esses estadistas fizeram, já que uma carta e os EUA não seriam suficientes para impedir mais conflitos graves na Europa, não fosse essa construção e diálogo. Tal como achar que o projecto europeu promove apenas a hegemonia alemã. Eu sei que tu sabes bem disto, convinha ressaltar para o debate.

    Pronto, nota histórica de lado, directo ao assunto em questão:

    A Escola de Munique… bem, a Escola de Munique não me parece que seja a chave para a história que contaste. É certo que era conhecida nas elites alemãs, mas o que foi decisivo nesta história foi o Tratado de Versailles. Sem as condições malucas em que fizeram viver a Alemanha seriam apenas especulações teóricas sem aplicação.

    O teu paralelo é interessante. Há, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, uma ideia de fuga para a frente da Alemanha que reflecte em muito partes dessa ideia, mas o espaço Alemão não pode crescer para lado nenhum hoje em dia. Esta ideia da Chanceler Alemã, que é claramente oportunista, populista, e demagógica, reflecte mais o que dizia uma música dos Titãs “Homem Primata / Capitalismo Selvagem”.

    Um dos textos de Jessop que tivemos de ler (http://pt.scribd.com/doc/73290092/Jessop-Variegated-Capitalism) deixa muito claros os enormes custos que tivemos na Europa por esse tipo de imitação dos neo-liberalismo americano, mais que gastos e bacocos, não criar os nossos próprios meio de resposta à crise. Esse umbiguismo condenou a Europa, mas a Chanceler Merkel é apenas um dos exemplos.

    Quase nenhum dos 10 países que entrou em 2007 se interessa por mais que o Euro (será?), o mercado/espaço único europeu e, SOBRETUDO, os fundos estruturais. Isto para ir apenas para o mais óbvio. E não entrar em todas as maroscas quanto à entrada dos países na UE e Euro sem cumprirem as condições mínimas, ou todas as trafulhices de que Berlusconi é a cara mais visivelmente embaraçosa da corrupção generalizada.

    A Chanceler Merkel tem muito poder? Sim. A Chanceler Merkel pode dificultar-nos a vida se a tentarmos impedir de seguir um caminho de austeridade que o próprio Javier Solana acha errado(http://www.publico.pt/ProjectSyndicate/Javier%20Solana/a-austeridade-contra-a-europa-1531787)? Pode. A Chanceler Merkel pode parar o processo de construção europeia? Não só pode como até chega a revertê-lo, como o novo “tratado” demonstrará”.

    A Alemanha de Merkel poderia fazer tudo isso sem a conivência e falta de coragem e vontade política dos outros países europeus. NÃO. NEM PÓ.

    Creio que me alonguei muito, vou ficar por aqui. “Não vás por aí!”.

  2. Márcio Cabral diz:

    Ou, se preferires, simplificando tudo para os leitores do blogue mais cínicos no sentido filosófico do termo, troca tudo o que é brasileiro por tudo o que é europeu, e faz pergunta análoga a esta – só mudam os bonecos, mesmo:

    • Márcio Cabral diz:

      Íamos facturar um milhão com a financeirização da economia, especulação em tudo o que existisse, e privatizar tudo o que era público, não era?

      Que federação é esta?

  3. Márcio,

    Depois de ter lido os teus comentários com meticulosa atenção, tenho que dizer que discordo de ti em alguns pontos, assim como concordo contigo noutros.

    Historicamente, a Alemanha ( mesmo antes de haver Alemanha unificada; remonto aos tempos da Zollverein e da unificação Bismarkiana) através dos estados que cumpunham geopoliticamente os seus territórios actuais (a Prússia, a Saxónia, a Vestefália, a Renânia) já tinham longas desavenças com a França. Questões essas, que pelos interesses dos Estados-Nação de então se prendiam com a procura da posse de novos territórios, casos das regiões Francesas da Alsácia e da Lorena (actualmente Francesesas, mas com um povo com um sentimento de pertença maior à comunidade alemã do que à comunidade Francesa) e do Sarre (actualmente parte do estado alemão), regiões que inclusive estiveram na base de algumas disputas na 1ª Guerra Mundial entre os dois países e que durante algumas décadas oscilaram entre posse territorial alemã e francesa.

    Historicamente, como tu bem sabes, remontando às pretensões alemães do período que medeia a negociação da Conferência de Berlim e a eclosão da Guerra, saberás que face à impossibilidade de um país recentemente unificado como era a Alemanha de então de enfrentar a hegemonia britânica no mundo (existem outros motivos que não o desenvolvimento interno alemão a todos os níveis; a hegemonia britânica era poderosíssima a níveis territoriais, militares, comerciais, navais e tecnológicos) a Alemanha do Kaiser e de Bismark optou por adoptar uma estratégia clara em expandir-se em África pela entrada em territórios que pertenciam à África Francesa, como foi o caso de Marrocos, protectorado que durante muitos anos pertenceu aos Alemães e que era a tentativa de entrada na África Francesa (Mali, Mauritânia, Tunísia, Argélia, Senegal, Guiné-Conacri, Guiné-Equatorial, Camarões, etc)

    Historicamente, a psico-analise social do povo francês e do povo alemão mostra uma semelhança entre os dois que ao mesmo tempo que é semelhança é um motivo que pode caracterizar a rivalidade entre os dois povos: o carácter nacionalista dos povos. Os Franceses sempre foram chauvinistas enquanto o nacionalismo alemão foi algo construído, induzido pela unificação, mas induzido de forma profícua na sociedade alemã unificada.

