Um negócio das Arábias

Conta-nos o nosso atento mordomo do Sexo e a Cidade.

Os Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra tem dinheiro para fazer investimentos na área da restauração. Pizzas e Massas como diz o mordomo e bem, para retirar os estudantes dos “vizinhos capitalistas” e colocá-los saudáveis ($) nos cofres dos SASUC, do Estado, perdão, a comer pizzas e massas nos antigos snacks.

O mordomo também faz constar o interesse do administrador dos SASUC em adquirir a exploração dos bares da Académica quando terminar o contrato com a empresa InTocha.

Não me espanta nada o avante desta política. Investe-se à grande e à francesa. O serviço social já era. A qualidade das cantinas sociais passou a ser racionamento. O preço aumenta. As bolsas diminuem e na maior parte dos casos não são pagas a horas. Nem a horas, nem em meses. A fome já anda encapotada entre os estudantes. No final do ano lectivo transacto, os SASUC executaram uma limpeza sem dó nem piedade nas residências universitárias entre aqueles que acumulavam dívidas no pagamento das mensalidades, porque os alunos em causa não tinham mesmo condições financeiras para executarem os pagamentos, barrando por um lado o direito a uma vida condigna a certos estudantes, e por outro, negando possibilidades destes permanecerem no ensino superior. Coisa bonita para uma instituição que se intitula de Serviços Sociais e para uma instituição que teve durante longos anos um autêntico senhor no sentido literal da palavra, o Dr. António Luzio Vaz, administrador que sempre privilegiou o conforto e bem-estar da comunidade estudantil em deterimento dos interesses do ministério. 

E com estas negociatas, o estado vai colocar mais algum para ajudar a custear a gula dos meninos quando o deveria estar a fazer na modernização das instalações e dos equipamentos das faculdades, em obras nas residências universitárias, na compra de equipamentos básicos para as mesmas como fogões, micro-ondas, mesas, cadeiras e no pagamento de bolsas de forma atempada a quem precisa…

E os meus caros colegas da Direcção-Geral? O que tem a dizer sobre tudo isto para além de encher a boca para falar mal do que eu escrevo nas vossas reuniões? Que posição tem o órgão que é legitimado para defender os interesses de todos os estudantes e não apenas do estudantes que dão votos ou dos estudantes que tem mais $?

São negócios das arábias. Enquanto uns passam fome e contam os trocos para fazerem fila nas Amarelas, fiquem lá com pizzas, massas e cerveja. Afinal de contas, sardinhas e couves não puxam carroça.

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5 thoughts on “Um negócio das Arábias

  1. João Correia diz:

    Os Snacks fecharam!? Era a minha cantina preferida…

  2. João Branco diz:

    Fecharam temporariamente mas voltaram a abrir com outro conceito. O conceito de que falo no post.

  3. Márcio Cabral diz:

    Já houve tantas alturas que me senti envergonhado com as negociatas de Coimbra que agora só fico triste, ajo nas ocasiões de dever e direito, e sigo em frente.

    Demasiada bagagem para quem sabe o que se passa, mesmo que um pouco, em Coimbra e quer tratar da SUA própria bagagem e terminar parte mais importante do que veio cá fazer.

  4. João Branco diz:

    Cada vez tenho mais medo do futuro deste país. Com este tipo de estratégias, iremos voltar decerto ao tempo da velha senhora: serão mais aqueles que não irão entrar no ensino superior por falta de recursos ou pela incerteza do cumprimento da assistência social por parte das instituições como os SASUC e serão mais aqueles, que a meio dessa própria bagagem irão reflectir e irão abandonar o futuro por falta de recursos, e sobretudo por falta de cumprimento atempado das obrigações que essas instituições são incumbidas pelas entidades governamentais.

  5. Coloco em anexo nesta barra de comentários, o texto de resposta ao Dino Alves no facebook quando este me deu a sua posição sobre o assunto, que resumidamente consiste no facto dos SASUC estarem a pegar num mercado para substanciar o financiamento do “mercado social” em tempos de crise económica, sobrevivência dos próprios serviços e indefinições nas políticas do ensino superior em portugal por parte do governo.

