Abstenção

Num país cujo povo andou quase 5 década a reclamar por liberdade, actualmente, não sabe utilizar a liberdade que lhe é conferida.

Um povo que todos os dias manifesta o seu desagrado perante a actuação dos seus governantes, quando é chamado às urnas fica em casa e não vai votar.

52,47% de abstenção significam que existem quase 5 milhões de Portugueses que reclamam, mas não querem intervir na vida política do país quando são chamados às urnas.

É por isso, que cada vez mais defendo o voto obrigatório para todos os cidadãos. O civismo começa aqui: para reclamar, é preciso participar. Os Portugueses não o parecem entender…

Quanto às eleições, não vou tecer quaisquer comentários. Estou por demais desiludido com a ignorância dos Portugueses. Voltaram a acreditar no conto do vigário. Teremos novas eleições em breve. Legislativas. Nesta noite de domingo, Cavaco é alegre. Passos Coelho ainda é mais alegre. Manuel tornou-se triste e Sócrates está a fazer contas à vida e a reformular o seu método pois vem aí duras batalhas contra a oposição.

E o povo Português, com isto tudo, ficará mais pobre…

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9 thoughts on “Abstenção

  1. 5 décadas a reclamar por liberdade é um pouco exagerado. Português apenas reclama, é a sua índole. boa semana

  2. João Branco diz:

    (risos) – Abraço. boa semana.

  3. João Paulo Silva diz:

    Os elevado nível de abstenção é um problema que, a meu ver, pode ser resolvido significativamente e facilmente.
    Só ainda não o foi por interesse do bloco central – a manutenção do Status Quo.
    1. Quantos eleitores vivem em Lisboa e estão inscritos no Norte?
    2. Quantos eleitores vivem no Norte e estão inscritos no Sul?
    Destes quantos deixaram de votar para evitarem os custos das viagens, ou por comodidade?
    3. Quantos jovens (fora de casa) nas universidades portuguesas tiveram exames na 2ª feira/3ª feira, ou pelas mesmas razões dos anteriores, tiveram que poupar nos orçamentos e não viajar?
    4. Quantos acamados nos nossos hospitais?
    5. E por aí fora…

    Se o sistema instalado quiser realmente diminuir as taxas de abstenção, deixem votar as pessoas no sítio onde se encontram.
    Será que a abstenção interessa à nossa democracia ?…
    JPS

  4. João Branco diz:

    Caro João Paulo Silva,

    Saúdo as questões que lançou no seu comentário. São bastante pertinentes e reflectem grande parte da abstenção que se apurou ontem nas eleições.

    Às primeiras 3 perguntas, respondo-lhe com facilidade: esse lote de cidadãos deveria ser automaticamente mudado para os círculos eleitorais mais próximos da sua área de residência.

    Outra medida poderia ser sem dúvida de facto, a possibilidade de voto em qualquer circulo eleitoral mediante apresentação do bilhete de identidade ou cartão de cidadão. Todavia, para isso acontecer, teria que haver um sistema de comunicações ao nível nacional que impedisse o votante de exercer o seu direito de voto pela 2ª vez numa urna diferente. Mesmo assim, creio que esta hipótese seria exequível.

    No caso dos jovens universitários a estudar fora de casa, foi-lhes permitido o voto por envelope, sendo-lhes enviado para o efeito emails com as regras a seguir caso quisessem exercer o seu direito de voto. No entanto, soube por intermédio de amigos meus madeirenses, que a burocracia para execer o voto era tremenda: desde vários telefonemas para a sua junta de freguesia a pedir a confirmação do nº de eleitor e da sua área de residência na Madeira, a confirmação perante o CNE e a confirmação dos serviços académicos da sua universidade quanto ao actual local de residência. Disseram-me que não iam votar pois não tinham tempo para completar todas as etapas que eram exigidas pelos emails enviados pelo CNE. Ainda mais em altura de exames e numa conjuntura onde uma ida a casa representa uma despesa extra num orçamento que por vezes é muito limitado.

