Eu bem tinha avisado Parte 2

Villa festeja perante a desilusão de Eduardo, para mim, o melhor em campo nesta partida.

Mais uma vez fomos eliminados de uma grande competição. Desta feita, alcançamos o feito histórico de dar 7 a 0 a uns coitaditos quaisquer dos quais já ninguém sabe se estão vivos e continuámos o nosso fado perdedor nos jogos a doer.

Ganhar 7 a 0 à Coreia do Norte fez mal ao ego dos jogadores. Mais valia termos ganho por 1-0 que chegava perfeitamente. Pior que isso, essa goleada encheu de orgulho as asas do pavão que é Carlos Queiroz, um perdedor nato que ainda ousou afirmar que neste mundial podia mudar aquilo que tem sido a sua carreira: uma carreira de adjunto que quando chamado a treinador principal só é faz é merda. Desculpem-me a linguagem.

Eu bem tinha avisado no post que fiz após o jogo com o Brasil que caso nos calhasse a Espanha iamos de vela. Perdão, de Villa. Isso pode ser lido aqui. Queiroz voltou a inventar. Colocou Pepe, Ricardo Costa e Hugo Almeida no onze titular. Os Espanhóis de Guardiola (sim porque o técnico do Barcelona aparece no banco disfarçado de Del Bosque) apareceram no sítio do costume a executar o “tiki-taka carrossel do diabo” do Barcelona, procurando o deslize da defensiva Portuguesa principalmente a partir do flanco de Ricardo Costa. “Pepe-lento” foi inexistência assim como um Simão que teve muito pouco sabor nesta partida. Hugo Almeida lá na frente não dava a rapidez que se necessitava perante Puyol e Piqué e muito menos se percebe esta escolha quando não tivemos qualquer ideia de jogar em bolas áereas, modalidade onde os centrais do Barcelona já tem vários doutoramentos.

Exigia-se Liedson de início. Depois de uma primeira parte muito bem conseguida do ponto de vista defensivo, onde tapamos a iniciativa de Xavi e onde os Espanhois “se viram gregos” para fazer o seu jogo, eis que Queiroz nos surprende com a entrada de Danny para o lugar de Hugo Almeida, desorientando a equipa a todos os níveis. Foi então, na altura da doença, que a Espanha acelerou o seu jogo, criou duas oportunidades e à terceira não perdoou.

O resultado disto era nítido. Portugal fez 4 jogos na África do Sul sem saber atacar. Sem ter alguém que conseguisse coordenar o jogo de ataque e quiça ter um lance de desiquilíbrio. Mourinho tinha razão: “não venceriamos o Mundial nem que Ronaldo jogasse a mil à hora”. É caso para dizer que Mourinho está um passo acima de todos os restantes técnicos Portugueses.Ronaldo jogou a mil à hora, nem que seja pelo facto de ter jogado sempre de forma individual, a correr à maluca para a frente tentando contrariar a essência do futebol que naturalmente é de jogo colectivo”.

Hoje, havia sempre alguma merda que falhava. Um passe que não chegava ao destinatário, um centro mal tirado, um cabeceamento mal conseguido, um porra de uma recepção mal-feita. Algo que até fez rir os Espanhóis que no alto da sua tranquilidade limitaram-se a trocar a bola à frente dos Portugueses após o golo marcado, fazendo aquele jogo irritante deles, aquele jogo que funciona, que faz ganhar títulos internacionais tantos ao nível de clubes como de selecções.

No fundo, foi um estado de pura demência do nosso seleccionador que provocou este resultado. E mais uma vez, todos aqueles que só vêem futebol de 2 em 2 anos voltaram de ombros encolhidos às suas casas onde a esta hora já vêem a novela da TVI. Ao menos aí, 90% das histórias têm finais felizes.
O pior disto tudo é que vamos ter de aturar com este Sr. Queiroz até 2012. Não interessa a Gilberto Madaíl despedir agora o seleccionador, pois isso acarreta uma despesa indeminizatória que a Federação não está disposta a pagar. Não porque não tenha dinheiro, mas porque a ideia da FPF é alimentar toda aquela corja de sanguessugas que anda por lá a chupar.

O Mundial não fica por aqui. Haverá decerto revelações bombásticas nos próximos dias. Quando se zangam as comadres sabem-se as verdades, já diz o ditado. Daquelas revelações mesmo à Portuguesa. Não me admira nada que venha por aí um Nani ou um Deco contar umas histórias interessantes.

Para finalizar, tenho a dizer que estou mesmo muito triste com essa derrota. Toda a gente pensava que eu estava contra a nossa selecção. Enganam-se. Quem me conhece bem, sabe que eu sou um fanático do desporto Português. Vejo muitas competições internacionais de várias modalidades apenas para torcer pelos Portugueses. E sábado vêm aí uma, o Tour de France, onde obviamente estarei muito atento às prestações de 3 Portugueses: o campeão nacional Manuel Cardoso, Sérgio Paulinho e Rui Costa.

Aí espero que uma vitória numa etapa seja o suficiente para apagar da memória mais um Mundial onde voltámos a falhar.

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2 thoughts on “Eu bem tinha avisado Parte 2

  1. Luis diz:

    Não concordo com algumas coisas, acho sinceramente que Portugal tem e teve “tomates” para ir em frente, mesmo contra 9 milhos de portugueses que fizeram de tudo para poder dizer no seu cafe diário ” nao acredito em Portugal neste mundial”.

    Tivemos uma defesa como nunca vimos em Portugal ( na minha opinião) e sem sombra de duvida, tivemos grandes jogadores a fazer grandes jogadas. Um tem de perder e fomos nós desta vez. a Moral nao subio de mais quando ganhamos 7-0 mas sim quando jogamos e jogamos… ate perder com a grécia.

  2. João Branco diz:

    Caro Luís:

    O facto de não concordar comigo só vem enaltecer a discussão neste blog. Eu não escrevo as minhas opiniões para que toda a gente venha aqui dizer “amen” a tudo aquilo que escrevo. Venho aqui partilhar as minhas opiniões e deixar que as pessoas partilhem as suas de forma livre. Por isso, sinta-se à vontade.

    Quanto ao seu primeiro parágrafo de comentário tenho a dizer que tem inteira razão naquilo que diz.
    Quanto ao seu segundo parágrafo, tenho a dizer que concordo quando diz que a defesa Portuguesa foi excelente. Ela tem sido excelente desde a era Scolari e neste mundial não foi excepção. Principalmente quando analisamos a coesão defensiva com que Portugal actuou nos 4 jogos, num ritmo sempre certinho, não cometendo falhas… Basta também analisar pela óptica das exibições de Ricardo Carvalho, Bruno Alves e sobretudo de Fábio Coentrão.

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