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Quando surgem notícias sobre decisões das agências de rating, Fitch, Standard & Poor´s e Mood, já não consigo reagir com espanto.

Quando se tratam de minúsculos países devedores como Portugal, os Srs. consultores das agências de rating não têm qualquer pejo em cotar como lixo o Estado, os bancos e as empresas públicas. Por mais minúsculos que sejam os países e frágeis as suas economias, estas agências não têm piedade em tornar mais complicada a vida destes nos mercados no que toca por exemplo à transacção de títulos de dívida pública e ao efectivo crescente da taxa de juro que os títulos portugueses tem sofrido nos últimos meses.

Perante os Estados Unidos da América, o supra-sumo do liberalismo económico e o país que mais deve no mundo, a falha na concertação política no que toca ao aumento da possibilidade de contrair dívida e a possibilidade do país entrar em default (incumprimento) caso não reduza o défice das suas contas públicas apenas agora suscita interesse por parte das referidas agências de rating, que só agora ousam ameaçar a administração Obama de um corte de rating que continua a ser da Triple A para o país do Tio Sam.

No mesmo relatório publicado ontem a Moody´s também pensa em cortar o rating a 3 bancos americanos, entre os quais o famoso Citygroup.

O mundo económico ainda não se apercebeu do carácter malicioso que estes ratings representam para a especulação económica.

Vejamos uma situação concreta:

Há uns meses atrás, colocava-se a hipótese de certos países investirem na nossa dívida pública. São países que detém bons fundos para investir, casos do Brasil, do Qatar e de Timor-Leste.

Lembro-me perfeitamente das palavras de Dilma Rousseff na sua visita a Portugal. Quando questionada por um jornalista português sobre a eventualidade do seu país poder investir na dívida pública do nosso país, Dilma foi peremptória: “a legislação apenas nos deixa investir em triple A”

Pois bem, esses fundos pertencentes a esses países apenas confiam no que é triple A para as maliciosas agências de rating. Portugal é junk, a Grécia é junk. Não passam de países minúsculos, insolventes é certo mas cuja dívida é ridícula tendo em conta a dívida actual dos Estados Unidos da América perante o mundo. Mas são junk e os EUA (mesmo em risco de default como estão Portugal e Grécia) continuam a ser Triple A.

O que é junk não presta. O que é triple A é bom. Não interessa contestar uma agência de rating: Triple A é bom, por isso, é mais que garantido o investimento. Depois, queixam-se que o sistema estoira como estoirou em 2008. Aguentem-se…

Tal diferenciação de pesos e medidas sobre as economias dos países que enfrentam graves crises de défice nas suas contas públicas só me faz elucidar que estas agências de rating só servem para promover mais confusão económica e para alimentar a especulação financeira. Se as mesmas já tiveram o seu dedo na eclosão da crise económica e financeira de 2008 não sei do que é que os governos e instituições mundiais estão à espera para lhes retirar o protagonismo imerecido que têm.

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