Não negoceiam com o FMI

A pergunta de partida que coloco neste post é a seguinte: Perante a grave falta de concertação política nacional e a instabilidade do país nos mercados internacionais, fizeram bem Bloco e PCP em não se reunirem com os agentes do Fundo Monetário Internacional?

Fizeram. Não tenho as menores dúvidas que foi a melhor decisão tomada pelos dois partidos nos últimos meses.

Falo do PCP.

Com as políticas que o PCP defende, jamais será viável negociar o quer que seja com quem vem a Portugal com o intuito de praticar um conjunto de medidas estruturais que vão contra o que o PCP tem defendido para o nosso país nos últimos anos.

Está mais que visível que o Fundo Monetário Internacional não vêm apenas resgatar Portugal com um empréstimo de 80, 90 ou 100 mil milhões de euros. Está mais que visível que o Fundo Monetário Internacional vai apresentar um conjunto de medidas ao Estado Português que não vão reduzir as assimetrias existentes entre o povo português no que toca à distribuição de riqueza e que pelo contrário, vão aumentar o poderio daqueles que tem sido ajudados pelos sucessivos governos: a banca e o grande patronato.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional não vêm com o objectivo de renegociar a nossa dívida, de aliviar a carga de impostos que aflige actualmente o quotidiano de todos os portugueses, promover o consumo interno, fomentar a produção nacional, aliviar as despesas que os cidadãos tem com saúde com a redução das taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde ou obrigar o estado português a fomentar um ensino de qualidade que possa acarretar um aumento significativo de mão-de-obra qualificada.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional vêm por sua vez apresentar um empréstimo cujos beneficiários em quota parte são aqueles que mais lucraram nos últimos anos – a banca. Os agentes do Fundo Monetário Internacional preparam-se para reduzir os salários reais dos trabalhadores, aumentarem as taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde para reduzirem a despesa pública num bem essencial gratuito que pertence aos cidadãos portugueses por Direito Constitucional, vem reduzir as reformas e as pensões e limitar o acesso às mesmas com o aumento da idade da reforma para um ridículo patamar de 68 anos, reduzir o acesso ao subsídio de desemprego a quem cai no infortúnio, reduzir as prestações sociais a quem precisa delas para sobreviver, facilitar o despedimento aos patrões e assim criar mais desemprego.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional não vêm por cobro à especulação que as agências de rating estão a fazer nos mercados à conta da nossa dívida pública, não vêm dar apoio às pequenas e médias empresas para gerar mais emprego, não vem com o intuito de fazer a banca pagar os impostos sobre os lucros que obtêm que lhes são devidos mas cujos sucessivos governos de direita lhes têm perdoado, não vêm instaurar medidas que façam os ricos tributar mais em favor dos bens sociais que os mais desfavorecidos necessitam, não vêm instaurar medidas que taxem em dura medida aqueles que continuam a importar bens de luxo, não vêm limitar o despesismo que o estado português tem feito no sector do exército, dos chorudos salários dos gestores públicos e respectivos bónus, impedir a enorme derrapagem nas contas das empresas públicas e semi-públicas como a CP, a refer ou a Metro de Lisboa, não vêm cortar as reformas extras a quem recebe 2 e 3 reformas na casa dos milhares.

Em suma, os agentes do Fundo Monetário não vêm praticar medidas que os governos de direita do PSPSD e CDSPP tem praticado desde o 25 de Abril de 1974. Agravante, vêm acentuar as dificuldades para o futuro do povo português e vêm acentuar mais crises sociais no nosso país. Não tenho a menor dúvida em afirmar que o nosso país sofrerá num futuro próximo um aumento das situações de miséria, de fome, de falta de cuidados de saúde por falta de posses financeiras.

Tendo em conta essas políticas, o PCP jamais poderá negociar o quer que seja com o Fundo Monetário Internacional.

Deparemo-nos com o exemplo da intervenção do Fundo na Grécia. Nem com a imposição de medidas de austeridade rígidas, a Grécia melhorou. A renegociação da dívida externa Grega é o exemplo de mais um falhanço da intervenção do Fundo. Pela primeira vez, considero a Zona Euro em risco. Grécia e Portugal podem colapsar a zona Euro caso saiam por espontaneidade ou sejam literalmente despejadas da mesma. A solidariedade europeia, base fundadora das comunidades, do mercado único e da moeda única está pela primeira vez em risco quando existem países como a Finlândia, a Áustria e a Alemanha torcem o nariz quando pedidos a ajudar outros estados-membros.

Sou de acordo que Portugal e Grécia deverão usar o factor Zona Euro como pressão para que se acabe com a especulação que é feita nos mercados e para renegociar as respectivas dívidas externas. Poderemos esticar a corda e a corda até poderá partir. Creio num cenário ultra negativo para o país caso este saia da Zona Euro. Todavia, caso a Zona Euro fique sem Portugal e sem a Grécia, os restantes países da mesma também sentirão o colapso em larga escala.

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