Vou emigrar. Também eu…

Eu sou mais um jovem. 24 anos bem medidos na flor da idade. Estudei até onde pude. Sei o que sei, e sei que o meu conhecimento das coisas é sempre relativo. Perdi a fé nos homens. Perdi a fé nos políticos deste país.

Sou saudável. Dou graças por isso. Tenciono emigrar nos próximos anos. Porque aqui, o governo de Passos Coelho e dos seus co-religionários anda a brincar com o futuro do país. A oposição, infelizmente, não é melhor. Falam demais quando falam como oposição. No governo, não passam de um bando de oportunistas e mentirosos. Imagine-se, até queriam no último governo controlar tudo e instalar uma ditadura. As provas, essas não foram utilizadas em tribunal e por conseguinte até foram destruídas para que o “duce” que agora se encontra em Paris a estudar filosofia com o dinheiro dos nossos pais, esteja na maior. Emigrou, está claro. Vivemos num país que não se governa mas que já se deixa governar por estrangeiros. Os outros, os outros sabem mais que nós e o destino do tuga é sempre olhar o que vem do estrangeiro como bom e o que se faz cá dentro como ruim.

Provavelmente não terei direito a Segurança Social de 2026 para a frente, não terei direito a reforma aos 72 anos e terei que pagar 50 euros muito em breve para ser assistido num hospital público. Os meus filhos, se tiver condições para os ter, poderão não ter direito a educação, a um sistema nacional de saúde gratuito por exemplo.

Como referi, tenciono emigrar. Ao menos lá fora não tenho que levar com a crise. Sim, porque a crise nem é mundial nem nada. Ao menos sei que lá fora, se eu cair redondo e inválido numa cama tenho quem me assista e quem me socorra. Ao menos sei que terei uma vida melhor do que aqui. Verei concertos, verei futebol, poderei aspirar a um futuro. Aqui aspiro o pó das migalhas que a oligarquia empresarial que mexe todos os tecidos do burgo me deixa. Não sou contente nem triste. Sou um reaccionário. Sou um reaccionário mas bato em molhado porque o povo, tacanho, não me ouve. Vive fechado num conservadorismo de fin de siècle, como se a era vitoriana ainda estivesse aí ao virar da esquina. 

Vou emigrar. Só vejo incompetentes à minha frente.

 

 

 

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