    Alemães e Franceses foram rivais nas guerras. A França foi inclusive parcialmente anexada na 2ª Guerra Mundial. Alemanha e França, destruídas pela guerra, incluíram-se (se bem que era a Alemanha Ocidental) na CECA (organização profícua no processo de desmilitarização da Alemanha) e nas sucessivas comunidades. A Alemanha nunca se assumiu até à sua reunificação em 1991 como o motor político das comunidades. Não podia efectivamente assumir-se. Apesar de ser um colosso económico, tinha o problema de estar desunificacado e cercado pelo inimigo soviético. Coube sempre à França, as custas de ser o motor político da construção europeia até 1991, ora através de Monnet, ora através de Mitterrand (aquando da presidência francesa) ora através desse grande europeísta que foi Jacques Delors. É com Chirac e com a reunificação Alemã que a França começa a perder a sua preponderância na CEE em prol dos objectivos expansionistas e hegemónicos da Alemanha (ajudada financeira e económicamente após a reunificação) de Kohl e Merkel.

    Nos últimos anos, o que me deu a parecer foi que a Alemanha, para consolidar o seu poderio hegemónico da UE (a todos os níveis) necessitou apenas do aval da França, não só pelo facto de ser um país fundador das comunidades, não só por ser uma potencia da União, mas também por ser o principal parceiro comercial europeu da Alemanha, o país historicamente rival na Europa e por ser o país que impediria obviamente que outros países como a Itália ou o Reino Unido tivessem a força suficiente para impedir a escalada hegemónica alemã.

    Depois de tanta encenação Merkel-Sarkozy, Merkel, pelo que viste na descida de rating dos Franceses e pela manutenção do rating alemão no passado mês de Janeiro, Merkel conseguiu salvar a pele do seu país, afundando os franceses num mar de problemas que em tudo abonam para a consolidação da hegemonia alemã na Europa. Merkel, como refiro no post, dominou os franceses, puxando-os para si num primeiro plano, asfixiando-os (ao nível de decisões políticas; Sarkozy apenas responde sim a Merkel) e sugando todo o seu poder económico através das agências de rating.

    A Escola de Munique é uma analogia. Num jeito “descubra as diferenças”.
    É certo que a Escola de Munique granjeava influência nas elites alemãs. Daí que refiro que esta governação alemã da europa “tem tiques de III Reich” – não quero com isto dizer que seja uma cópia do III Reich ou dos postulados da Escola de Munique, até porque tudo mudou no mundo desde a construção teórica da Escola de Munique e a realidade actual do tabuleiro geopolítico. No entanto, como deves ter percebido, a analogia em causa tem algumas semelhanças em relação aos instrumentos de política externa que estão a ser usados pela Sra. Merkel.

    Quanto ao texto de Jessop que citaste, concordo perfeitamente como já tivemos oportunidade de falar e de escrever num dado local a uma dada cadeira. Esperemos…

    Dos países que entraram em 2007 não se pode pedir muito. Integrações às 3 pancadas a meu ver. Países que sofrem graves problemas estruturais: democracias pouco ou nada consolidadas, institucionalismo público democrático frágil, confusão social por falta de consolidação da liberdade e tolerância étnica e religiosa, alguns países ainda com alguns conflitos internos ou com a presença de tropas externas em seu território para impedir novos focos de violência, muita corrupção no sector público, pouca representação da vontade popular no poder governativo, cedência de objectivos a garantir internamente a pressões de interesses externos, economias periféricas com pouco desenvolvimento, falhas nas relações sociais de produção, sem grande liquidez para investimento e sem grande apelo para investimento externo, fraca escolarização, até alguma analfabetização, entre outros factores.
    Daí a designação construída pelos mídia de “europa de 2 e até de 3 velocidades”.

    Concluíndo: continuo a afirmar que a Europa só poderá sair deste labirinto de minotauro se adoptar políticas de welfare state, de desenvolvimento tecnológico, cooperação a todos os níveis entre estados e desenvolvimento das regiões mais pobres através do fomento destas pelos quadros comunitários que existem, não cometendo para tal fomento o erro que foi cometido na doação de fundos a Portugal no final dos anos 80 e década de 90, os tais fundos que tão bem conhecemos que não foram aplicados na modernização das nossas unidades produtivas, através de uma fiscalização apertada aos receptores desses fundos.

  4. Márcio Cabral diz:

    Nunca ninguém me escreveu tanto para dizer que concordava comigo, usando ideias tão próximas das minhas…

    Uma pequena confusão: quando eu disse as confusões franco-alemãs só vinham de 1994, queria dizer DEPOIS da segunda guerra mundial. Estava implícito, mas pensei que era óbvio. Vou ter mais cuidado com isso no futuro. 🙂

    Conheço toda essa história de trás para a frente, e ainda tenho muito que aprender contudo. É um grande gosto para mim ler criticamente e descortinar o que é mais ou menos factual, o que é um polir e limar da verdade, e o que é treta ou propaganda pegada. Começo a ficar muito bom a distinguir isso na História Europeia, falta o resto do mundo, que me ocupará o resto da vida.

    A tua conclusão não podia estar nem mais acertada nem mais perto daquilo em que acredito, mas isso tu sabes bem.

    OK, leitores do Entre o Nada e o Infinito, acaba aqui o umbiguismo e o comentário mordaz e acutilante habitual continua no post seguinte.

    Move along, nothing to see here. 😉

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