As ditas solidariedades e cooperações europeias

Nos assuntos mais problemáticos da União, Angela Merkel não dispensa receber em território da Alemanha os governantes, um a um, para saber na primeira pessoa o que de mal vai nos seus territórios.

Nos assuntos mais problemáticos da União, Angela Merkel, consulta (em privado e de forma bilateral) o seu “aliado” Francês, não se coibindo de apresentar pareceres e conclusões dessas reuniões que, por cunho afirmativo próprio, deverão transformar-se em “lei” comunitária.

Nos assuntos cujo princípio de soberania nacional reserva o direito a todos os estados de, numa primeira fase, trilhar as medidas que aprouver aos seus governantes para resolver os seus problemas, Ângela Merkel, não se coíbe de opinar sobre as medidas tomadas (positiva ou negativamente) aconselhar e até apregoar soluções com um tom de quase obrigação para os mesmos estados.

Nas instituições comunitárias, Angela Merkel não se contrai de negar ou aprovar todas as medidas que são contrárias ou favoráveis aos interesses alemães. Contra os Eurobonds, a favor de sanções para estados que não cumpram com as suas obrigações europeias, a favor de perda de soberania nessas mesmas situações.

São alguns dos exemplos do grave celeuma que ataca e torna real o défice democrático das instituições europeias.

As barreiras que entravam o bom funcionamento das instituições comunitárias vão actualmente para além das barreiras linguísticas, culturais, tradicionais, histórico-sociais, económicas, para além do estigma resultante do facto do comum cidadão europeu que goza do direito de eleger os seus representantes na câmara parlamentar europeia, não compreender como se tomam as decisões ao nível europeu e para além das sucessivas alterações de competências orgânicas que vão sendo instituídas nos tratados.

Neste momento, a principal barreira que entrava o bom funcionamento da União é o facto desta estar claramente minada pelas reacções, pelos comentários fastidiosos e mandões e pelas opiniões “que na linguagem Merkel” devem ser tomadas como obrigatórias, por estados que gozam de soberania  semelhante à Alemanha no cenário internacional.

A solidariedade europeia e a própria cooperação entre os estados, que, no passado deu os frutos que deu e fez evoluir as comunidades até ao ponto em que actualmente nos encontramos, está a ser completamente derrubada pelo ponto em que a chanceler alemã (necessitada pelo poderio económico, político e financeiro que o seu estado ostenta a partir da sua elevadíssima posição no cenário internacional, pelo fluxo de investimentos que os alemães têm na europa e pela concorrência que executam e visivelmente transtornam as próprias economias americana e chinesa) possa ousar traçar o caminho europeu à semelhança e género do que está programado pelo seu governo para a Alemanha. Chegamos a um ponto de clara emergência, em que a palavra de Merkel vale mais que as decisões tomadas em sede institucional europeia. Não temos um dia em que a chanceler alemã, se mostre mais preocupada em arrumar a casa dos outros, violando como tal o princípio da soberania nacional de outros estados-membros, do que se preocupe em governar o seu país, que à semelhança dos outros, terá crescimento negativo previsto para o fim do ano 2011.

Engraçado é, que a própria mentalidade alemã mudou… Angela Merkel, pela experiência pessoal que detem pelo facto de ter vivido uma boa parte da sua vida na Alemanha Oriental, e pela experiência ministerial que teve no pós-queda do muro de Berlim nos governos de Helmut Kohl, sabe perfeitamente que neste período conturbado da história alemã (tal e qual como no período dos pós-guerras) foi a solidariedade e cooperação dos povos europeus que ajudaram a amenizar não só os efeitos das devastadoras guerras provocadas pela demência alemã como foram os povos europeus, únidos solidaria e cooperativamente que se propuseram prontamente a auxiliar a Alemanha para superar os enormes declives de desenvolvimento que separavam o Ocidente do Oriente.

Com efeito, a solidariedade e cooperação europeia interessaram até certo ponto à poderosa máquina económica europeia. Deixaram actualmente de interessar porque a posição conquistada já não permite apostar mais do que uma posição egocêntrica de clara pretensão hegemónica dos Alemães na Europa.

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