Sinal de perigo para o Ocidente

Após 35 anos de construção sob direcção Russa, a central nuclear de Bushehr no Irão irá iniciar nos próximos dias o seu funcionamento.

O Bric, que para quem não sabe, é uma sigla que estabelece um pacto formal de comércio feito entre as 4 maiores potências emergentes do novo século (Brasil, Índia, Russia e China) poderá passar a ser um actor na cena internacional dotado de objectivos não só comerciais como políticos e estratégico-militares. Uma espécie de aliança entre os 4 países que pode muito bem vir a ser uma nova Organização Internacional do futuro.

Toda esta evolução pode ser um claro sinal de perigo para o Ocidente. Para além do facto de serem os detentores de 40% do território mundial e estarem em acelerado crescimento económico (prevê-se por exemplo que a Economia Chinesa possa ultrapassar a Norte-Americana a meio do século XXI) exceptuando o Brasil, todos os outros países são enormes potências militares. Juntando o Brasil numa questão específica, os 4 países detém de grosso modo a hegemonia regional da parte que lhes corresponde no mapa mundi.

É num cenário de execução de alianças políticas e de alianças estratégico-militares, que a Russia irá fornecer combustível e recolher os dejectos nucleares na nova central nuclear do Irão, algo que já mereceu comentários por parte da administração Norte-Americana, que não vê com bons olhos tal facto. Mesmo perante as ameaças da AIEA (Agência Internacional para a Energia Atómica) e dos Estado Norte-Americano que pretendiam ver e saber mais sobre o funcionamento e o propósito desta nova central nuclear Iraniana, tanto o Governo de Mahmoud Ahmadinejad como a fonte do Governo Russo através da ROSATOM (Agência Atómica da Rússia) garantem que a central nuclear irá funcionar segundo os trâmites esclarecidos pelo acordo da Agência Internacional para a Energia Atómica, respeitando todas normas internacionais quanto à questão da não-difusão de armas nucleares.

Pessoalmente  creio que toda este desenvolvimento de acontecimentos seja um bom sinal para o Ocidente. Decerto que não o será para o Estado de Israel, um dos principais inimigos políticos do Irão nos últimos anos. O Governo Israelita deve estar nestes dias a temer por completo que esta central nuclear seja o móbil para o Irão poder tentar executar um plano de ataque nuclear ao Estado de Israel. Nesse sentido, o Estado Judaico veio nos últimos dias encetar novos esforços de paz com os palestinianos num claro mecanismo político que indica que Israel pretende acalmar a situação na Faixa de Gaza de modo a não ter problemas com o Irão, que como se sabe, exerce de certa maneira hegemonia nos países à volta de Israel (Siria, Líbano).

Não é de hoje que o primeiro-ministro do Irão faz ameaças verbais ao Estado de Israel. Em 2005, o líder dos Iranianos afirmou que “o Estado de Israel deveria ser varrido da face da terra”.

Nesta questão, os restantes parceiros da BRIC (China, Índia e Brasil) ainda não se manifestaram públicamente quanto à ajuda Russa nesta nova central nuclear Iraniana. Certo é que estes três países poderão beneficiar desta central nuclear. Obstante disso, não creio que o pacto vá acolher um Estado como o Irão no seu seio. A acontecer tal facto, poderia ser uma medida que pudesse levar a uma intensa quebra no volume de exportações destes países principalmente para os Estados Unidos da América e para a Europa. Com uma possível entrada do Irão, tanto os Norte-Americanos como a União Europeia iriam obviamente refrear os negócios com os países do BRIC de modo a não engrandecer ainda mais países que constituem ameaça como o Irão. Mais certo será num cenário a médio prazo que o BRIC venha a acolher outra grande potência emergência como é Angola. Com as sucessivas descobertas de reservas petrolíferas no territóriozona económica exclusiva Angolana (juntando ao desenvolvimento maciço da exploração petrolífera na Russia e no Brasil) José Eduardo dos Santos pode ser um enorme aliado aos países do BRIC contra a exploração do preço do petróleo que é feita em Nova Iorque e em Londres. Estes países poderão até criar uma entidade que sirva referência paralela aos Estados Unidos e ao Reino Unido para a transacção do ouro negro.

Em suma, tudo isto não é um bom sinal para a civilização ocidental. Toda esta questão fez soar os alarmes do Governo Norte-Americano e da União Europeia. Torna necessário um controlo eficaz o que vai ser produzido nesta nova central de Bushehr. Obama e a sua administração sabem perfeitamente disso e não tenho dúvidas que estarão sempre em cima do acontecimento nos próximos meses.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: