Este Sporting é miserável

1. A começar pela direcção. A direcção de José Eduardo Bettencourt está no Sporting a proteger os interesses de outros que não a do próprio clube. Quando digo “interesses de outros” refiro os interesses dos credores do Sporting, a banca… da qual José Eduardo Bettencourt fazia parte a tempo integral antes de ser presidente da SAD e do clube.

A direcção do Sporting é uma direcção de incompetentes, de anjinhos, de puros amadores… Não falam, não agem rápido. Demoram séculos a procurar jogadores e milénios a contratá-los. Procuram sistematicamente a contratação de jogadores mediocres pelo preço mais baixo do mercado. E se repararem bem, quase todas as contratações do Sporting para esta época não passaram de jogadores que são amigos de Costinha ou de jogadores que foram autenticamente despachados pelos clubes que fizeram propostas sobre os activos do Sporting. Valdés e Maniche vieram por amizade a Costinha. Nuno André Coelho e Zapater vieram envolvidos em negócios. Marco Torsiglieri é o exemplo crasso de um jogador que foi cá posto por um empresário qualquer.

Como disse, o Sporting demora “séculos” a negociarcontratar um jogador. Quando não o contrata, a direcção usualmente vem a público esconder-se por debaixo do escudo do argumento “não há dinheiroo sporting tem dificuldades em ir ao mercado”. No entanto, todos os dias, os sócios do Sporting são brindados com sucessivas propostas de restruturação financeira que promete mais dinheiro para ir ao mercado. Nada mais que areia para os olhos.

A direcção do Sporting andou durante meses a prometer uma equipa competitiva. Se na fase inicial da presidência, a José Eduardo Bettencourt era dado o benefício da dúvida para organizar a casa, actualmente o presidente do Sporting tem que ser apelidado de incompetente. Em Janeiro perdeu Ruben Micael para o FC Porto acabando por gastar 6,5 milhões de euros num jogador chamado Sinama-Pongolle que no período em que esteve no Sporting não fez absolutamente nada. Perdeu um grande treinador para o rival FC Porto e contratou um treinador (Paulo Sérgio) que não é melhor que Carlos Carvalhal…

A continuar assim, é preferível adoptar um discurso mais comezinho e sobretudo diminuir o orçamento. Não se pode lutar por um objectivo tão pequeno como a Liga Europa com uma “máquina orçamental” igual à que o Sporting detém na actualidade.

Isto sem falar da atitude que José Eduardo Bettencourt tem demonstrado nas relações com os rivais. Os pretensiosos almoços com o Presidente do Benfica Luis Filipe Vieira são a face visível de um clube que se pretende rebaixar sobre um rival que quando tem oportunidade de mandar a facada manda… O Sporting, pela sua história, pelo seu orgulho, não deve ter qualquer tipo de relações com o rival… Nem sequer deveria falar com o rival, quanto mais compactuar com as suas políticas…

Quanto à imprensa, o presidente do Sporting não é capaz de vir a público defender o clube da pressão que é feita por esta e de certa maneira colocar uma certa tranquilidade no trabalho do futebol profissional.


2. A direcção técnica. Como diz o povo, Paulo Sérgio aparece no Sporting “sem ler nem escrever.” Paulo Sérgio poderá vir a ser um treinador com futuro no campeonato Português, mas neste momento, não é o treinador que o Sporting precisa. Para além de não ter grandes provas dadas no principal escalão, não detém o pulso necessário para por ordem no instável balneário do Sporting nem é capaz de colocar o Sporting a vencer e a jogar bom futebol.

Outra mácula em Paulo Sérgio (pelo menos neste arranque de campeonato) é a forma como se dirige para a imprensa. Há algumas semanas atrás afirmou que “tinha a melhor equipa do mundo”. Isso é um bom discurso para ter dentro do balneário mas é um péssimo discurso para o exterior, visto que pressiona uma equipa que desde há alguns anos é uma equipa intranquila.

À 6ª jornada, Paulo Sérgio ainda não sabe bem que táctica deve aplicar e ainda não conseguiu fazer com que os jogadores assimilassem os seus processos de jogo. Isto, se eles realmente existirem. Eu olho para este Sporting à semelhança do Sporting de Paulo Bento: ninguém se mexe no meio campo e o jogo acaba por ser um jogo bombeado pelos centrais lá para a frente à espera que alguém ganhe uma bola e faça mexer o ataque.

Se Paulo Sérgio quer jogar pelas alas, os únicos alas que realmente tem são Diogo Salomão e Simon Vukcevic. Matías nunca foi ala e nunca o será. Valdés, Yannick ou Postiga muito menos.


3. Sobre a equipa.


O plantel foi mal construído desde o início da época. Falta muita coisa a este plantel para poder lutar pela competição que seja.