    À sua 4ª pergunta, contorno-a facilmente. Não serve apenas para aqueles que estão acamados mas também para profissionais da área da saúde, controladores aéreos, polícia e restantes profissionais do sector público e privado que não puderam ir votar por estarem no exercício das suas actividades laborais.

    Basta olhar para os exemplos que são dados pelas eleições nos países anglo-saxónicos. No Reino Unido e na Austrália (por exemplo) como as taxas de abstenção atingiram há uns anos atrás números que põem em causa a democracia, os governos optaram por aprovar leis que arrastam as urnas para sítios como praias (caso australiano) pubs, hospitais e aeroportos. Nestes exemplos, se o povo não pode fazer um desvio para ir às urnas, as urnas vão até encontro do povo.

    Quanto à sua última pergunta, não lhe sei responder se a abstenção interessa à nossa democracia. Sei que a abstenção não interessa à democracia, visto que uma das pedras basilares da mesma é mesmo a livre participação na vida política de todos os cidadãos. Neste caso concreto das presidenciais portugueses, a abstenção interessou a Cavaco Silva para vencer. No entanto, para Cavaco Silva, a abstenção de mais de 50% também pode representar um enorme retrocesso de legítimidade para o mandato que o PR vai exercer nos próximos 5 anos visto que nesta re-eleição, Cavaco Silva deixou de legítimar as aspirações de menos 500 mil portugueses.

  5. João Paulo Silva diz:

    Obrigado pela sua pronta e técnica resposta.
    Relativamente à nossa questão: se a abstenção interessa à nossa democracia ou a alguns “democratas”, sugiro que dê uma vista de olhos num artigo muito interessante que aleatoriamente encontrei na hoje na NET:
    http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=4625

    Cumprimentos,
    JPS

  6. João Branco diz:

    Caro João Paulo Silva.

    Não diria técnica! Diria de opinião pessoal. Neste blog, todas as opiniões que publico são fruto do meu pensamento e da minha sinceridade. Talvez seja por isso que vem aqui muita gente dizer mal, sem no entanto fundamentar qual é a sua opinião ou refutar os meus argumentos. Não é o seu caso e desde já aproveito para agradecer os seus comentários. Gosto de pessoas com espírito crítico, sem rodeios, directas e sinceras consigo mesmo.

    Vou aproveitar a minha pausa de estudo para ler o seu artigo.

    Abraço.

  7. João Branco diz:

    Bem, é uma excelente observação por parte do referido senhor.

    Em alguns pontos concordo, noutros discordo.

    No que toca às medidas de redução de deputados na Assembleia da República, está claro que estas medidas só irão beneficiar os partidos do bloco central. Com a eventualidade numa redução de deputados com este modelo eleitoral, um novo sistema de proporcionalidade obriga os partidos mais pequenos a terem que alcançar mais votos para obterem representantes e os maiores a caminhar a passos largos para maiorias parlamentares. Não gosto das maiorias parlamentares. Não é saudável para a democracia, ter um governo no poder assente numa maioria parlamentar, ávida a passar todos os diplomas legais formalizados pelo governo. Das maiorias absolutas que este país teve, viram-se os exemplos em que todas redundaram. A de António Guterres foi o caso mais crasso de um puro falhanço de uma maioria absoluta.

  8. João Paulo Silva diz:

    Na questão das maiorias parlamentares estou a ver que discordamos. Acredito nelas quando têm qualidade.
    Insisto é no problema técnico da abstenção involuntária, se é que assim lhe podemos chamar. Os tais abstencionistas involuntários (os deslocalizados, os que sentem a crise orçamental no dia a dia e não podem viajar, os estudantes, os doentes, os profissionais com deveres…), pesando os prós e os contras optam por não votar. É muita gente!!! No caso das eleições de ontem em quem votariam? Portugal seria politicamente hoje o mesmo?
    É urgente facilitar a acção de voto a todos os portugueses, independentemente do sítio onde se encontrem, da sua condição social, económica ou profissional.
    Um abraço,
    JPS

  9. João Branco diz:

    Exceptuando então a questão das maiorias parlamentares, no que toca ao resto estou em consonância com a sua opinião. Para bem da democracia.

    Continue a visitar-me. Abraço

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