que contas malucas

Se o Ministro da Saúde Paulo Macedo diz que na totalidade os hospitais portugueses tem 1000 médicos especialistas a mais, não consigo compreender porque é que existem especialidades às quais os principais hospitais (com especialidades) do Serviço Nacional de Saúde (Hospital Infante D. Pedro em Aveiro; Hospitais Universitários de Coimbra; as realidades que conheço com melhor precisão) demoram anos a conceder consultas em certas especialidades como é o caso da psiquiatria, da oftalmologia e meses a tratar  doentes com problemas oncológicos?

“Os cortes não são cegos. São cirúrgicos. Direi mesmo que resultam de uma cirurgia de grande precisão. Rompemos com anteriores práticas de contar com dotações extraordinárias e supervenientes face às derrapagens orçamentais, que eram aparentemente surpresa, mas recorrentes e sempre dadas como inevitáveis. não se pode continuar com despesas não controladas, com a manutenção de ‘rendas’ garantidas e margens de lucro desproporcionadas na actual conjuntura” – Paulo Macedo.

Uma coisa é dizer-se que o SNS tem a mais. Outra coisa é afirmar que a despesa terá que ser controlada porque existiram derrapagens orçamentais. Outra coisa é afirmar-se em lucros e rendas. Creio que o Sr. Ministro da Saúde quis meter estas 3 premissas no mesmo saco para explicar que foi obrigado por outro ministério a cortar a direito no seu. O que de facto é mais um ataque ao povo português porque na saúde não se mexe.

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2 thoughts on “que contas malucas

  1. João C. diz:

    Não faz sentido… Bem pelo contrário! Existe é falta de médicos especialistas (período de formação cerca de 12 anos). Note-se que nós até temos que importar médicos de Espanha; Argentina; Equador etc… Hoje, é fácil encontrar no SNS médicos a falar espanhol! Por isso mesmo, não compreendo essa afirmação!

  2. As palavras são de Paulo Macedo na Assembleia da República. Para o Ministro da Saúde, o SNS tem 1000 especialistas a mais. Pressupondo que o privado tem o dobro ou o triplo de especialistas do público, Paulo Macedo deverá querer empurrar mais especialistas para os privados e aumentar as listas de espera das especialidades do público, que por si, já ultrapassam os limites do tolerável…

    Estas afirmações, para mim, não passam de desculpas esfarrapadas para tentar explicar os naturais cortes impostos no ministério. Mais valia Paulo Macedo ter vindo a público dizer: “Meus amigos, fui obrigado a cortar no meu ministério. Não posso fazer muito mais que isto” – era de uma honestidade extrema perante o povo. É certo que também seria uma afirmação que iria gerar mais uma faca apontada ao governo.

    Andamos a importar médicos de todo o lado. Só este ano vieram Búlgaros, Moldavos, Costa-Riquenhos, Argentinos, Colombianos e Espanhóis. Importá-los é uma solução, mas não deve ser a solução primordial. Deve-se reformar o ensino da Medicina para que, como dizes e muito bem, um especialista esteja no mercado de trabalho mais cedo e tão bem ou melhor preparado que o seu grau de preparação actual (com a variável dos tais 12 anos de preparação). Importar médicos significa obrigatoriamente que estes possam (à semelhança daquilo que aconteceu com os costa-riquenhos) estar meses e meses no país sem exercer por causa das equivalências e licenças.

    Todavia, um estado governado por um partido social-democrata não mexe nas 5 bandeiras primordiais da social-democracia: saúde, educação e segurança, segurança social e defesa. Se mexer, deixa de ser social-democrata.

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