Comunicado de resposta de Miguel Andrade a Eduardo Barroco de Melo

Cumpre-me primeiro publicar a resposta de Eduardo Barroco de Melo à conferência de imprensa de quinta-feira de Miguel Andrade. Reza o mesmo:

Caros elementos dos mais diversos órgãos de comunicação social,A Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra vem por este meio esclarecer a situação da demissão do Tesoureiro Miguel Andrade. Antes de se iniciar a organização da Festa das Latas e Imposição de Insígnias 2011, a Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra constituiu um grupo coordenador da Comissão Organizadora das Festa das Latas constituído por quatro pessoas: Eduardo Melo, Miguel Andrade, João Pereira e Philip Santos.

Este grupo ficou responsável pela coordenação de todo o processo organizativo, incluindo a deliberação sobre resultados dos cadernos de encargos a publicar.A primeira situação grave, lesiva da Associação Académica de Coimbra, envolvendo Miguel Andrade, deu-se aquando da sua decisão, unilateral e sem conhecimento dos restantes elementos, de contratar uma empresa para a impressão de bilhetes para Festa das Latas. Esta decisão, para além de ter ultrapassado os elementos do grupo coordenador, carecendo de aprovação, resultou, também sem conhecimento prévio, na assinatura de um contrato de prestação do serviço, efectuada por Miguel Andrade, que apesar de não vincular a AAC mas apenas ele próprio, é prova do desrespeito do mesmo para com os seus colegas, bem como constituindo uma situação que afecta a defesa dos interesses da AAC.Após este incidente, decidimos, ainda que com preocupação redobrada, manter Miguel Andrade na organização da Festa das Latas, a bem da estabilidade da organização e da Direcção Geral, procurando resolver os problemas imediatos e remetendo o apuramento de responsabilidades para o fim da recepção aos novos alunos. Não obstante isto, os problemas sucederam-se.Após a recepção dos bilhetes e dos convites, Miguel Andrade recusou-se a entregar os convites aos responsáveis do Protocolo, a quem cabe a responsabilidade de distribuir os mesmos. Após vários dias em que, mais uma vez, se provou o desrespeito para com colegas e superiores hierárquicos, com o tesoureiro a esconder esses convites, a situação foi ultrapassada.Também antes do início da Festa, foi requerido ao Tesoureiro, dado tratar-se de lugares de enorme responsabilidade, a indicação do número de colaboradores necessários, bem como os seus nomes.

Mais uma vez, a Direcção Geral e a Comissão Organizadora da Festa das Latas foi desrespeitada, nunca tendo sido efectuada essa indicação, e tentando gerir todas as situações a seu bel-prazer, forçando a sua vontade. Após verificação de que o número de colaboradores era excessivo (tal como noutros pelouros), mais uma vez demitiu-se da sua responsabilidade, não tendo levado a cabo a redução necessária, bem como pondo em causa o Presidente e o Administrador da Direcção Geral junto desses colaboradores, acusando-os de querer expulsar elementos. Durante a Festa das Latas, as situações repetiram-se: num dos dias fomos avisados pelo serviço de segurança, às 10h, de que a Tesouraria se encontrava aberta e sem vigilância, pondo em perigo a inviolabilidade da mesma; os atrasos nos pagamentos necessários ocorreram por diversas vezes pondo em causa a imagem da AAC junto dos fornecedores e agentes de bandas; nenhum dos depósitos de dinheiro foi efectuado pelo Tesoureiro, como é sua responsabilidade; o acesso ao cofre podia fazer-se por apenas uma pessoa, e não com duas como é procedimento habitual, havendo várias chaves de acesso, todas elas na posse de Miguel Andrade e dos seus colaboradores, sem que houvesse conhecimento ou aprovação dos restantes elementos da Comissão Organizadora, muito menos do Presidente e Administrador da Direcção Geral, que tinham acesso vedado ao mesmo. Todas estas situações são reveladores de incompetência e irresponsabilidade no exercício das funções do Tesoureiro da Direcção Geral. Tal como atrás mencionado, fizemos um esforço no sentido de garantir a resolução dos problemas sem interferir na organização da Festa das Latas, remetendo as acções de responsabilização para o fim da mesma.No último dia, por volta das 4h, o Presidente e o Administrador da Direcção Geral deslocaram-se à Tesouraria no sentido de fazer o balanço do dia. Depararam-se com um ambiente de brincadeira e irresponsabilidade que não se coaduna à postura necessária para quem tem tão grande responsabilidade. Chamaram Miguel Andrade no sentido de analisar a situação, sendo recebidos com uma postura de gozo e indiferença. No seguimento dessa conversa, Miguel Andrade afirmou que se iria demitir no dia seguinte, insultando o Presidente da Direcção Geral. Em consequência, recebeu ordem de saída da zona de Tesouraria, bem como o encerramento imediato das suas funções na Festa das Latas. Recusou-se a receber essa indicação, afirmando só se retirar se fosse expulso. Durante cerca de 30 minutos, foi tentada uma abordagem calma, no sentido de resolver os problemas com boa vontade, encontrando da parte de Miguel Andrade uma postura intransigente e só aí foi ordenada a sua retirada com recurso a segurança. A Tesouraria foi imediatamente encerrada, ordenando-se o início do processo de depósito de receita e o acesso a essa zona reservada foi vedado.É de esclarecer que nunca foi intenção, quer do Presidente, quer do Administrador da Direcção Geral, a retirada de credenciais. Esse procedimento ocorreu por requerimento do serviço de segurança, dado que com as mesmas outros elementos poderiam aceder à zona de Tesouraria. Aproveitamos para agradecer a todos os colaboradores da Tesouraria, a quem reconhecemos o esforço e competência, o mesmo não acontecendo com o seu coordenador, Miguel Andrade.A Direcção Geral deliberará, futuramente, sobre possíveis acções de responsabilização, mostrando-se desde já disponível para qualquer esclarecimento.

