A 2ª vida de Sócrates

Re-eleito na secretaria-geral do Partido Socialista com um resultado histórico de 93,3% dos votos, perante uma oposição interna desconhecida e insignificante.

Com o cenário de demissão do Primeiro-Ministro e recandidatura assumida, Passos Coelho começou com os seus “lapsos ideológicos” quando apresentou as suas ideias para alterar o estado do país. Subir os impostos (IVA) e apostar num aumento de privatizações das empresas públicas (em especial a CGD) não é um cenário apetecível aos olhos dos Portugueses.

A última sondagem realizada dava 46% das intenções de voto ao PSD. Com os sucessivos anúncios dados pelo líder do PSD nas entrevistas que deu aos órgãos de comunicação social, a percentagem deverá descer, complicando a maioria absoluta para o PSD que desde já sabemos que depende do CDS-PP. Cabe portanto a Portas e seus pares resolver a questão. Perante as medidas populistas que o CDS-PP sempre nos brindou, não creio que os democratas-cristãos estejam disponíveis a embarcar nestas quimeras. Nesse aspecto, Portas sempre afirmou que o seu partido não funciona a reboque do PSD – no entanto, a sede de poder de Portas é mais que visível desde a re-eleição de Cavaco Silva.

Num momento em que o Presidente da República se prepara efectivamente para usar dos seus poderes e competências constitucionais para dissolver a Assembleia da República nos próximos dias, os dados estão lançados para as eleições. De um lado, está um Partido Socialista apoiado no seu líder, interessado em vencer as eleições para dar a legitimidade às políticas de Sócrates que a Assembleia negou efeito com o chumbo do PEC 4. De outro lado, o líder do PSD também não parece apresentar propostas viáveis para um futuro risonho do país e espera governar com maioria absoluta se o CDS-PP se coligar.

Resta-nos a esquerda. Há quem deseje dentro do Bloco de Esquerda uma aproximação ao PCP numa alternativa de esquerda unida. Há quem deseje dentro do Bloco uma aproximação ao PCP e ao Socialista, numa alternativa de esquerda única. Tais cenários não são partilhados como viáveis pelos camaradas do PCP. Também partilho dessa opinião. O PCP jamais se deverá coligar com qualquer outro partido. As divergências ideológicas entre o PCP e o Bloco de Esquerda são óbvias. Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER – jamais haveria consenso, assim como jamais haveria consenso numa união ao Partido Socialista.

Sócrates ganhou ontem uma 2ª vida. Vamos ver até quando ela dura. As próximas eleições irão determinar o seu futuro neste país. Caso o cenário menos provável vinge (a re-eleição de Sócrates) o futuro será ainda mais catastrófico para este país. Caso o país decida entrar pelas loucuras do líder dos sociais-democratas, resta-nos meter as mãos à cabeça e “ter fé em Zeus” porque a coisa pode descambar para níveis de insanidade nunca antes vistos.

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