falta de confiança

Ângela Merkel diz que a Europa tem um “longo caminho” para fazer para resturar a confiança nos mercados e nos investidores internacionais.

A Europa tem. A Alemanha não. Merkel tem a coisa controlada. Viu-se ontem com o corte no rating da França.

Sarkozy teve o que mereceu. Não vale a pena lançar o porta-voz da Presidência da República Francesa como batedor, apto a criticar a decisão só porque sim. Sarkozy provou o veneno dos alemães.

Espero que desta vez os Franceses (e que os portugueses, gregos, austríacos, irlandeses, italianos, espanhóis) mostrem o seu típico chauvinismo e aprendam com os erros. Só bajula por gosto quem é estúpido. Só vejo duas soluções para a Europa: ou os Alemães são poupados pelo dólar por serem os principais parceiros comerciais europeus dos Norte-Americanos e a Alemanha alinha a seu bel-prazer todos os governos europeus de acordo com as suas propostas de hegemonia europeia, ou estes, recusam-se a cumprir os trâmites alemães, Merkel sai de cena rapidamente e a Alemanha, isolada, cede a uma lógica de cooperação e tomada de decisões nas instituições europeias conjunta. Na primeira situação a zona euro colapsa rapidamente, na segunda, todo o esforço construído pela Europa volta à estaca zero mas a patologia europeia que actualmente estamos a viver poderá ser erradicada através do método primário pelo qual foram construídas as comunidades.

A decisão pertence aos governos e assemelha-se um pouco à história dos Estados que foram alvo da intervenção das instituições de Bretton Woods nas décadas de 70 e 80 aquando da crise da dívida advinda dos choques petrolíferos: como o sistema internacional portou-se mal ao emprestar em demasia a estes países capitais para fazer face às importações que eram necessárias a estes estados para poderem suportar o aumento petrolífero, de modo a que as suas unidades produtivas não parassem, a ideia do “estado bom aluno” como Moçambique no pagamento dessa mesma dívida foi tomada em conta na década de 90 para que a sua dívida lhe fosse perdoada. Mas para quê ser um “Estado bom aluno” como Moçambique, se um “estado incorrigível” como a Grécia, pela via da chantagem, poderá conseguir que a sua dívida também seja perdoada pelos privados alemães para bem da continuidade da Zona Euro?

O que eu quero dizer com isto é: porque não bater o pé?

Se no caso da crise da dívida dos anos 80 vários países bateram o pé aos seus credores e apenas lhes prometeram cumprir o reembolso do capital prestado pelos empréstimos, porque é que os países da periferia europeia não fazem o mesmo? Afinal de contas, creio que se estes estados fincarem o pé, os investidores irão tremer pois não terão hipóteses de reaver um único cêntimo daquilo que emprestaram e pode-se chegar a um entendimento que perdõe parcialmente a dívida ou até que esta se anule.

Se o sistema financeiro se porta mal connosco, se os mercados se portam mal connosco porque é que não podemos responder na mesma moeda?

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