Cromos da bola #2

“Como os americanos dizem: um artista, an artistre” – estas palavras podiam ter sido ditas por Lauro Dérmio, caricatura do professor Lauro António que Herman José celebrizou no final dos anos 90 na mítica “Herman Enciclopédia”.

Também, poderiam em todo o caso, ser palavras desse grandioso comentador de nome Gabriel Alves.

Pai aos 16 anos, João Pinto apenas se aventurou por uma vez no estrangeiro no Atlético de Madrid, onde foi relegado para a equipa de reservas (já na altura o Atlético era o brilhante destrutor de carreiras que tão bem conhecemos). No Benfica celebrizou o que é ser um diabo vermelho e por uma vez, colocou várias crianças deste país a chorar (inclusive eu) quando foi espetar 6 a Alvalade ao Sporting de Figo, Balakov e companhia, destroçando milhões de almas sportinguistas que viam naquele jogo a brilhante oportunidade de quebrar, na altura, um jejum que já ia em longos 12 anos.

Mestre no mergulho, tanto em mar como no relvado, era um autêntico catedrático na arte de bem ludibriar a arbitragem. No entanto, os seus dotes eram amplos: conduzia a bola como ninguém em autênticas cavalgadas estilo um-contra-todos, o seu 1 para 1 era fenomenal e por mais cachaporras que levasse dos defesas, todos sabíamos que João Pinto se levantava com toda a arte e depois ainda era menino de entrar na área com bola, tropeçar na bola e sacar uma grande penalidade.

Não eram apenas as grandes penalidades que Pinto sacava. Sacava grandes golos de cabeça, e no fim da carreira de dinossauro futebolístico ainda sacou a Marisa Cruz.

Toni venceu o campeonato para o seu Benfica nesse ano e quem diria, que anos mais tarde, João Pinto, idolatrado como “menino de ouro” lá para os lados do Estado da Luz, onde um presidente larápio chegou inclusive a propor um vínculo vitalício para o avançado, seria apelidado de “vaca velha” por um velho alemão de nome Heynckes e dispensado a custo zero para o rival de Alvalade.

Corria o ano de 2000, ano que ficou marcado pelo Euro 2000 e por conseguinte pelo salto de peixe contra a Inglaterra que colocou o mesmo Heynckes afónico num relato para uma televisão alemã.

João Pinto pegou de estaca no sporting e na época de 2001\2002 seria como o “pai” que Jardel nunca teve. Dizia-se que era João Pinto no céu e Jardel nas alturas entre os centrais. Depois veio  o mundial da Coreia e do Japão, e para fazer rima, o adeus à selecção. Expulso contra  a Coreia num jogo de má memória para a alma lusa, culminado no ponto de vista individual do jogador com uma murraçada em cheio no estômago de Angel Sanchez, também ele, um árbitro de má memória.

Seria o adeus à selecção.

João Pinto manteve-se no Sporting mais dois anos, antes de rumar ao seu Boavista. Tanto no Boavista como posteriormente no Sporting de Braga ainda haveria de se mostrar a bom nível. Mas, aos 35 anos, era o fim.

 

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