    Passo a transcrever a minha resposta, resposta essa que considero pertinente como anexo a este post:

    ” Dino, se os SASUC o fazem (argumento que não te posso contestar sem os dados específicos da gestão dos seus espaços) não se notam melhorias em nenhuns dos outros sectores que apelidas e bem como mercados “sociais” – as cantinas sociais aumentaram de preço, a qualidade diminuiu drasticamente (jantei sempre nas amarelas nos últimos anos e posso-te assegurar disso) e a quantidade começou a ser claramente racionada. Chegavam a existir dias nas amarelas em que um dos pratos era arroz com um rissol e uma fatia de fiambre. Sem falar no dito estudo da água engarrafada, que por trás de um slogan ecológico escondeu o verdadeiro móbil dos SASUC que era retirar a água engarrafada de circulação por ser demasiado dispendiosa. Concordo que o tenham feito por questões financeiras, não concordo no motivo que utilizaram para convencer a comunidade a abandonar o consumo da água engarrafada.

    Depois foram os avisos em todas as cantinas para os estudantes levarem no tabuleiro a quantidade que desejavam para a satisfação das suas necessidades. Aviso tardio, diga-se de passagem, visto que os SASUC foram durante anos a fio um claro exemplo de esbanjamento de comida, por sucessivos erros nos cálculos na quantidade de fornecimento alimentar que se pedia para as cantinas tendo em conta o número de utilizadores e pela falta de recursos dos mesmos ou da UC em praticar o simples acto de fornecer a comida que restava nos tachos das cantinas a instituições de solidariedade social, quando a UC dispõe de transportes para o fazer e em todo o caso até ficaria bonito à AAC usar as suas carrinhas para também auxiliar nessa missão… Digo eu.

    As residências universitárias estão a cair de podres. Já não falo das repúblicas, porque essas são um mundo à parte. Conheço de perto as realidades das residências até porque vivi numa. Os SASUC fizeram uma autêntica limpeza nas residências a estudantes ultra-carenciados pelos motivos que enunciei no post. Desde há muito tempo para cá, existem residências sem qualquer tipo de higiene (depois de terem reduzido o pessoal de serviço) sem qualquer tipo de segurança (chegaram mesmo a existir assaltos em massa na Alegria e na RAJA) sem equipamentos básicos para a execução de lavagem e secagem de roupa, para confecção de refeições básicas e inclusive sem equipamentos que permitam um estudo conveniente aos residentes como o caso de mesas e cadeiras.
    As bolsas de estudo, cujo pagamento sabemos que pertencem a outros mecanismos de comunicação, transacção e avaliação das entidades centrais com as entidades locais, não são pagas a horas, não são atribuídas na sua totalidade aos que realmente precisam e esses dois factores são factores que só elevam a exclusão social entre alguns estudantes. Sabes bem disso.
    Os serviços médicos pelo que sei funcionam bem. Tem um problema: carecem de longas filas de espera. No entanto, não é nada que já não estejamos habituados no SNS.
    O GAPE também funciona bem, pelo que sei.

    Para finalizar, não sou contra este tipo de investimentos desde que eles de facto, e como referes, alimentem o mercado social e a sobrevivência dos próprios serviços. Caso contrário, mantenho o pejo em afirmar que se andares por aí a perguntar à comunidade estudantil se está satisfeita com a generalidade do trabalho dos serviços sociais, creio que apenas uma ínfima percentagem irá dizer que está muito satisfeita. Grande parte está insatisfeita. Porque a vida começa a ser bastante difícil para quem precaver o seu futuro. É certo que a culpa não morre apenas nos SASUC. A culpa pertence em larga escala à administração central. Mas infelizmente, os serviços em Coimbra também se devem dar como culpados pelo insucesso e frustração de terem visto o abandono de 600 estudantes no ano lectivo 20102011.”

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