Cavendish volta a brilhar

Até agora, a etapa mais calma do Tour. Sem grande aparato e problemas de maior, o pelotão limitou-se a anular uma fuga e a lançar um sprint onde o rocket humano Mark Cavendish voltou a confirmar as suas credenciais. Estará Cavendish disposto a ultrapassar as terríveis montanhas dos Alpes e dos Pirinéus em prol da vitória na verde ou teremos Cavendish a desistir já amanhã?

Indiferentemente da resolução que o ciclista Britânico e a sua equipa poderão tomar em relação ao dia de amanhã, a etapa 12 (com o seu terrível final em LuzArdiden) marca o primeiro dia de alta montanha. Vai começar o espectáculo e o bailado pela vitória na prova.

Contador, os irmãos Schleck, Cadel Evans, Andreas Kloden,  Tony Martin, Christian Vandevelde,  Ivan Basso, Damiano Cunego, Robert Gesink, Luis-León Sanchez e Samuel Sanchez e claro, o camisola amarela Thomas Voeckler – o grupo principal de candidatos à vitória e aos primeiros lugares da prova.

Como outsiders: Phillipe Gilbert (precisa de andar pela frente nos primeiros 100 km para poder somar pontos no sprint intermédio e quiçá tentar somar pontinhos nos finais de etapa)  Nicolas Roche, Tom Danielson, Maxime Monfort, Vladimir Karpets, Linus Gerdemann, David  Moncoutié e Sylvain Chavanel (mesmo com as limitações físicas que apresentam) David Arroyo (mesmo a somar tempos incríveis como tem vindo a somar) Roman Kreuziger, John Gadret e Leonardo Duque – todos estes espreitarão um lugar no top 10top 20 ou no caso dos mais atrasados uma vitória numa destas etapas.

Relembro distâncias para a etapa de amanhã:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 1.49m
3º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 2.26m
4º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.29m
5º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.37m
6º Tony Martin (AlemanhaHTC-Columbia) a 2.38m
8º Andreas Kloden (AlemanhaTeam Radioshack) a 2.43m
9º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.55m
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.36m
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 3.37m
13º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.45m
15º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 4.01m
16º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 4.07m
17º Tom Danielson (Estados UnidosGarmin) a 4.22m
19º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 4.53m
20º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 5.01m
22º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 5.05m
23º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 5.07m
34º Linus Gerdemann (AlemanhaLeopard-Trek) a 6.40m
35º Levi Leipheimer (Estados UnidosRadioshack) a 7.15m
62º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 22.51m
78º David Arroyo (EspanhaMovistar) a 30.05m
109º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 44.16m
124º Leonardo Duque (ColômbiaCofidis) a 49.38m
130º Roman Kreuziger (Rep ChecaAstana) a 52.13m

Nos pontos, fase de interregno com Mark Cavendish na liderança com 251 pontos. Daí que se coloque a questão se o Britânico está disposto a um esforço suplementar para superar as montanhas. Cavendish lidera contra os 235 pontos de Rojas da Movistar e 231 de Phillipe Gilbert que é o único ciclista candidato a esta camisola capaz de pontuar nos sprints intermédios das etapas de montanha e quiçá chegar entre aqueles que pontuam no final das etapas. André Greipel com 164 pontos e Thor Hushovd com 163 ainda são candidatos a esta camisola, sendo bastante difícil que a vençam.

Por equipas continua a liderar a Europcar, mas amanhã esta classificação irá mudar para outra equipa.

Johnny Hoogerland da Vacansoleil continua líder da montanha com 22 pontos, contra os 17 de Voeckler. Será desejo do Francês obter a camisola às bolinhas, que decerto amanhã também irá mudar de dono.

Robert Gesink continua a liderar a Juventude e muito dificilmente irá perder esta classificação até Paris, a não ser que tenha algum percalço.

Quanto à etapa de amanhã: Cugnaux – LuzArdiden na distância de 211 km.

A primeira etapa de alta-montanha à 12ª etapa. Os Pirinéus ao rubro.

Os sprinters terão oportunidade de pontuar no sprint especial de Sarrancolin aos 119 km se ainda tiverem pernas para chegar lá visto que este sprint especial já se encontra a 600 metros de altitude em relação ao nível do mar. A partir daí, o inferno total: uma contagem de 1ª categoria em L´Hourquette de Ancizan que fará a primeira escolha ao nível do pelotão. Consequente descida para a subida para o inferno do Tourmalet (categoria especial) onde decerto passarão na frente 6 ou 7 elementos e depois, a subida final de categoria especial para LuzArdiden com término em alto. Uma etapa duríssima, que marcará muito tempo entre os ciclistas.

Candidato: para mim Andy Schleck.

Grande teste a Contador (tem-se queixado muito do joelho) e à força com que se tem apresentado Cadel Evans.Kloden, Basso e Cunego também tem aqui uma etapa a seu gosto.

