Aliança à vista? Jamais…

Notícias dão conta de uma possível abertura do PCP e do Bloco de Esquerda para uma convergência política alternativa de esquerda.

Espero que o PCP não embarque nestas quimeras. Pelo pedaço de história que lhe cabe nos últimos 90 anos do país e pela ideologia bem vincada que sempre defendeu, espero que tal não se venha a realizar. O PCP não deve andar a reboque de ninguém. Muito menos de partidos muito pouco esclarecidos ao nível de ideologia interna e cheios de divergências entre os seus principais rostos.

Não menosprezando a influência que o BE tem actualmente no panorama político português (influência maior que o PCP na Assembleia da República, já tinha afirmado aqui sobre esta possibilidade, passando a transcrever: “Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER” – continuo a manter este argumento. Com a RupturaFER (vais-me desculpar Manuel Afonso) jamais será viável concertar esforços no mesmo barco.

Para reforçar este argumento, transcrevo um comentário publicado aqui no Aspirina B: “O Sr. deputado Carlos Brito não sabe do que fala. Vive no mundo do sonho, no mundo da ilusão.

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.

Por isso, tal desejo desse Sr. deputado é irreal. É completamente irreal. Ainda mais quando o próprio líder desse partido é um economista interessante mas um fraco político – característica que na minha opinião o torna um pouco bipolar.

Disse.”

Perdoem-me os meus amigos militantes do Bloco de Esquerda. É aquilo que penso. Não retiro uma única linha deste discurso. Sei bem que é perigoso generalizar. Sei bem que alguns militantes do Bloco de Esquerda irão ler este post e irão acusar-me de falta de conhecimento do funcionamento interno do partido para tentar criticar o meu argumento. É um ponto de vista legítimo assim como é legítima a minha visão de fora do partido, que decerto não destoa em relação aquilo que grande parte dos meus camaradas pensam dos mecanismos de funcionamento do Bloco.


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2 thoughts on “Aliança à vista? Jamais…

  1. Deboche diz:

    Acusar-te de falta de conhecimento interno do Bloco? Com pérolas como:
    “Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa,” Prefiro mesmo que fiques do teu lado. Nem que tivesses o conhecimento ias ter inteligencia para o interpretar.

    Mas o que se há de fazer só existe uma maneira de ser útil à sociedade, ler Marx durante muitos anos e depois juntarmo-nos ao único partido do mundo que só criticou a URSS a partir do fim dos anos 80… Tudo o resto é traição ou ingenuidade, quando estiverem todos na merda vão-se lembrar que estivemos sempre aqui…

    O sectarismo absurdista acaba mal, e já agora a defenição de sectarismo mais perfeita que já é “Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento”

    O Bloco ainda vai cá estar pra vos recolher a vocês quando deixaresm de escrever “O Partido”

  2. João Branco diz:

    Vais-me desculpar, mas não compro esse teu prisma opinativo. Não sei se tudo funcionará dessa maneira no futuro.

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