Génio

A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1.

“não era a sua vida, era uma política, a vontade de defender até ao fim a sua ideia de dignidade e de progresso como se quisesse querido ser o último homem”

“morrer à fome como homem para não se agarrar à vida como um animal”

“os porcos derrubavam as cadeiras e pisavam cascas e restos de comida. Os porcos substituiam os livros e nós substituímos os porcos”

“Podemos sempre pensar que apenas em cenários limite – genocídio, a guerra, extermínio – acontecem escolhas-limite; e que é a violência absoluta ou é a humilhação ou o sofrimento absoluto que impõem a revolta, o inconformismo, a coragem; ou não. Tenho para mim que as escolhas-limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano; e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz , em tempo feliz (como é já nos esquecemos o tempo democrático) seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis”.

“para um país onde precisamente 4 décadas de democracia produziram afinal uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social. Por junto, uma cultura mesquinha, quase sempre não há ninguém que diga aquilo que todos sabem, que todos devem calar. Uma terra onde finalmente se instalou um medo e uma noção puramente alimentar da dignidade individual, traduza-se “está caladinho para guardares o trabalhinho” – neste aspecto, em genocídio ou democracia, os reflexos e os mecanismos são os mesmos”

Único comentário possível:

A melhor tese de doutoramento que ouvi sobre este país, feita em menos de 6 minutos. Pedro Rosa Mendes vive em Paris. Espero bem viver em Londres e fugir deste sahara que é o nosso país. Os melhores, esses, não ficam cá.

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One thought on “Génio

  1. […] Há uns meses atrás, se bem me lembro, num programa Prós e Contras transmitido na RTP, o Ministro Relvas dirigiu-se ao séquito real do presidente José Eduardo dos Santos com tamanha gentileza, repito, tamanha gentileza, convidando os Angolanos a investir em Portugal. O jogo de charme foi de tal maneira galanteador e já agora, cínico, hipócrita e pedante, que as investidas do Ministro Português nas arcadas de sua alteza, o Rei de Angola, levaram a que a balança de investimentos entre os dois países fosse favorável aos investidores africanos. Relvas, o eixo-do-mal, foi mais fundo na questão: houve quem narrasse que tamanha bajulação ao reino do deus-dará, perdão, ao reino de José Eduar… […]

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