A lenga-lenga do costume

parte I

parte II

parte III

Vitor Louça Rabaça Gaspar, previsível como nunca. O discurso governamental continua pautado pela lenga-lenga do costume. Sacrifícios, retorno aos mercados, cortes e aumentos de impostos. Fazer prognósticos sobre o resultado das medidas impostas aos contribuíntes é tão simples como decorar a tabuada dos 5 na 2ª classe: de 5 em 5 até aos 50, os cortes “históricos” na despesa acabam por não ser assim tão históricos no imediato, o melhor da retoma virá para o ano e em 2013 tudo irá culminar no regresso do país aos mercados.

Há anos que ouvimos a promessa que para o ano é que vai ser. Foi assim com Durão Barroso, foi assim com Sócrates, é assim com esta dupla formada por Passos Coelho e Vitor Gaspar. O discurso governamental chega a assemelhar-se ao discurso dos sucessivos presidentes e treinadores do Sporting: pró é que é, pró ano é que vamos lutar pelo título! A procissão acaba por não passar do adro, os resultados ficam hipotecados em tenra época. Não faz mal, no final da época, varremos com os que não renderam em campo, voltamos a mexer no balneário com apostas de risco e renovamos as promessas para época seguinte.

Gabo porém o esforço que o ministro das finanças está a demonstrar no início do seu mandato. A missão que lhe foi dirigida é difícil. Tão difícil como aplicar de uma vez só medidas tão impopulares e tão castigadoras ao povo. Gabo a coragem com que Vitor Gaspar tenta levar a água ao seu moínho. Ao contrário de outros políticos da sua geração, Gaspar não se esconde por detrás do Ministério e enfrenta a opinião pública com sucessivas conferências de imprensa e entrevistas aos órgãos de comunicação social. Pega o touro pelos cornos na “ausência pública” sentida do primeiro-ministro. Gaspar porta-se como um primeiro-ministro. Esse, de nome Coelho, anda fugido do público. Nas suas raras aparições, ora o vemos a bajular o bastonário franco-alemão na europa, ora o vemos a pedir aos espanhois que apostem em nós quando toda a europa sabe que o problema de liquidez dos investidores dos nuestros hermanos não chegam sequer para combater o flagelo do desemprego histórico que se verifica no país. Nos restantes períodos assistimos ao primeiro-ministro a mentir acerca daquilo que disse enquanto candidato em relação aquilo que está a fazer actualmente na governação.

Um ponto extremamente interessante e tocante da entrevista de ontem à noite da SIC foi quando o jornalista José Gomes Ferreira tocou na ferida que sobressai do resgate financeiro prestado pelo Fundo Monetário InternacionalComissão EuropeiaBanco Central Europeu. O jornalista da SIC, com alguma pertinência, perguntou de caras ao ministro das finanças se este, com as medidas exigidas, não jogou como a raposa ao pretender ganhar tempo perante a troika para num futuro próximo chegar ao pé dos avaliadores e dizer que o primeiro resgate não é suficiente para superar o celeuma português. Por segundos, Gaspar respondeu pela via da negação mas o seu rosto de espanto perante a pergunta do jornalista levou-o a denunciar uma estratégia claríssima como a água.

Em 2013 cá estaremos para julgar a táctica do ministro das finanças.

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