Começando pelo guarda-redes. Rui Patrício é um guarda-redes que deixa qualquer defesa insegura. Daí que se tenha comprado um guarda-redes mais experiente (Hildebrand) como Paulo Sérgio desejava. Mesmo assim, Hildebrand fica no banco ou na bancada.

Na defesa, Nuno André Coelho deu algum acerto no desarme e nas bolas aéreas, uma das principais causas da péssima época que o Sporting fez na época passada. Carriço parece que desaprendeu a jogar à bola e continua a posicionar-se muito mal, Polga “está literalmente morto desde o 7-1 de Munique” e Torsiglieri é um jogador de fraca qualidade. Nas laterais, Evaldo e João Pereira são jogadores que têm demonstrado muita luta, muita garra mas caso se lesionem Grimi e Abel são jogadores de uma qualidade muito duvidosa.

A defesa na era Paulo Sérgio é capaz de adoptar posturas radicais de jogo para jogo: nos primeiros jogos jogava demasiado adiantada e permitia que os adversários colocassem o seu jogo nas suas costas. Agora é uma defesa que teima em não subir quando necessita de subir. O golo do Nacional no jogo de hoje é a amostra clara de uma defesa que demorou imenso tempo a subir.

No meio campo, a falta de Pedro Mendes pode ser bem disfarçada pela presença de André Santos. No entanto ao lado tem um Maniche que já não tem pernas para estas andanças e ao Sporting falta um playmaker de qualidade. Falta um jogador criativo que pegue na bola no meio campo e possa  abrir espaços a partir de sucessivos dribles e conseguir jogar na desmarcação dos avançados. Maniche não é esse jogador. Zapater também não é esse jogador. Matías é esse jogador se estiver ao mais alto nível. Do reforço Tales nada foi visto. Izmailov é um caso perdido.

A meio dos jogos, o meio-campo do Sporting encontra-se perdido. Já não dá coesão defensiva e deixa o miolo aberto para o meio-campo adversário. Não batalha e como tal não conquista os ressaltos que possam surgir nas suas esferas de acção. É um meio campo extremamente colado ao ataque, que nem sequer é capaz de fazer correctamente a transição defesa-ataque.

Nas alas, volto a referir o problema que deixei lá atrás. Quer no 4-4-2 clássico como no 4x1x3x2 Paulo Sérgio necessita de alas. Alas que sejam capazes de desiquilibrar a partir da finta e da explosão em velocidade. Não os tem. Salomão necessita de crescer. Vukcevic faz estragos num flanco mas no outro está lá um Valdés ou um Matías que não aquecem nem arrefecem. Porque não são alas.

Na frente, muita falta de qualidade. Os tempos de Lièdson acabaram e já é tempo de reduzir a despesa salarial que é dada pelo “levezinho” ao clube. Saleiro e Postiga são meros sonâmbulos que andam por ali e que nem sequer tem qualidade para envergar a camisola. Yannick é um jogador limitado em muitos aspectos, desde logo, na técnica.

Este ataque é atabalhoado. Muito por culpa do meio-campo. Em vez de esperar pelo jogo, é o próprio ataque que tem que vir ao miolo construir jogo para a equipa.


Os jogadores do Sporting falam muito e poucas provas dão. Protestam mais do que aquilo que jogam. Se ao menos disfarçassem a falta de qualidade com atitude, crença de vitória, garra, espírito de batalha, talvez conseguissem melhores resultados. O que é certo é que nem têm qualidade nem garra, nem crença na vitória. Já entram no campo derrotados. Se estão a perder ou a empatar por volta dos 60″ começam a perder a cabeça e a jogar com o coração. Cometem erros e infantilidades de forma repetitiva. Fazem desesperar os adeptos, cansam os adeptos, desmotivam os adeptos que nem sequer aparecem no estádio.


Já uma vez tinha dito neste espaço que o futebol como uma industria precisa que o investimento numa equipa seja arrojado e pela certa nos jogadores certos: para se ter gente no estádio é preciso que se proporcione um bom espectáculo.

Para que se proporcione um bom espectáculo é necessário que se ganhe ou que se perca a jogar bom futebol, a dar alento aos adeptos…

Para que se proporcione um bom espectáculo e vitórias, é necessário que se contratem bons artistas do futebol. Para que se contratem bons artistas é necessário que se tenha um bom sistema de “scout” e sobretudo capacidade de investimento.

Se os bons artistas proporcionarem um bom espectáculo de futebol e vencerem, as pessoas vão ao estádio, as pessoas compram a marca, os bons patrocínios aparecem e o investimento feito na aquisição de bons jogadores tem retorno.

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One thought on “Este Sporting é miserável

  1. Roger diz:

    Quem meteu o Paulo Sérgio no Sporting foi o Jorge Mendes, porque eles são amigos de infância ou já se conhecem á muito tempo…
    Falta o Pinheiro!! Um gajo que a bola lhe bata na cabeça e vá pa baliza!!

    Grande post…tás aqui tás a substituir o Gabriel Alves.

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