Miguel Andrade, respondeu hoje desta forma:

Caros editores,

Venho por este meio, e como consequência das declarações proferidas em comunicado pela Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG-AAC), exercer o meu direito de resposta e defesa de honra.

Quero começar por agradecer a coragem dos colaboradores da Tesouraria da Festa das Latas, que ajudaram a esclarecer algumas das situações passadas, repondo a verdade face às falaciosas acusações da Direcção Geral, nomeadamente no “caso da porta aberta”, e o “caso dos depósitos”. Infelizmente ainda se verificam algumas situações por esclarecer, e cabe-me a mim iluminá-los.

Em primeiro lugar, quero relembrar a todos que, no meu primeiro comunicado público, declarei encarar como minha missão a defesa dos direitos da Associação Académica de Coimbra, e acrescentei que a dimensão da instituição estava acima das individualidades que a representavam. Poderão comprovar, no final das declarações que se seguem, que o que a Direcção Geral classificou como “incompetência e irresponsabilidade” não é mais que a defesa dos interesses da Associação Académica de Coimbra. Interesses esses conflituosos com os interesses de certas individualidades da Direcção Geral.

Falo por exemplo da adjudicação do contrato de prestação de serviços assinado com a empresa de produção de bilhetes. É verdade que assinei o contrato sem consultar qualquer membro da Comissão Organizadora da Festa das Latas. No entanto, apenas tomei essa atitude, pois encontrava-se já esgotado o prazo estabelecido para o encerramento das negociações relativas ao respectivo caderno de encargos, o que impunha uma agilização urgente da questão para que o fornecimento de bilhetes estivesse atempadamente salvaguardado. Mais importante que isso, a empresa a quem adjudiquei o contrato, cumpria todos os requisitos necessários, e poupou aos cofres da Direcção Geral mais de 3 mil euros – o que pode ser comprovado consultando o contrato e comparando-o com o contrato de bilhética do ano transacto. Sabia que a consulta da restante comissão organizadora iria implicar o arrastamento de uma decisão que colocaria em causa a entrega dos bilhetes com a urgência necessária. Apesar de não ter respeitado os interesses do Presidente Eduardo Melo, que parecia alimentar a preferência por uma outra empresa, agi pela única via capaz de salvaguardar os interesses financeiros da Associação Académica de Coimbra.

Quanto à minha recusa em entregar a distribuição de convites ao protocolo, havia já sido admitida no meu anterior comunicado, no qual referi ter sido “forçado a abdicar de controlo, para não perturbar o normal funcionamento das vendas no período de máxima afluência” através da “suspensão deliberada do sistema de venda de bilhetes, por ordem directa de Eduardo Melo”. Enquanto responsável máximo pelo sistema de bilhética, considerei, como continuo a considerar, que fazia parte das minhas competências o controlo rigoroso das ofertas de convites gerais. Pretendia evitar a enxurrada habitual de ofertas, que são prejudiciais a Associação Académica de Coimbra, e tinha estabelecido um tecto máximo de 1000 convites gerais. Após a entrega do controlo da distribuição de convites ao protocolo, esse número foi obviamente ultrapassado, como previa. Mais uma vez, os interesses do Presidente Eduardo Melo revelaram-se contrários aos interesses da Associação Académica de Coimbra, que tentei claramente defender mais uma vez.

Quanto ao acesso ao cofre, considero que, tendo em conta que a responsabilidade do seu conteúdo recai apenas sob a tesouraria, é perfeitamente lógico que o acesso ao mesmo seja exclusivo aos elementos que a constituem.

Em relação aos acontecimentos da madrugada do último dia de latada, embora já explicitados em parte pelos colaboradores da Tesouraria, gostaria de acrescentar que foi a primeira vez que o Presidente se deslocou às instalações, pelo que o evocado “balanço do dia” não constituía um procedimento habitual. Declaro ainda que, uma vez que me vi impossibilitado de realizar o meu trabalho e efectuar os devidos depósitos, não me responsabilizo pelo balanço de tesouraria resultante dessa noite.

Para terminar, não compreendo como pode o presidente Eduardo Melo sentir-se tão incomodado com a ausência de consulta, se a tal Comissão Organizadora de que fala, reuniu, comigo, apenas cinco vezes em 4 meses de preparação da Festa das Latas. Não fui consultado, enquanto tesoureiro, em decisões em que o meu parecer seria fundamental, como por exemplo nas decisões de concessão de venda de comidas e bebidas brancas.

Repito que, embora a minha atitude possa ter revelado, por vezes, desrespeito pela autoridade do Presidente da Direcção Geral, tal só se aconteceu por ser a única forma de defender os interesses da Associação Académica de Coimbra. Como tal afirmo-me preparado e de consciência tranquila para enfrentar quaisquer acções de responsabilização que me sejam imputadas.

 Grato pela vossa atenção,

Miguel Andrade

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One thought on “Comunicado de resposta de Miguel Andrade a Eduardo Barroco de Melo

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