Outsiders: Samuel Sanchez, se estiver realmente em forma. John Gadret, caso a estratégia de se deixar ficar para trás nas últimas etapas tenha sido propositada para guardar forças para este dia. Nicolas Roche, Monfort, Leipheimer e Chavanel, Duque, Arroyo e Gerdmann, caso entrem numa fuga com dois ou três ciclistas de trabalho. No entanto, duvido que o pelotão deixe Leipheimer sair escapado.

Voeckler perderá a amarela. Ou para Evans, ou para um dos irmãos Schleck ou para Contador caso este consiga atacar com precisão.

Flops: Gesink – duvido que consiga aguentar o ritmo da frente no Tourmalet, assim como o seu colega Léon Sanchez. Karpets, será para mim o primeiro a descolar.

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4 thoughts on “Cavendish volta a brilhar

  1. Diogo Cruz diz:

    Kloden é para não esquecer, e sera O Homem dos americanos!!
    O Gadret desistiu..

  2. João Branco diz:

    O Kloden é o homem da Radioshack com a desistência do Brajkovic. A Radioshack mesmo diminuída ao nível de homens (6) ainda tem equipa suficiente para acelerar bem o ritmo para ele: Paulinho, Leipheimer, Zubeldia só os 3 podem destroçar qualquer pelotão. E cuidado com o americano: se o deixam atacar mesmo sabendo dos minutos que ele já leva de atraso, ele com um bocadinho de sorte pode reentrar no grupo dos favoritos pois é um excelente contra-relogista. Assim como o Kloden, que para além de ser melhor no contra-relógio que Contador, Schleck e ao mesmo nível do Evans é um gajo que sozinho na montanha no meio deles defende-se muito bem. Basta só seguir a roda deles.

    Obrigado pela informação do Gadret Diogo: tive agora a ver a classificação e ele já não aparece. Não dei conta disso à bocado. É menos um homem para animar as etapas de montanha e para animar os franceses hoje no dia nacional de França. Mesmo assim pode ser que o Voeckler lhes dê o prazer de continuar de amarelo, o que eu duvido bastante ou que o Riblon ou Chavanel possam aparecer. O segundo também tenho as minhas dúvidas.

    Vamos aguardar ansiosamente pela transmissão.

  3. Diogo Cruz diz:

    O Gadret é um bom rapaz, que os Franceses mais uma vez iam queimar.. Ele não é um contador, não faz giro e tour seguido..
    Se calhar, se pro ano so fizer o Tour, pode ser que de alegrias aos franceses, mas não sei não..
    Os franceses tem de investir verdadeiramente na modalidade, e principalmente em equipas, nos seus escalões de formação. Parecem Portugal e a tristeza que é a financiar as equipas.
    O americano em conjunto com o alemão da Radioshak vão dar que falar, porque acredito bem que eles mandem o paulinho ou o basco para uma fuga e depois façam a jogada tipo de ele ser apanhado para ajudar a puxar na frente do pelotão, podem ser estes os melhores amigos de Contador, estes e o Senhor 16 voltas da BMC que ainda tem energia para partir..
    Porque se deixam a Leopard fazer aquilo que gosta, de meter o spartacus com mais 2 da equipa tomarem a frente do pelotão, aquilo chega ao tourmalet com 15 “favoritos” na frente..
    Quero muito ver como se saiem os homens da HTC..
    E espero que o Contador ganhe 🙂

  4. João Branco diz:

    Sim, é verdade. Se calhar até faz, mas tem que escolher qual das provas é que quer lutar na geral e qual das provas é que pretender vencer apenas umas etapas de montanha. Escolheu o Giro, lixou-se no Tour. Mas numa coisa tens razão: os franceses depositam demasiadas esperanças nos ciclistas que têm. Tanto no Gadret (que para mim é o melhorzito na montanha) como no Voeckler (o que ele vai sofrer hoje) no Riblon, Chavanel, Moncoutié, Casar. Como no passado (devido ao enguiço da longinqua vitória de um Francês na prova) depositavam no Virenque, Jalabert, Moreau – uma geração de ciclistas muito melhor que esta actual geração.

    Concordo quando dizes que os Franceses tem que investir mais em formação. Até porque não mencionaste dois pormenores: se fores ver as equipas continentais das principais equipas francesas, estão cheias de ciclistas estagiários estrangeiros e os principais ciclistas franceses tendem a sair das equipas francesas para as equipas mais poderosas. O que de facto na maioria dos casos representa uma mudança de estatuto na nova equipa. Enquanto nas equipas francesas poderiam ser chefes-de-fila, sujeitam-se a trabalhar para outros noutras equipas. Excepção feita mesmo ao Chavanel, mas a Quickstep sempre foi um caso isolado no ciclismo internacional pois tem uma equipa mais virada para as clássicas da primavera e para ciclistas de vitórias em etapas e não em provas por etapas.

    Quanto a estratégias para hoje, prefiro não deixar qualquer comentário. Qualquer cenário é possível perante a etapa que eles hoje têm em mãos. Decerto que será um grande espectáculo.

    Já agora, estou pelo Cadel Evans!

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