Crueldade institucionalizada nos SASUC

Por Hugo Ferreira, estudante bolseiro da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra,

“Os estudantes das Residências Universitárias dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (RU-SASUC) foram hoje surpreendidos com um email enviado pelos SASUC a solicitar o pagamento da renda referente ao mês de Setembro de 2011 no prazo de 23 a 30 deste mês, pagamento esse a ser efectuado mesmo por bolseiros ou candidatos a essa condição.

Há 5 anos que sou estudante e bolseiro da Universidade de Coimbra e nunca se tinha chegado tão longe na insensibilidade e crueldade social. Por culpa do atraso do governo na publicação do novo regulamento de bolsas e das respectivas normas técnicas, os estudantes bolseiros não só serão obrigados a sobreviver durante este mês sem a sua bolsa de estudo, como serão impelidos a pagar uma renda no valor de 72 Euros. Apetece perguntar: Com que dinheiro? Acresce que,ao tudo indica esta situação não se resolverá nos próximos meses, pelo que os estudantes das RU-SASUC pelo menos até meados do próximo ano, mesmo não recebendo a bolsa de estudo, nalguns casos fundamental para a sua vida académica, terão de pagar mês após mês 72 Euros da renda da sua Residência.

O aumento do preço do prato social (sem o correspectivo acréscimo da sua qualidade), da renda das Residências (sem que em alguns casos se procedam a melhoramentos essenciais nas infra-estruturas), da permanência do modelo persecutório de Caução e do seu aumento sistemático, configuram decisões graves na gestão dos SASUC, mas em nenhum momento pude imaginar que chegaríamos a esta situação.

Os estudantes, em particular os mais afectados, devem tomar uma posição rápida e de força que consiga forçar os SASUC a reconsiderar a sua posição. Os representantes estudantis devem provar se estão ou não à altura dos cargos que ocupam, ainda que muita da responsabilidade desta situação seja sua pelas constantes cedências em direitos fundamentais dos estudantes e em alguns casos pelo completo desconhecimento e impreparação que revelam nestas questões.

Os estudantes, por seu lado, deverão reflectir se neste momento lhes resta muito mais a perder e decidir se este é ou não o momento de tomar o seu destino nas suas mãos, defendendo intransigentemente os direitos que historicamente conquistaram…

A palavra é deles e o futuro também pode ser.”

Anotamento meu:

Esta decisão surge alguns dias depois dos referidos serviços terem cortado o valor atribuído para alimentação a cada residente e comensal nas Repúblicas a seu cargo. Se quiser ir mais longe, esta decisão também surge após a publicação do novo regulamento de atribuição de bolsas de estudo por parte do Ministério. Se quisermos ir ainda mais longe, esta decisão surge alguns dias depois dos SASUC terem inaugurado uma nova cantina para a distribuição de alimentação completamente supérflua à comunidade estudantil e, segundo correm os boatos, preparar-se para ganhar a concessão dos bares da Associação Académica de Coimbra.

E a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra, o que pensa fazer em relação a esta insensatez do Sr. Administrador dos SASUC?



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2 thoughts on “Crueldade institucionalizada nos SASUC

  1. Márcio Cabral diz:

    Lembra aquela música da Erika Bahdu: on and on and on and on…

    Cada vez menos direitos, cada vez menos dinheiro, até à sobrevivência estar em causa.

  2. João Branco diz:

    Uma agravante extra desta perda de direitos é um facto que é bastante previsível para quem conhece as linhas de actuação dos SASUC nos últimos anos, facto esse que o Hugo não enunciou no seu texto e que eu também me esqueci de enunciar no meu anotamento mas do qual agora me fiz recordar: decorrendo o pagamento dos 72 euros por mês (valor do alojamento para bolseiros) até à atribuição da primeira bolsa (espero que depois os valores pagos pela mensalidade sejam devolvidos aos estudantes; caso não sejam é uma medida totalmente ilegal) todas as pessoas que não o fizerem por falta de recursos, começarão a ser pressionados pelos SASUC daqui a uns meses para o fazerem sob risco de despejo das residências universitárias. Creio que muitos residentes não o irão fazer e como tal, daqui a uns meses os SASUC irão pedir o pagamento de verbas a rondar os 400 e os 500 euros. Irão marcar reuniões com esses alunos e encostá-los entre a espada e a parede com planos de pagamento de 2 e 3 tranches até ao final do ano. A outros que sejam negadas as bolsas, terão que pagar um valor mensal de 120 euros mês, podendo no momento em que lhes sejam negadas as bolsas ter cerca de 600 e 700 euros para pagar de uma vez só. Os SASUC não irão perdoar as dívidas de todos aqueles que não paguem esse valor mesmo que acordem um plano de pagamento por necessidade de amenizar a situação para não cairem no risco de serem expulsos das residências universitárias. A medida é mais danosa para os bolsos dos estudantes-residentes nesse sentido.

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