Acesso ao ensino superior 2011

Uma amiga, disse-me há pouco, que as médias de entrada do ensino superior diminuíram.

Respondi-lhe com tranquilidade que não obstante o facto por ela enunciado, creio que as médias dos alunos é que eram demasiado altas tendo em conta a relação com a qualidade dos mesmos. 

Não estou aqui para argumentar o típico cliché de “no meu tempo é que era difícil”. Não era difícil, mas era mais exigente. Outra geração de professores, creio. Os putos de hoje não são só armados em hipsters e em posers. São alunos de média 16, no mínimo. Chegam às universidades e pouco ou nada sabem. Mal ou bem, não sabem expor uma ideia, muitos não sabem articular uma frase e outros tantos nem sabem descodificar o que lhes é pedido num enunciado. Não comprovam a excelência e vivem numa redoma de clara mediocridade.

Algo está mal no ensino português. Ou são todos génios, ou toda essa genialidade da geração do conhecimento e da informação se esvai na passagem do secundário para o ensino superior.

Tenho a certeza que as novas gerações tem mais oportunidades para receber melhor formação, mais conhecimento e mais informação do que as condições que a minha geração alguma vez teve. Basta dar o exemplo do meu irmão. No 1º ciclo do ensino básico, para além de vários livros, tem direito a DVD´s interactivos, a CD´s com jogos vocacionados para uma melhor aprendizagem das matérias leccionadas e tem computadores, que por sinal foram suspensos pelo governo – no meu tempo, existiam três livros: um de matemática, um de língua portuguesa e um de estudo do meio. No meu tempo existia uma professora sem qualquer pachorra para repetir o ensino da tabuada. Se não sabes que 6×8 é 48 e não tens boa memória para trautear a cantiga, levas nas mãos com uma régua de madeira de 30 cm de comprimento e 5 de largura e pode ser que aprendas. Actualmente, um simples aluno do 1º ciclo na minha região, tem aulas extra-curriculares de Inglês, de música, de dança e até de religião e moral, caso os seus encarregados de educação o pretendam.

Para além disso, os miúdos tem jornais, televisão por cabo e internet para se manterem informados e para cultivarem gostos e hobbies. No meu tempo (falo do período pré-histórico antes da internet chegar a minha casa compreendido entre 1997 e 2003) ir à internet na escola durante míseros 10 minutos era o êxtase do dia. É certo que eramos mais felizes. Iamos usando mais aquilo que o estado nos colocava à disposição em matéria de conhecimento que era a Biblioteca Municipal. Iamos lendo muito mais do que aquilo que os adolescentes de hoje em dia lêem. Iamos aproveitando todos os fragmentos de informação que pescavamos por aqui e por ali para compreender os factos e a história do passado, o nosso presente e o futuro.

Não fomos alunos de média 16, tomando na generalidade. Mas poderíamos bem ter sido. Arrisco-me a dizer que o nosso medíocre 13 equivale a um 19 de hoje. Somos uma geração mais culta, mais informada e com melhor calíbre argumentativo. Isso não nos podem tirar.

Com as etiquetas , , , , , , , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: