Excesso de Benfiquismo

Ontem ao ler a edição do Jornal Record, caiu-me bastante o artigo de opinião escrito por Miguel Góis. O referido artigo pode ser lido aqui através do Record Online.

Depois de ter lido o referido artigo de opinião, senti-me profundamente enojado com as palavras escritas pelos Sr. Miguel Góis… Da actividade profissional do Sr. e dos seus colegas, sempre reconheci virtudes e defeitos. Se por vezes esse trabalho representou um bom marco de humor na história da televisão Portuguesa, por outras vezes, o mesmo foi cínico, rasteiro, evasivo e ofensivo à honra de muitas pessoas…

Noutro prisma, como cronista do Jornal Record, o Sr. Miguel Góis nunca conseguiu ter o bom senso de deixar de evidenciar um fanatismo clubista exacerbado, deitando por terra no referido Jornal a ideia de imparcialidade e respeito pelas normas de conduta e deontologia do Jornalismo, que naturalmente foram criadas para que este seja feito em moldes assentes no bom senso e na razoabilidade.

Não é portanto, a primeira nem a segunda vez que o Sr. entra por caminhos turtuosos nas suas crónicas. Sem pejo nem preceito,  vêm usualmente a público adoptar um discurso que para além do exacerbado fanatismo pelo seu clube, é em toda a escala, uma verdadeira amostra de um carácter ofensivo à dignidade de outras pessoas ligadas ao mundo do futebol, que não as do seu clube… O que é triste e só lhe fica mal, diga-se assim de passagem!

Creio que em toda a sua participação com o Jornal Record, nunca vi no referido Jornal uma crónica sua que por exemplo denunciasse algo de errado com o seu clube. Serão os jogadores, dirigentes e adeptos do seu clube perfeitos? Ou será o seu sentido de ética desprovido de algo a que se chama bom-senso?

Ninguém (que leia as suas crónicas) se esquece por exemplo dos tempos em que apelidou o Sporting Clube de Portugal de “loja dos 300 da europa”.

Sigo directo para os acontecimentos:

O treinador do Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas cometeu após o último jogo do Porto um grave erro de julgamento. Até aí, todos sabemos que o treinador do Porto foi extremamente precipitado nas suas declarações após o término do jogo em Guimarães. A partir daí, creio que a Liga teria o móbil de instaurar um processo disciplinar ao treinador do Futebol Clube do Porto à semelhança daquilo que uma vez fez ao actual Seleccionador Nacional nos tempos em que orientava o Sporting… Nada por exemplo, que Jorge Jesus ou os responsáveis máximos pelo futebol profissional do Benfica já não tenham vindo a público fazer nos dias que correm!

Na terça-feira, o comentador Rui Moreira abandonou o programa da RTP em directo. Depois de mais uma “quimeira televisiva” do comentador do Benfica, o Sr. António Pedro Vasconcelos. Sim, aquele que um dia ousou pedir à direcção do programa que passasse um vídeo do Youtube com um “best of de Roberto” para tentar limpar a má-imagem que o guarda-redes Espanhol deixou transparecer nos primeiros jogos da época. Pura propaganda para atirar areia para os olhos dos Portugueses, ao qual, um certo director de programação de uma estação pública que se quer transparente e imparcial deixou passar em claro.

Um pensamento tenho sempre em mente quando vejo o programa “Trio D´Ataque”: o facto do Sr. Cineasta não perceber rigorosamente nada de futebol e estar ali a fazer uma figura altamente deprimente e paga com o dinheiro de todos os contribuíntes Portugueses!

Se no caso do “vídeo do Roberto” foi o Sr. Rui Oliveira e Costa que decidiu lançar publicamente um protesto contra a gravidade da situação que tinha ocorrido, desta feita, foi o Dr. Rui Moreira “que não aguentou mais uma entifada” propagandista do enviado do Benfica ao programa. Como interveniente do programa, cabe-lhe obviamente o direito de abandonar o estúdio quando achar que a sua argumentação (neste caso) nem sequer é ouvida pelo parceiro de programa que continua “às cegas” a debitar um conjunto de argumentos que também não apresentam o mesmo bom-senso e razoabilidade que se podem observar nas crónicas de Miguel Góis no Jornal Record. Mal de família?

Como se os ataques ao Dr. Rui Moreira não bastassem, o último parágrafo deixa assente um ataque pessoal ao comentador do Sporting, o Dr. Rui Oliveira e Costa, apelidando directamente de “analfabeto”. Neste caso e fazendo jûs à escolaridade que decerto possuí, quem fez uma afirmação analógica a alguém sem estudos foi o Sr.

Todos os humanos erram. Espero bem que o Sr. nunca tenha errado na dicçãoescrita da língua Portuguesa, para que me prove que eu estou profundamente errado. Estimo bem!

Em conclusão, só pergunto ao Dr. Alexandre Pais, director do Jornal Record como é que ainda continua a permitir que os artigos de opinião deste Sr. continuem a ser publicados?

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2 thoughts on “Excesso de Benfiquismo

  1. Caro amigo, estes “fedorentos” trouxeram uma lufada de ar fresco ao humor em Portugal, disso ninguém duvida. Desde os tempos de Herman José (no “Tal Canal; “Hermanias” ou “Herman Enciclopédia”), que não existia tamanha originalidade e criatividade nos “sketches” humorísticos. Contudo, estes indivíduos que foram outrora um grupo divertido, padecem, hoje, de alguns tiques e vícios típicos do meio – o “show business”.
    Actualmente, à custa do sucesso granjeado durante vários anos junto do público português, dedicam-se a fazer publicidade à MEO (exaustiva, até!) e a participarem na grande máquina de propaganda que foi montada pelas cúpulas do SL. Benfica; abrangendo jornais, blogs e sites, para além do paradigmático e famigerado exemplo que é a Benfica TV.

    Nos tempos do Herman parecia existir, a meu ver, uma certa ética no humor em Portugal. O gozo era geral, transversal a qualquer camada da sociedade portuguesa: fossem ricos ou pobres; monárquicos ou republicanos; religiosos ou ateístas; sociais-democratas ou socialistas; da metrópole ou da província; elitistas ou populistas; nortenhos ou sulistas; portuenses ou lisboetas; portistas ou benfiquistas. Não se faziam favores e todos eram um potencial alvo do acutilante, debochado e hilariante humor, que caracterizava os bons tempos de Herman José. Quando José Maria Pedroto e, mais tarde, Pinto da Costa participaram em programas com Herman José, não se sentiram menorizados ou espezinhados por serem alvo de gozo. Sabiam que eram como tantos outros e, por isso, mais valia soltarem uma boa gargalhada e rirem-se também de si próprios.

    Pelo contrário, o humor dos “fedorentos” sempre foi dirigido e apontado para certas personagens ou camadas do povo português. Ao contrário da genuinidade humorística de Herman José, estes pautaram-se sempre por um grande cinismo e snobismo, que antes era mais ou menos disfarçado pela auto-proclamada parvoíce ou inimputablidade. Contudo, essa máscara tem vindo progressivamente a cair, denunciando a verdadeira “agenda” humorística intentada pelo “grupo dos 4”. Não são tontos nenhuns, como se querem fazer passar…

    Tanto Ricardo Araújo Pereira como Miguel Góis, nas suas crónicas em jornais desportivos, têm demonstrado o seu benfiquismo primário, realizando sempre que podem os mais diversos ataques aos clubes adversários ou a quem corajosamente os defende. De tudo se servem! Enganem-se aqueles que pensam que as crónicas de um fã de um determinado clube num jornal, servirão, essencialmente, para discutir o que bom ou de mal se passa com o seu clube. Estes dois estão lá apenas para fazer os ataques mais vis que imaginar se possa. Não importa com que argumentos, mesmo que sejam falácias “ad hominem” (contra a pessoa) ou “ad populum” (contra determinado grupo de pessoas ou povo). Não importa que se levantem, com grande leviandade, insinuações ou suspeitas gratuitas, nem que se recorra ao insulto mais torpe e infundado como é o ataque à “inteligência” de Rui Oliveira e Costa. É uma autêntica barbárie argumentativa e que é constantemente apadrinhada pela comunicação social em geral, com ressalva da RTP que, ainda assim, consegue ser o canal mais cuidado e ponderado no tratamento desta guerrilha instalada.

    Quem via o “Trio de Ataque”, sabia que se tratava, dentro do género, dos programas mais moderados. Em que o fanatismo não estava presente e os convidados se tratavam com respeito e cordialidade, com excepção, claro, de António Pedro Vasconcelos. É consensual que tanto Rui Moreira como Rui Oliveira e Costa são dos mais moderados comentadores, pois não se pautam pelo fanatismo que é característico de quem se senta em programas de teor semelhante. Conseguem manter também no futebol, a rectidão e sensatez que os caracteriza na sua vida pública e profissional. O que é raro, pois o futebol desperta muitas paixões, transformando, não raras vezes, um homem honrado no mais célebre dos mentecaptos.

    Com a saída de Rui Moreira o programa da RTP sofrerá, irremediavelmente, uma perda de qualidade. Deixou de ser um Oásis para os telespectadores mais moderados, para ser mais um programa caracterizado pelo trato pouco respeitoso entre os vários comentadores, onde os atropelos e a argumentação barata imperam.
    O que é pena… Mas demonstra que mesmo pessoas sensatas e cordatas como Rui Moreira e Rui Oliveira e Costa não estão a salvo do ataque baixo, da falta de educação, da canalhice…

  2. João Branco diz:

    Meu grande amigo João de Araújo Correia:

    Antes de mais, agradeço-te esse extenso e certeiro comentário.

    Não podia estar mais de acordo com o teu inspirado comentário. Foste bastante objectivo. Melhor que isso, fizeste-me lembrar outros casos que estão para além da problemática que lancei neste post. O caso do Herman e dos seus programas (na sua era dourada) são o exemplo crasso de programas de humor que divertiam (como dizes) todas as camadas e cujos indíviduos alvos de sátira também participavam na brincadeira sem grandes incómodos. Lembro-me de “sketches” dedicados ao Guterres, ao Lauro Dérmio, ao Pinto da Costa (Homens do Norte) entre outros na Herman Enciclopedia!

    Também apreciei a parte do teu comentário em que dizes que os 4 do “Gato Fedorento” já ficaram com os tiques do “Show business”. É bem verdade. Como todo o formato começou a cansar as pessoas, as audiências caíram. É triste ver estes profissionais do humor, dedicados ao que bem enunciaste: anúncios públicitários de um certa marca que já metem nojodedicados à maquina de propaganda de um clube de futebol.

    O que interessa realmente para este post é a postura que este Sr. tem revelado quando vêm escrever a público nos jornais desportivos. Em conjunto com Ricardo Araújo Pereira no Jornal A Bola. Estes senhores, não conseguem olhar para o seu úmbigo. Só conseguem criticar, cascar, castrar nos outros clubes, nas pessoas dos outros clubes, nas atitudes, comportamentos e acções dos dirigentes dos outros clubes. É como dizes, utilizando sempre argumentos baixíssimos. Que estupidamente podem ser compreendidos por todos os Benfiquistas como humor do máximo requinte. Que avidamente já utilizavam nos “sketches” dos programas como por exemplo no mítico “sketch” do Paulo Bento e no que era destinado à figura do Major Valentim Loureiro! Esquecendo-se claramente o seu clube é aquele que levanta mais “poeira e folclore” no panorama do Futebol Português. Aquela ída ao Ministério da Administração Pública para pedir mais protecção para os adeptos do Benfica nas deslocações é algo de fenomenal.

    No que respeita ao programa em si, eu admito que gosto do Rui Moreira. Como dizes, é um comentador moderado que argumenta muito bem as suas posições e defende a sua dama sem recurso a quimeras fanáticas como faz o António Pedro Vasconcelos e como faz o Fernando Seara. E gabo-lhe a coragem, de ter saído do estúdio sem mais nem menos. O silêncio por vezes é uma excelente forma de protesto. Este artigo do Sr. Miguel Góis só veio reforçar a atitude de Rui Moreira: por vezes é melhor abandonar uma discussão, antes que a nossa racionalidade seja beliscada pelas ideias distorcidas de quem mete o clube á frente da razão.

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