A crise bateu à porta da NBA

Em Julho passado, proprietários de equipas e sindicato de jogadores profissionais não chegaram a acordo quanto a um contrato colectivo que permitisse aos primeiros diminuir substancialmente em cerca de 30% os salários colectivos.

Na forja estavam colocadas 9 equipas cujas dificuldades financeiras provocadas até pelo próprio cenário económico vigente faziam com que este acordo se tornasse primordial para a sua sobrevivência.

Em julho, os aficionados da modalidade em todo o mundo não achavam que esta quezília entre patrões e jogadores chegasse ao nível em que está hoje: já se pode dar como certo que não irão ser jogadas as primeiras 2 semanas da fase regular, um pouco à semelhança daquilo que tinha acontecido na década de 90 (19981999) num caso com características similares.

Antes do campeonato da europa de basquetebol, começaram os primeiros rumores que davam conta da eventual saída de jogadores da liga enquanto durasse o lock-out. O primeiro a sair de facto foi Deron Williams, base all-star que representava os New Jersey Nets e que se mudou de armas e bagagens para a Turquia de modo a representar o Besiktas. O Besiktas, clube cujo proprietário se decidiu em investir milhões, também tentou estrelas como Kobe Bryant ou mesmo Derrick Rose. Kobe também haveria de ser apontado ao Kinder Bolonha de Itália.

Outros também afirmaram ponderar assinar temporariamente por equipas dos seus países enquanto durar o lock-out: os irmãos Gasol começaram a treinar-se pelo Barcelona, Andrew Bogut tentou regressar à Austrália para disputar a fase final da liga de basquetebol mas o seu seguro desportivo nos Milwaukee Bucks acabou por impedir o poste australiano por questões contratuais indeminizatórias em caso de lesão contraída noutra equipa que não os Bucks.

Derrick Rose dos Chicago Bulls também já veio dizer que em caso de avanço neste lock-out, poderá vir a rumar à Europa ou até à China. Ginobili treina-se pela Argentina. Bellinelli por Itália. Pietrus e Tony Parker em França. Todos esperam que a trica seja desbloqueada por quem de direito. Caso não seja, avançam por outra solução.

Basicamente, nenhum fã do jogo acreditava neste cenário. Todos acreditavam que perante um percalço, os patrões das equipas iriam ceder à natural vontade dos jogadores: os contratos assinados são para se cumprir até ao fim e não sujeitos a mudança das regras do jogo a meio. No entanto, a máquina de fazer dinheiro que é a liga, deixou de fazer tanto dinheiro. A própria crise económica começou a afastar gente dos pavilhões, principalmente das equipas cujos resultados não estão a ser os melhores nos últimos anos (Minnesota, Golden State, Charlotte, Detroit, Washington, New Jersey, Phoenix) mas cujos salários de jogadores continuam altíssimos e como tal, dispendidos para além das reais capacidades das finanças das equipas. A proposta dos jogadores é que os salários baixem no máximo 5 milhões na totalidade dos casos de jogadores que tenham contratos até 4 anos e um contrato máximo de 5 anos. A Liga pretende que a medida passe para 3 e 4, respectivamente.

O acordo para que o campeonato arrancasse no timing de sempre (30 de Outubro) falhou. As duas primeiras semanas estão riscadas do schedule. Na NBA, não existe tempo para recuperar esse atraso. Aquelas 56 jornadas não irão ser jogadas.

Continua então sob negócio recomeçar a partir do dia 14 de Novembro. Alguns jogadores é que podem não estar interessados em esperar por um acordo que até poderá não acontecer e antes do tempo podem pular para a Europa.

O comissário-geral da Liga David Stern, foi claro ao afirmar:  “With every day that goes by, I think we need to look at further reductions in what’s left of the season. We certainly hoped it would never come to this,” he said. “I think that both sides worked hard to get to a better solution. We think that we made very fair proposals. I’m sure the players think the same thing. But the gap is so significant that we just can’t bridge it at this time.”

Perante tais declarações, o acordo urge mais que tudo visto que do ponto de vista financeiro, tudo pode vir a ser uma catástrofe para a liga e para as equipas: estima-se que um mês de paragem pode custar perdas no valor de 350 milhões de dólares.

Derek Fischer disse à saída da reunião de ontem que está a representar uma solução que todos os jogadores concordem. No entanto, algumas equipas já referiram que com o lock-out e com a quebra clara de receitas, os cheques do mês de Outubro e do mês de Novembro podem não sair por falta de liquidez das mesmas. É nesse assunto que Chris Mannix da Sports Illustrated toca de forma muito pertinente: “They want us to say we can’t miss checks and just take the deal,” texted one All-Star player. “It won’t happen. We are standing firm. Everybody thinks the players are being greedy, but when it’s all said and done, we are giving up a lot.”

How quickly these system issues are resolved will likely determine when the league gets back to work. Stern has frequently said that if the system issues can be agreed to, the economic ones — specifically the BRI — are close enough that a deal can be made. On Monday, Kessler suggested the same. Getting the system issues settled, however, is looking like a tall task.

“The NBA is more dug in than before,” Hunter said. “[The owners] are going to have to soften their position and be willing to compromise.”

Segundo a opinião de Ian Thomsen da Sports Illustrated, este processo de negociação foi muito mal conduzido: ” On and on it will go, with both sides looking back to the salvation of the ’99 lockout. That resolution a dozen years ago may have influenced these extended talks that failed Monday night in New York. As much anxiety as both sides were feeling to reach an agreement this week, they weren’t experiencing the ultimate pressure that will be felt later this winter when the entire season is at risk. “The problem,” said a former league official who was involved in the negotiations that shortened the 1998-99 season to 50 games, “is that people tend to look at early January as the drop-dead date.”

He was worrying that the absolute final offer from either side may not emerge for another 12 weeks. Not until the final days of this calendar year will the owners fully understand the consequences of losing a full season during a recession, while more than 400 players find themselves confronted with the likelihood of a full year without an NBA paycheck.

In many ways these entire negotiations have gone according to form. It is not the formula anyone would have desired, but it has been entirely predictable. The owners lock out the players July 1, with little negotiating done for most of July and August, followed by sudden urgency to make a deal that can save the full season.”

Esperamos então que esse acordo chegue o mais rapidamente possível e que venhamos a ter espectáculo!

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