Salário Mínimo Nacional

Hoje realiza-se a reunião de concertação quanto à possível subida do Salário Mínimo Nacional para o pico histórico de 500 euros mensais.

Para que um cidadão remunerado com o salário mínimo nacional actual, possa ter mais 25 euros de rendimento mensal, quase que é preciso que se cerre os punhos com toda a força e se grite “ah benfica”!

O Governo apresentou um estudo, em que defende que esta subida terá consequências graves ao nível da competitividade das empresas Portuguesas, ou seja, numa óptica racional, tenho em crença que se o ordenado mínimo subir agora, haverá mais desemprego nos próximos meses.

A lógica desta problemática é simples: Se o empresário capitalista for obrigado a aumentar os gastos da sua empresa com capital variável, este aumento não só terá repercussões graves ao nível do custo de produção e consequentemente do preço do produto que produz como tornará o seu produto menos apelativo tendo em conta os actuais mercados de concorrência. Logo, este aumento poderá trazer riscos ao nível da exportação. Logo, as margens de lucro dos empresários poderão descer e este ameaçado na reprodução da actividade produtiva, poderá encerrar unidades e levar ao despedimento dos seus trabalhadores, caso a actividade produtiva não seja rentável.

Infelizmente, a situação de mais despedimentos é um cenário extremamente injusto tendo em conta que pedir 25 euros de aumento para todos os trabalhadores que recebam o salário mínimo não é muito perante a situação de crise e perda de poder de compra que vivemos.

Várias entidades estão na cabeça do processo. A típica estratégia do “amigo não empata amigo”. O Governo pretende um aumento faseado até ao final de 2011, as unidades sindicais pretendem que o aumento se efectue já. O patronato continua a manter a sua firme posição de ceder aumentos ao nível da inflacção (2,2%). Tudo isto vai redundar numa intensa luta de forças, sabendo de antemão que o trabalhador será sempre prejudicado em relação ao jogo de forças entre o valor que cria com a sua mão-de-obra e o valor que aufere de salário.

Vivemos assim num Estado Social podre e caduco. Quando os governantes ousam em retirar poder de compra aos seus cidadãos pelo intermédio de impostos, taxas e outros embustes, criam-se logo leis e decretos-lei na hora para que o povo tenha que pagar a crise de uns. Quando o trabalhador, a força motriz da economia deste país reinvindica por um pouco de “ar fresco” perante o sufoco da crise, “a porca torce o rabo” e aparecem mil e um motivos que o impede de ter uma vida mais condigna.

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5 thoughts on “Salário Mínimo Nacional

  1. João Branco diz:

    Finda a reunião e eis que as conclusões apontam para uma vitória do patronato. O Salário Mínimo Nacional sobe para 485 euros em Janeiro. Um aumento de 10 euros. Bem à medida dos 2,2% de aumento que o patronato pedia.

  2. Paula Oliveira diz:

    Ao que parece o ordenado minimo nacinal de 485 euros não é para todos. Eu estou a trabalhar numa empresa na área textil – TOVARTEX – Ovar, Aveiro, onde estou a receber de ordenado base mensal cerca de 413 euros. Já formalizei uma queixa ao ACT e até agora nada! Afnal, a entidade empregadora continua sempre a ter beneficios! Caso para dizer: O POBRE EMPOBRECE E O RICO ENRIQUECE. Se o pobre foge á lei é logo apanhado, enquanto que o rico não á ninguém que o páre…

  3. João Branco diz:

    Minha cara Paula Oliveira,

    Continue a denunciar a sua entidade patronal às entidades fiscalizadores até que elas queiram actuar! Faça-o sem qualquer medo de despedimento. A situação é ilegal, portanto, creio que alguém das entidades fiscalizadoras vai actuar.

    Dada a sua situação, se precisar da minha ajuda não hesite em contactar-me por email no email que se encontra na barra à sua direita.

    João Branco

  4. Paulo diz:

    Quero lembrar que antes de efectuarmos reclamações devemos primeiro consultar o sindicato e ter em atenção a categoria que temos dentro da empresa e o contrato de trabalho para o sector. Devemos sempre defender os nossos direitos e contestar. Não podemos ser sempre os mesmos a pagar a crise. Os trabalhadores devem ser sempre sindicalizados é uma forma de protecção laboral.

  5. João Branco diz:

    Caro Paulo,

    Tem razão. Concordo na íntegra com o seu comentário. No entanto, tenho que lhe dizer que o sindicalismo em pleno século XXI é tomado ainda com uma conotação negativa, e os trabalhadores sindicalizados infelizmente ainda são prejudicados na carreira por tal associação.

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